quinta-feira, 16 de abril de 2026
terça-feira, 14 de abril de 2026
Review: 🕷️ Malum - 'From the Void' (2026, Karisma / Dark Essence Recs) 🕷️
Da Noruega
– o berço do Black Metal – ouve-se o horripilante choro do recém-nascido
‘From the Voids’: o segundo álbum de estúdio de Malum (não
confundir com a banda finlandesa com o mesmo nome e que pratica o mesmo tipo de
música), quarteto de trajes tenebrosos, domiciliado na cidade-capital Oslo,
com o carimbo editorial da parceria discográfica local Karisma Records
& Dark Essence Records (LP/CD). Encarvoados por um melódico,
trevoso, atmosférico, fogoso e misantrópico Black Metal que partilha o
mesmo código genético dos polacos Mgła, este novo trabalho dos
mascarados Malum é uma furiosa avalanche de flamejante negrura que nos caça
e enlaça sem misericórdia. Niilista, catártico, opressivo, agressivo e
pessimista, ‘From the Voids’ é um pesadelo acordado que nos enluta e profana
a alma, anoitece o espírito, conspurca a religiosidade e soterra nas abissais
profundezas da insignificante existência. Nutrido por um vigor demoníaco que
nos incendeia o peito e capitaneado por um lirismo filosófico que nos faroliza
e engole, esta nova obra dos noruegueses é um sangrento grito de relampejante revolta
que nos estremece, enfurece e estarrece aos longo dos seus malfadados 38
minutos de duração. Simultaneamente libertador, incisivo e dominador, ‘From
the Voids’ descortina na nossa fronte um quebrado, trágico e amaldiçoado
mundo – climatizado a irrespirável distopia – e em nós semeia um crescente e
inelutável apetite pelo confronto. Um sísmico braço de ferro entre a reluzente esperança
e o deslustrado desalento. Deixem-se mergulhar na incandescente e fumegante pretura
de Malum sob o perverso feitiço de duas guitarras virulentas que
combinam a suja e urticante efervescência de queimantes, sulfurosos, pantanosos
e sufocantes riffs com a ácida e penetrante palidez de enigmáticos, enregelados,
avinagrados e fantasmagóricos solos que ecoam pela eterna vacuidade, um possante baixo de
feições carregadas que se avoluma em linhas sombreadas, sisudas, carnudas e
encorpadas, uma endiabrada bateria metralhada a ritmos explosivos, ansiosos,
belicosos e combativos, e uma voz cavernosa, rugosa, mofosa e gutural – de ardor
infernal – que lidera esta desventurada expedição pelo universo dantesco de ‘From
the Voids’. Este é um álbum predatório, prepotente e implacável – de beleza
nocturna e natureza licantrópica – que nos inflama em comoção e asfixia de escuridão.
Encontrem a cura, o conforto e a revolta nas trevas de Malum, e
regressem ao mundo lá fora com a insurgente coragem de o enfrentar.
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segunda-feira, 13 de abril de 2026
domingo, 12 de abril de 2026
sexta-feira, 10 de abril de 2026
quinta-feira, 9 de abril de 2026
quarta-feira, 8 de abril de 2026
terça-feira, 7 de abril de 2026
segunda-feira, 6 de abril de 2026
Review: 🏄 The Mermen - 'Akwa Mmiri' (2026, KMA Records) 🏄
Na iminência de
completarem quatro décadas de frutífera actividade – onde contabilizam cerca de
duas dezenas de álbuns lançados –, os californianos The Mermen (uma das
minhas bandas favoritas, importa salientar) continuam num permanente estado de
maré alta a surfar a crista da onda. Natural da icónica cidade de San
Francisco, este já histórico tridente vive acima de uma ponte que interliga
um ritmado, bronzeado e dançante Surf Rock de postura vanguardista a um caleidoscópico,
exótico e enfeitiçante Psychedelic Rock de inspiração trazida do jardim sessentista,
e é dessa tão sua amálgama musical de essência puramente instrumental que nasce
o seu mais recente trabalho intitulado ‘Akwa Mmiri’, editado sob as
formas de CD e digital pela independente companhia discográfica local KMA
Records. Com salgadas pitadas de um misticismo pelágico e regada a um experimentalismo
sem fronteiras, a lenitiva, alucinógena, erógena e reflexiva sonoridade de ‘Akwa
Mmiri’ passeia o ouvinte dos radiosos, sagrados e gloriosos desertos cavalgados
pelo célebre cineasta italiano Sergio Leone às mais paradisíacas, deíficas e
virginais praias de areias douradas e cristalinas águas de um azul diamantino.
É aqui que o calor desértico se mistura com a frescura oceânica. Um nirvânico
estado de alma que nos perpetua sentados à beira-mar, de olhar maravilhado e
naufragado nas quentes e vibrantes colorações crepusculares, narinas dilatadas
a aspirar a salgada e perfumada brisa suspirada pelo oceano, e a saborear um doce
e sumarento cocktail de aroma tropical. Um verdadeiro oásis mental de consagração
espiritual onde nos perdemos, derretemos e encontramos. The Mermen tem o raro dom de
nos travar a respiração, içar a imaginação e em nós instaurar um inesgotável verão.
Deslumbrante, nostálgico, ataráxico e inebriante, ‘Akwa Mmiri’
representa toda uma miraculosa experiência que nos amolece, entorpece e
embevece. Respirável, leve, livre e reverenciável. São 76 minutos de uma transbordante
sedução que nos faroliza e canaliza a um imperturbável estádio de pleno êxtase.
Deixem-se namorar e encantar pelos enleantes serpenteios de uma guitarra autenticamente
sensacional – de irresistível charme oriental – que se manifesta através de esponjosos,
aquosos e fascinantes acordes que desaguam em ecoantes, uivantes e extraordinários
solos de uma desarmante beleza irreal, pelo hipnótico baloiçar de um murmurante
baixo de linhas sombreadas, elásticas e almofadadas, e pelo repetitivo,
imersivo e relaxado galope de uma bateria tribal. Este é um álbum neptuniano onde
nos banhamos, descontraímos e expurgamos todos os nossos males. Um registo
ternurento, comovente, arejado e pachorrento que nos baixa a pressão arterial.
Um calmante natural de odor a maresia e propensão transcendental. Um tsunami de boas sensações. ‘Akwa
Mmiri’ é o disco perfeito para emoldurar tropicais finais de tarde com os
olhos ofuscados pelo amarelecido brilho solar e os pés beijados pela espumosa
água do mar. O canto da sereia. A banda-sonora perfeita para musicar o Verão e lavar a alma das impurezas da vida.













