sábado, 27 de junho de 2026
sexta-feira, 26 de junho de 2026
Review: 🍹 Smokemaster - 'In the Temple' (2026, Tonzonen Records) 🍹

★★★★☆
Oriunda da
cidade de Colónia chega-nos a aragem primaveril suspirada pelo quinteto germânico
Smokemaster com o recém-nascido ‘In the Temple’ embalado nos seus
braços. Lançado sob a influência da companhia discográfica – sua conterrânea – Tonzonen
Records, este terceiro álbum da turma alemã vem ensolarado e nutrido por um fluído,
leve, espirituoso e colorido Neo-Psychedelic Rock de caleidoscópica
tintura sessentista e espírito pacifista que mantém o ouvinte entretido e fascinado
do primeiro ao derradeiro tema. A sua musicalidade florida, radiosa, sorridente
e aromatizada vagueia livre e graciosamente pelos nove temas que o compõem,
deixando-nos de olhar sonhador, sorriso estampado no rosto e ancorados numa imperturbável
sensação de pleno bem-estar. Emoldurado por um místico, alucinógeno e
ritualístico revivalismo espelhado pelos mágicos 60’s, ‘In the Temple’ é
um paraíso virginal e naturista – incensado a aromas tropicais, trajado por
tecidos orientais e de uma envolvência intimista – que nos dilata o senso
consciencial e revoluciona o universo sensorial. Electrificados pela sinestesia
e aureolados por um êxtase religioso é fácil perdermo-nos neste deslumbrante, frondoso
e estonteante jardim de cores vibrantes e estímulos que se multiplicam onde nos
banhamos no seu polposo, frutado e açucarado néctar. Levemente anestesiados, de
narinas dilatadas, maçãs do rosto coradas e pálpebras semi-cerradas sobrevoamos
– com um ligeiro bater de asa – as reconfortantes, edénicas, melódicas e
intoxicantes composições de Smokemaster. A frescura, a leveza, a delicadeza
e a formosura conjugadas e centrifugadas num louco rodopio onde escorregamos, fantasiamos e
esvaziamos a lucidez. Místico, exótico e cerimonial, ‘In the Temple’ é
uma iguaria de índole sacramental que ninguém recusará comungar. Recostem-se
confortavelmente nas acolchoadas planícies sonoras deste belíssimo disco superiormente
pincelado por uma delirante guitarra de temulentos devaneios, um viçoso teclado
de harmonias provocantes, um baloiçante baixo de reverberação marcante, uma agradável
bateria de ritmos contagiantes e uma voz simpática, etérea e reinante. São 43 minutos
radiantes, atestados de um deífico esplendor que nos bronzeia a pele e de uma
milagrosa humidade que nos aduba a alma. Uma miraculosa e transformadora revelação divina
sublimemente musicada e por nós disseminada. Um quimérico sonho dado à costa da nossa realidade.
Links:
🌞 Facebook
🌞 Instagram
🌞 Bandcamp
🌞 Tonzonen Records
quinta-feira, 25 de junho de 2026
quarta-feira, 24 de junho de 2026
terça-feira, 23 de junho de 2026
segunda-feira, 22 de junho de 2026
domingo, 21 de junho de 2026
sábado, 20 de junho de 2026
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Review: 🐄 Bushman's Revenge - 'Ah, Les Vaches!' (2026, Is It Jazz? Records) 🐄

Com duas décadas
de prolífica actividade – onde frutificaram duas mãos repletas de suculentos álbuns
editados –, os noruegueses Bushman’s Revenge – um talentoso tridente domiciliado
na cidade-capital Oslo – acabam de presentear todos os seus fiéis
seguidores com o lançamento do novíssimo ‘Ah, Les Vaches!’ (título
inspirado naquelas que, supostamente, foram as últimas palavras proferidas pelo
célebre e excêntrico compositor francês Erik Satie no seu leito de morte)
com o carimbo da jovem companhia discográfica local Is It Jazz? Records.
Se o seu gélido e cristalino antecessor ‘All The Better For Seeing You’
(aqui trazido e desavergonhadamente namorado) senta os seus ouvintes no
cume de uma monolítica montanha granítica de olhar embriagado e dissolvido na imensa
brancura pincelada pelo rigoroso inverno escandinavo, ‘Ah, Les Vaches!’ fá-los
sobrevoar o arenoso tapete dos dourados desertos norte-americanos bronzeados pelos
impiedosos raios de um Sol desabrigado. Sem nunca perder de vista a sua estrela
orientadora (um cuidado, elegante, estonteante e perfumado Contemporary
Jazz) que a faroliza desde que desancorara e se entregara aos secretos desígnios dos
mares, esta aventurosa embarcação viking perde-se e encontra-se agora por
entre as revoltas ondas do experimentalismo sonoro dando à costa de um deslumbrante,
exótico, tórrido e apaixonante Alternative Country de suor latino e
sabor Tex-Mex. Conseguem imaginar os desérticos Calexico saídos de uma
academia de Jazz com o doutoramento debaixo do braço? Se sim, estão
aptos para avistar, com total clareza, as endeusadas paisagens sonoras de ‘Ah,
Les Vaches!’. A sua enfeitiçante, camaleónica, meiga, hedónica e ambulante musicalidade
– banhada a um lustroso misticismo que nos encandeia e ventilada por um doce
sentimento de nostalgia que nos seduz e conduz à ébria sonolência crepuscular
do enrugado e amarelecido coração do velho oeste americano – transporta-nos
para os poeirentos e emblemáticos palcos cinematográficos do Spaghetti
Western debaixo da superior orientação do realizador italiano Sergio
Leone. Delicado, contemplativo, leve, lenitivo e sagrado é o reinante clima
visual desta obra-prima puramente instrumental que nos iça as velas e veleja
pelos serpenteantes desfiladeiros do infindável universo espiritual. ‘Ah,
Les Vaches!’ é um registo ascético, anestésico, poético e ambiental para
ser comungado de olhos fechados, sorriso imortalizado e sonhos desembrulhados. Um
sábio contador de magnéticas histórias. Um postal musical do deserto florido. Uma obra comovente, de luzência
milagrosa, que vive na santificada quietude e na consumada beatitude das suas refinadas
composições. Deixem-se embevecer, enternecer e derreter à fascinante boleia de
uma guitarra trovadora – discípula de Ry Cooder – que se manifesta em ensolarados,
lisérgicos, estéticos e aromatizados acordes levados pela suave brisa do
deserto, um baixo pachorrento que boceja aveludadas, vagueantes, intrigantes e
sombreadas linhas, uma elegante bateria movida a leveza, sentimento e destreza,
e um tocante pedal steel que com os seus arrepiantes, harmoniosos e ecoantes
uivos nos faz salivar os ouvidos e desmaiar de prazer. São 43 minutos
governados por uma imperante, imperturbável e contagiante paz onde,
confortavelmente, nos recostamos, relaxamos e idealizamos uma existência exclusivamente
nutrida pelos prazeres sensoriais. ‘Ah, Les Vaches!’ é um calmante
natural e um sacramento mental que nos faz alhear da realidade e não mais dele querer despertar.
Links:
🌞 Facebook
🌞 Instagram
🌞 Bandcamp
🌞 Is It Jazz? Records









%20Getty%20Images.jpg)

%20-%20C%C3%B3pia.jpg)

