segunda-feira, 1 de março de 2021

🎁 48 years of Pink Floyd - 'The Dark Side of the Moon' (01/03/1973)

🎁 47 years of RUSH - 'RUSH' (01/03/1974, Mercury)

🎁 47 years of Camel - 'Mirage' (01/03/1974, Deram)

🎁 77 years of Roger Daltrey // The Who (01/03/1944)

📸 Isle Of Wight Festival, 1970

Review: ⚡ Mt. Mountain - 'Centre' (2021) ⚡

★★★★

O fantástico quinteto australiano Mt. Mountain – uma das minhas bandas contemporâneas de eleição – acaba de lançar o seu muito ansiado quarto álbum, batizado de ‘Centre’, carimbado pela discográfica londrina Fuzz Club Records, e devidamente exteriorizado sob a forma digital, de CD-R e vinil. A par do que acontece com os seus antecessores, este novo registo de longa duração, esculpido e envernizado pelo talentoso colectivo domiciliado na cidade de Perth, vem arejado por um reconfortante, meditativo, imersivo e deslumbrante Krautrock de misticismo oriental e afago espiritual, matizado por um magnetizante, ensolarado, extasiante e aromatizado Psychedelic Rock de texturas caleidoscópicas, e ainda tecido por um ritualístico, aliciante, embriagante e labiríntico Drone que de forma discreta mas constante se regenera e de nós apodera. A sua sonoridade envolvente, sedativa, evolutiva e reluzente – resultante de um ponto de intersecção que mistura o hipnotismo sensorial dos nipónicos Kikagaku Moyo com o psicadelismo tropical dos dinamarqueses Causa Sui – climatiza, seduz e eteriza o ouvinte num leve e mélico torpor que o conduz a um pleno e imperturbável estádio de obcecante encantamento. Inundado pela radiante, edénica e transbordante harmonia, e sufocado pela doce letargia que nos embala numa inescapável hipnose, ‘Centre’ ostenta toda uma calmante, pálida e purificante luminescência que em nós instaura uma inextinguível claridade interior. De corpo recostado e relaxado no Jardim do Éden, espírito depurado e consolado pelo seráfico sonho sublimemente musicado de Mt. Mountain, e ainda de olhar içado e cravado nas longínquas fornalhas estelares que pulsam por entre a trevosa intimidade do Cosmos bocejante, somos farolizados, massajados e mergulhados de forma complacente nas profundezas translúcidas das suas composições ao sabor de duas guitarras ataráxicas que – movidas a fina e detalhada sensibilidade – se cruzam numa vistosa tapeçaria delineada a acordes gentis, atraentes, melancólicos e primaveris, e descruzam na orgásmica libertação de solos serpenteantes, lustrosos, cremosos e dançantes, um baixo murmurante de linhas flutuantes, insistentes, sedutoras e pululantes, uma bateria soberbamente jazzística que – de toque polido, luminoso, preciso e tilintante – embarca numa marcha rítmica verdadeiramente cativante, um mágico sintetizador de agradáveis melodias condimentadas a frescura astral e fragância meridional, e ainda uma voz espectral, aveludada, açucarada e estival que se passeia leve e graciosamente por toda a atmosfera aureolada de ‘Centre’. Este é um álbum apaixonadamente ternurento e hospitaleiro – encerado e ensaboado a um aquoso resplendor de coloração diamantina – que, do primeiro ao derradeiro tema, me conservara num perpétuo estado de êxtase. Esperneiem-se nas suas espaçosas melodias, saboreiem todas as suas deliciosas secreções e testemunhem a deserção da vossa alma rumo ao inefável transe. No final deste místico ritual não vai ser nada fácil aceitar o esgotamento da força gravitacional que nos manteve atrelados a ‘Centre’ numa compenetrada dança orbital, e pisar de novo o sóbrio solo da consciência terrena. Banhem-se na intensa luzência desta paradisíaca obra de beleza consumada, e vivenciem de forma devota e enfeitiçada todo o sagrado esplendor daquele que indubitável e posteriormente será medalhado como um dos melhores álbuns brotados em 2021.

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

💀 Judas Priest - 'Sad Wings of Destiny' (1976)

🎁 Johnny Cash (26/02/1932 🎗 12/09/2003)

Review: ⚡ Spelljammer - 'Abyssal Trip' (2021) ⚡

★★★★

Findados sensivelmente seis longos anos de jejum – no que à produção discográfica diz respeito – que se seguiram após o lançamento do segundo e portentoso álbum ‘Ancient Of Days’ (aqui devidamente narrado), o potente tridente escandinavo Spelljammer está finalmente de regresso com um terceiro álbum designado de ‘Abyssal Trip’ e que será hoje mesmo apresentado na íntegra pela mão do influente selo californiano RidingEasy Records através dos formatos digital, CD e vinil (este último ramificado em várias edições). Não só não consigo esconder de que se tratava de um dos álbuns por mim mais ansiados deste novo ano de 2021, como ainda menos consigo conter-me em avançar desde já que o mesmo atestara toda a imensa barragem de expectativas a ele dedicadas. Amuralhado num escaldante, impiedoso, vigoroso e fumegante Stoner Doom – estilo que se repercute por todas as suas obras anteriores – que ocasionalmente se enlameia nos musguentos pântanos de um vagaroso, tóxico, demoníaco e gorduroso Sludge Metal, este registo de dimensões titânicas é virilmente atormentado por imponentes tsunamis de sombreadas, enérgicas, luciféricas e pesadas ressonâncias Black Sabbath’icas que nos sobreaquecem e enfurecem de uma euforia amordaçada, e carinhosamente apaziguado por deslumbrantes interlúdios de feições plácidas, melancólicas, dramáticas e aromatizadas que nos desmaiam as pálpebras e tombam o semblante anestesiado de encontro ao peito. Alternando entre uma entusiástica fogosidade infernal e uma letárgica envolvência glacial, a catártica sonoridade de ‘Abyssal Trip’ desdobra no imaginário de quem nele se refugia toda uma paisagem desoladora – tingida a cores esbatidas e oxigenada a sufocante distopia – capaz de lhe cortar a respiração. Sintonizados na mesma frequência de vultosas bandas do género tais como Sleep, Acid King, Ufomammut, Toner LowZoroaster e Monolord, estes suecos enraizados na cidade-capital de Estocolmo desencadeiam todo um trevoso, dantesco e rumoroso sismo electrificado por uma soberana guitarra Iommi’esca que se agiganta na imperiosa ascensão de volumosos, enigmáticos, despóticos e assombrosos Riffs de onde são escoados e gritados solos esvoaçantes, ácidos, alucinados e atordoantes, um tenebroso baixo pesadamente bafejado a demoníaca, densa, tensa e monolítica reverberação , uma explosiva bateria esmurrada a batidas fortes, vibrantes, troantes e incisivas, e ainda vocais proféticos que oscilam entre agressivos, inflamados, escarpados e corrosivos rugidos revolvidos numa diabólica combustão, e  avinagradas, ecoantes, penetrantes e sedadas lamúrias que ecoam pelos misantrópicos abismos de ‘Abyssal Trip’. De olhar eclipsado, sentidos insensibilizados e espírito dissolvido nas vertiginosas profundezas da obscuridade espacial, somos enfeitiçados e empoderados pela intensa gravidade de Spelljammer. Deixem-se esbofetear, embriagar e estremecer pelas pujantes vagas de um palpável, turbulento e venerável negrume, e embarquem nesta épica viagem sem destino definido ou retorno garantido.

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 RidingEasy Records