segunda-feira, 8 de maio de 2017

Lake On Fire Festival 2017

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🐫 The Myrrors - 'Hasta La Victoria' (30-06-2017)

Jimi Hendrix live at the Fillmore East

Review: ⚡ Siena Root - 'A Dream of Lasting Peace' (2017) ⚡

Siena Root é hoje uma das mais elogiadas, carismáticas e respeitadas bandas europeias do lado underground da música Rock. Com uma admirável, criativa e produtiva carreira que caminha saudavelmente para a marca dos quinze anos de actividade, esta formação sueca acaba de lançar o seu novo e sétimo álbum chamado ‘A Dream of Lasting Peace’ pela mão do selo discográfico germânico MIG nos formatos físicos de CD e vinil. Antes de traduzir para a escrita tudo o que este novo álbum provocara em mim, é justo começar por revelar que Siena Root se trata de uma das mais prestigiadas bandas da minha vida e tê-la vivenciado ao vivo na primavera do passado ano de 2016 (review aqui) representara a tão ansiada realização de um dos mais maduros e idosos sonhos musicais. Este fascinante quinteto sediado na cidade de Estocolmo – há muito dedicado ao perfumado, mélico e requintado Psych Rock em hipnótica e sensual consonância com um primoroso, exuberante e prazeroso Blues e conduzido por um provocante, luxurioso e dançante Prog Rock de natureza setentista – pode muito bem orgulhar-se da criação de ‘A Dream of Lasting Peace’ que encerra uma desarmante, comovente e estarrecedora elegância sonora capaz de nos namorar e encantar do primeiro ao derradeiro tema. Há algo de interminavelmente deslumbrante na essência de ‘A Dream of Lasting Peace’ que nos envolve, arrebata e extasia com intenso fulgor. Juntem-se a esta apaixonante e simbiótica caravana à incrível boleia de uma guitarra atraente que se manifesta em doces, agradáveis e voluptuosos acordes e se entusiasma em lascivos, sublimes e extraordinários solos, um perfumado órgão detidamente entregue a bailados extravagantes, ostentosos e magnetizantes, um baixo sussurrante de linhas torneadas, robustas, vistosas e oscilantes, uma bateria vivaz de inventivas, ligeiras e esplendorosas acrobacias, e ainda uma voz quente, harmoniosa, polida e oleada que condimenta na perfeição este magnífico ‘A Dream of Lasting Peace’. Pulverizem a vossa alma com esta inebriante fragância sonora de Siena Root e deixem-se absorver pela graciosidade, primor e delicadeza de um dos mais sublimes discos lançados em 2017.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

🔥 Radio Moscow - "250 Miles" @ Grange à Musique (2012)

Doctor Cyclops (live)

Heavy Birthday Bill Ward!

Review: ⚡ Cachemira - 'Jungla' (2017) ⚡

Cachemira é hoje – muito possivelmente – a minha banda preferida da vizinha Espanha. Formado das cinzas de Prisma Circus e da aparente reforma temporária de bandas como 1886 e Brain Pyramid, este apurado e euforizante power-trio enraizado na cidade de Barcelona conquistara-me no primeiro encontro. Foi lotado das mais elevadas expectativas que os vi subir ao palco na passada edição do festival Sonic Blast Moledo (review aqui) e a sua prestação ao vivo deixou-me totalmente estarrecido, fascinado e em constante salivação pelo lançamento do seu tão aguardado álbum de estreia. ‘Jungla’ é a designação deste portentoso disco que na próxima semana será oficialmente lançado pelo selo discográfico romano Heavy Psych Sounds nos formatos físicos de CD e vinil, e nele vigora um elegante, entusiástico e ardente Heavy Psych N’ Blues recuperado dos dourados e carismáticos 70’s. A sua sonoridade verdadeiramente extravagante, hipnótica e galopante – que se passeia equilibradamente pela ténue linha entre a doce e envolvente contemplação e a inflamante e contagiante excitação – tem o dom de nos amotinar numa intensa comoção de prazer que nos comove e endoidece ao longo dos 33 minutos que incorporam este requintadíssimo ‘Jungla’. Deixem-se conduzir à estonteante boleia de uma guitarra sublime e absorvente que se serpenteia envaidecidamente em voluptuosos, exóticos e intrigantes riffs e se transcende em eróticos, estonteantes e furiosos solos, uma voz corpulenta, escarpada e destemperada que contrasta na perfeição com o primor instrumental, um baixo dançante e reverberante de linhas magnéticas, sólidas, robustas e torneadas que veleja livremente os majestosos mares de Cachemira, e ainda uma bateria verdadeiramente aliciante que com as suas incríveis e mirabolantes acrobacias – regadas a perícia e emoção – esporeia toda esta desvairada e exuberante cavalgada. O irrepreensível, preclaro e adorável artwork foi minuciosa e superiormente elaborado pelo Smoke Signals Studio. Estamos na presença de um álbum verdadeiramente agradável, esmerado e delirante que provocará na alma do ouvinte uma intensa e demorada ressaca espiritual. Ofusquem-se na extasiante e resplandecente sublimidade de ‘Jungla’ e vivenciem um dos mais deslumbrantes discos lançados em 2017.

All Them Witches | Lightning 100

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Pelican - "March To The Sea" (2005)

🤘 May the Doom be with You!

Weedpecker - "Liquid Sky" (2017)

Review: ⚡ Witchfinder - 'Witchfinder' (2017) ⚡

Da cidade francesa de Clermont-Ferrand chega-nos o enigmático, fumarento e demoníaco álbum de estreia do power-trio Witchfinder. Lançado no passado dia 2 de Maio em formato digital e fundamentado num intrigante, obscuro e aterrador Psych Doom que se enlameia nos viscosos pântanos do corrosivo, áspero e nebuloso Sludge Metal, este terrífico (no sentido elogioso da palavra) ‘Witchfinder’ sombreara e enfeitiçara a minha alma do primeiro ao derradeiro tema. A sua sonoridade tirânica, soturna e carregada agiganta-se numa monolítica e poderosa avalanche de funesta e luciférica reverberação que nos desgasta, arrasa e narcotiza ao longo dos 42 minutos de duração. Este imperioso disco encerra uma essência ritualística que nos seduz, hipnotiza e converte em seus devotos evangelizadores. É demasiado fácil tombar o semblante de encontro ao peito, cerrar as pálpebras e nos deixarmos conduzir pela atmosfera melancólica, desolada e cataclísmica de ‘Witchfinder’ ao profano som de uma guitarra medonha e sombria que se fortifica em riffs robustos, sepulcrais e depressores, um baixo corpulento de linhas pausadas, pulsantes e opressivas, uma bateria trovejante de galope pesado e vagaroso, e ainda uma voz sinistra, fantasmagórica e penetrante que nos enluta e atemoriza. O luxuoso e excepcional artwork é da autoria do virtuoso ilustrador Maciej Kamuda que traduzira na perfeição para o universo visual tudo o que a inquisidora sonoridade deste disco nos segreda. ‘Witchfinder’ é um álbum verdadeiramente imponente que nos encobre com a sua profunda e intensa escuridão e nos sepulta num perpétuo e febril estádio de prostração. Este é muito possivelmente o mais sublime e provocante álbum de Doom que comungara em 2017 e certamente um dos mais elogiados e condecorados no final do mesmo. Entreguem-se a esta influente e envolvente cerimónia profana que vos dominará e encaminhará ao lado eclipsado da existência humana.