sábado, 25 de maio de 2019

Review: ⚡ Dan's Revival - 'Back On Track' (2019) ⚡

Da pequena e pacata cidade transmontana de Mirandela chega-nos ‘Back On Track’, o auspicioso álbum de estreia do jovem power-duo Dan’s Revival. Lançado muito recentemente através da sua página oficial de Bandcamp sob a forma física de CD (reduzido a uma ultra-limitada edição de crédito autoral) e em formato digital, este primeiro trabalho de longa duração – concebido por estes dois irmãos de sangue – exala um dançante, quente, radiofónico e empolgante Garage Blues de produção lo-fi que resulta de um equilíbrio de influências entre velhas lendas do rudimentar Delta-Blues como Robert Johnson, Son House e Muddy Waters, e algumas das mais incontornáveis referências modernas do Blues Rock como Seasick Steve e The Black Keys. A sua sonoridade animada, irreverente e ritmada – de fácil audição e consequente digestão – causa no ouvinte uma forte sensação de empolgamento e sedução que se intensifica de tema para tema, culminando no derradeiro – e aos meus ouvidos, o seu mais consumado e singular tema – “Twenties”. À boleia de uma guitarra que se serpenteia e envaidece em inquietantes, fogosos, oleosos e excitantes riffs e se encrespa e incendeia na libertação e condução de gritantes, uivantes, ácidos e inflamantes solos, a trote de uma bateria galopante que com as suas despachadas, descomplicadas e emocionantes investidas esporeia e empola todas as notas da guitarra, e absorvidos por uma voz de tonalidade monocórdica, jovial e refrescante, somos viajados pelas poeirentas estradas do Arizona, de punhos cerrados num turbulento e barulhento muscle car e olhar ancorado num esbatido e ensolarado firmamento desértico que se desdobra repetidamente. Toda uma dialogante e contagiante cumplicidade musical entre estes dois jovens músicos que persistem em hastear e agitar a bandeira do bom e velho Blues para gáudio daqueles que – tal como eu – há muito se converteram em devotos discípulos deste género lavrado nas margens do rio Mississippi. De forma instintiva, desmaiem as pálpebras, desenhem um sorriso no rosto, balanceiem a cabeça de ombro a ombro, e batam o pé, compassando a tocante e redentora ritmicidade e intensa fogosidade que este ‘Back On Track’ encerra. É demasiado fácil vibrar com a vivacidade, fervura e expressividade de Dan’s Revival, e considerar este seu álbum de estreia como um dos mais cativantes registos de origem portuguesa lançados até ao momento em 2019. Dancem-no de forma sentida, extravagante e desinibida, ou não fosse esse o primordial mandamento deste dueto mirandelense.

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🛸 UFO - "Doctor, Doctor" [Live]

💋 Deep Purple - "Strange Kind of Woman" (1971)

★ Waylon Jennings - 'Lonesome, On'ry & Mean' (1973) ★

Monarch - "Shady Maiden" [Prisma Guitars Shop Sessions]

🙏🏻 Led Zeppelin @ Montreux, 1970

Sunn O))) & Boris - 'Altar' (via Southern Lord Recordings, 2006)

Artwork: Aaron Horkey

sexta-feira, 24 de maio de 2019

🔥 Come on baby...

