sábado, 12 de setembro de 2026
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Review: 🦌 Sex Magick Wizards - 'Suola ja Noaidi' (2026, Is It Jazz? Records) 🦌
Devo
admitir que a cada anúncio de um novo álbum dos noruegueses Sex Magick
Wizards deflagra em mim um faiscante e descontrolado fogo de entusiamo. Esta talentosa
banda domiciliada na cidade-capital Oslo – pela qual nutro uma grande
devoção e cuja criatividade parece não conhecer limites – acaba de lançar o seu
extravagante quarto álbum de estúdio denominado ‘Suola ja Noaidi’ (o ladrão
e o xamã) pela mão da emergente companhia discográfica local Is It Jazz?
Records através de estéticas e apetecíveis edições em LP e CD. Farolizada pela cultura Sami
– um povo indígena do norte da Europa que habita a região de Sápmi, abrangendo
o norte da Noruega, Suécia, Finlândia e a península de Kola na Rússia – e desenhada
em torno de temas como a colonização, a religião armada e a resiliência Sami, a
exótica, experimental, camaleónica e cerimonial sonoridade de ‘Suola ja Noaidi’
manifesta-se num pirotécnico curto-circuito jazzístico onde se cruzam na mesma
corrente eléctrica um desarrumado, caótico, labiríntico e desgrenhado Free
Jazz de instrumentos em selvática debandada, um tribal, afrodisíaco,
ritualístico e celestial Spiritual Jazz que nos alavanca a religiosidade
e um carnavalesco, espalhafatoso, poderoso e burlesco Avant-Garde Jazz
que em nós provoca uma relampejante tempestade cerebral. Mutante, hipnótico,
excêntrico e fascinante, este novo trabalho do sui generis quarteto nórdico é uma
obra verdadeiramente extraordinária, complexa e desafiante que obriga o ouvinte
a múltiplas audições para sua plena interpretação. Um bizarro puzzle sonoro da
mais elevada dificuldade que nos seduz, invade e conduz pelas suas portentosas,
admiráveis e gloriosas composições. Numa mistura entre a vanguarda e a erudição,
a estonteante complexidade rítmica, harmonias dissonantes e a livre improvisação,
‘Suola ja Noaidi’ conta ainda com a indiscreta influência do impopular
movimento Rock in Opposition (RIO) a fazer lembrar a sátira mordaz soberbamente musicada pelos suecos Samla
Mammas Manna e o tenso desassossego superiormente orquestrado pelos belgas Univers Zéro. Percam-se e encontrem-se,
tropecem e levantem-se, aventurem-se e desventurem-se à enleante boleia de uma guitarra alienígena que rabisca
– numa indecifrável caligrafia – neuróticos, esdrúxulos e claustrofóbicos riffs
de onde são escoados solos vertiginosos, sónicos e angulosos, uma bateria
circense de ritmos impressionantes, arriscados, acrobáticos e mirabolantes, um magnético
baixo de linhas pulsantes, elásticas, enigmáticas e marcantes, um incisivo saxofone
de gritos tresloucados, discordantes e assanhados, uma melodiosa flauta de sopros arejados, leves e aveludados, cantos étnicos, místicos e ancestrais de uma acentuada bipolaridade que baloiça entre sangrentos gritos histéricos e robóticas declamações monocórdicas, e enfeitiçantes sintetizadores
que embrumam e perfumam a opressiva, estranha e inventiva atmosfera do álbum com a sua
bizarria electrónica. Este é um registo sem fronteiras ou barreiras que o inibem. A irreverência
no seu nível máximo. Uma obra estimulante, sufocante e desorientadora que nos rouba o ar do peito e domina
ao longo dos seus extensos 72 minutos de duração. Uma inquebrável sedução. Envolvam-se e revolvam-se nesta
compenetrada, incansável e sagrada dança tribal sob a messiânica luzência de um dos álbuns mais
fenomenais do ano.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2026
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
