quarta-feira, 24 de junho de 2026
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domingo, 21 de junho de 2026
sábado, 20 de junho de 2026
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Review: 🐄 Bushman's Revenge - 'Ah, Les Vaches!' (2026, Is It Jazz? Records) 🐄

Com duas décadas
de prolífica actividade – onde frutificaram duas mãos repletas de suculentos álbuns
editados –, os noruegueses Bushman’s Revenge – um talentoso tridente domiciliado
na cidade-capital Oslo – acabam de presentear todos os seus fiéis
seguidores com o lançamento do novíssimo ‘Ah, Les Vaches!’ (título
inspirado naquelas que, supostamente, foram as últimas palavras proferidas pelo
célebre e excêntrico compositor francês Erik Satie no seu leito de morte)
com o carimbo da jovem companhia discográfica local Is It Jazz? Records.
Se o seu gélido e cristalino antecessor ‘All The Better For Seeing You’
(aqui trazido e desavergonhadamente namorado) senta os seus ouvintes no
cume de uma monolítica montanha granítica de olhar embriagado e dissolvido na imensa
brancura pincelada pelo rigoroso inverno escandinavo, ‘Ah, Les Vaches!’ fá-los
sobrevoar o arenoso tapete dos dourados desertos norte-americanos bronzeados pelos
impiedosos raios de um Sol desabrigado. Sem nunca perder de vista a sua estrela
orientadora (um cuidado, elegante, estonteante e perfumado Contemporary
Jazz) que a faroliza desde que desancorara e se entregara aos secretos desígnios dos
mares, esta aventurosa embarcação viking perde-se e encontra-se agora por
entre as revoltas ondas do experimentalismo sonoro dando à costa de um deslumbrante,
exótico, tórrido e apaixonante Alternative Country de suor latino e
sabor Tex-Mex. Conseguem imaginar os desérticos Calexico saídos de uma
academia de Jazz com o doutoramento debaixo do braço? Se sim, estão
aptos para avistar, com total clareza, as endeusadas paisagens sonoras de ‘Ah,
Les Vaches!’. A sua enfeitiçante, camaleónica, meiga, hedónica e ambulante musicalidade
– banhada a um lustroso misticismo que nos encandeia e ventilada por um doce
sentimento de nostalgia que nos seduz e conduz à ébria sonolência crepuscular
do enrugado e amarelecido coração do velho oeste americano – transporta-nos
para os poeirentos e emblemáticos palcos cinematográficos do Spaghetti
Western debaixo da superior orientação do realizador italiano Sergio
Leone. Delicado, contemplativo, leve, lenitivo e sagrado é o reinante clima
visual desta obra-prima puramente instrumental que nos iça as velas e veleja
pelos serpenteantes desfiladeiros do infindável universo espiritual. ‘Ah,
Les Vaches!’ é um registo ascético, anestésico, poético e ambiental para
ser comungado de olhos fechados, sorriso imortalizado e sonhos desembrulhados. Um
sábio contador de magnéticas histórias. Um postal musical do deserto florido. Uma obra comovente, de luzência
milagrosa, que vive na santificada quietude e na consumada beatitude das suas refinadas
composições. Deixem-se embevecer, enternecer e derreter à fascinante boleia de
uma guitarra trovadora – discípula de Ry Cooder – que se manifesta em ensolarados,
lisérgicos, estéticos e aromatizados acordes levados pela suave brisa do
deserto, um baixo pachorrento que boceja aveludadas, vagueantes, intrigantes e
sombreadas linhas, uma elegante bateria movida a leveza, sentimento e destreza,
e um tocante pedal steel que com os seus arrepiantes, harmoniosos e ecoantes
uivos nos faz salivar os ouvidos e desmaiar de prazer. São 43 minutos
governados por uma imperante, imperturbável e contagiante paz onde,
confortavelmente, nos recostamos, relaxamos e idealizamos uma existência exclusivamente
nutrida pelos prazeres sensoriais. ‘Ah, Les Vaches!’ é um calmante
natural e um sacramento mental que nos faz alhear da realidade e não mais dele querer despertar.
