domingo, 26 de janeiro de 2020

🌇 The Doors

🎤 Scott "Wino" Weinrich // Saint Vitus

🏄‍♀️ Fu Manchu

Review: ⚡ Acid Mammoth - 'Under Acid Hoof' (2020) ⚡

Da cidade-capital de Atenas (na Grécia) chega-nos a densa e esverdeada vaporização do quarteto Acid Mammoth com o lançamento do seu segundo e novo álbum apelidado de ‘Under Acid Hoof’ e devidamente promovido pela mão do incansável selo discográfico romano Heavy Psych Sounds sob a forma física de CD e vinil. Robustecida, inflamada e enegrecida por um morfínico, hipnotizante, dominante e ritualístico Stoner Doom de ressonância e devoção Black Sabbath’ica que conjuga a intrigante lisergia de uns Uncle Acid & The Deadbeats com a monolítica potência de uns Monolord e ainda a demoníaca feitiçaria de Electric Wizard, a profana e enigmática sonoridade de ‘Under Acid Hoof’ arrasta o ouvinte pelas pesadas, paradas e lodacentas águas de um crepitante pântano de tonalidade ferrugenta e embaciado pela espessa bruma outonal. De pálpebras seladas, olhar eclipsado, maxilares cerrados, narinas dilatadas e cabeça balanceada de ombro a ombro, somos enfeitiçados, absorvidos e sedados pela atraente liturgia de adoração luciférica superiormente celebrada pela formação helénica. São cerca de 36 minutos completamente oxigenados, assombrados e saturados por uma atmosfera tenebrosa, nebulosa e entorpecedora que nos enluta e inebria a alma. Deixem-se obscurecer e varrer pela pausada, reverberante e monstruosa avalanche detonada por duas guitarras umbrosas e heréticas que se aliam e avolumam em Riffs montanhosos, fumarentos, lamacentos e imperiosos, e se soltam na libertação de gélidos, viscerais, penetrantes, alucinógenos e astrais solos, um corpulento baixo de linhas magnetizantes, tensas, densas e pujantes, uma estrondosa, viril e fogosa bateria de ritmicidade impetuosa, autoritária, galopante e rumorosa, e ainda uns vocais gélidos, ácidos, destemperados e diabrinos que completam toda esta psicotrópica bruxaria cozinhada pelos Acid Mammoth. De destacar ainda o místico artwork de créditos facilmente reconhecidos e apontados à famosa Branca Studio. Estamos na vultosa presença de um álbum edificado por uma massiva e alucinógena musculatura que nos atemoriza e narcotiza com urgente e veemente supremacia. Inalem a demoníaca e intoxicante exalação suada por ‘Under Acid Hoof’ e sintam-se embalsamar num intenso e imperturbável estádio de doce letargia.

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 Heavy Psych Sounds

sábado, 25 de janeiro de 2020

🍂 Eric Clapton

📸 Henry Diltz

🥁 Jimi Hendrix

🐸 Toad - 'Open Fire' @ Basel, Switzerland (Live, 1972)

👽 Yuri Gagarin - 'The Outskirts Of Reality' (2020)

Review: ⚡ Rafael Denardi - 'Two Handfuls of Rock' EP (2020) ⚡

Da outra margem do oceano Atlântico chega-nos uma das mais agradáveis surpresas sonoras germinadas neste ainda tenro solo de 2020. ‘Two Handfuls of Rock’ é o entusiástico EP de estreia inteiramente gravado e produzido pelo talentoso multi-instrumentista brasileiro Rafael Denardi – residente na grande e populosa cidade de São Paulo – que tem o seu lançamento oficial agendado para o próximo dia 6 de Fevereiro, exclusivamente através do formato digital e disseminado pelas mais variadas plataformas digitais. De instrumentos calibrados e apontados a um empolgante, dinâmico, vistoso e inflamante Heavy Blues de essência e exuberância revivalistas que prontamente nos remete para a ardente sensualidade do irreverente power-trio suíço The Dues e a efervescente explosividade dos sónicos californianos JOY, este é um trabalho de beleza e destreza consumadas. Com excepção da destacada presença de um teclista convidado para condimentar e abrilhantar um dos temas que incorporam este auspicioso registo de curta duração, ‘Two Handfuls of Rock’ é um delicioso e portentoso EP superiormente executado a duas mãos. A sua requintada, serpenteante, vibrante e agitada sonoridade de textura e formosura vintage causara em mim todo um crescente e imediato estado de imperturbável fascinação e intenso empolgamento que me climatizara do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 22 minutos apimentados e chamejados por uma virtuosa, afrodisíaca e aparatosa guitarra que – com os seus poderosos, musculados, despachados, torneados e ostentosos Riffs, de onde são transpirados e disparados ziguezagueantes, labirínticos, ácidos e estonteantes solos de elevada toxicidade – homenageia icónicas referências do género como Billy Gibbons (ZZ Top), Eric Clapton (Cream) e Rory Gallagher (Taste), um possante, espesso e dominante baixo Rickenbacker de linhas desenhadas, baforadas e orientadas a robustez, coesão, vitalidade e paixão, uma calorosa bateria de esporas afiadas e rédea solta que se revolve nas suas acrobacias galopantes, inventivas e excitantes, e uma voz liderante, jovial e refrescante que chefia com inegável carisma toda esta extasiante, carnavalesca e delirante detonação sensorial. O expressivo e caricaturesco artwork que confere rosto a este registo aponta os seus créditos à ilustradora brasileira Rafaela Barros que de forma fiel e até humorística traduzira para o universo visual a interpretação literal de ‘Two Handfuls of Rock’. Este é um registo dotado de inspiração, lavrado à minha imagem e que muito deve orgulhar o seu criador Rafael Denardi. Apesar de só agora termos estreado o calendário referente a 2020, na ressaca desta obra tudo em mim grita convictamente de que estamos mesmo na presença de um dos mais fortes candidatos a EP do ano.

