sexta-feira, 7 de abril de 2017

Review: ⚡ Electric Moon - 'Stardust Rituals’ (2017) ⚡

É justo começar por dizer que Electric Moon é hoje uma das bandas que mais me entusiasma, e tê-la presenciado ao vivo na edição de 2015 do festival ribatejano Reverence Valada (review aqui) só fortalecera essa minha intocável e crescente admiração que dedico a este power-trio de raízes germânicas. Portanto foi com desmedida expectativa que respondi ao anúncio da produção do quinto e novo álbum de Electric Moon.

Lançado oficialmente hoje mesmo pela produtiva Sulatron Records (selo discográfico ao qual agradeço publicamente o envio do disco) em formato físico de CD e com o lançamento em vinil agendado para o início de Junho, ‘Stardust Rituals’ empoeirou a minha alma de um intenso santificado e nebuloso encantamento astral, içando a minha consciência narcotizada pela berrante, vertiginosa e deslumbrante espiritualidade do Cosmos bocejante. A sua sonoridade imensamente visual conjuga na perfeição o sublime, delirante e envolvente Psych Rock com o lisérgico, contemplativo e viajante Krautrock numa hipnótica, extensível e fascinante jam que nos seduz, canoniza e conduz pelas maravilhosas narrativas celestiais superiormente tocadas por estes três astronautas de instrumentos empunhados. Banhem-se num profundo e sagrado misticismo ao som de uma guitarra sonhadora – abençoada pelas estrelas – que se transcende em magníficas indagações espaciais ao volante de riffs estéticos, magnéticos e intrigantes e de brumosos, mágicos e deturpados solos que nos amortalham, ofuscam e euforizam. Balanceiem os vossos corpos anestesiados pela resplandecente narcose de ‘Stardust Rituals’ ao som de um baixo pulsante, vigoroso e dançante que lidera, sombreia e tonifica toda esta digressão tântrica à medula do êxtase, e de uma bateria jazzística que tempera e estimula as paisagens sonoras de Electric Moon com a sua dinâmica, deliciosa e empolgante ritmicidade. Sintam as arrebatadoras e messiânicas brisas de uma paradisíaca e-cítara que se passeia – de forma livre, sedutora e contemplativa – pela desarmante e relaxante beatitude que este álbum destila, embaciem a vossa lucidez nos nebulosos, fantasistas e siderais bailados de um sintetizador, e desmaiem de prazer ao som de uma voz espectral, sedosa e tranquilizante que empresta toda uma aura morfínica a este majestoso álbum. O irretocável artwork de essência nirvânica que brilhantemente ornamenta esta verdadeira obra-prima é da autoria conjunta do ilustrador italiano Eriko e da artista – e baixista da banda – Lulu Neudeck. Existe algo de verdadeiramente ataráxico na alma de ‘Stardust Rituals’ que nos entorpece e fossiliza numa perpétua sensação de bem-estar. Este é um disco verdadeiramente estarrecedor que nos convida a vivenciar uma das mais prazerosas meditações da nossa existência. Um dos grandes álbuns de 2017 está aqui, na quimérica e ritualística hipnose de ‘Stardust Rituals’. Dissolvam-se n’Ele.

Elder @ Freak Valley Festival (2016)

🎧 Here Lies Man - ST (2017) via RidingEasy Records

Charles Bukowski on A Crappy Life | Blank on Blank

Jimi Hendrix on The Experience | Blank on Blank

terça-feira, 4 de abril de 2017

Review: ⚡ Doctor Cyclops - 'Local Dogs’ (2017) ⚡

O power-trio italiano Doctor Cyclops acaba de lançar o seu terceiro álbum ‘Local Dogs’ pela mão do influente selo romano Heavy Psych Sounds nos formatos físicos de CD e vinil. Baseado num intenso, rebuscado e extravagante Heavy Psych em cumplicidade com um corpulento, emocionante e torneado Heavy Rock de natureza setentista, este seu extraordinário álbum conquistara-me logo à primeira audição que lhe dedicara. A sua sonoridade essencialmente revivalista transpira uma exuberância, flexibilidade e sedução que nos intriga, hipnotiza e fascina ao longo dos 47 minutos de duração. ‘Local Dogs’ passeia-se – de forma sublime e envaidecida – da tirânica e enigmática obscuridade à mais sagrada e libertadora resplandecência, provocando em nós toda uma plena sensação de deslumbramento que nos mantém de pupilas dilatadas e ouvidos em constante salivação. Toda esta épica cavalgada é promovida e conduzida por uma primorosa guitarra que se realça com os seus riffs majestosos e solos atordoantes, um baixo prepotente de danças possantes, oscilantes e carregadas, uma bateria galopante de prodigiosas e empolgantes acrobacias, e ainda uma voz atlética, melódica e carismática que embeleza toda esta opulenta fragância sonora. ‘Local Dogs’ é um álbum movido a elegância, destreza e vigor que nos absorve e enleva com destacada facilidade, obrigando-nos a vivenciá-lo numa detida e extravagante dança corporal. Comunguem este atraente, distinto e sumptuoso trabalho de Doctor Cyclops e reverenciem um dos mais caprichosos discos lançados em território de 2017.