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quarta-feira, 17 de junho de 2026
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sábado, 13 de junho de 2026
sexta-feira, 12 de junho de 2026
quinta-feira, 11 de junho de 2026
Review: 🔥 Goldfish Kaseem - 'For A Bryter Future' (2026, Saturn Eye Records / Morbid And Miserable Records) 🔥
Dos subúrbios de
Lisboa chega-nos o bombástico álbum de estreia dinamitado pelo
electrizante tridente Goldfish Kaseem intitulado ‘For A Bryter Future’
e editado a duas mãos pelas editoras Saturn Eye Records (LP e cassete) e
Morbid And Miserable Records (CD e digital). Electrificado por um vulcânico,
imersivo, invasivo e caleidoscópico Heavy Psych de tracção Hard Rock
que baloiça entre a lisérgica contemplação e a eufórica combustão, e pontapeado
por um caótico, ardente, irreverente e selvático Garage Rock de transpirada
e violenta fúria Punk e inspiração Detroit’eana, este fogoso, enérgico
e aparatoso power-trio português – liderado pelo guitarrista/vocalista Rodrigo
Vaz – agiganta-se e revolta-se numa ciclópica centrifugação que tudo varre na
sua direcção. A sua sonoridade ritmada, camaleónica, sónica e visceral –
condimentada a uma efervescência astral – embala o ouvinte numa vertiginosa
propulsão mental que o desenraíza da gravidade terrestre, expande o seu
universo consciencial e lhe escancara as portas da percepção. De dentes
cerrados, olhos selados e cabeças rodopiantes, somos atropelados, agredidos e levados
pelos psicotrópicos ventos de Goldfish Kaseem. Dominado e acelerado pela
motorizada fogosidade de inspiração colhida nos radicais californianos Fu
Manchu – e contando, apenas, com uma inicial e final paragem de curta
duração na arejada tranquilidade que muito me fizera recordar a mística
sonoridade dos druidas suecos Hills –, este buliçoso, viçoso e virulento
‘For A Bryter Future’ encerra uma experiência intensamente impactante
que não deixará ninguém recostado à indiferença. Empolgante, venenoso,
cerimonioso e deveras contagiante, este primeiro passo discográfico da jovem
formação nacional representa uma alucinante montanha-russa que, sem travões, nos
viaja numa emoção gritada. Contendo uma surpreendente e impressionante versão cover
do clássico “Situation” – tema originário da banda texana Josefus,
retirado do seu carismático álbum ‘Dead Man’ (1980) – ‘For A Bryter
Future’ sobreaquece-nos e endoidece-nos sem qualquer moderação. É um incisivo
foguetão que rasga as vestes da noite cósmica. Uma trip sacramental de LSD
que nos conduz à redenção. Na composição deste poderoso alucinógeno podemos
testemunhar a psicadélica inflamação de uma guitarra reptiliana – fervida em
crocante, rugoso e borbulhante efeito Fuzz – que se lança numa louca
correria de delirantes, desatados, dinâmicos e viciantes riffs que nos
implodem de entusiasmo e percorre apressadamente toda uma hipnótica escadaria
em espiral de derrapantes, efervescentes, ácidos e trepidantes solos que nos
engolem e revolvem, o firme pulso de um possante baixo locomovido a linhas tonificadas,
encorpadas e coesas que nos mumificam e sufocam, a excitante impetuosidade de
uma bateria energicamente metralhada a ritmos galopantes que nos tomam de
assalto e cavalgam, e a revolta megafónica de vocais tresloucados, avinagrados
e urticantes que nos conduzem ao epicentro do motim. ‘For A Bryter Future’
é um álbum verdadeiramente estimulante, desconcertante e incendiário que nos afogueia
e atira para um violento estado de total insurreição sem qualquer policiamento
à vista. O florescimento da liberdade na sua forma mais crua e desregrada. Uma
visão desanuviada do futuro.
Links:
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🧯 Bandcamp
🧯 Saturn Eye Records
🧯 Morbid And Miserable Records






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