quinta-feira, 19 de março de 2026

🥁 Carl Palmer // Emerson, Lake & Palmer

Review: 🐙 Harvey Rushmore & the Octopus - 'Mindsuckers' (2026, Taxi Gauche Records) 🐙

★★★★★

Da Suíça – mais concretamente da cidade de Basel – dão à nossa costa as boas vibrações irradiadas pelo irreverente quarteto helvético Harvey Rushmore & the Octopus com a apresentação do seu novo álbum intitulado ‘Mindsuckers’ e editado pelo selo discográfico independente – seu conterrâneo – Taxi Gauche Records através dos formatos LP, CD, cassete e digital. Baseada numa multicolorida amálgama musical de onde se reconhece e apalada um caleidoscópico, matizado, ensolarado e exótico Neo-Psychedelic Rock de leveza e doçura Indie Rock, um dançante, ritmado, transpirado e excitante Garage Rock de magnéticos serpenteios Surf Rock, e um enfeitiçante, esponjoso, infeccioso e estimulante Krautrock, a sua reconfortante, aconchegante e sonhadora sonoridade – de aroma tropical, brisa oceânica e climatizada a caramelizada nostalgia – emoldura mágicos crepúsculos musicados pelo penetrante grasnar de gaivotas esvoaçantes e vislumbrados por olhares maravilhados, desfocados pelas profusas lágrimas salgadas que discorrem, difusas, pelas rosadas maçãs do nosso rosto e se perdem no interior do nosso tímido sorriso. De influências colhidas em bandas como The Black Angels, Black Mountain, Wooden Shjips, Moon Duo, Rose City Band, Dommengang, Night Beats, Arbouretum, Magic Machine e Acid Rooster, a aventurosa, onírica, mística e radiosa música de Harvey Rushmore & the Octopus leva-nos das cálidas, sedosas e bronzeadas dunas de um amarelecido deserto vigiado de perto por um impiedoso Sol às refrescantes, espumosas e revigorantes ondas de um imenso e ventilado oceano azul-turquesa. Num febril estádio de sonambulismo vagueamos, alcoolizados e arrebatados, pelo prismático, extático e imersivo psicadelismo de calor desértico e odor a maresia de ‘Mindsuckers’. Fascinados, aspirados e canalizados até ao estômago de Harvey Rushmore & the Octopus, somos demoradamente digeridos por uma embaciada, pálida, frágil e avinagrada voz de pele orvalhada e presença flutuante, uma intoxicante guitarra – de distorção urticante e chamejante – que surfa encaracolados, bailantes, provocantes e inflamados riffs de onde bruxuleiam efervescentes, ácidos, derrapantes e alucinógenos solos, um baixo invertebrado de linhas elásticas, meneantes, ondeantes e hipnóticas, um teclado fantasista de enleante, sedutora, libertadora e inebriante formosura electrónica, e uma bateria galopante, animada e pulsante a trote de eloquentes ritmos com a robótica precisão de um relógio suíço. ‘Mindsuckers’ é um álbum de natureza camaleónica, composto por temas desiguais, que tanto nos incendeia, pontapeia e euforiza numa agitada e suada dança, como nos anoitece, entristece e eteriza nos caramelizados braços da melancolia. Um disco de beleza sem fronteiras que se engrandece a cada renovada audição que lhe dedicamos. Deixem-se derreter na lisérgica melosidade que este registo destila e embevecer na atordoante centrifugadora onde o mesmo rodopia. ‘Mindsuckers’ é um vulcão em erupção no Ártico. Um gigantesco tsunami num lago. Um eco no espaço. Uma obra irresistível, inverosímil e viciante que estará, seguramente, perfilada entre as mais medalhadas do ano. Gravitem-na com total veneração.

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🍄 The Black Wizards - "Killing The Buzz" (2026, Hassle Records)

✝ Peter Green // Fleetwood Mac (1970)

