Com mais de
uma década de existência e uma mão repleta de álbuns editados, os afamados e
consagrados Naxatras continuam a sua senda exploratória pelo encantado
universo musical, e o novíssimo ‘V’ é o seu mais recente capítulo desta fantástica
odisseia. Recentemente metamorfoseados de trio para quarteto, estes gregos domiciliados
na cidade de Tessalónica, fazem, hoje, do hipnotizante, imersivo e
estimulante Psychedelic Rock de salgados temperos mediterrânicos, do viajante,
místico e deslumbrante Space Rock forjado pelas estrelas, e do dançante,
provocante e sedutor Prog Rock de apimentados condimentos turcos, o seu
tridente. Com o acréscimo da alquimia electrónica que lhes confere todo um sónico experimentalismo, a mágica, exótica e
mesmérica sonoridade de Naxatras enfeitiça o ouvinte, conservando-o em
órbita de um imperturbável estádio de pleno nirvana religioso. De pés desenraizados
da gravidade terrestre, lucidez eclipsada, consciência disparada para dentro da
abissal boca do Cosmos e olhar empoeirado por cintilante e colorida matéria
estelar, levitamos – de corpo bailante e espírito radiante – pelos inexplorados
territórios alienígenas. Representando uma ponte de influências que une a
antiguidade e a contemporaneidade – onde facilmente se reconhecem e saboreiam ingredientes provenientes de bandas como Hawkwind, Eloy, Camel, Agitation
Free, Nektar, Ozric Tentacles, My Sleeping Karma, Ouzo Bazooka, Altin
Gün e Gaye Su Akyol – este sublime ‘V’ bamboleia-se, vaidosa,
vistosa e extravagantemente, numa afrodisíaca, sinuosa, magnética e ritualística
dança do ventre que nos incendeia o olhar, rodopia a cabeça, faz transpirar e cravar os dentes
nos lábios. De pernas cruzadas e sentados num ornamentado tapete mágico que
sobrevoa a azáfama mercantil e contorna os minaretes das imponentes mesquitas
que riscam os rosados céus da velha Pérsia, embarcamos numa sagrada cruzada
pela ancestralidade do Médio Oriente. Cobertos por uma fantasmagórica bruma que
se adensa em mistério, caminhamos, de olhos vendados e candeia empunhada, pela eterna
noite cósmica à boleia de uma profética guitarra de faustosa caligrafia árabe que
se meneia em invertebrados, torneados e fascinantes riffs e rabisca lustrosos,
serpenteantes e gloriosos solos, um baixo deliciosamente groovy que se
balanceia em linhas pulsantes, elásticas e ondulantes, uma bateria de
inspiração tribal conduzida a ritmos magnéticos e absorventes, uma liderante voz
de pele melódica e carisma sacerdotal, e atmosféricos, oníricos e admiráveis teclados
capazes de transformar toda a infinidade sideral numa autêntica liturgia celestial.
‘V’ é o génio fora da lâmpada. Uma maré de misticismo, sedução,
satisfação e utopismo que nos banha e massaja de resplandecente ataraxia. Embarquem
na harmoniosa maestria destes sultões helénicos, e experienciem, detidos e cativados,
todo um arrebatamento espiritual. Este quimérico e terapêutico quinto álbum de
estúdio de Naxatras acaba de ser editado com o seu carimbo autoral
através dos formatos LP, CD e digital. O divinal artwork que transparece
na perfeição tudo aquilo o que a esfíngica musicalidade de ‘V’ encerra,
aponta os seus créditos de autor ao prendado ilustrador escocês Christopher
Toumazatos (aka Chris RW). Mergulhem neste imenso céu estrelado e troquem o real pelo surreal ao longo dos seus 43 minutos de duração.
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