segunda-feira, 3 de agosto de 2026
domingo, 2 de agosto de 2026
sábado, 1 de agosto de 2026
sexta-feira, 31 de julho de 2026
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Review: 🦋 Las Robertas - 'All We Need is Now' (2026, Spinda Recs / Kanine Recs) 🦋

Proveniente
da inesperada capital costa-riquenha San José, atraca na minha costa uma
das mais agradáveis surpresas sonoras do ano. ‘All We Need is Now’ é o
quinto trabalho de estúdio do sexteto Las Robertas, recém-lançado pela
parceria discográfica que coliga a espanhola Spinda Records (responsável
pela distribuição na Europa) e a nova-iorquina independente Kanine Records (responsável
pela distribuição em solo americano). Orvalhada por um dormente, etéreo e absorvente
Shoegaze de esbatida e embriagada melancolia trazida dos 90’s, colorida por
um açucarado, sonhador e ritmado Psychedelic Pop que evoca a estética
britânica dos florescidos 60’s e remexida por um caleidoscópico, alucinógeno e
exótico Neo-Psychedelic Rock de experimentação imersiva, delirante e
invasiva, a sonoridade de Las Robertas deixa no ouvinte um inapagável senso
de caramelizada nostalgia que o desenraíza do presente e o naufraga num
turbilhão de reminiscências domiciliadas no pretérito. De olhos lacrimosos e
sorriso desabrochado no rosto, vagueamos livremente pelo universo onírico de ‘All
We Need is Now’, completamente vencidos e cativados pela saturação
emocional que o mesmo irradia. Colhendo ainda (in)discretas influências no Madchester
(movimento musical e cultural inglês vivido entre o final da década de 1980 e o
início da década de 1990 na cidade industrial de Manchester que combinava o
Rock Alternativo, o Rock Psicadélico e a música electrónica) a cremosa,
dançante, viciante e lustrosa musicalidade de Las Robertas partilha o código
genético com outras referências como a britânica The Crystal Teardrop, a
norte-americana Shadow Show e a mexicana La Era de Acuario. Um prismático
jogo de espelhos onde nos perdemos e encontramos. Um irresistível feitiço que
nos engole e digere demoradamente. Uma miraculosa viagem de cura e
transformação pessoal. De cabeça febril – baloiçada de ombro em ombro –, olhar alcoolizado
– içado na direcção da introspecção –, e espírito enternecido e sublimado pela
sagrada luzência de ‘All We Need is Now’, somos seduzidos e conduzidos a
despertar do passado e a estabelecer uma conexão com o presente. Na composição
deste fármaco natural usado para fins terapêuticos podemos encontrar três aparentadas
guitarras – embrulhadas entre si – que se aventuram em deleitosos, ajardinados e
cheirosos riffs e desventuram em fluorescentes, ácidos e transcendentes solos,
um baixo meneante de linhas oleadas, coesas e onduladas, uma bateria estimulante
de ritmos expressivos, expansivos e magnetizantes, um teclado quimérico de deslumbrante
ambiência cósmica que nos borrifa com matéria de que os sonhos são feitos e vocais
fascinantes, ecoantes e espaciais que se espreguiçam por todo o corpo temporal
deste álbum verdadeiramente sensacional. O metamórfico artwork de ‘All
We Need is Now’ pertence à artista local Juliana Quesada e veste na
perfeição a sua música. É igualmente importante referir que neste preciso momento esta
apaixonante banda da Costa Rica se encontra numa mini tour europeia entre
Espanha e França. Estamos, indubitavelmente, na afável presença de um dos mais
belos discos florescidos em 2026. Pousem nele e banhem-se no seu melífluo néctar.
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➸ Spinda Records
➸ Kanine Records
quarta-feira, 29 de julho de 2026
terça-feira, 28 de julho de 2026
segunda-feira, 27 de julho de 2026
domingo, 26 de julho de 2026
sexta-feira, 24 de julho de 2026
quinta-feira, 23 de julho de 2026
terça-feira, 21 de julho de 2026
Review: 🥃 Child - 'Rebirth' (2026, Heavy Psych Sounds) 🥃

Formado em 2012 na cidade australiana de Melbourne, este cativante trio representa uma declarada, empoeirada e apaixonada carta de amor ao rústico Blues de tom sépia nascido, chorado e colhido nos árduos campos de algodão do velho e tórrido Mississippi. Com três álbuns e um EP no alforge (todos eles aqui trazidos e desavergonhadamente namorados), estes indomáveis cavaleiros – que há muito saquearam, afoguearam e conquistaram o meu tenro coração – engatilham e disparam agora o seu muito aguardado quarto trabalho de longa duração intitulado ‘Rebirth’ e editado pelo consagrado selo discográfico romano Heavy Psych Sounds. Musicado por um rastejante, rugoso, libidinoso e serpenteante Heavy Blues desdobrado em slow-motion, de calor fumegante e suor brilhante que nos faz descair as pálpebras, morder os lábios e despertar a líbido, este desarmante novo álbum de Child é um urticante, mélico e queimante trago de bourbon sorvido ao rangente balcão de um antiquado, rural e abafado bar de atmosfera fumarenta que nos naufraga os pensamentos e deixa relaxadamente estacionados numa ébria sonolência. Apimentada, oleosa, afrodisíaca e tonificada, a irresistível sonoridade de ‘Rebirth’ alcooliza e dameja o ouvinte do primeiro ao derradeiro tema. Envolvidos, consumidos e inebriados pelas suas pausadas, açucaradas, embriagadas e sentimentais baladas incendiadas a selvagem paixão e calmamente galopadas por um cavalo cansado na direcção do avermelhado Sol posto que bruxuleia no inatingível firmamento do deserto, tropeçamos e mergulhamos nesta absorvente tentação. De pele arrepiada e o peito em chamas, somos demoradamente seduzidos por uma portentosa guitarra que se avoluma em poderosos, viciantes, enfeitiçantes e majestosos riffs – electrificados pela escaldante, crocante e infecciosa distorção – de onde desaguam fugidios, luzidios, escorregadios e ziguezagueantes solos, um arrogante baixo de reverberação encorpada, espessa e sombreada, uma bateria inflamada de empolgantes, desatados e provocantes ritmos, e uma voz dourada, cremosa, felina e caramelizada que lidera com carismática distinção toda esta sublimada oração aos deuses do Blues. São 35 minutos de transbordante melosidade e contagiante sedução, cozinhados em lume brando, que nos mantêm de fascinação acordada e embevecidos sem a mais pequena interrupção. ‘Rebirth’ é um disco verdadeiramente impactante e sensacional que em mim provocara todo um intenso sismo emocional. Uma obra íntima que nos confessa genuínas sensibilidades capazes de acender e derreter o mais trevoso e rochoso dos corações. Neste infalível “Don Juan” habita um tema pelo qual morro de amores “Damned Heart (Last Time)”, que me trespassara com uma autêntica flecha de cupido logo na primeira audição e tudo nele em mim ainda hoje provoca uma inextinguível combustão. Child é uma banda deveras especial que sempre estimulou as zonas erógenas do meu sistema nervoso central. Deliciem-se e prazenteiem-se neste seu novo néctar.
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