sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Bong Of Cthulhu - S/T (2015)

Assim que escutarem as primeiras notas exaladas pelo baixo já será demasiado tarde para evitarem o embarque nesta analgésica e opiácea divagação xamânica pela pausada e lenitiva ondulação de Bong Of Cthulhu. O seu Psych Doom sobrecarregado de endorfina tem em nós um efeito depressor que nos obriga a vivenciá-lo de pálpebras semicerradas e cabeça entregue a um constante movimento pendular. Este power-trio sueco dedicado ao lado mais psicotrópico da música oferece-nos 50 minutos de constante inalação de THC, fazendo do nosso corpo um turíbulo dançante que se agita ao ritmo tirânico de “Bong Of Cthulhu”. Na constituição de toda esta densa e narcótica nebulosidade está um baixo sombrio e hipnótico de murmúrios arrastados e densos, uma guitarra áspera de riffs fumarentos e intoxicantes, e uma bateria vigilante de estimulantes e resplandecentes palpitações. A sua sonoridade enternecida e monolítica circunda e amortalha a nossa consciência, massajando-a e obrigando-a à fiel submissão. Obedeçam a este verdadeiro ritual e testemunhem o prazeroso abrandamento da actividade psicomotora. Impregnem-se neste bálsamo espirituoso e sintam a sagrada eclosão da vossa alma rumo ao distante nirvana. Mesmo depois de calada toda esta anestésica tempestade sonora sentir-se-ão deambular livremente pelos aveludados céus do bem-estar. Um dos registos mais sedativos do ano está aqui, na estreia de Bong Of Cthulhu. Inalem-no, prendam-no nos pulmões e exalem-no.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Redemptus | "We All Die The Same" (2015)

É ainda de consciência embaciada, transviada e a tentar regressar a ela mesma que escrevo estas palavras dedicadas ao álbum “We All Die The Same” do power-trio português Redemptus. Este disco teve em mim um efeito tremendamente impactante que me domesticara do primeiro ao derradeiro tema. Esta obra incorpora o Doom, o Sludge e o Post-Metal num pujante grito que se agiganta e nos arrasa sem qualquer misericórdia. A sua sonoridade misantrópica e catártica (a fazer lembrar uns saudosos Fall of Efrafa) purifica-nos com a sua lúgubre e entorpecedora radiação. São 31 minutos de constante assombração gerada por uma soberana guitarra de riffs inquisidores e turbulentos, um baixo tenebroso de linhas robustas e intoxicantes, uma voz portentosa, fecundante e perturbadora que estimula todo o instrumental, e uma bateria propulsiva que cavalga com dinamismo e vivacidade toda esta nebulosa atmosfera de “We All Die The Same”. Não é fácil enfrentar toda esta reverberante avalanche e sair ileso. Redemptus provoca em nós um efeito sísmico que nos absorve e mergulha nos mais soterrados estádios da alma. “We All Die The Same” representa o perfeito equilíbrio entre a melancolia e a euforia. Envolvam-se nesta poderosa e espessa plangência que vos abraçará e enlutará o espírito. Relaxem, cerrem as pálpebras, e escutem este disco sem distracções.

Fungorum | Demo (2015)

Major Kong | "Galactic Cannibalism" (2015)

Cinema de Novembro!

Mais ne nous délivrez pas du Mal (1971) de Joel Séria   ★★★☆☆
No Country for Old Man (2007) de Ethan Coen & Joel Coen   ★★★★★
On Any Sunday (1971) de Bruce Brown   ★★★★
Everest (2015) de Baltasar Kormákur    ★★★☆☆
Being John Malkovich (1999) de Spike Jonze   ★★★★
The Shooting (1966) de Monte Hellman   ★★★☆☆
Vals Im Bashir (2008) de Ari Folman   ★★★★
Heist: Who Stole the American Dream? (2011) de Frances Causey & Donald Goldmacher   ★★★★
Lemmy (2010) de Greg Olliver & Wes Orshoski   ★★★★
Ghost World (2001) de Terry Zwigoff   ★★★★
Così come sei (1978) de Alberto Lattuada   ★★★☆☆
Dogtown and Z-Boys (2001) de Stacy Peralta   ★★★★★
Entre les Murs (2008) de Laurent Cantet   ★★★☆☆
Into the Wild (2007) de Sean Penn   ★★★★★
Ex Machina (2015) de Alex Garland   ★★★★