sexta-feira, 13 de março de 2026

🎶 Havana's Dream

Review: 🐉 Corima - 'Hunab Ku' (2026, Soleil Zeuhl) 🐉

★★★★★

Acordados de uma longa hibernação com uma década de duração, os exóticos californianos Corima – quinteto residente na cidade de Los Angeles – acaba de surpreender e maravilhar todos os seus seguidores com o inesperado lançamento do seu tão ansiado novo álbum intitulado ‘Hunab Ku’ e editado pelo carismático selo discográfico francês – especializado no género – Soleil Zeuhl através de uma bonita edição em CD. De denominação colhida no seio da ancestral civilização Maia, que significa a fonte primordial, o coração da criação, ‘Hunab Ku’ simboliza uma miraculosa, radiosa e curativa viagem no tempo e no espaço. Alicerçada num serpenteante, magnético, profético e enleante Prog Rock de extravagante caligrafia Zeuhl e alienígena idioma Kobaïan (linguagem artística criada e patenteada pelo engenhoso baterista e compositor francês Christian Vander ao serviço dos seus enigmáticos Magma), num combativo, arrojado, acicatado e impositivo Rock In Opposition (RIO) de instrumentação desarrumada e em contramão, e ainda num rebuscado, mirabolante, enfeitiçante e azafamado Avant-garde Jazz sintonizado na frequência de John Coltrane e deflagrado numa colorida combustão, a cerimonial, camaleónica, hipnótica e sensacional sonoridade de ‘Hunab Ku’ passeia-nos, montados nas costas de um ziguezagueante dragão chinês,  pelos frondosos, labirínticos, esfíngicos e formosos jardins de Corima. De bússolas apontadas aos seminais Magma, bem como a outras bandas francesas como Eskaton, Weidorje, Eider Stellaire, Bernard Paganotti, Shub-Niggurath e Dün, às nipónicas Ruins, Bondage Fruit e Koenji Hyakkei, e à belga Univers Zéro, estes cinco druidas magicam cerebrais, esdrúxulas, imprevisíveis e magistrais composições – de tempos acrobáticos – que nos surpreendem e deslumbram a cada esquina. São 37 minutos de um caos superiormente organizado por talentosos músicos disciplinados que se envolvem e revolvem em fascinantes diálogos condimentados a afrodisíaca simbiose. A transcendência da alma aos límpidos e ensolarados céus do Nirvana. Uma iguaria gourmet capaz de satisfazer os mais ousados desejos de requinte dos ouvidos mais exigentes. Na génese deste sacramental fármaco de estirpe natural perfilam-se mântricos, angelicais e operáticos coros vocais que desfilam, hirtos, numa marcha marcial, fantásticos teclados de ofuscante magia metamorfoseada em estado musical, um liderante violino de alucinantes, esvoaçantes e sedosos serpenteios, um rebelde saxofone de excêntricos, psicóticos e berrantes devaneios, uma lunática guitarra de solos esponjosos, sinuosos e angulares, um sombreado baixo de pulsantes, bailantes e possantes linhas desenhadas a negrito, e uma flamejante bateria – deliciosamente jazzy – de tarola rufante, timbalões galopantes e pratos cintilantes. A sublime, estonteante e pormenorizada ilustração de tradicional inspiração oriental aponta o seu crédito autoral ao artista Jee-Shaun Wang. Estamos na presença de um singular álbum de inefável beleza, clima tribal e dimensão piramidal. Um registo divinal, verdadeiramente sedutor, arrebatador e resplandecente, que cativa o ouvinte num imaculado paraíso mental. O exotismo e o misticismo de mãos dadas e sorriso no rosto. Um dos mais sérios candidatos a melhor álbum de 2026 está aqui, no triunfante regresso dos notáveis Corima. Comunguem-no num transe religioso e expurguem-se nele.

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 Soleil Zeuhl

segunda-feira, 9 de março de 2026

😇 Black Sabbath (1972)

📸 Kevin Goff

🥁 Chad Smith - "Burn" (Deep Purple cover)

💘 Fangus - "Pyre Of Love" (2026)

Review: ⚡ Zepter - 'Zepter' (2026, High Roller Records) ⚡

★★★★★

Proveniente da cidade austríaca de Linz chega-nos a excitante fogosidade cuspida pelo jovem e irreverente quarteto Zepter, formado em 2024, que nos apresenta o seu electrizante, lustroso e impactante álbum de estreia com denominação homónima, carimbado pela companhia editorial germânica High Roller Records através dos formatos LP, CD, cassete e digital. Baseada num desenfreado, irado e implacável rolo compressor – locomovido por um transpirado, picante, excitado e alucinante Heavy Metal de clara inspiração tradicional e energia combativa, atrelado a um fogoso, melódico, atlético e libidinoso Hard Rock de açucarada saudade oitentista e postura altiva –, a condutora, galopante, relampejante e sedutora sonoridade de ‘Zepter’ pendula o ouvinte entre caramelizadas baladas de emoções condimentadas e endiabradas cavalgadas de esporas ensanguentadas. De alento colhido em clássicas referências como Iron maidenSaxonWitchfinder GeneralCirith UngolSaracenOstrogothUFO (da era Michael Schenker), Thin LizzyManilla RoadApril WineAngel Witch e Acid, este primeiro trabalho de longa duração da turma austríaca é alimentado a alta voltagem e acelerado a alta rotação. Um registo selvagem que enterra os seus longos e afiados caninos na nossa veia jugular e nos vê desmaiar, rendidos, nos seus braços. Um álbum forjado no fogo e marcado na nossa pele. São entusiásticos e epidémicos 35 minutos de inapagável combustão que nos incendeia e pontapeia de incontida euforia e boa disposição. Uma louca correria à empolgante boleia de duas predatórias guitarras siamesas que se perseguem a alta velocidade num turbulento galope de felinos, fervorosos, imperiosos e viperinos riffs desdobrados em catadupa e de onde esvoaçam selváticos enxames de vertiginosos, ziguezagueantes, estimulantes e aparatosos solos, um baixo musculado de linhas insufladas, sísmicas, graníticas e inflamadas, uma incansável e indomesticável bateria metralhada por ritmos instigantes, frenéticos, psicóticos e mirabolantes, e uma liderante voz de pele fresca, sedosa, harmoniosa e levemente rouquenha. A velocidade, a técnica e a autenticidade de mãos dadas numa viva e emocionante gritaria pelos encaracolados carris de uma atordoante montanha-russa. Uma injecção de pura adrenalina. Escaldante, estonteante, viciante e sensacional, ‘Zepter’ trata-se de um álbum verdadeiramente arrebatador, de espírito bravo e conquistador, que cravara uma flecha de cupido no meu tenro coração logo à primeira audição. Um irresistível disco de brilho apoteótico – de roupagem clássica e saturado por um dulcificado sentimento nostálgico – que nos senta confortavelmente ao volante de um barulhento Pontiac Firebird Trans Am de 1982, de vidros embaciados e motor ronronante, desbravando, sem destino, nevadas, solitárias e sinuosas estradas de montanha e acordando a fria noite de um inverno pincelado a azulada melancolia. Zepter é uma banda a não perder de vista.

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🕊️ RIP Country Joe McDonald (1942 🎤 2026)

📷 Jim Marshall