sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Review: 👑 Hällas - 'Panorama' (2026, Äventyr Records) 👑

★★★★

Proveniente da Suécia – mais concretamente da cidade sulista de Jönköping – chega nesta sonolenta madrugada de 2026 um dos lançamentos por mim mais ansiados do presente ano. ‘Panorama’ é o nome de batismo dado ao novo álbum de estúdio dos fascinantes Hällas, que acaba de ser editado pelo seu recém-criado selo discográfico caseiro Äventyr Records através dos formatos físicos LP e CD. Com base no seu autoproclamado e aclamado Adventure Rock – que não mais representa do que a junção entre um astral, místico, onírico e cerimonial Progressive Rock de ares sinfónicos e um melódico, ostentoso, aparatoso e epopeico Hard Rock de trajes principescos –, este talentoso quinteto escandinavo continua, desta forma, a sua aventurosa e auspiciosa exploração e aquisição de novos territórios num universo musical por si criado e que parece não ter fim à vista. Com o valioso préstimo de múltiplas influências colhidas em clássicas e vultosas referências desabrochadas no fértil jardim setentista como Genesis, Deep Purple, Rush, Eloy, Gentle Giant, Uriah Heep, Yes, Wishbone Ash, Styx, Boston, Premiata Forneria Marconi, Kayak e Klaatu, a fresca, misteriosa, gloriosa e romanesca sonoridade de ‘Panorama’ – irrepreensivelmente executada a uma imaculada e apurada perícia orquestral e condimentada a deslumbrante pirotecnia espacial – encandeia o olhar do ouvinte com cintilante poeira estelar, provoca nos ouvidos do mesmo um torrencial salivar e incendeia o seu espírito com uma estrondosa erupção de emocionada devoção. Imaginativa, inspiradora, sedutora e expansiva, esta nova campanha dos templários suecos Hällas desenvolve-se numa imersiva tela cinematográfica de elementos medievais e mitos acordados com vista desabrigada para a eterna noite cósmica onde pulsam pálidos corpos astrais. Climatizada por uma narrativa verdadeiramente comovente e enfeitiçante que nos relata com (des)colorida vivacidade uma distópica paisagem onde um resignado eremita de espírito derrotado observa um mundo negligenciado, escravizado pela exploração desmesurada, esta consumada obra-prima dos nórdicos tem o raro dom de nos enternecer e embevecer. Capitaneado por composições majestosas, gloriosas e cerebrais, como pode ser testemunhado no épico, monumental e profético tema inaugural “Above the Continuum” – cantado em dois idiomas, com o seu longo corpo temporal e a sua esplendorosa alquimia celestial –, encantadoras, singelas e sonhadoras canções de fácil digestão e imediata fascinação como “Face of an Angel”, “The Emissary” e “At the Summit”, e ainda por uma lacrimosa, sombria, contemplativa e tristemente bela balada denominada “Bestiaus” que nos rouba o ar do peito e sufoca de doce nostalgia, ‘Panorama’ é um registo intensamente elegante, sublime e apaixonante que cravara com uma afiada flecha de Cupido o meu coração. Uma peça de alta-costura superiormente fabricada por duas emocionantes guitarras siamesas que bailam serpenteantes, grandiosos, charmosos e triunfantes riffs, e magicam virtuosos, refinados, detalhados e tortuosos solos numa enlouquecedora escadaria percorrida em espiral, um baixo hipnótico e liderante de linhas musculadas, torneadas e elásticas, uma bateria galopante de ritmos propulsivos, invasivos e estimulantes, um alienígena teclado de intrigantes sirenes cósmicas e exóticas texturas electrónicas, e uma melodiosa, vistosa e messiânica voz de alma trovadora e sotaque aristocrático – ocasionalmente sombreada de perto por um luminoso e sideral coro vocal – que completa na perfeição esta poderosa, caprichosa e sofisticada criação de imponente natureza teatral. A bonita ilustração de ambiência fabular – e que muito faz recordar a capa do álbum ‘Trespass’ (1970) de Genesis – aponta os seus créditos autorais à artista espanhola Marta Maldonado (Branca Studio). Este é um álbum dramático, fantasista, ritualista e catártico, de elevada precisão técnica e escultural beleza arquitectónica, que decerto conquistará um lugar de grande destaque por entre os mais consagrados álbuns forjados em 2026. Longa vida ao reinado de Hällas.

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