segunda-feira, 2 de março de 2026

🎪 The Eleventh House featuring Larry Coryell ‎- 'Level One' (1975)

🐎 Waylon Jennings - "I've Been a Long Time Leaving" (Live, 1975)

⚡ Uriah Heep - "Devil's Daughter" & "Prima Donna" (Live, 1975)

🔥 Roger Daltrey // The Who (1968)

✌🏿 Toots & the Maytals - "Pressure Drop" (1968)

🎷 The John Coltrane Quartet - 'The John Coltrane Quartet Plays' (1965)

🔈 Rory Gallagher (Queen Elizabeth Hall, London, 1971)

📸 Robert Ellis

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

🦁 Carlos Santana

Review: 🌻 Girasol - 'El Cielo Está Iluminado' (EP, 2026) 🌻

★★★★★

Oriundo do outro lado do oceano Atlântico, chega-nos o electrizante EP ‘El Cielo Está Iluminado’ da autoria do flamejante tridente argentino Girasol – conjunto domiciliado na cidade sulista de Neuquén (Patagónia) – que acaba de sair à rua através do formato digital e de uma caseira, rústica e estética edição em CD a fazer recordar o estiloso design brotado na emblemática década de 1970. Homenageando clássicas lendas autóctones do género como Pappo’s Blues, Pescado Rabioso, Aquelarre, Color Humano e os galácticos Aeroblus, assim como caminhando lado a lado com consagradas referências da contemporaneidade argentina como Ambassador, Hijo de la Tormenta, Madera Raíz, Almanegra e El Triángulo, os radiosos Girasol venderam a sua alma ao libidinoso, picante, fogoso e enleante Blues Rock de caleidoscópica coloração psicadélica e tracção setentista. A sua movediça, meneante, viciante e atiradiça sonoridade de um amarelecido brilho vintage envolve e revolve o ouvinte numa agitada, entusiasmada e transpirada dança pelas sinuosas e escaldantes estradas percorridas pelos quatro vibrantes e coloridos temas que povoam este apimentado e apaixonante registo de curta duração. São 20 minutos escaldados em viva comoção e trajados a vistosa refinação, centrifugados e viajados nas asas de uma dançante e rodopiante guitarra de lubrificados, polposos, apetitosos e invertebrados riffs – electrificados por uma distorção crocante e arenosa – de onde escorrem e eclodem ziguezagueantes, uivantes, ácidos e delirantes solos de inquebrável elasticidade e toxicidade a perder de vista, um baixo magnético de empoladas, encaracoladas, coesas e sombreadas linhas que fervem, borbulham e vagueiam livremente, uma bateria buliçosa de inflamados, corridos, desenvoltos e assanhados ritmos de calor e suor latinos, e uma liderante voz de tez sóbria e atitude impositiva que capitaneia e incendeia toda esta tórrida e atraente atmosfera que encapsula ‘El Cielo Está Iluminado’. De olhar espraiado no firmamento onde o reluzente Sol se debruça e desmaia, punhos firmemente cerrados no volante trepidante, motor ronronante, escape fumegante e um penetrante odor a pneu queimado, aceleramos, maravilhados, pelos poeirentos e ensolarados desertos de Girasol à irresistível boleia de um endiabrado Dodge Challenger R/T de 1970. Este é um EP tremendamente cativante, atestado de um chamejante poder de sedução que nos faz cravar os dentes nos lábios e revirar os olhos na direcção do prazer. Derretam-se no lado mais ousado, afrodisíaco e açucarado do Blues superiormente executado à boa e velha moda argentina. É tão fácil cair nesta tentação.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

🌋 The Who - Live at Tanglewood 1970

Review: 🌿 Belzebong - 'The End is High' (2026, Heavy Psych Sounds) 🌿


★★★★☆

Depois de uma longa e silenciosa abstinência com oito anos de duração que se seguira na ressaca deixada pelo lançamento de ‘Light the Dankness’ (aqui trazido e elogiado), o fumarento quarteto polaco Belzebong dá novamente lume ao seu borbulhante bongo, e dele exala a esverdeada e vil fumaça do seu novo álbum intitulado ‘The End is High’, editado pela companhia discográfica romana Heavy Psych Sounds através dos formatos LP, CD e digital. Climatizada por um escaldante, rugoso, resinoso e intoxicante Stoner Doom de marcha lenta e um forte odor canábico, a brumosa, pesada, encorpada e pantanosa sonoridade deste tão aguardado novo trabalho de Belzegong provoca no ouvinte uma plena sensação de bem-estar, relaxamento, sonolência, sedação e a despersonalização. Incensado pelo quente e narcotizante bafo do demónio, ‘The End is High’ vem atestado de Tetrahidrocanabinol (THC) que nos enevoa a lucidez, turva a visão e incendeia de fascinação. De pálpebras tombadas, narinas dilatadas e cabeça pesadamente baloiçada de ombro em ombro, perseguimos compenetrada e devotamente as enleantes danças de duas guitarras diabrinas que se engrandecem, enegrecem e enrijecem em pegajosos, urticantes, trevosos e anestesiantes riffs – desdobrados em slow-motion, e flamejados pela incandescência e crocância do efeito Fuzz – de onde sobrevoam, gritam e ecoam avinagrados, virulentos, bolorentos e embruxados solos, a carregada reverberação de um baixo opressivo que se enaltece com base nas linhas sufocantes, hipnóticas, herméticas e possantes, e na violenta sismicidade de uma potente bateria locomovida a altiva, vulcânica, titânica e explosiva ritmicidade. Contando ainda com a sua já característica utilização de cirúrgicos recortes de samples oriundos de clássicos filmes de culto, os druidas Belzebong embrumam-nos num nebuloso, submerso, perverso e poderoso ritual de essência instrumental que nos seduz, cativa e conduz ao lado eclipsado da religião. São 35 minutos abrasivos, governados por uma psicotrópica, sorumbática e pestilenta feitiçaria que prontamente nos converte em seus fiéis peregrinos. Morfínico, alucinógeno, sisudo e ritualístico, ‘The End is High’ amortalha-nos num inescapável estado de letargia que mentalmente nos passeia numa devota romaria de encontro ao altar do profano. Este é um álbum intensamente avassalador, magnético, enfático e arrebatador que nos estremece e estarrece com as suas sísmicas vibrações demoníacas. A defumação da alma. Inalem os malignos e peçonhentos vapores de Belzebong e experienciem todo o inquebrável vigor deste seu apoteótico regresso ao fabrico de discos.

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🦅 Johnny Winter