domingo, 2 de julho de 2017

Radio Moscow

ph JT Rhoades

🔥 SonicBlast Moledo 2017: A Antevisão 🔥

A sensivelmente um mês da próxima edição do SonicBlast Moledo já se sente um crescendo de ansiedade e entusiasmo em todos aqueles que acorrerão a Moledo do Minho no segundo fim de semana de Agosto (11-12). A receita sonora dificilmente poderia superar a sugerida (e já finalizada) pela organização do evento e adivinha-se uma massiva peregrinação àquela que indubitavelmente representa a actual meca do Psych Rock em território ibérico. Se no passado se revelara um aumento de qualidade no line-up de edição para edição, esta próxima segue a tendência, aumenta e apimenta a relação quantidade-qualidade e escala mesmo ao ponto mais culminante da história do festival. Bandas como Colour Haze, Elder, Kadavar, Acid King, Orange Goblin, Monolord, The Well, Kikagaku Moyo, The Machine, Black Bombaim, Dead Witches, Yuri Gagarin, Sasquatch, Blaak Heat, Death Alley, Vinnum Sabbathi e Holy Mushroom (para citar apenas uma parte) são algumas das mais elogiadas iguarias dos estilos musicais a que pertencem e – portanto – não podem deixar ninguém indiferente. Da minha parte reconheço que poder vivenciar pela primeira vez o opulento e euforizante Prog-Psych Doom de Elder, a monolítica descarga decibélica de Acid King e Monolord, o resplendoroso e edénico misticismo oriental de Kikagaku Moyo, a portentosa e reverberante detonação de Orange Goblin e o inflamante, diabólico e intrigante ritual de The Well, assim como revisitar o envolvente, requintado e contagiante psicadelismo de Colour Haze, a titânica avalanche do musculado Hard Rock setentista de Kadavar e a sagrada e encantadora expedição arábica pelos obscurantistas desertos de Blaak Heat, corresponde à materialização de sonhos que há muito me escoltam e inquietam. Num patamar mais terreno dedico ainda grandes expectativas em relação a outras actuações como as dos profanos Dead Witches, dos astronautas Yuri Gagarin, dos eletrizantes The Machine, dos fascinantes Black Bombaim, dos extravagantes Death Alley, dos atléticos Sasquatch, dos astrais Vinnum Sabbathi e dos alucinógenos Holy Mushroom. Este ano vai ser proibitivo desviar a atenção do recinto, numa constante e magnetizante cerimónia que nos eterizará de olhos ancorados nos palcos e ouvidos de comportas desobstruídas a comungar o êxtase musical. Espera-se um fim de semana paradísiaco, de Sol vigilante e bafo quente que nos bronzeia a pele, uma revitalizante e serpenteante brisa salgada que se entrelaça nos nossos cabelos, o longínquo ruído das ondas a desmaiar na praia e das gaivotas a sobrevoar o areal, e um imperturbável som que nos abraçará, namorará e conduzirá ao tão almejado transe. O SonicBlast Moledo tem sido tudo isto. Até lá.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

The Atomic Bitchwax - "Birth To The Earth" (1999)

🎬 Cinema de Abril, Maio e Junho

The Big Country (1958) de William Wyler   ★★★★★
Sibir. Monamur (2011) de Vyacheslav Ross   ★★★★
The Walking Dead S07 (2016-2017) de Frank Darabont   ★★★★★
Cisco Pike (1972) de Bill Norton   ★★★☆☆
Logan (2017) de James Mangold   ★★★☆☆
Fences (2016) de Denzel Washington   ★★★★★
Vozvrashchenie (2003) de Andrey Zvyagintsev   ★★★★
Ostrov (2006) de Pavel Lungin   ★★★★
Taboo S01 (2017) de Chips Hardy, Tom Hardy & Steven Knight   ★★★★★
13 Reasons Why (2017) de Brian Yorkey   ★★★★★
Day of the Outlaw (1959) de André de Toth   ★★★☆☆
The Life and Times of Judge Roy Bean (1972) de John Huston   ★★★☆☆
Inner Worlds, Outer Worlds (2012) de Daniel Schmidt   ★★★★★
The Fundamentals of Caring (2016) de Rob Burnett   ★★★☆☆
Paterson (2016) de Jim Jarmusch   ★★★★★
The Accountant (2016) de Gavin O'Connor   ★★★★
Picnic at Hanging Rock (1975) de Peter Weir   ★★★☆☆
Louie S01 (2010) de Louis C.K.   ★★★★★
The Raven (1963) de Roger Corman   ★★★☆☆
Ain't Them Bodies Saints (2013) de David Lowery   ★★★☆☆
Pára-me de Repente o Pensamento (2014) de Jorge Pelicano   ★★★☆☆
The Lobster (2015) de Yorgos Lanthimos   ★★★☆☆
Cadillac Records (2008) de Darnell Martin   ★★★☆☆
Arrival (2016) de Denis Villeneuve   ★★★★★
Reservoir Dogs (1992) de Quentin Tarantino   ★★★★★
Deadpool (2016) de Tim Miller   ★★★★★
Louie S02 (2011) de Louis C.K.   ★★★★★
The Magnificent Seven (2016) de Antoine Fuqua   ★★★★
Traceroute (2016) de Johannes Grenzfurthner   ★★★★
Gimme Danger (2016) de Jim Jarmusch   ★★★☆☆
Get Out (2017) de Jordan Peele   ★★★★☆
Looking: The Movie (2016) de Andrew Haigh   ★★★☆☆
21 Days Under the Sky (2016) de Michael Schmidt   ★★★★
The Crow (1994) de Alex Proyas   ★★★★☆
The Little Death (2014) de Josh Lawson   ★★★★★
The Edge of Seventeen (2016) de Kelly Fremon Craig   ★★★★☆
The Normal Heart (2014) de Ryan Murphy   ★★★★★
Louie S03 (2012) de Louis C.K.   ★★★★★
The Red Pill (2016) de Cassie Jaye   ★★★★★
Law Abiding Citizen (2009) de F. Gary Gray   ★★★★☆
Réquiem para el Gringo (1968) de Eugenio Martín & José Luis Merino   ★★★☆☆

