quarta-feira, 9 de agosto de 2017

✝ Hand of Doom ✝

Review: ⚡ Frozen Planet 1969 - 'From the Centre of a Parallel Universe’ (2017) ⚡

É justo começar por dizer que Frozen Planet 1969 é hoje uma das minhas jam band’s favoritas e este power-trio australiano parece cimentar a sua posição na minha consideração com o lançamento do seu novo álbum ‘From the Centre of a Parallel Universe’ agendado para o próximo dia 30 de Agosto pela mão do selo discográfico local Pepper Shaker Records nos formatos físicos de CD e vinil. Depois de em Janeiro do presente ano ter aplaudido o fascinante ‘Electric Smokehouse’ (review aqui), esta formação sediada na cidade de Sydney obriga-me a repetir-lhe o elogio. Este novo registo prende um envolvente, hipnótico e extasiante Heavy Psych em alegre consonância com um gélido, ébrio e anestésico Space Rock que – traduzidos e unificados numa fluída, relaxada e extensíva jam – nos sidera e ancora a um pleno e firme estádio de ataraxia. A sua sonoridade temulenta, prazerosa e delirante tem o dom de nos atrelar a ela e vivenciar uma das mais arrebatadoras boleias pelos mais distantes, solitários e recônditos lugares do Cosmos nebuloso e narcotizado. Subam para a sela deste cometa e inalem toda a poeira estelar de ‘From the Centre of a Parallel Universe’ ao deslumbrante som de uma guitarra canonizada pelos astros que se manifesta em sidéricos, agradáveis e mântricos riffs e inventivos, psicotrópicos e estarrecedores solos conduzidos pelo experimentalismo, uma bateria descontraída, ligeira e acrobática de tonificantes incursões, e um baixo de reverberação oscilante que mareia a lisérgica aragem cósmica deste álbum com as suas linhas dançantes, robustas e murmurantes. De salientar ainda o místico, revivalista e elegante artwork brilhantemente delineado pela artista australiana Harley and J que confere rosto a esta penetrante e aveludada odisseia. Este é um disco que nos viaja a consciência pelo lado eclipsado da lua, deixando para trás o nosso corpo despido, vazio e desmaiado. Deixem-se flutuar pela calma e sedativa corrente de ‘From the Centre of a Parallel Universe’ e sintam-se canalizar a vossa espiritualidade aos sagrados braços do tão almejado transe. Um dos álbuns mais magnetizantes e narcotizantes de 2017 está aqui, na nova digressão espacial de Frozen Planet 1969.

✨Hypnos 69 - "Requiem (For A Dying Creed)"

Blaak Heat - "Al-Andalus" (2017)

domingo, 6 de agosto de 2017

Review: ⚡ The Judge - 'Tell it to the Judge' (2017) ⚡

A banda norte-americana The Judge acaba de lançar o seu segundo álbum chamado ‘Tell it to the Judge’ pela mão do influente selo discográfico californiano Ripple Music nos formatos físicos de CD e vinil. Baseado na receita sonora já posta em prática no álbum que o precedeu (review aqui), este novo registo da banda natural de cidade de St. Louis (Missouri, EUA) irradia um elegante, robusto, dinâmico e sedutor Hard Rock aliado a um inflamante, apimentado e voluptuoso Heavy Blues – de essência Led Zeppelin’eana – que nos prende e domina do primeiro ao derradeiro tema. São 43 minutos atestados de um fascinante revivalismo que nos faz desejar ter vivenciado toda a plenitude dos dourados anos 70. A sua sonoridade imensamente apaixonante combina na perfeição a energia com a quietude, a obscuridade com a luminância, o atrevimento com a delicadeza e o requinte com a rudeza, numa prazerosa combustão que nos hipnotiza, euforiza e endoidece sem qualquer moderação. Na génese desta deslumbrante e estimulante cavalgada está uma guitarra primorosa que nos namora com os seus riffs grandiosos, ardentes, torneados e emocionantes e nos exalta com os seus solos verdadeiramente eróticos, empolgantes e arrebatadores, um baixo tonificante, corpulento e dominante de reverberação vibrante, vigorosa e dançante, uma bateria incrivelmente provocante de inventivas, habilidosas e extraordinárias acrobacias, e ainda uma voz atraente, quente e lubrificada que se ostenta com opulenta notoriedade na majestosa atmosfera de ‘Tell it to the Judge’. É impossível alguém permanecer indiferente perante todo este intenso e desarmante encantamento que nos abraça e intriga com dominância. Este é mesmo um dos meus registos favoritos do género. O juíz decidiu, está decidido: um dos melhores álbuns de 2017 está aqui, na ensolarada sublimidade de ‘Tell it to the Judge’.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

🔥 Earthless @ Freak Valley Festival (2015)

Geezer Butler ✝ Black Sabbath

🐺 Harley and J

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Review: ⚡ La Iglesia Atómica - 'La Iglesia Atómica' (2017) ⚡

Depois de uma extensa e silenciosa paragem de mais de 20 anos, este lendário power-trio fundado no já distante verão de 1990 em San Juan (Porto Rico) acaba de despertar de um coma profundo, regenerar-se e lançar – através da sua página oficial de Bandcamp – o seu novo álbum pela mão do selo discográfico argentino South American Sludge Records. Sustentado por um musculado, dinâmico, emocionante e oleado Heavy Psych que resvala nos quentes, robustos e fibrosos domínios do Desert Rock, este novo e homónimo álbum de La Iglesia Atómica vem impregnado de adrenalina via auditiva que nos domina e amotina numa intensa e desgovernada comoção de prazer. A sua sonoridade eletrizante, atlética e delirante é sublimemente conduzida ao volante de envolventes, alucinógenas e entusiásticas jams que nos desenraízam da gravidade terrestre e arremessam violentamente pela vastidão cósmica. Bronzeiem-se nesta euforizante radiação emitida por uma guitarra arrebatadora que se agiganta em poderosos, corrosivos e torneados riffs e se transcende em solos verdadeiramente extasiantes, caprichosos e atordoantes, um baixo soberano de fôlego carregado, sombreado e dançante, uma bateria flamejante de dinâmicas explosivas, enérgicas e troantes, e ainda uma voz arrojada, combativa e destemperada que cavalga com firmeza e superioridade todo o restante instrumental. ‘La Iglesia Atómica’ é um álbum imensamente provocante que nos obriga a uma libertadora, veemente e extravagante resposta comportamental. Dispam-se de timidez, cerrem os maxilares e vivenciem com plena e redentora excitação o vulcânico regresso ao activo desta histórica formação porto-riquenha. Um dos mais ardentes álbuns de 2017 está aqui, na desértica alma de ‘La Iglesia Atómica’.