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Da cidade
norueguesa de Bergen chega-nos o terceiro álbum de estúdio do talentoso,
fascinante e engenhoso quarteto Kronstad 23, intitulado ‘Dødehavet’, captado em analógico e carimbado
pelo selo discográfico londrino Batov Records. Cercados por altas
montanhas rochosas e profundos fiordes, estes dotados, criativos e assanhados jazz-cats
têm neste seu recém-nascido ‘Dødehavet’ um sensacional, apaziguante, apaixonante e
cerimonial registo aureolado por um meditativo, mântrico, caravânico e curativo
Spiritual-Jazz, oxigenado por um místico, exótico, hipnótico e
ritualístico Ethio-Jazz, colorido por um bronzeado, dançante, contagiante
e transpirado Jazz-Funk, condimentado por um enfeitiçante, ensolarado,
relaxado e deslumbrante Psychedelic Rock e arejado por um pastoral, rústico, delicado e ambiental Folk de inimitável beleza escandinava. Tribal, imersivo,
lenitivo e tropical, ‘Dødehavet’ constrói no
imaginário do ouvinte um consumado paraíso virginal. De pés soterrados nas
douradas areias de uma praia deserta – beijados lentamente pela fresca espuma
do oceano –, olhar anestesiado, perdido e encontrado no distante rebentamento
das ondas, rosto aquecido e avermelhado pelo ardente bafo solar, pele
refrescada pela salgada e leve brisa suspirada pelo mar, e lábios mergulhados
num frutado, gélido e açucarado cocktail, somos seduzidos, conduzidos e extasiados
pela psicotrópica radiância de Kronstad 23. De inspiração colhida em
nomes como Mulatu Astatke, Alice Coltrane, Gábor Szabó, Grateful
Dead, Tommy Guerrero, Causa Sui e Glass Beams, a cinematográfica,
expressiva, reflexiva e camaleónica sonoridade de ‘Dødehavet’ estaciona
o ouvinte num inamovível estádio de sonolência embriagada que o conserva do
primeiro ao derradeiro tema. São 35 minutos de um profundo encantamento que nos
encapsula, uma doce fragância que nos faz descair as pálpebras e um ataráxico misticismo
que nos massaja o cerebelo. Na vistosa embarcação sonora destes vikings
dialogam harmoniosamente entre si uma faustosa guitarra de dulcificados serpenteios e solos avinagrados, um onírico teclado de românticos bailados, um pulsante baixo
de linhas encorpadas, uma bateria tribalista de pulso Afrobeat e ritmos apimentados, um extravagante
saxofone de sopros aveludados e uma refinada sitar de sagrada caligrafia. ‘Dødehavet’
é um álbum radioso, afrodisíaco, eucarístico e sumptuoso que nos pincela a alma
com inflamadas cores crepusculares. Um paraíso divinal onde nos recostamos e
deleitamos. Um arco-íris de boas sensações. Esta é a banda-sonora perfeita para
emoldurar o verão que se avizinha. Atravessem, exultantes e maravilhados, os arborizados, irrigados e
verdejantes desertos de Kronstad 23, escoltados e farolizados pela sua
música de natureza sacramental.
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