segunda-feira, 18 de maio de 2026

Review: 🐶 God Saw I Was Dog - 'God Saw I Was Dog' (2026) 🐶

★★★★

De inspiração musical colhida na década de 1990 e nos primeiros anos do presente milénio, God Saw I Was Dog nasce do reencontro temperado a nostalgia entre três velhos amigos que num passado já distante e descolorido – entretanto desempoeirado e reavivado – haviam tocado juntos e agora a esses tempos prestam uma genuína homenagem. Domiciliado na cidade italiana de Piacenza, este tridente radical tem neste seu estreante álbum de denominação homónima e essência exclusivamente instrumental – editado sob as formas de LP (ultra-limitado numa edição de autor à prensagem de apenas 100 cópias físicas) e digital – uma inextinguível combustão sonora que combina um empolgante, lubrificado, motorizado e irresistível Alternative Rock / Metal desfiado e orientado numa encaracolada montanha-russa de groove esponjoso e viciante onde viajamos e alucinamos, e um tórrido, fogoso, lustroso e vigoroso Desert Rock banhado por um arenoso oceano de movediças dunas escaldantes onde de pés descalços surfamos. Com indiscretos ecos trazidos de referências como Queens of the Stone Age, The Melvins, Deftones, The Atomic Bitchwax, Karma to Burn e The Shrine, a enérgica, ritmada, apimentada e estética sonoridade deste irreverente power-trio italiano electrifica o ouvinte do primeiro ao derradeiro tema. São loucos 40 minutos de uma vertigem centrifugada e acelerada a alta rotação – ainda que se experienciem efémeras e delirantes passagens reflexivas que nos alcoolizam com frescos e suculentos cálices de mescalina – pelas poeirentas e infindáveis estradas do deserto californiano, farolizada por um impiedoso Sol de sufocante bafagem que flameja no intangível horizonte. Varridos por uma guitarra de dinâmicos, musculados, oleados e mastodônticos riffs – deflagrados por uma distorção crocante, rugosa e flamejante – de onde são uivados solos ecoantes, pontapeados por uma bateria de baquetas em chamas que desbrava ritmos vivos, incisivos, excitantes e explosivos, e acalorados pela encorpada, elástica, bombástica e férvida reverberação vociferada pelo baixo, somos atropelados e levados na crista desta fogosa avalanche. ‘God Saw I Was Dog’ é uma chave-mestra capaz de abrir a enferrujada fechadura que dá acesso ao baú sem fundo de incontáveis memórias de todos aqueles que tiveram o privilégio de viver a Primavera das suas vidas nos 90s e no início dos 2000’s. Duas mãos cheias de temas incendiados, aparentados e de fácil digestão que nos fazem desabotoar a camisa e vibrar de emoção.

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quinta-feira, 14 de maio de 2026

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