quarta-feira, 8 de julho de 2015

Sacri Monti | Sacri Monti (2015)


Existe uma cidade localizada a sul do estado da Califórnia (EUA) que oferece uma qualidade de vida singular ao Psychedelic Rock. Falo de San Diego, é claro, e da mística que lhe é intrínseca. Essa cidade vigiada de perto pelo oceano Pacífico tem testemunhado enormes referências musicais darem à sua costa e por ali subsistirem com vistoso resplendor. Falo de casos como Earthless, Astra, Psicomagia, Harsh Toke, Joy e Sacri Monti, que têm feito de San Diego, uma cidade detentora de algo muito especial. Todos estes exemplos são sublimes recomendações para quem ambiciona vivenciar uma inolvidável experiência tão para lá da gravidade consciencial. Curiosamente todas estas bandas têm sido pescadas pela emblemática Tee Pee Records, a gravadora sediada em Nova Iorque.

Na iminência de assistirem ao lançamento oficial do seu primeiro disco de longa duração (agendado para o dia 24 de Julho), Sacri Monti é um nome a não esquecer. Formados em 2012, este quinteto Californiano conta com a presença do baixista de Radio Moscow (Anthony Meier) e o baterista de Joy (Thomas Dibenedetto) na sua formação. Enviaram-me muito recentemente o seu tão ansiado disco homónimo e, antes de me alongar na descrição da ressaca que este me causara, devo adiantar que se trata de um álbum soberbo. Fundado pelo Hard-Psych Rock setentista, “Sacri Monti” traz ainda consigo a inebriante fragância do KrautRock. Este quinteto electrizante de instrumentos exorcizados é uma excitante injecção de adrenalina que nos catapulta a um paralisante estado de euforia. São 42 minutos de intensa radiação psicotrópica que erode e desmaia os nossos sentidos. Descomponham-se com as alucinantes ofensivas de duas guitarras que se enlaçam e desatam numa hipnótica e emancipadora orgia, de onde entusiasmantes e violentas erupções de solos são ejaculados. Comungar as divagações supersónicas destas duas guitarras endoidecidas proporciona-nos uma vertiginosa odisseia de onde a nossa consciência não sai ilesa. Saboreiem as aprazíveis linhas de um baixo imensamente dançante que se envaidece com deslumbrante distinção ao longo de todo o disco. Sintam as batidas do vosso coração descoordenar-se com as entusiásticas e dinâmicas incursões de uma bateria embriagada que nos obriga a uma exuberante reacção comportamental, e divaguem ao som de um sintetizador isotérico que sobrevoa com vaidade todo este caos de satisfação. Para lá de todo este carnaval sensitivo causado pela revolta instrumental, passeia uma voz narcotizada que se sobrepõe na perfeição. Este disco representa uma nebulosa e lisérgica comoção que se agiganta na alma dos bem-aventurados apóstolos que ousem enfrentá-lo. 2015 fica um ano musicalmente obeso (onde a qualidade e quantidade caminham de mãos dadas) depois de libertado este indomável cometa chamado “Sacri Monti”. Deixem que ele entre em rota de colisão com a vossa alma e sejam testemunhas privadas de um extasiante apocalipse de prazer que vos cicatrizará a memória para todo o sempre.

Ocelot: San Diego Psych n' Blues!






domingo, 5 de julho de 2015

Seventies Groove vol.10 : ZZ Top - "First Album" (1971)

EUA, 1971. Não é tarefa fácil escolher o meu disco favorito da admirável e extensiva discografia de ZZ Top (principalmente entre os três primeiros), mas a ter de o fazer (como agora me sinto impelido a fazê-lo), escolheria o estreante “First Album”. Dois anos depois de formada a banda norte-americana, acontece “First Album” e com ele todo um renovado conceito do chamado Blues-Rock. Não tenho qualquer reserva em considerá-lo um dos discos mais sedutores da história da música Rock. A então jovem banda texana apresentava ao mundo o seu Blues poeirento, selvagem, sujo e oxidado tão bem conduzido e domado. Este disco obriga-nos a vivenciá-lo dançando-o de olhos cerrados e com um sorriso indiscretamente embriagado. É a reacção natural quando confrontados com esta verdadeira obra-prima. Sendo um facto incontestável considerar Billy Gibbons um dos mais talentosos guitarristas de sempre, terei todo o prazer em alimentar ainda mais este seu intocável estatuto com os mais sinceros elogios. “First Album” aprisiona um dos trabalhos de guitarra mais admiráveis da biografia Rock N’ Roll. Billy Gibbons explora a guitarra com uma destreza e sensibilidade tocantes. É ela a principal responsável por todas as prazerosas emoções que o nosso rosto manifestará durante a audição deste disco. Riffs exuberantes, aliciantes e exóticos. Solos penetrantes que nos serpenteiam e endoidecem. Para lá do domínio de Gibbons, está o não menos respeitável Dusty Hill que ao volante de um baixo de orientação imensamente fascinante e hipnótica envolve a guitarra com a sua respiração funk’eana. De baquetas empunhadas está Rube Beard com o seu tão característico Groove de natureza extravagante. De referir ainda as vozes quentes e aveludadas de Gibbons e Hill que acrescentam emoção a estes entusiasmantes 34 minutos de “First Album”. Um incontornável disco de audição obrigatória a todos os amantes da música Rock que se prezem.

A radiante assombração!


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Delta fuckin' Blues!


Father Sky | Tower Heist EP (2014)

Tuna de Tierra | EPisode I: Pilot (2015)

Sou um apaixonado pelo Deserto e pela música que nele se inspira. Portanto bandas como Yawning Man, Brant Bjork, Kyuss, Los Natas e Fatso Jetson são das mais altas referências que norteiam o meu apetite musical. Também recentemente têm nascido bandas dedicadas ao lado mais bronzeado da música Rock e que me entusiasmam, tais como T-Rex Quiet, Mantra Machine, Naxatras e os italianos Tuna de Tierra. Esta última, Tuna de Tierra, acaba de lançar uma verdadeira ode ao Deserto debaixo da sugestiva denominação “EPisode I: Pilot”, o seu EP de estreia. Este power-trio de pés descalços nas fervilhantes areias que empoeiram o Monument Valley pode muito bem orgulhar-se do seu primeiro trabalho, pois ameaça tratar-se de um dos mais promissores não só do ano, mas do género. São 20 minutos de sonoridade cálida e lenitiva debaixo da imponente presença de um sol vigilante que nunca desvanece. Tuna de Tierra presenteia-nos com acordes docemente contemplativos e embriagantes que nos deslumbram e aquietam. Oxigenado pelo lisérgico bafo do Desert-Psych Rock, “EPisode I: Pilot” representa uma extasiante odisseia pelos cálidos e radiosos Desertos de horizontes que se renovam infinitamente. Desmaiem ao som de uma guitarra endeusada que nos apazigua com os seus Riffs exóticos, xamânicos e sedutores; Balancem a cabeça ao som de um baixo dançante que nos massaja os sentidos com as suas delirantes incursões, e uma bateria empolgante de orientação rítmica dinâmica e encantadora. São estes os três profetas que embelezam Tuna de Tierra, e fazem dela um dos desertos musicais mais prolíferos do género.

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