quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Mountain Rag | Of The Southern Plains (2015)

Chega-nos de Austin, Texas este flamejante power-trio chamado Mountain Rag que se estreia com o seu “Of the Southern Plains”: um disco acabado de ser lançado e que transpira um Blues cheio de garra e exuberância. Não foi nada difícil deleitar-me com a ambiência sonora que este disco aprisiona, exibindo - ao longo dos seus 25 minutos de duração - o lado mais poeirento e irreverente da música Blues. Estes texanos de claras influências ZZ Top’eanas conduzem e domesticam o Blues de “Of the Southern Plains” com contagiante destreza e autoridade. A guitarra envaidece-se com os solos expressivos, vertiginosos e acrobáticos por ela cuspidos, o baixo serpenteia de forma incansável as indomáveis e irrequietas movimentações da guitarra, a bateria cavalga de forma efusiva todo este orgasmo electrizante, e a voz berrante – de contornos mélicos e ásperos – condimenta na perfeição este extravagante “Of the Southern Plains”. Este é um disco de alma tocante e sedutora que nos obriga a vivenciá-lo de forma entusiasmante. É também um dos registos mais euforizantes do ano e uma das mais sérias promessas da música Blues que parece estar novamente a ganhar vitalidade. Abram uma garrafa de Jim Beam, recostem-se confortavelmente e saboreiem esta inebriante destilação. Não vai ser fácil ouvi-lo apenas uma vez.

Kurt Vile - "b'lieve i'm goin down..."


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Stone From The Sky | NGC 1976 (2015)

É aqui, em “NGC 1976”, que o deserto e o cosmos se tocam e provocam em nós uma atónica e memorável experiência. Natural de Le Mans, França, este power-trio chamado Stone From The Sky dedica o seu primeiro álbum à sonoridade viajante e celestial do Psych Rock e às exóticas e cálidas brisas do Desert Rock numa junção que muito me agrada e estimula. Esta jovem banda de instrumentos empoeirados pelo deserto e abençoados pelo bafo das estrelas pode muito bem orgulhar-se de “NGC 1976”. São 40 minutos de constante hipnose que nos induz, seduz e conduz a uma inebriante odisseia pelas arenosas autoestradas do universo bocejante. É um disco de ambiência tremendamente fascinante que tanto nos tranquiliza com os seus solos de efeito sedativo, como nos empolga e euforiza com os seus riffs enérgicos e explosivos. É este contraste entre a densidade e a leviandade que nos impele a recolher a âncora da lucidez e divagar à velocidade de cruzeiro pelo morfínico oceano cósmico. Testemunhem esta verdadeira libertação de endorfina causada pelas prazerosas e extasiantes divagações de uma guitarra narcotizada e em constante delírio, descomponham-se perante as compactas e vistosas linhas de um baixo de efeitos analgésicos, e agitem-se ao som de uma bateria resplandecente que tempera na perfeição todos os momentos de “NGC 1976”. Sintam-se agigantar pela obscuridade do cosmos e despertar na admirável Nebulosa de Órion (responsável principal pelo nome deste disco). Uma das surpresas do ano está aqui. Relaxem, respirem fundo, rodem este “NGC 1976” e sintam a vossa consciência transviar por caminhos nunca antes explorados.

Dope Priest Prophecy


Amaris Aviles @ Killer Moon

Tony Reed | The Lost Chronicles Of Heavy Rock Vol. 1 (2015)

Electric Wizard

Saint Vitus

Blown Out : A Space Odyssey


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Agusa | Två (2015)

Depois do bem-sucedido ‘Högtid’ (falado aqui) lançado no passado ano de 2014, eis que – um ano depois – nasce ‘Två’ e herda o merecido protagonismo deixado pelo seu antecessor. A banda sueca Agusa destaca-se pela sua sonoridade fielmente direcionada ao Krautrock e ao Progressive Rock, com discretos chamamentos a Psych Rock. Esta fusão de subgéneros resulta numa revivalista odisseia que nos apazigua e transcende. ‘Två’ é um disco de atmosfera imensamente onírica, oxigenada pelo misticismo cósmico que supera a compreensão humana. Este quinteto musicalmente rico conduz-nos ao longo de uma fascinante meditação narrada pelos seus instrumentos. Sintam-se desfalecer prazerosamente ao som de uma guitarra endeusada que se exalta com os seus solos acrobáticos e empolgantes; Deixem-se hipnotizar pelas mágicas e vistosas incursões de um órgão astral que sobrevoa todo o disco; Oscilem à boleia de um baixo deliciosamente ritmado que sombreia com robustez todo este cortejo ancestral; Agitem-se ao som de uma bateria jazzística que pauta com exuberante e prazenteira perícia esta divagação sideral; Deliciem-se com a dança étnica exalada de uma flauta serpenteante que nos adorna e conquista. ‘Två’ tem algo de verdadeiramente encantador que faz dele um dos melhores discos do ano. Fechem os olhos, recostem-se confortavelmente e sintam-se gravitar os pesados domínios de Agusa numa das hipnoses mais profundas que a música pode germinar em nós. Sejam astronautas do vosso próprio Cosmos ao longo dos 40 minutos de ‘Två’.   

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