terça-feira, 8 de setembro de 2026
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Review: 🌅 Edena Gardens - 'Quintessence' (2026, El Paraiso Records) 🌅
Formado
em 2022 e tendo como sua única missão o lançamento de uma trilogia de álbuns (‘Edena Gardens’ de 2022, ‘Agar’ de 2023 e ‘Dens’ também de 2023),
este talentoso quinteto escandinavo – que conta com músicos provenientes de consagradas
bandas como Causa Sui e Papir – passara a fronteira da sua (e da nossa)
expectativa em relação à sua durabilidade e ao seu sentido de existência com o inesperado
nascimento do seu quarto trabalho de estúdio ‘Dispossessed’ no passado
ano de 2025, e agora envia-nos um sinal sob a forma musical da longínqua exosfera
e viajando a toda a velocidade para as profundezas da garganta do espaço
sideral com o aparecimento do seu quinto álbum de estúdio intitulado ‘Quintessence’,
editado e carimbado pela insuspeita El Paraiso Records numa estética e
irresistível edição física em LP e CD que embelezará e valorizará a colecção de
qualquer melómano que se preze. Num caloroso abraço gravitacional entre um reflexivo,
cinematográfico, anestésico e imersivo Post-Rock condimentado com sal
marinho e um embriagante, charmoso, radioso e apaixonante Psychedelic Rock
de deslumbrante maquilhagem celestial, este novo álbum de Edena Gardens
perfila-se como o trabalho mais expansivo, camaleónico, exótico e expressivo lançado
até à data pela banda dinamarquesa. Contando ainda com aventuras e desventuras nos
territórios alienígenas da música Jazz, o cativante hipnotismo do Krautrock
e o aroma tropical do sumarento Funk, a paradisíaca, sonhadora,
trovadora e ritualística sonoridade de ‘Quintessence’ passeia-se
graciosa e livremente num evolutivo, lenitivo e arejado slow-motion de proféticas,
lisérgicas e intuitivas jams instrumentais que tocam os universos
musicais de Soft Machine, Jimi Hendrix, Herbie Hancock, Ry
Cooder, Agitation Free, The Mermen e Pelican. Detidos
pela invisível radiação da introspecção e mistificados pela desarmante beleza
que este disco irradia, somos levados a experienciar um multicolorido e
vibrante arco-íris de desiguais sensações. ‘Quintessence’ é uma manhã
refrescante de pele arrepiada e olhar perdido na timidez de um Sol distante, uma
tarde abafada de corpos bronzeados e suados farolizada por um Sol chamejante,
um mágico crepúsculo de céus pincelados a colorações quentes e um Sol de rosto
derretido e perdido no firmamento, e uma quieta e arejada noite trajada de um
aveludado e negro manto com vista desabrigada para a pálida luzência da Lua. A praia
das nossas vidas. Enfeitiçante, purificante e transformador, ‘Quintessence’
é um abrigo sagrado onde choramos as nossas feridas e nos curamos. São 80 minutos
de uma experiência verdadeiramente gratificante que nos faz sorrir de cabeça
pensante e olhar lacrimejante. Velejem este sonho soberbamente musicado à afrodisíaca
boleia de uma guitarra reptiliana e exploratória que se serpenteia em oleosos,
viciantes, libidinosos e temperados riffs de onde são vertidos uivantes,
ofuscantes, comoventes e encaracolados solos de uma beleza sem igual, um dançante
baixo de bafo pausado, quente e sombreado, e uma acrobática bateria de ritmos
livres, leves e desatados. O experimentalismo, a delicadeza, a destreza e o
misticismo de mãos dadas. Deixem-se inundar pelos ondeantes, psicotrópicos e
messiânicos raios ultravioletas de Edena Gardens e testemunhem com total
admiração e religiosa veneração todo o santificado esplendor de um dos mais edénicos e terapêuticos álbuns desabrochados neste jardim musical de 2026.
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