segunda-feira, 21 de setembro de 2020

👽 Al Cisneros // SLEEP

🎬 Crumb (1994, Terry Zwigoff)

Review: ⚡ Melody Fields - 'Broken Horse' EP (2020) ⚡

★★★★

Da cidade de Gotemburgo (Suécia) – domicílio de célebres bandas como Horisont, Hills e Yuri Gagarin – chega-nos a apaladada brisa nórdica sublimemente suspirada pelo apaixonante sexteto Melody Fields, com a exposição do seu novíssimo EP intitulado de ‘Broken Horse’ e lançado nos formatos físicos de CD (pela mão da discográfica grega Sound Effect Records) e vinil (através do jovem selo sueco Coop Records Gotland). Farolizada por um deslumbrante, caleidoscópico e radiante Psychedelic Rock, um lenitivo, repetitivo e enfeitiçante Krautrock, e ainda um bucólico, alucinógeno e melancólico Acid Rock, a lisérgica, meditativa e profética sonoridade de ‘Broken Horse’ é condimentada a especiarias orientais e revestida a um misticismo de atmosfera vintage que me fizera escorregar pelas labirínticas profundezas do universo onírico, e sobrevoar os corados céus da velha Pérsia montado num tapete mágico. Com claras influências estilísticas apontadas aos seus velhos e consagrados compatriotas Träd, Gräs och Stenar, este colectivo escandinavo transuda inebriantes ressonâncias xamânicas que nos prazenteiam o espírito, adormecem a lucidez e balanceiam o corpo como que uma serpente Naja respondendo numa compenetrada e extravagante dança às hipnotizantes movimentações da flauta indiana. São 19 minutos de imersiva sedução que nos embala num imperturbável estádio de febril meditação. Embarquem nesta sagrada digressão pelas bronzeadas e aveludadas dunas que mareiam os desertos da alma à purificante boleia de três guitarras fabulosas que se cruzam em acordes arenosos, imaginativos e majestosos, e descruzam em solos uivantes, ácidos e atordoantes, uma cítara messiânica de afrodisíacos, ornamentados e arábicos bailados, um baixo murmurante de linhas pausadas, relaxadas e magnetizantes, uma bateria tribalista de galope envolvente, descontraído e desembaraçado, e vocais sedosos, espectrais e luminosos que banham de brilho, delicadeza e melosidade toda esta exótica tapeçaria. Contando ainda com um clima West Coast que remete o ouvinte para o idílico verão californiano de Sol reluzente, céu pincelado a azul-turquesa e uma salgada brisa oceânica, ‘Broken Horse’ é um EP verdadeiramente ataráxico que me deixara levemente embriagado e ancorado num inamovível estádio de pleno bem-estar. Um registo de curta duração, mas prolongada veneração, tingido a uma estival refulgência de tonalidade crepuscular e preciosamente musicado a uma estética de ambiência fabular. Demasiado fácil namorá-lo e em nós imortalizá-lo.

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sábado, 19 de setembro de 2020

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

🎗 Jimi Hendrix (27/11/1942 - 18/09/1970)

🔌 Hazemaze - 'The Paranoid Sessions' (2020)

🎂 50 years of Black Sabbath - 'Paranoid' (18/09/1970)