Review: ⚡ Jordsjø - 'Nattfiolen' (2019) ⚡

Da cidade-capital de Oslo (na Noruega) chega-nos o recém-nascido novo álbum do quarteto Jordsjø. Designado de ‘Nattfiolen’ e lançado hoje mesmo sob a forma física de CD e vinil (este último bifurcado em duas edições ultra-limitadas), adjectiva-se como o resultado de uma devota inspiração que se distende do cinema clássico de horror, passando pela cena germânica Progressiva dos 70’s, pelo misticismo dos contos fantásticos, a frondosa natureza norueguesa e desaguando na emblemática mitologia de origem nórdica. A sua sonoridade revivalista, adorável e fantasista sobrevoa os envolventes domínios de um encantador Prog Folk – orquestrado e condimentado a uma apurada habilidade e sensibilidade – que me prendera e namorara com expressiva vitalidade. Recostem-se confortavelmente, desmaiem as pálpebras, respirem pausada e profundamente, e deixem-se ingressar no universo medieval de Jordsjø, brilhantemente narrado por um requintado bailado de um mágico sintetizador em incessante diálogo com um quimérico mellotron, uma sumptuosa guitarra de acordes sentimentalistas, intimistas e poéticos, e solos serpenteantes, majestosos e aliciantes, uma flauta romanesca de frescas harmonias desenhadas a uma beleza lírica e epopeica, um baixo sombreado e balanceado a linhas hipnotizantes, fluídas, compenetradas e ondulantes, uma primorosa bateria de soberba e sublimada orientação jazzística, e ainda uma profética voz de tez aveludada, melódica e ensolarada que – com base no seu idioma nativo – confere a ‘Nattfiolen’ todo um nobre misticismo de traje mitológico e novelesco. Sou um confesso admirador de bandas que façam do pretérito o seu presente, e nesse contexto Jordsjø causara em mim um perfeito e imperturbável estado de fascinação e veneração à primeira audição que lhe dedicara. Uma épica e magnífica excursão ao interior emoldurado e amuralhado da Idade Média que nos faz desejar não mais dela regressar. Musicalmente, conseguem imaginar uma perfeita conjugação entre os ilustres britânicos Gentle Giant, Camel e Genesis? Se sim, alcançaram a fabular e lapidar essência que climatiza todas as incomensuráveis, primaveris e pastoris planícies que este extraordinário álbum encerra. Toda uma utopia onírica de vestes ancestrais e fragância divinal que nos eteriza e canoniza a alma sedenta de algo assim. É demasiado fácil perecer de amor a ‘Nattfiolen’ e prometer-lhe um dos mais invejáveis lugares na lista que receberá os mais notáveis álbuns lançados em 2019. Estamos mesmo na honrosa presença de uma completa obra-prima nutrida a uma inspirada e enfeitiçada maestria, irretocável e inatacável aos meus ouvidos.

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quarta-feira, 22 de maio de 2019

⛧ Acid King | Busse Wooods 20th Anniversary USA Tour

☀️ Roger Waters (Pink Floyd live at Pompeii)

🎙 The Well @ KUTX 98.9 Austin (2019)

Review: ⚡ The Mothercrow - 'Magara' (2019) ⚡

Depois de uma bem-sucedida campanha de crowdfunding que num curto espaço de tempo financiara na totalidade toda a gravação e produção em estúdio, os espanhóis The Mothercrow anunciam finalmente o seu tão ansiado álbum de estreia batizado de ‘Magara’ e do qual muito devem orgulhar-se. Oficialmente lançado no passado dia 17 de Maio sob a forma física de vinil pela mão do conceituado selo discográfico de origem germânica Nasoni Records, e em formato de CD pela parceria editorial espanhola que interligara a madrilena Nooirax e a La Rubia Producciones, este primeiro trabalho de longa duração do entusiasmante quarteto localizado na cidade de Barcelona vem inflamado de um musculado, enérgico, fibrótico e torneado Hard Rock de tração setentista e engrenado num deslumbrante, sedutor, harmonioso e contagiante Heavy Blues de ostentosa e primorosa condução. A sua sonoridade deveras fascinante, clássica, carismática e chamejante prende um embriagante aroma de paladar intimista e revivalista que me envolvera, intrigara e embevecera do primeiro ao derradeiro tema. São 44 minutos ensolarados e ofuscados por uma paradisíaca fervura de alcance transversal a todo o álbum, condimentando e apimentando tanto as deleitáveis, adoráveis, atraentes e eloquentes baladas de desarmante beleza, como as excitantes, dinâmicas e desconcertantes cavalgadas de instrumentos esporeados à rédea solta. ‘Magara’ é um aprimorado, brilhante e consumado registo que se galanteia pela doce, harmoniosa e sedosa brandura, e se incendeia pela vulcânica, caótica e destravada comoção. Testemunhem toda a admirável sinergia destes catalães onde uma guitarra prodigiosa se bamboleia à boleia de ostentosos, veneráveis e prazerosos acordes e se transcende na libertação de vistosos, inventivos e talentosos solos, um voluptuoso baixo valvulado a linhas reverberantes, fluídas, vincadas e magnetizantes, uma agradável bateria locomovida tanto a um toque polido, brilhante e delicado como a uma rumorosa, explosiva e calorosa ritmicidade, e ainda uma voz volumosa, melódica, mélica e libidinosa que se passeia e envaidece pela decorosa atmosfera desde maravilhoso álbum de The Mothercrow. De realçar ainda o esmerado, distinto e elevado artwork – de créditos apontados ao habilidoso artista espanhol Jalón de Aquiles – que confere todo um exótico misticismo visual a esta distinta obra-prima. É de alma completamente enfeitiçada e saciada que regresso do sublimado ‘Magara’. Um disco portador de uma aura tanto edénica e tocante, como eufórica e vibrante que seguramente conquistará a aceitação e reclamará a devoção de todos aqueles que nele comungarem. Estamos na singular presença de um álbum tremendamente refinado e provocante que aponta todas as suas pretensões às mais altas posições da listagem referente aos melhores registos lançados em 2019.

🎙 Dunbarrow - "On This Night" [Kaffiprat 2019]