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Review: 👁️ Fangus - 'Emerald Dream' (2026, From the Urn Records) 👁️
Conseguem
imaginar uma enérgica e sinérgica jam session entre Deep Purple e Black
Sabbath? Se sim, acabam de alcançar os pentagrâmicos domínios de Fangus:
um impressivo quinteto canadiano que acaba de lançar o seu poderoso álbum de
estreia intitulado ‘Emerald Dream’ e editado pela mão do independente
selo discográfico local From the Urn através dos formatos LP e digital.
Escudada num trevoso, arrogante, maldoso e enfeitiçante Proto-Metal de carregadas
feições demoníacas, um montanhoso, musculado, torneado e aparatoso Hard Rock
de bíceps tonificados, e um electrizante, delirante, alucinógeno e intoxicante Heavy
Psych de ácida caleidoscopia, a evangelista, clássica, majestática e
ritualista sonoridade de ‘Emerald Dream’ vem envernizada pela brilhante
graxa setentista. Com uma produção intencionalmente suja e primitiva – que nos
faz duvidar se este álbum não terá sido gravado há meio século no interior abafado
de uma escura, húmida, bolorenta e decrépita cave, e só agora fora desenterrado e desempoeirado
à luz do dia –, este primeiro trabalho de longa duração da formação domiciliada
na cidade de Montreal vem aureolado por uma carismática fragância de essência
vintage que me cativara e conquistara logo à primeira audição. De inspiração
colhida em egrégias referências como Deep Purple, Black Sabbath, Uriah
Heep, Atomic Rooster, Captain Beyond, Lucifer's Friend, Jerusalem, Nigh
Sun, High Tide, Granicus e Clear Blue Sky, a intriguista,
cerimonial, arrepiante e ocultista musicalidade de ‘Emerald Dream’ é conduzida
em excesso de velocidade, repleta de desvios bruscos e repentinos, fazendo com
que o ouvinte se sobreaqueça, naufrague e enlouqueça na funda goela de uma
diabólica espiral. Atordoados, derrotados e caídos aos pés de Fangus, confessamo-nos
uma presa demasiado fácil perante os embruxados, vaidosos, majestosos e empolados
bailados de um nobre e liderante teclado Hammond de presença proeminente,
os enleantes serpenteios de uma guitarra que se empodera em dominantes,
nervudos, sisudos e exuberantes riffs – escaldados a borbulhante, rugosa,
arenosa e flamejante distorção – de onde esvoaçam ácidos, coloridos,
tresloucados e avinagrados solos num pesado bater de asa, a intimidante sombra
de um encorpado baixo embalado a linhas magnéticas, tesas, coesas e enigmáticas,
o implacável galope de uma incisiva bateria – de espírito combativo – escoiceada
a uma ritmicidade alucinante, escaldante, estimulante e tonitruante, e o irreverente
swag de uma vistosa voz que transpira sedução felina e se baloiça entre urticantes,
chamejantes e rouquenhos rugidos, e melosos, elegantes e harmoniosos bramidos. São
35 minutos saturados de uma ininterrupta fascinação governada por uma imersiva liturgia
de índole teatral que nos encandeia e incendeia do primeiro ao derradeiro tema.
Uma ciclópica avalanche de fumarento misticismo que nos persegue, atropela e
incensa a alma. Um influente ritual de magia negra que nos mumifica e
mortifica. Comunguem com total devoção este psicadélico cálice de Fangus
e mergulhem nas infindáveis profundezas do vosso Cosmos interior.
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