terça-feira, 3 de março de 2026

😈 Joan Jett (1980)

📸 Mick Rock

Review: 💡 BRUECKEN - 'Years that Answer' (2026, Moment of Collapse) 💡

“Há anos que fazem perguntas e há anos que respondem.” – É a segunda metade desta filosófica frase da autoria da romancista e antropóloga norte-americana Zora Neale Hurston (1891 – 1960) encontrada no seu clássico literário de 1937 “Seus Olhos viram Deus” que serve de bandeira para capitanear a imersiva, inspiradora, transformadora e criativa narrativa sonora que climatiza o novo álbum lançado pelo impactante quinteto germânico BRUECKEN através do selo discográfico independente, seu conterrâneo, Moment of Collapse Records nos formatos LP, CD e digital. Tendo como sua estrela polar um cinematográfico, fascinante, apaixonante e atmosférico Post-Rock de beleza ambiental que tanto se amolece e embevece num onírico, etéreo e letárgico Shoegaze de massagem cerebral, como se enegrece e sobreaquece num colérico, incendiário e catártico Post-Hardcore de explosividade emocional, este impressionante terceiro álbum sublimemente orquestrado pela formação alemã prepara e projecta o ouvinte para uma desamarrada, determinada e gloriosa escalada até aos elevados picos da plena apoteose. Com inspiração colhida em incontornáveis referências do género como Caspian, Long Distance Calling, If These Trees Could Talk, Leech, Red Sparowes, God is an Astronaut, pg.lost, Year of No Light e This Will Destroy You, a musicalidade curativa, progressiva e motivacional de ‘Years that Answer’ desenvolve o ouvinte de um estacionário estado de profunda introspecção, sufocante melancolia, desalentada paralisia e enlutada prostração que lhe rouba o ar do peito e o deixa indefeso numa total permeabilidade emocional, para uma radiosa condição mental de indefectível esperança onde rebenta a vistosa floração da coragem e resiliência suficientes para enfrentar e superar todos os desafios que se revelem no firmamento da nossa existência. Reflexivo, anestésico, dinâmico e incisivo, ‘Years that Answer’ é um disco tristemente belo que viaja o ouvinte das mais profundas e opressivas trevas à mais diáfana e deífica luzência. Saturado por um vasto espectro de emoções que nos levam das lágrimas gritadas aos sorrisos suspirados, este é um registo medicinal, miraculoso e sensacional que fará da noite dia. Uma aurora boreal de boas sensações brilhantemente musicada por duas guitarras celestiais que conduzem riffs desarmantes e solos deslumbrantes, um magnético baixo de linhas ondulantes, uma expressiva bateria de ritmos marcantes, sintetizadores fantasistas que transformam colorida magia em estado musical, e uma delicada voz murmurada, escoltada de perto por lustrosos coros vocais de sensíveis ecos angelicais. Com uma década de vida, os BRUECKEN têm em ‘Years that Answer’ o seu fruto mais maduro e suculento. Uma obra honesta, vulnerável, reverenciável e humana que nos instiga à reflexão social, à expurgação espiritual e à compreensão pelo próximo. Um interruptor de electricidade consciencial e um potente motor de vidas. Lambam as vossas feridas e tornem-se melhores pessoas com ele.

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segunda-feira, 2 de março de 2026

🎪 The Eleventh House featuring Larry Coryell ‎- 'Level One' (1975)

🐎 Waylon Jennings - "I've Been a Long Time Leaving" (Live, 1975)

⚡ Uriah Heep - "Devil's Daughter" & "Prima Donna" (Live, 1975)

🔥 Roger Daltrey // The Who (1968)

✌🏿 Toots & the Maytals - "Pressure Drop" (1968)

🎷 The John Coltrane Quartet - 'The John Coltrane Quartet Plays' (1965)

🔈 Rory Gallagher (Queen Elizabeth Hall, London, 1971)

