Assim que escutarem as primeiras
notas exaladas pelo baixo já será demasiado tarde para evitarem o embarque
nesta analgésica e opiácea divagação xamânica pela pausada e lenitiva ondulação
de Bong Of Cthulhu. O seu Psych Doom sobrecarregado de endorfina
tem em nós um efeito depressor que nos obriga a vivenciá-lo de pálpebras semicerradas
e cabeça entregue a um constante movimento pendular. Este power-trio sueco dedicado ao lado mais psicotrópico da música oferece-nos
50 minutos de constante inalação de THC, fazendo do nosso corpo um turíbulo
dançante que se agita ao ritmo tirânico de “Bong Of Cthulhu”. Na constituição
de toda esta densa e narcótica nebulosidade está um baixo sombrio e hipnótico
de murmúrios arrastados e densos, uma guitarra áspera de riffs fumarentos e intoxicantes, e uma bateria vigilante de estimulantes
e resplandecentes palpitações. A sua sonoridade enternecida e monolítica circunda e amortalha
a nossa consciência, massajando-a e obrigando-a à fiel submissão. Obedeçam a
este verdadeiro ritual e testemunhem o prazeroso abrandamento da actividade
psicomotora. Impregnem-se neste bálsamo espirituoso e sintam a sagrada eclosão
da vossa alma rumo ao distante nirvana. Mesmo depois de calada toda esta
anestésica tempestade sonora sentir-se-ão deambular livremente pelos aveludados céus do
bem-estar. Um dos registos mais sedativos do ano está aqui, na estreia de Bong Of Cthulhu. Inalem-no, prendam-no
nos pulmões e exalem-no.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Redemptus | "We All Die The Same" (2015)
É ainda de consciência embaciada,
transviada e a tentar regressar a ela mesma que escrevo estas palavras
dedicadas ao álbum “We All Die The Same” do power-trio
português Redemptus. Este disco teve
em mim um efeito tremendamente impactante que me domesticara do primeiro ao
derradeiro tema. Esta obra incorpora o Doom,
o Sludge e o Post-Metal num pujante grito que se agiganta e nos arrasa sem
qualquer misericórdia. A sua sonoridade misantrópica e catártica (a fazer
lembrar uns saudosos Fall of Efrafa)
purifica-nos com a sua lúgubre e entorpecedora radiação. São 31 minutos de
constante assombração gerada por uma soberana guitarra de riffs inquisidores e turbulentos,
um baixo tenebroso de linhas robustas e intoxicantes, uma voz portentosa, fecundante
e perturbadora que estimula todo o instrumental, e uma bateria propulsiva que
cavalga com dinamismo e vivacidade toda esta nebulosa atmosfera de “We
All Die The Same”. Não é fácil enfrentar toda esta reverberante avalanche
e sair ileso. Redemptus provoca em
nós um efeito sísmico que nos absorve e mergulha nos mais soterrados estádios da
alma. “We All Die The Same” representa o perfeito equilíbrio entre a
melancolia e a euforia. Envolvam-se nesta poderosa e espessa plangência que vos
abraçará e enlutará o espírito. Relaxem, cerrem as pálpebras, e escutem este disco sem distracções.
Cinema de Novembro!
Mais ne nous délivrez pas du Mal (1971) de Joel Séria
★★★☆☆
No Country for Old Man (2007) de Ethan Coen & Joel Coen ★★★★★
On Any Sunday (1971) de Bruce Brown ★★★★☆
Everest (2015) de Baltasar Kormákur ★★★☆☆
Being John Malkovich (1999) de Spike Jonze ★★★★☆
The Shooting (1966) de Monte Hellman ★★★☆☆
Vals Im Bashir (2008) de Ari Folman ★★★★☆
Heist: Who Stole the American Dream? (2011) de Frances Causey & Donald Goldmacher ★★★★☆
Lemmy (2010) de Greg Olliver & Wes Orshoski ★★★★☆
Ghost World (2001) de Terry Zwigoff ★★★★☆
Così come sei (1978) de Alberto Lattuada ★★★☆☆
Dogtown and Z-Boys (2001) de Stacy Peralta ★★★★★
Entre les Murs (2008) de Laurent Cantet ★★★☆☆
Into the Wild (2007) de Sean Penn ★★★★★
Ex Machina (2015) de Alex Garland ★★★★☆
No Country for Old Man (2007) de Ethan Coen & Joel Coen ★★★★★
On Any Sunday (1971) de Bruce Brown ★★★★☆
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Heist: Who Stole the American Dream? (2011) de Frances Causey & Donald Goldmacher ★★★★☆
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Così come sei (1978) de Alberto Lattuada ★★★☆☆
Dogtown and Z-Boys (2001) de Stacy Peralta ★★★★★
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