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quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

🦁 Brant Bjork - "Jungle in the Sound" (2020, Heavy Psych Sounds)

🎨 Pink Floyd

Review: ⚡ Bohren & der Club of Gore - 'Patchouli Blue' (2020) ⚡

Com quase 3 décadas de existência, os ímpares Bohren & der Club of Gore preparam-se agora para acrescentar à sua discografia o muito aguardado 11º trabalho de longa duração. Com o seu lançamento oficial agendado para o dia de amanhã – sexta, 24 de Janeiro – pelo influente selo discográfico multinacional PIAS Recordings (acrónimo de Play It Again Sam) nos formatos físicos de CD e vinil, ‘Patchouli Blue’ vem dar o tão desejado prosseguimento à enigmática, envolvente, misteriosa e melancólica ambiência de orientação Film Noir superiormente segredada e adensada pelos instrumentos desta muito peculiar e já emblemática formação germânica. Baseado num lutuoso, demorado, hipnótico e pesaroso Doom-Jazz que nos remete para uma noite fria e chuvosa de uma cidade pecadora onde o crime espreita a cada esquina, ‘Patchouli Blue’ é um fabuloso álbum de sensibilidade cinematográfica. Mãos soterradas nos largos e profundos bolsos de longos sobretudos acariciam revólveres famintos, olhares suspeitosos brilham na embrumada penumbra deixada e recortada pela aba larga de negros chapéus, farolizados e enfeitiçados pela ofuscante luminância flamejada e transbordada de uma janela despida – abraçada pelo fosco negrume – onde no seu interior um ruborizado batom se passeia graciosamente dentro dos limites territoriais de uns lábios murmurantes, um enegrecido rímel tonifica e penteia as pestanas, e um elegante vestido de tonalidade púrpura é desdobrado por toda a extensão de um corpo desnudo e decotado até às fronteiras da irresistível tentação. É esta a ambiência de intrigante e incessante sedução que ‘Patchouli Blue’ edifica no meu imaginário. Toda uma fatídica trama que se desprende das teclas de um funesto órgão de notas magnetizantes, sinistras e saltitantes, sombreadas pela soturna e misantrópica radiância borrifada por um enigmático sintetizador que ausculta as trevas, da boquilha de um saxofone uivante que se serpenteia e formoseia em extravagantes bailados, das vassouras luzidias que deixam todo um brilhante e poeirento lastro de pulsação ressoada de uma bateria detidamente entregue a uma ritmicidade minimalista, arrastada e intimista, e das gordas cordas de um contrabaixo prostrado que sussurra linhas pesadas, lastimosas, umbrosas e carregadas. Este é um álbum genuinamente cativante que nos petrifica e mergulha numa fumarenta atmosfera eclipsada e temperada pela doce melancolia. Deixem-se seduzir e conduzir pela trágica e perversa narrativa de Bohren & der Club of Gore e vivenciem de olhar intensamente fascinado uma das mais inspiradas odes aos nostálgicos e glamorosos policiais brilhantemente produzidos nas velhas décadas de 1940 e 1950. Não vai ser nada fácil regressar dos nebulosos, intimidantes e caliginosos becos citadinos de ‘Patchouli Blue’ por onde nos perdemos e entretemos ao longo de sensivelmente 60 minutos.