📸 Robert Ellis

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

🦁 Carlos Santana

Review: 🌻 Girasol - 'El Cielo Está Iluminado' (EP, 2026) 🌻

★★★★★

Oriundo do outro lado do oceano Atlântico, chega-nos o electrizante EP ‘El Cielo Está Iluminado’ da autoria do flamejante tridente argentino Girasol – conjunto domiciliado na cidade sulista de Neuquén (Patagónia) – que acaba de sair à rua através do formato digital e de uma caseira, rústica e estética edição em CD a fazer recordar o estiloso design brotado na emblemática década de 1970. Homenageando clássicas lendas autóctones do género como Pappo’s Blues, Pescado Rabioso, Aquelarre, Color Humano e os galácticos Aeroblus, assim como caminhando lado a lado com consagradas referências da contemporaneidade argentina como Ambassador, Hijo de la Tormenta, Madera Raíz, Almanegra e El Triángulo, os radiosos Girasol venderam a sua alma ao libidinoso, picante, fogoso e enleante Blues Rock de caleidoscópica coloração psicadélica e tracção setentista. A sua movediça, meneante, viciante e atiradiça sonoridade de um amarelecido brilho vintage envolve e revolve o ouvinte numa agitada, entusiasmada e transpirada dança pelas sinuosas e escaldantes estradas percorridas pelos quatro vibrantes e coloridos temas que povoam este apimentado e apaixonante registo de curta duração. São 20 minutos escaldados em viva comoção e trajados a vistosa refinação, centrifugados e viajados nas asas de uma dançante e rodopiante guitarra de lubrificados, polposos, apetitosos e invertebrados riffs – electrificados por uma distorção crocante e arenosa – de onde escorrem e eclodem ziguezagueantes, uivantes, ácidos e delirantes solos de inquebrável elasticidade e toxicidade a perder de vista, um baixo magnético de empoladas, encaracoladas, coesas e sombreadas linhas que fervem, borbulham e vagueiam livremente, uma bateria buliçosa de inflamados, corridos, desenvoltos e assanhados ritmos de calor e suor latinos, e uma liderante voz de tez sóbria e atitude impositiva que capitaneia e incendeia toda esta tórrida e atraente atmosfera que encapsula ‘El Cielo Está Iluminado’. De olhar espraiado no firmamento onde o reluzente Sol se debruça e desmaia, punhos firmemente cerrados no volante trepidante, motor ronronante, escape fumegante e um penetrante odor a pneu queimado, aceleramos, maravilhados, pelos poeirentos e ensolarados desertos de Girasol à irresistível boleia de um endiabrado Dodge Challenger R/T de 1970. Este é um EP tremendamente cativante, atestado de um chamejante poder de sedução que nos faz cravar os dentes nos lábios e revirar os olhos na direcção do prazer. Derretam-se no lado mais ousado, afrodisíaco e açucarado do Blues superiormente executado à boa e velha moda argentina. É tão fácil cair nesta tentação.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

🌋 The Who - Live at Tanglewood 1970

Review: 🌿 Belzebong - 'The End is High' (2026, Heavy Psych Sounds) 🌿


★★★★☆

Depois de uma longa e silenciosa abstinência com oito anos de duração que se seguira na ressaca deixada pelo lançamento de ‘Light the Dankness’ (aqui trazido e elogiado), o fumarento quarteto polaco Belzebong dá novamente lume ao seu borbulhante bongo, e dele exala a esverdeada e vil fumaça do seu novo álbum intitulado ‘The End is High’, editado pela companhia discográfica romana Heavy Psych Sounds através dos formatos LP, CD e digital. Climatizada por um escaldante, rugoso, resinoso e intoxicante Stoner Doom de marcha lenta e um forte odor canábico, a brumosa, pesada, encorpada e pantanosa sonoridade deste tão aguardado novo trabalho de Belzegong provoca no ouvinte uma plena sensação de bem-estar, relaxamento, sonolência, sedação e a despersonalização. Incensado pelo quente e narcotizante bafo do demónio, ‘The End is High’ vem atestado de Tetrahidrocanabinol (THC) que nos enevoa a lucidez, turva a visão e incendeia de fascinação. De pálpebras tombadas, narinas dilatadas e cabeça pesadamente baloiçada de ombro em ombro, perseguimos compenetrada e devotamente as enleantes danças de duas guitarras diabrinas que se engrandecem, enegrecem e enrijecem em pegajosos, urticantes, trevosos e anestesiantes riffs – desdobrados em slow-motion, e flamejados pela incandescência e crocância do efeito Fuzz – de onde sobrevoam, gritam e ecoam avinagrados, virulentos, bolorentos e embruxados solos, a carregada reverberação de um baixo opressivo que se enaltece com base nas linhas sufocantes, hipnóticas, herméticas e possantes, e na violenta sismicidade de uma potente bateria locomovida a altiva, vulcânica, titânica e explosiva ritmicidade. Contando ainda com a sua já característica utilização de cirúrgicos recortes de samples oriundos de clássicos filmes de culto, os druidas Belzebong embrumam-nos num nebuloso, submerso, perverso e poderoso ritual de essência instrumental que nos seduz, cativa e conduz ao lado eclipsado da religião. São 35 minutos abrasivos, governados por uma psicotrópica, sorumbática e pestilenta feitiçaria que prontamente nos converte em seus fiéis peregrinos. Morfínico, alucinógeno, sisudo e ritualístico, ‘The End is High’ amortalha-nos num inescapável estado de letargia que mentalmente nos passeia numa devota romaria de encontro ao altar do profano. Este é um álbum intensamente avassalador, magnético, enfático e arrebatador que nos estremece e estarrece com as suas sísmicas vibrações demoníacas. A defumação da alma. Inalem os malignos e peçonhentos vapores de Belzebong e experienciem todo o inquebrável vigor deste seu apoteótico regresso ao fabrico de discos.

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🦅 Johnny Winter