sábado, 28 de março de 2026
quinta-feira, 26 de março de 2026
quarta-feira, 25 de março de 2026
Review: 👁️ Fangus - 'Emerald Dream' (2026, From the Urn Records) 👁️
Conseguem
imaginar uma enérgica e sinérgica jam session entre Deep Purple e Black
Sabbath? Se sim, acabam de alcançar os pentagrâmicos domínios de Fangus:
um impressivo quinteto canadiano que acaba de lançar o seu poderoso álbum de
estreia intitulado ‘Emerald Dream’ e editado pela mão do independente
selo discográfico local From the Urn através dos formatos LP e digital.
Escudada num trevoso, arrogante, maldoso e enfeitiçante Proto-Metal de carregadas
feições demoníacas, um montanhoso, musculado, torneado e aparatoso Hard Rock
de bíceps tonificados, e um electrizante, delirante, alucinógeno e intoxicante Heavy
Psych de ácida caleidoscopia, a evangelista, clássica, majestática e
ritualista sonoridade de ‘Emerald Dream’ vem envernizada pela brilhante
graxa setentista. Com uma produção intencionalmente suja e primitiva – que nos
faz duvidar se este álbum não terá sido gravado há meio século no interior abafado
de uma escura, húmida, bolorenta e decrépita cave, e só agora fora desenterrado e desempoeirado
à luz do dia –, este primeiro trabalho de longa duração da formação domiciliada
na cidade de Montreal vem aureolado por uma carismática fragância de essência
vintage que me cativara e conquistara logo à primeira audição. De inspiração
colhida em egrégias referências como Deep Purple, Black Sabbath, Uriah
Heep, Atomic Rooster, Captain Beyond, Lucifer's Friend, Jerusalem, Nigh
Sun, High Tide, Granicus e Clear Blue Sky, a intriguista,
cerimonial, arrepiante e ocultista musicalidade de ‘Emerald Dream’ é conduzida
em excesso de velocidade, repleta de desvios bruscos e repentinos, fazendo com
que o ouvinte se sobreaqueça, naufrague e enlouqueça na funda goela de uma
diabólica espiral. Atordoados, derrotados e caídos aos pés de Fangus, confessamo-nos
uma presa demasiado fácil perante os embruxados, vaidosos, majestosos e empolados
bailados de um nobre e liderante teclado Hammond de presença proeminente,
os enleantes serpenteios de uma guitarra que se empodera em dominantes,
nervudos, sisudos e exuberantes riffs – escaldados a borbulhante, rugosa,
arenosa e flamejante distorção – de onde esvoaçam ácidos, coloridos,
tresloucados e avinagrados solos num pesado bater de asa, a intimidante sombra
de um encorpado baixo embalado a linhas magnéticas, tesas, coesas e enigmáticas,
o implacável galope de uma incisiva bateria – de espírito combativo – escoiceada
a uma ritmicidade alucinante, escaldante, estimulante e tonitruante, e o irreverente
swag de uma vistosa voz que transpira sedução felina e se baloiça entre urticantes,
chamejantes e rouquenhos rugidos, e melosos, elegantes e harmoniosos bramidos. São
35 minutos saturados de uma ininterrupta fascinação governada por uma imersiva liturgia
de índole teatral que nos encandeia e incendeia do primeiro ao derradeiro tema.
Uma ciclópica avalanche de fumarento misticismo que nos persegue, atropela e
incensa a alma. Um influente ritual de magia negra que nos mumifica e
mortifica. Comunguem com total devoção este psicadélico cálice de Fangus
e mergulhem nas infindáveis profundezas do vosso Cosmos interior.
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terça-feira, 24 de março de 2026
segunda-feira, 23 de março de 2026
sábado, 21 de março de 2026
sexta-feira, 20 de março de 2026
quinta-feira, 19 de março de 2026
Review: 🐙 Harvey Rushmore & the Octopus - 'Mindsuckers' (2026, Taxi Gauche Records) 🐙
Da Suíça –
mais concretamente da cidade de Basel – dão à nossa costa as boas
vibrações irradiadas pelo irreverente quarteto helvético Harvey Rushmore
& the Octopus com a apresentação do seu novo álbum intitulado ‘Mindsuckers’
e editado pelo selo discográfico independente – seu conterrâneo – Taxi Gauche
Records através dos formatos LP, CD, cassete e digital. Baseada numa
multicolorida amálgama musical de onde se reconhece e apalada um caleidoscópico,
matizado, ensolarado e exótico Neo-Psychedelic Rock de leveza e doçura Indie
Rock, um dançante, ritmado, transpirado e excitante Garage Rock de magnéticos
serpenteios Surf Rock, e um enfeitiçante, esponjoso, infeccioso e
estimulante Krautrock, a sua reconfortante, aconchegante e sonhadora sonoridade
– de aroma tropical, brisa oceânica e climatizada a caramelizada nostalgia – emoldura
mágicos crepúsculos musicados pelo penetrante grasnar de gaivotas esvoaçantes e
vislumbrados por olhares maravilhados, desfocados pelas profusas lágrimas salgadas
que discorrem, difusas, pelas rosadas maçãs do nosso rosto e se perdem no interior
do nosso tímido sorriso. De influências colhidas em bandas como The Black
Angels, Black Mountain, Wooden Shjips, Moon Duo, Rose
City Band, Dommengang, Night Beats, Arbouretum, Magic
Machine e Acid Rooster, a aventurosa, onírica, mística e radiosa música
de Harvey Rushmore & the Octopus leva-nos das cálidas, sedosas e
bronzeadas dunas de um amarelecido deserto vigiado de perto por um impiedoso
Sol às refrescantes, espumosas e revigorantes ondas de um imenso e ventilado oceano
azul-turquesa. Num febril estádio de sonambulismo vagueamos, alcoolizados e arrebatados,
pelo prismático, extático e imersivo psicadelismo de calor desértico e odor a
maresia de ‘Mindsuckers’. Fascinados, aspirados e canalizados até ao
estômago de Harvey Rushmore & the Octopus, somos demoradamente digeridos
por uma embaciada, pálida, frágil e avinagrada voz de pele orvalhada e presença
flutuante, uma intoxicante guitarra – de distorção urticante e chamejante – que
surfa encaracolados, bailantes, provocantes e inflamados riffs de onde bruxuleiam
efervescentes, ácidos, derrapantes e alucinógenos solos, um baixo invertebrado de
linhas elásticas, meneantes, ondeantes e hipnóticas, um teclado fantasista de enleante,
sedutora, libertadora e inebriante formosura electrónica, e uma bateria galopante,
animada e pulsante a trote de eloquentes ritmos com a robótica precisão de um
relógio suíço. ‘Mindsuckers’ é um álbum de natureza camaleónica, composto por temas desiguais, que
tanto nos incendeia, pontapeia e euforiza numa agitada e suada dança, como nos anoitece,
entristece e eteriza nos caramelizados braços da melancolia. Um disco de beleza
sem fronteiras que se engrandece a cada renovada audição que lhe dedicamos.
Deixem-se derreter na lisérgica melosidade que este registo destila e embevecer
na atordoante centrifugadora onde o mesmo rodopia. ‘Mindsuckers’ é um vulcão
em erupção no Ártico. Um gigantesco tsunami num lago. Um eco no espaço. Uma
obra irresistível, inverosímil e viciante que estará, seguramente, perfilada
entre as mais medalhadas do ano. Gravitem-na com total veneração.
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🐙 Taxi Gauche Records

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