All Them Witches

🎧 Vitral - 'Asíntota' (2016)

domingo, 2 de abril de 2017

Review: ⚡ West Grave - 'West Grave’ EP (2017) ⚡

Está oficialmente lançado o EP de estreia do power-trio português West Grave. Esta jovem banda natural da cidade minhota de Barcelos pode muito bem orgulhar-se da criação deste seu disco homónimo, que ostenta um inflamante, poderoso e excitante Heavy Psych – saturado de um abrasivo efeito Fuzz – que tanto nos lapidifica numa plena e imperturbável sensação de bem-estar como nos embebeda e detona de uma desgovernada euforia. A sua sonoridade quente, bronzeada e corrosiva remete-nos para uma vasta paisagem desértica fustigada e calejada pelo Sol vigilante, onde imponentes Saguaros se espreguiçam em direcção aos céus dourados, abutres famintos sobrevoam em movimentos circulares as carcaças há muito esquecidas, e distensíveis estradas poeirentas cicatrizam o solo arenoso. É ao volante de um furioso muscle car, de cabelos entrançados pela lisérgica brisa veraneia que deambula airosamente pela atmosfera, e olhar desmaiado e atracado no horizonte de um deserto que se desdobra pela infinidade adentro, que este ‘West Grave’ nos passeia a alma pelas suas fascinantes e lenitivas paisagens sonoras. Deixem-se conduzir pela deslumbrante narrativa de West Grave ao som de uma guitarra cáustica e incandescente que nos intoxica com os seus envolventes, narcotizantes e encantadores riffs e nos esgrima a lucidez com solos berrantes, contemplativos, incisivos e alucinantes, um baixo fibrótico de linhas torneadas, hipnóticas e pulsantes que se serpenteia pelas tisnadas e aveludadas areias de ‘West Grave’, e uma bateria explosiva e retumbante que tiquetaqueia com destreza e emoção toda esta entusiástica cavalgada pelas desérticas estradas deste EP. É ainda justo enaltecer o espantoso e requintado artwork da autoria do artista lusitano Prodius que tão bem representa visualmente tudo o que a sonoridade de West Grave desenha na introspecção do ouvinte. Este é um EP movido a vigor e sedução que seguramente estará perfilado na lista dos melhores registos nascidos em 2017. Empoeirem-se na mística e etérea alma de ‘West Grave’ e sintam-se transcender pela infinidade do Cosmos interior que vos afunilará de encontro ao sagrado êxtase.

Nebula - "To The Center" (1999)

Psicomagia @ San Diego, CA (2012)

Ⓒ Elsa Bleda

Flickr

Saguaro National Park, Arizona (EUA)

Libido Fuzz - "Sparks" (2017)

sábado, 1 de abril de 2017

Ⓒ Sarah Findlay

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Review: ⚡ The White Flies - 'The White Flies’ (2017) ⚡

Que agradável surpresa proveniente da cidade brasileira de Joinville. O homónimo ‘The White Flies’ é o álbum de estreia do power-duo The White Flies e encerra um deslumbrante, sublime e tropical Psych Rock brilhantemente emaranhado num contemplativo, hipnótico e paisagístico Surf Rock, num envolvente, ensolarado e relaxante Shoegaze e ainda num vibrante, inflamante e vigoroso Stoner Rock de ares desérticos. Lançado no passado mês de Fevereiro apenas em formato digital através do seu Bandcamp oficial, este fascinante álbum viaja-nos pelas praias havaianas situadas no verão sessentista onde surfistas golpeiam as ondas do mar debaixo de um sol abrasador e abraçados por uma revitalizante brisa salgada bafejada pelo oceano Pacífico. A sua sonoridade paradisíaca, cálida e morfínica petrifica-nos num perfeito estádio de êxtase que nos bronzeia do primeiro ao derradeiro tema. Embebedem-se ao adorável som de uma guitarra que se manifesta em riffs verdadeiramente harmoniosos, sedativos e estarrecedores e se envaidece em emocionantes, vistosos e serpenteantes solos, um baixo contemplativo e sedutor de reverberação robusta e dançante, e uma bateria jazzística que tão bem alia a delicadeza com a exuberância. ‘The White Flies’ é um álbum etéreo que nos namora ao longo dos seus 37 minutos de duração. Entreguem-se à sua edênica resplandecência e experienciem um súbito desmaio de prazer. Esta é a banda-sonora perfeita para uma viagem veraneia de volante empunhado e olhos ancorados na vastidão oceânica. Um dos álbuns mais apaixonantes de 2017.

💪 Banquet - "Jupiter Rose" (live)