quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Review: 😵 Hibushibire - 'Phantom Fuzzy Exotica' (2026, Riot Season) 😵
Oriunda
da cidade japonesa de Osaka chega-nos a mastodôntica onda de choque resultante
de mais uma psicotrópica explosão armadilhada e detonada pelo fantástico e irreverente
quarteto Hibushibire. Formado em 2012 e já com mais de duas dezenas de
trabalhos editados, este extravagante colectivo nipónico continua fiel à
vistosa pirotecnia psicadélica que os caracteriza desde a sua criação. Intitulado
‘Phantom Fuzzy Exotica’ e lançado com o carimbo da britânica companhia discográfica
independente Riot Season através dos formatos físicos de LP e CD-R, este
novo álbum de Hibushibire é cozinhado num borbulhante, fogoso e
fumegante caldeirão em constante e extravasante ebulição onde são remexidos e
sorvidos um intoxicante, desgovernado, alucinado e electrizante Heavy Psych
– fritado em gaseificada e abrasiva distorção – que nos ferve na sua multicolorida
e faiscante efervescência condimentada a intensa turbulência e convida à sónica
propulsão pelas autoestradas de um Cosmos em estado de sítio, e um letárgico,
mavioso, cerimonioso e mágico Psychedelic Folk de paisagem pastoral e
traje medieval que do interior das suas altas muralhas nos embevece, anestesia
e adormece nas orvalhadas, verdejantes e arejadas planícies embrumadas pela
tímida e embriagada madrugada de verão. Num incessante ricochete entre a
exótica combustão e a messiânica mansidão, vagueamos e derrapamos – de olhar
esfaimado, boca salivante e espírito imensamente fascinado – pelo criativo e desregrado experimentalismo
que (des)norteia a camaleónica, expressiva, invasiva e catatónica sonoridade deste
orgásmico ‘Phantom Fuzzy Exotica’. De rosto derretido, cabeça voadora e alma
aturdida somos subjugados, cativados e embalados na caleidoscópica vertigem desta viagem
desorientadora sem regresso garantido. Assombrados por esta fantasmagoria psicotrópica,
somos varridos e engolidos por um furioso vórtice que nos viola a sanidade
mental e reorganiza o nosso universo espiritual. São 38 minutos de um druídico ritual
que nos seduz, conquista e conduz aos inexplorados territórios domiciliados nas
longínquas costuras do espaço sideral. Aventurem-se e desventurem-se na
atmosfera atordoante de Hibushibire à estonteante boleia sonora de uma
guitarra monstruosa que chameja e gravita em torno de enfeitiçantes, ziguezagueantes
e poderosos riffs saturados de um misticismo oriental, e vomita todo um furacão
de venenosos, histéricos e sinuosos solos de elevada acidez, um dominante baixo
de linhas bailantes, hipnóticas e ondeantes, uma bateria estimulante de ritmos excitados,
suados e dinâmicos aliada a uma acrobática percussão de culto tribalista, um embruxado
theremin que com as suas enigmáticas frequências alienígenas exorciza o
Cosmos, e vocais ecoantes, distantes e celestiais de uma florescência espectral.
O belíssimo portal aponta os seus créditos de autor à artista visual japonesa Nakatsuka
Tomoco (também conhecida por aimaiworks). Uma imersiva e violenta radiação psicotrópica que nos encandeia, bronzeia a
pele e bombardeia a lucidez. Este é muito provavelmente o meu álbum favorito desta
prolífica banda japonesa e seguramente um dos registos mais espantosos e empolgantes de 2026.
Vivenciem-no com total entrega e imoderada emoção.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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sexta-feira, 16 de outubro de 2026
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
terça-feira, 13 de outubro de 2026
domingo, 11 de outubro de 2026
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Review: 🩸 Zorn - 'Return to Castle Death' EP (2026, Sorry State Records) 🩸
Da
histórica cidade de Filadélfia – a mais populosa do estado
norte-americano da Pensilvânia – chegam-nos as intensas e diabólicas lavaredas
cuspidas pelos infernais Zorn, que no passado verão forjaram o seu
novíssimo EP intitulado ‘Return to Castle Death’ e editado pelo selo discográfico americano Sorry
State Records. Destilado de um agressivo e disputado braço de ferro entre
um pesado, cru, sujo e apressado Crust Punk escoiceado a altíssima rotação e
um fogoso, incisivo, combativo e trevoso Black Metal de assombrada inflamação, este caótico, despótico e enfeitiçante registo de curta duração e alta tensão de Zorn é desalmadamente corrido a uma vertiginosa velocidade, trajado a carregada obscuridade, agredido
a monstruosa ferocidade e cozinhado a acrimoniosa fogosidade. A sua dramática,
sufocante, intrigante e distópica sonoridade aventura e desventura o ouvinte pelo intimidante, gélido e chocante interior do seu granítico, malfadado e vampírico castelo.
Uma trágica, sádica e amaldiçoada digressão até às medievais masmorras desta dantesca
casa do terror onde os silêncios despertam, as paredes apertam, as aranhas tecem, os ratos guincham e as sombras dançam e crescem
na nossa direcção. ‘Return to Castle Death’ é um EP de natureza brutal, sem portal
de saída, que crava os seus afiados caninos na nossa jugular e nos faz desmaiar
no pentagrâmico e afogueado palco desta gótica e profana sedução. Um claustrofóbico, fantasmagórico e sinistro
labirinto onde nos apavoramos, descabelamos e perdemos toda a nossa sanidade
mental. De religiosidade eclipsada, alma profanada e pele enregelada, vagueamos
– de olhar vendado, semblante esbranquiçado e coração angustiado – pela abissal
negritude de Zorn onde a luz não ousa pisar e a esperança não arrisca
espreitar. Um pesadelo sem fim que nos mumifica e terrifica a cada invasivo,
perturbador e nocivo tema dos seus selváticos 20 minutos de durabilidade. Testemunhem
a revoltosa e demoníaca possessão do vosso espírito anoitecido e derrotado ao transformador
som de duas guitarras predatórias que hasteiam urticantes, ciclópicos, coléricos
e flamejantes riffs encrostados por uma fervente distorção e desprendem solos bruxuleantes, endemoninhados, azedados e electrizantes, um potente baixo de linhas possantes,
sisudas, carnudas e magnetizantes, uma endiabrada bateria metralhada a ritmos turbulentos,
inflamados, desenfreados e alucinantes, e uma voz desesperada, sangrenta, sarnenta
e depravada. A insustentável e fulminante raiva há muito em nós acumulada é agora armadilhada,
gritada e detonada no nosso peito. Deixem-se ceifar, esfarrapar e sepultar pelos
impiedosos e sanguinários carrascos Zorn nas insondáveis profundezas da sua luciférica pretura que vos inundará e guiará para sempre o espírito.
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