Review: ⚡ Fooks Nihil - 'Fooks Nihil' (2020) ⚡


★★★

Domiciliado na cidade de Wiesbaden (Hesse, Alemanha), o jovem power-trio germânico Fooks Nihil acaba de desabrochar uma das mais agradáveis surpresas sonoras do presente ano. Integralmente lançado hoje mesmo nos formatos físicos de CD e vinil pela mão da histórica editora local Unique Records, este seu fabuloso álbum de estreia vem ensolarado, afagado e apaladado por um deslumbrante, luminoso, cheiroso e apaziguante Psychedelic Rock de roupagem sessentista e clima West-Coast, um reconfortante, bucólico, caleidoscópico e extasiante Indie Rock tingido a dourado revivalismo californiano, e ainda um ritmado, pastoril, bem-disposto e troteado Country Rock de doce fragância primaveril. Resultante de uma bem-sucedida intersecção que combina carismáticas influências germinadas na segunda metade dos irreverentes 60’s tais como The Byrds, Crosby, Stills & Nash e Neil Young, a purificante, singela e apaixonante sonoridade de ‘Fooks Nihil’ prende uma nostálgica ambiência sublimemente musicada que me remete para as aventurosas e inimitáveis explanações líricas de Jack Kerouac (um dos mais influentes líderes do revolucionário movimento literário comummente apelidado de Geração Beat, e o meu escritor de eleição). De olhar levemente embriagado, pálpebras semi-cerradas, sorriso destapado por entre bochechas rosadas, e cabeça detidamente entregue a um pausado movimento pendular que a ricocheteia de ombro a ombro, somos sedados, maravilhados e levados pelas sinuosas estradas, bronzeadas pelo chamejante Sol poente e temperadas pela fresca brisa salgada suspirada pelo Oceano Pacífico, que percorrem toda a costa californiana. De ouvidos salivantes, sentidos sedados e alma intensamente fascinada, o ouvinte é diluído num sempiterno estádio de purificante nirvana que o massaja e prazenteia do primeiro ao derradeiro tema. São 40 minutos tricotados e adornados a uma ternura verdadeiramente paradisíaca e enternecedora. Uma diluviana catarse que me recostara a um verdadeiro oásis sensorial e saciara um espírito ávido por experienciar algo assim. De velas içadas ao sabor de uma guitarra sonhadora que se manifesta em envolventes, sumptuosos e eloquentes acordes de beleza fabular e ácidos, efervescentes e delirados solos de elevada toxicidade, um hipnótico baixo murmurado a linhas flutuantes, graciosas e dançantes, uma primorosa bateria esporeada a um toque brilhante, polido e pensado, um majestoso teclado de ostentosos, intumescidos e gloriosos bailados, um uivante Pedal Steel de arrepiantes, melosos e atordoantes arranjos, e uma voz verdadeiramente harmoniosa, amistosa e sedutora – perseguida de perto por um espectral coro vocal – que capitaneia toda esta maravilhosa obra, ‘Fooks Nihil’ zarpa rumo aos melhores dos melhores álbuns nascidos em 2020. De destacar ainda o prismático artwork cuidadosamente ilustrado pela artista Joyce Abrahams que delineia e maquilha na perfeição o rosto desta irretocável obra-prima. Percam-se e encontrem-se por entre a lívida luzência e deífica magnificência que farolizam todo o corpo temporal desta imaculada estreia, e testemunhem com inesgotável admiração a ataráxica lubricidade transpirada por estes três talentosos jovens alemães. Um dos meus álbuns favoritos do ano está aqui. Empoeirem-se na sua etérea e diamantina sagacidade.

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 Unique Records

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

☯ Jimi Hendrix

🌈 David Bowie

Review: ⚡ Hadron - 'Evil Lady' (2020) ⚡


★★★★

Proveniente da cidade de Odense (localizada na Dinamarca) chega-nos a enigmática liturgia emoldurada e adornada a (ir)reverência ocultista superiormente celebrada pelo quarteto nórdico Hadron com o lançamento do seu novo álbum designado de ‘Evil Lady’. Apresentado na segunda metade do passado mês de Agosto sob a exclusiva forma digital através da sua página de Bandcamp oficial – ainda que com a garantia de um futuro lançamento em vinil agendado para o Inverno que se avizinha – esta nova obra forjada pela formação escandinava vem lavrada, pincelada e ensombrada por um galopante, luciférico, dramático e magnetizante Heavy Metal de estética tradicionalista, e um imperioso, sombreado, encorpado e lutuoso Doom Metal de revivalismo trazido dos dourados 70’s que nos horripilam o espírito, dilatam as pupilas, empalidecem o semblante e profanam a religiosidade. A sua perturbadora sonoridade de feições tenebrosas, densas, tensas e pecaminosas – pesadamente bafejada a ressonâncias Candlemass’icas – tem o dom de prontamente nos converter em seus devotos discípulos. Na génese de todo este nebuloso, soberano, tirano e poderoso ritual está uma vampírica voz de compleição enregelada, penetrante, melódica e avinagrada que sobrevoa os amaldiçoados trilhos desbravados por uma guitarra pagã de Riffs chamejantes, majestosos, gordurosos e intrigantes, obscurece na tóxica reverberação ronronada por um sinistro baixo conduzido a linhas possantes, pulsantes e sólidas, e cavalga às costas de uma bateria trovejante que – a trote de uma ritmicidade altiva, precisa e inflamante – tiquetaqueia todo este monolítico, hediondo e apocalíptico negrume numa impactante e triunfante galopada. São 44 minutos de um imperturbável, intenso e perdurável arrebatamento que nos embalsama membros e sentidos. Deixem-se ceifar, estremecer e enfeitiçar pelo reinante esoterismo que reveste todo este ‘Evil Lady’, e testemunhem todo o trevoso esplendor de um álbum integralmente oxigenado a purificante obscurantismo. Não vai ser nada fácil quebrar o feitiço de Hadron e reaver a luzência que nos fora soprada e desbotada por estes quatro monges de alma eclipsada.

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