Da
histórica cidade de Filadélfia – a mais populosa do estado
norte-americano da Pensilvânia – chegam-nos as intensas e diabólicas lavaredas
cuspidas pelos infernais Zorn, que no passado verão forjaram o seu
novíssimo EP intitulado ‘Return to Castle Death’ e editado pelo selo discográfico americano Sorry
State Records. Destilado de um agressivo e disputado braço de ferro entre
um pesado, cru, sujo e apressado Crust Punk escoiceado a altíssima rotação e
um fogoso, incisivo, combativo e trevoso Black Metal de assombrada inflamação, este caótico, despótico e enfeitiçante registo de curta duração e alta tensão de Zorn é desalmadamente corrido a uma vertiginosa velocidade, trajado a carregada obscuridade, agredido
a monstruosa ferocidade e cozinhado a acrimoniosa fogosidade. A sua dramática,
sufocante, intrigante e distópica sonoridade aventura e desventura o ouvinte pelo intimidante, gélido e chocante interior do seu granítico, malfadado e vampírico castelo.
Uma trágica, sádica e amaldiçoada digressão até às medievais masmorras desta dantesca
casa do terror onde os silêncios despertam, as paredes apertam, as aranhas tecem, os ratos guincham e as sombras dançam e crescem
na nossa direcção. ‘Return to Castle Death’ é um EP de natureza brutal, sem portal
de saída, que crava os seus afiados caninos na nossa jugular e nos faz desmaiar
no pentagrâmico e afogueado palco desta gótica e profana sedução. Um claustrofóbico, fantasmagórico e sinistro
labirinto onde nos apavoramos, descabelamos e perdemos toda a nossa sanidade
mental. De religiosidade eclipsada, alma profanada e pele enregelada, vagueamos
– de olhar vendado, semblante esbranquiçado e coração angustiado – pela abissal
negritude de Zorn onde a luz não ousa pisar e a esperança não arrisca
espreitar. Um pesadelo sem fim que nos mumifica e terrifica a cada invasivo,
perturbador e nocivo tema dos seus selváticos 20 minutos de durabilidade. Testemunhem
a revoltosa e demoníaca possessão do vosso espírito anoitecido e derrotado ao transformador
som de duas guitarras predatórias que hasteiam urticantes, ciclópicos, coléricos
e flamejantes riffs encrostados por uma fervente distorção e desprendem solos bruxuleantes, endemoninhados, azedados e electrizantes, um potente baixo de linhas possantes,
sisudas, carnudas e magnetizantes, uma endiabrada bateria metralhada a ritmos turbulentos,
inflamados, desenfreados e alucinantes, e uma voz desesperada, sangrenta, sarnenta
e depravada. A insustentável e fulminante raiva há muito em nós acumulada é agora armadilhada,
gritada e detonada no nosso peito. Deixem-se ceifar, esfarrapar e sepultar pelos
impiedosos e sanguinários carrascos Zorn nas insondáveis profundezas da sua luciférica pretura que vos inundará e guiará para sempre o espírito.
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