domingo, 14 de junho de 2026
sábado, 13 de junho de 2026
sexta-feira, 12 de junho de 2026
quinta-feira, 11 de junho de 2026
Review: 🔥 Goldfish Kaseem - 'For A Bryter Future' (2026, Saturn Eye Records / Morbid And Miserable Records) 🔥
Dos subúrbios de
Lisboa chega-nos o bombástico álbum de estreia dinamitado pelo
electrizante tridente Goldfish Kaseem intitulado ‘For A Bryter Future’
e editado a duas mãos pelas editoras Saturn Eye Records (LP e cassete) e
Morbid And Miserable Records (CD e digital). Electrificado por um vulcânico,
imersivo, invasivo e caleidoscópico Heavy Psych de tracção Hard Rock
que baloiça entre a lisérgica contemplação e a eufórica combustão, e pontapeado
por um caótico, ardente, irreverente e selvático Garage Rock de transpirada
e violenta fúria Punk e inspiração Detroit’eana, este fogoso, enérgico
e aparatoso power-trio português – liderado pelo guitarrista/vocalista Rodrigo
Vaz – agiganta-se e revolta-se numa ciclópica centrifugação que tudo varre na
sua direcção. A sua sonoridade ritmada, camaleónica, sónica e visceral –
condimentada a uma efervescência astral – embala o ouvinte numa vertiginosa
propulsão mental que o desenraíza da gravidade terrestre, expande o seu
universo consciencial e lhe escancara as portas da percepção. De dentes
cerrados, olhos selados e cabeças rodopiantes, somos atropelados, agredidos e levados
pelos psicotrópicos ventos de Goldfish Kaseem. Dominado e acelerado pela
motorizada fogosidade de inspiração colhida nos radicais californianos Fu
Manchu – e contando, apenas, com uma inicial e final paragem de curta
duração na arejada tranquilidade que muito me fizera recordar a mística
sonoridade dos druidas suecos Hills –, este buliçoso, viçoso e virulento
‘For A Bryter Future’ encerra uma experiência intensamente impactante
que não deixará ninguém recostado à indiferença. Empolgante, venenoso,
cerimonioso e deveras contagiante, este primeiro passo discográfico da jovem
formação nacional representa uma alucinante montanha-russa que, sem travões, nos
viaja numa emoção gritada. Contendo uma surpreendente e impressionante versão cover
do clássico “Situation” – tema originário da banda texana Josefus,
retirado do seu carismático álbum ‘Dead Man’ (1980) – ‘For A Bryter
Future’ sobreaquece-nos e endoidece-nos sem qualquer moderação. É um incisivo
foguetão que rasga as vestes da noite cósmica. Uma trip sacramental de LSD
que nos conduz à redenção. Na composição deste poderoso alucinógeno podemos
testemunhar a psicadélica inflamação de uma guitarra reptiliana – fervida em
crocante, rugoso e borbulhante efeito Fuzz – que se lança numa louca
correria de delirantes, desatados, dinâmicos e viciantes riffs que nos
implodem de entusiasmo e percorre apressadamente toda uma hipnótica escadaria
em espiral de derrapantes, efervescentes, ácidos e trepidantes solos que nos
engolem e revolvem, o firme pulso de um possante baixo locomovido a linhas tonificadas,
encorpadas e coesas que nos mumificam e sufocam, a excitante impetuosidade de
uma bateria energicamente metralhada a ritmos galopantes que nos tomam de
assalto e cavalgam, e a revolta megafónica de vocais tresloucados, avinagrados
e urticantes que nos conduzem ao epicentro do motim. ‘For A Bryter Future’
é um álbum verdadeiramente estimulante, desconcertante e incendiário que nos afogueia
e atira para um violento estado de total insurreição sem qualquer policiamento
à vista. O florescimento da liberdade na sua forma mais crua e desregrada. Uma
visão desanuviada do futuro.
Links:
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🧯 Bandcamp
🧯 Saturn Eye Records
🧯 Morbid And Miserable Records
quarta-feira, 10 de junho de 2026
segunda-feira, 8 de junho de 2026
sexta-feira, 5 de junho de 2026
quarta-feira, 3 de junho de 2026
Review: 🦋 Tom Penaguin - 'Tom Penaguin II' (2026, áMARXE) 🦋
Depois do
impressivo álbum de estreia (aqui trazido e examinado) desabrochado na
primavera de 2024, o virtuoso, estudioso e dotado multi-instrumentista francês Tom
Penaguin está novamente de regresso com o lançamento do seu segundo
trabalho de estúdio. Simplesmente chamado de ‘Tom Penaguin II’ e editado
pelo selo discográfico espanhol áMARXE, este refinado, arrojado e
notável trabalho arquitectado pelo disciplinado músico francês baloiça harmoniosamente
entre um quimérico, enleante, enfeitiçante e cénico Prog Rock de ensolarado
clima Canterbury’esco e doce fragância italiana, e um majestoso,
cerebral, sensacional e aparatoso Jazz Fusion de ecos trazidos da
dourada década de 1970. Ambiciosa, imaginativa, sensitiva e ostentosa, a magistral,
sentimental e soberbamente detalhada sonoridade de ‘Tom Penaguin II’
traz no seu estômago mastigadas e misturadas influências de vultosas
referências como Soft Machine, Mahavishnu Orchestra, Return to
Forever, Hatfield and the North, National Health, Caravan,
Soft Heap, Egg, Colosseum II, Isotope, Perigeo,
Iceberg, Etna, Arti & Mestieri, Il Baricentro, Apoteosi
e L'Uovo di Colombo. Ajardinado por complexas, grandiosas, triunfantes e