Review: ⚡ The Myrrors - 'Hasta La Victoria' (2017) ⚡

Os norte-americanos The Myrrors acabam de lançar o seu novo álbum ‘Hasta La Victoria’ pela mão do selo nova-iorquino Beyond Beyond Is Beyond Records nos formatos físicos de CD e vinil, amadurecendo – desta forma – o vinculo contratual com a editora discográfica. Confesso que sou um grande admirador da sonoridade mântrica desta banda enraizada na cidade desértica de Tucson (Arizona, EUA) desde o lançamento do seu álbum de estreia no já distante ano de 2008, e os álbuns que se seguiram – ‘Arena Negra’ (review aqui) e ‘Entranced Earth’ (review aqui) – só intensificaram toda a veneração a ela dedicada. Hoje comunguei detidamente ‘Hasta La Victoria’ e devo antecipar que se trata de um disco messiânico que ilumina e canoniza a alma de quem nele ancorar. Fundamentado num hipnótico, envolvente e encantador Krautrock – aureolado por uma religiosidade arrebatadora que nos mergulha num profundo estádio de transe – e num extasiante, lenitivo e celestial Psych Rock de ares tântricos, ‘Hasta La Victoria’ é um álbum imensamente ritualístico que nos lidera numa fascinante peregrinação pelos desfiladeiros da espiritualidade. A sua sonoridade divina, beatífica e xamânica mantém-nos acordados num brumoso, contemplativo e paradisíaco universo onírico, provocando em nós uma hipnose que nos embacia a lucidez do primeiro ao último tema. Deixem-se absorver pela transcendente meditação rezada por estes druidas sediados no deserto de Sonora à delirante boleia dos extravagantes, aveludados e serpenteantes bailados de um saxofone uivante, as sedutoras, sublimes e enigmáticas deambulações de uma guitarra profética, a ondulante, densa e dançante reverberação de um baixo marcante, as fabulosas, elegantes e sumptuosas divagações de um adorável violino, o suave e delicado sopro de uma flauta arábica, a percussão tribalista de uma bateria empolgante e os vocais nebulosos, ecoantes e espectrais que sobrevoam toda esta edénica refulgência sonora. Não é fácil emergir à tona e despertar desta densa e intensa narcose. ‘Hasta La Victoria’ é um registo nirvânico que perpetua em nós um estado de plena serenidade. Juntem-se a esta nova cerimónia de The Myrrors, banhem-se no seu oásis e testemunhem um dos álbuns mais extraordinários de 2017.

Tuna de Tierra - "Morning Demon" (2017)

🕶️ Brant Bjork | Euro Tour 2017

Ufomammut - "GOD" (live)

Jimi Hendrix

terça-feira, 27 de junho de 2017

Review: ⚡ Acid Rooster - 'Live at Desi' (2017) ⚡

Da cidade de Leipzig (Alemanha) chegam-nos as fascinantes e narcotizantes jams do recém-formado power-trio germânico Acid Rooster. Lançado muito recentemente em formato digital através do seu Bandcamp oficial, ‘Live at Desi’ representa – como o nome sugere – um registo gravado ao vivo (no mês de Junho do passado ano de 2016 em Nuremberga) e que prende um intoxicante, hipnótico e absorvente Heavy Psych em arrebatadora comunhão com um lisérgico, lenitivo e envolvente Krautrock de ambiência astral. A sonoridade ácida, sedativa e delirante de Acid Rooster causa no ouvinte um profundo e constante estádio de encantamento que lhe climatiza a alma do primeiro ao último minuto. Para além da extensa jam realizada pelos Acid Rooster, neste seu registo de estreia mora ainda uma faixa conclusiva onde vigora o soundcheck levado a cabo com os seus companheiros de palco – e conterrâneos – Space Shuttle que com a destacada e sedutora presença do seu uivante e serpenteante saxofone acrescenta uma exótica, aparatosa e empolgante dose de experimentalismo à ambiência sonora que governa ‘Live at Desi’. Nesta deslumbrante expedição estelar somos nutridos e embalados por uma guitarra liderante que se enfatiza com os seus solos alucinantes, cáusticos e bocejantes, uma bateria diligente, criativa e galopante e um baixo modorrento de linhas vigorosas, pausadas e oscilantes. Este é um registo de essência embriagante que nos abraça, domina e enleva. Sintam-se perecer num gradual desmaio de prazer e catapultem-se de encontro à medula do nebuloso Cosmos deixando para trás o corpo despido e inanimado. ‘Live at Desi’ simboliza uma extraordinária, sublime e inabalável odisseia pelas perpétuas estradas da profunda e sagrada hipnose. Empoeirem-se na entorpecedora alma de Acid Rooster e estacionem a vossa numa plena e perene sensação de bem-estar.

Links:
Bandcamp

© Harley and J

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