portentosas composições – que têm na épica suite dividida em quatro movimentos
denominada “The Ornamental Hermit” o seu pináculo criativo – este estupendo e maturado registo de Tom Penaguin invadira-me, pilhara-me e conquistara-me com
tremenda facilidade. Borrifado por um imersivo sentimento de orvalhada e
melancólica nostalgia que nos aspira o ar do peito, cativa e seduz, bem como
vagueado por uma misteriosa e fantasmagórica bruma que se adensa e nos conduz –
de olhar esfaimado e boquiabertos – pelos seus frondosos e inescapáveis labirintos, ‘Tom
Penaguin II’ é uma aventurosa, eclética, poética e fabulosa obra cuidadosa e
pormenorizadamente cinzelada a duas mãos. Na constituição desta irretocável e venerável
obra-prima de essência instrumental estão uma guitarra endeusada de envolventes,
camaleónicos, babilónicos e eloquentes riffs – que ocasionalmente se enrijecem,
agigantam e centrifugam em ventosos, empolgantes e aparatosos crescendos – e espantosos,
escorregadios, fugidios e intelectuais solos que correm graciosa e livremente,
um baixo meneante de linhas enfáticas, oleadas, encaracoladas e elásticas, uma
bateria leve e solta de ritmos acrobáticos, desatados, desgrenhados e
hipnóticos, um melodioso teclado de teclas saltitantes e mugidos polposos, dramáticos
e gloriosos, e ainda a efémera comparência de astrais, ecoantes e
angelicais coros vocais da exclusiva responsabilidade da artista convidada Maureen Piercy (também a autora da belíssima fotografia que resulta na capa do disco) que conferem
toda uma aura fantasista, intimista e sacramental. Este é um álbum de proporções monumentais,
pensado com absoluta ousadia e executado com sofisticada maestria. Uma distinta
peça de alta costura musical e realeza orquestral que, decerto, saciará os ouvidos
mais exigentes. Os meus salivam sempre que ouço este ‘Tom Penaguin II’.
Um dos grandes discos de 2026 está aqui, na controlada detonação de pura genialidade
de Tom Penaguin.
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terça-feira, 2 de junho de 2026
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Review: 🌈 Kronstad 23 - 'Dødehavet' (2026, Batov Records) 🌈

★★★★★
Da cidade
norueguesa de Bergen chega-nos o terceiro álbum de estúdio do talentoso,
fascinante e engenhoso quarteto Kronstad 23, intitulado ‘Dødehavet’, captado em analógico e carimbado
pelo selo discográfico londrino Batov Records. Cercados por altas
montanhas rochosas e profundos fiordes, estes dotados, criativos e assanhados jazz-cats
têm neste seu recém-nascido ‘Dødehavet’ um sensacional, apaziguante, apaixonante e
cerimonial registo aureolado por um meditativo, mântrico, caravânico e curativo
Spiritual-Jazz, oxigenado por um místico, exótico, hipnótico e
ritualístico Ethio-Jazz, colorido por um bronzeado, dançante, contagiante
e transpirado Jazz-Funk, condimentado por um enfeitiçante, ensolarado,
relaxado e deslumbrante Psychedelic Rock e arejado por um pastoral, rústico, delicado e ambiental Folk de inimitável beleza escandinava. Tribal, imersivo,
lenitivo e tropical, ‘Dødehavet’ constrói no
imaginário do ouvinte um consumado paraíso virginal. De pés soterrados nas
douradas areias de uma praia deserta – beijados lentamente pela fresca espuma
do oceano –, olhar anestesiado, perdido e encontrado no distante rebentamento
das ondas, rosto aquecido e avermelhado pelo ardente bafo solar, pele
refrescada pela salgada e leve brisa suspirada pelo mar, e lábios mergulhados
num frutado, gélido e açucarado cocktail, somos seduzidos, conduzidos e extasiados
pela psicotrópica radiância de Kronstad 23. De inspiração colhida em
nomes como Mulatu Astatke, Alice Coltrane, Gábor Szabó, Grateful
Dead, Tommy Guerrero, Causa Sui e Glass Beams, a cinematográfica,
expressiva, reflexiva e camaleónica sonoridade de ‘Dødehavet’ estaciona
o ouvinte num inamovível estádio de sonolência embriagada que o conserva do
primeiro ao derradeiro tema. São 35 minutos de um profundo encantamento que nos
encapsula, uma doce fragância que nos faz descair as pálpebras e um ataráxico misticismo
que nos massaja o cerebelo. Na vistosa embarcação sonora destes vikings
dialogam harmoniosamente entre si uma faustosa guitarra de dulcificados serpenteios e solos avinagrados, um onírico teclado de românticos bailados, um pulsante baixo
de linhas encorpadas, uma bateria tribalista de pulso Afrobeat e ritmos apimentados, um extravagante
saxofone de sopros aveludados e uma refinada sitar de sagrada caligrafia. ‘Dødehavet’
é um álbum radioso, afrodisíaco, eucarístico e sumptuoso que nos pincela a alma
com inflamadas cores crepusculares. Um paraíso divinal onde nos recostamos e
deleitamos. Um arco-íris de boas sensações. Esta é a banda-sonora perfeita para
emoldurar o verão que se avizinha. Atravessem, exultantes e maravilhados, os arborizados, irrigados e
verdejantes desertos de Kronstad 23, escoltados e farolizados pela sua
música de natureza sacramental.
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🌈 Batov Records
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