quarta-feira, 25 de março de 2026

🏄‍♀️ Kronstad 23 - "Menigheten" (2026, Batov Records)

Review: 👁️ Fangus - 'Emerald Dream' (2026, From the Urn Records) 👁️

★★★★★

Conseguem imaginar uma enérgica e sinérgica jam session entre Deep Purple e Black Sabbath? Se sim, acabam de alcançar os pentagrâmicos domínios de Fangus: um impressivo quinteto canadiano que acaba de lançar o seu poderoso álbum de estreia intitulado ‘Emerald Dream’ e editado pela mão do independente selo discográfico local From the Urn através dos formatos LP e digital. Escudada num trevoso, arrogante, maldoso e enfeitiçante Proto-Metal de carregadas feições demoníacas, um montanhoso, musculado, torneado e aparatoso Hard Rock de bíceps tonificados, e um electrizante, delirante, alucinógeno e intoxicante Heavy Psych de ácida caleidoscopia, a evangelista, clássica, majestática e ritualista sonoridade de ‘Emerald Dream’ vem envernizada pela brilhante graxa setentista. Com uma produção intencionalmente suja e primitiva – que nos faz duvidar se este álbum não terá sido gravado há meio século no interior abafado de uma escura, húmida, bolorenta e decrépita cave, e só agora fora desenterrado e desempoeirado à luz do dia –, este primeiro trabalho de longa duração da formação domiciliada na cidade de Montreal vem aureolado por uma carismática fragância de essência vintage que me cativara e conquistara logo à primeira audição. De inspiração colhida em egrégias referências como Deep Purple, Black Sabbath, Uriah Heep, Atomic Rooster, Captain Beyond, Lucifer's FriendJerusalem, Nigh Sun, High Tide, Granicus e Clear Blue Sky, a intriguista, cerimonial, arrepiante e ocultista musicalidade de ‘Emerald Dream’ é conduzida em excesso de velocidade, repleta de desvios bruscos e repentinos, fazendo com que o ouvinte se sobreaqueça, naufrague e enlouqueça na funda goela de uma diabólica espiral. Atordoados, derrotados e caídos aos pés de Fangus, confessamo-nos uma presa demasiado fácil perante os embruxados, vaidosos, majestosos e empolados bailados de um nobre e liderante teclado Hammond de presença proeminente, os enleantes serpenteios de uma guitarra que se empodera em dominantes, nervudos, sisudos e exuberantes riffs – escaldados a borbulhante, rugosa, arenosa e flamejante distorção – de onde esvoaçam ácidos, coloridos, tresloucados e avinagrados solos num pesado bater de asa, a intimidante sombra de um encorpado baixo embalado a linhas magnéticas, tesas, coesas e enigmáticas, o implacável galope de uma incisiva bateria – de espírito combativo – escoiceada a uma ritmicidade alucinante, escaldante, estimulante e tonitruante, e o irreverente swag de uma vistosa voz que transpira sedução felina e se baloiça entre urticantes, chamejantes e rouquenhos rugidos, e melosos, elegantes e harmoniosos bramidos. São 35 minutos saturados de uma ininterrupta fascinação governada por uma imersiva liturgia de índole teatral que nos encandeia e incendeia do primeiro ao derradeiro tema. Uma ciclópica avalanche de fumarento misticismo que nos persegue, atropela e incensa a alma. Um influente ritual de magia negra que nos mumifica e mortifica. Comunguem com total devoção este psicadélico cálice de Fangus e mergulhem nas infindáveis profundezas do vosso Cosmos interior.

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quinta-feira, 19 de março de 2026

🥁 Carl Palmer // Emerson, Lake & Palmer

Review: 🐙 Harvey Rushmore & the Octopus - 'Mindsuckers' (2026, Taxi Gauche Records) 🐙

★★★★★

Da Suíça – mais concretamente da cidade de Basel – dão à nossa costa as boas vibrações irradiadas pelo irreverente quarteto helvético Harvey Rushmore & the Octopus com a apresentação do seu novo álbum intitulado ‘Mindsuckers’ e editado pelo selo discográfico independente – seu conterrâneo – Taxi Gauche Records através dos formatos LP, CD, cassete e digital. Baseada numa multicolorida amálgama musical de onde se reconhece e apalada um caleidoscópico, matizado, ensolarado e exótico Neo-Psychedelic Rock de leveza e doçura Indie Rock, um dançante, ritmado, transpirado e excitante Garage Rock de magnéticos serpenteios Surf Rock, e um enfeitiçante, esponjoso, infeccioso e estimulante Krautrock, a sua reconfortante, aconchegante e sonhadora sonoridade – de aroma tropical, brisa oceânica e climatizada a caramelizada nostalgia – emoldura mágicos crepúsculos musicados pelo penetrante grasnar de gaivotas esvoaçantes e vislumbrados por olhares maravilhados, desfocados pelas profusas lágrimas salgadas que discorrem, difusas, pelas rosadas maçãs do nosso rosto e se perdem no interior do nosso tímido sorriso. De influências colhidas em bandas como The Black Angels, Black Mountain, Wooden Shjips, Moon Duo, Rose City Band, Dommengang, Night Beats, Arbouretum, Magic Machine e Acid Rooster, a aventurosa, onírica, mística e radiosa música de Harvey Rushmore & the Octopus leva-nos das cálidas, sedosas e bronzeadas dunas de um amarelecido deserto vigiado de perto por um impiedoso Sol às refrescantes, espumosas e revigorantes ondas de um imenso e ventilado oceano azul-turquesa. Num febril estádio de sonambulismo vagueamos, alcoolizados e arrebatados, pelo prismático, extático e imersivo psicadelismo de calor desértico e odor a maresia de ‘Mindsuckers’. Fascinados, aspirados e canalizados até ao estômago de Harvey Rushmore & the Octopus, somos demoradamente digeridos por uma embaciada, pálida, frágil e avinagrada voz de pele orvalhada e presença flutuante, uma intoxicante guitarra – de distorção urticante e chamejante – que surfa encaracolados, bailantes, provocantes e inflamados riffs de onde bruxuleiam efervescentes, ácidos, derrapantes e alucinógenos solos, um baixo invertebrado de linhas elásticas, meneantes, ondeantes e hipnóticas, um teclado fantasista de enleante, sedutora, libertadora e inebriante formosura electrónica, e uma bateria galopante, animada e pulsante a trote de eloquentes ritmos com a robótica precisão de um relógio suíço. ‘Mindsuckers’ é um álbum de natureza camaleónica, composto por temas desiguais, que tanto nos incendeia, pontapeia e euforiza numa agitada e suada dança, como nos anoitece, entristece e eteriza nos caramelizados braços da melancolia. Um disco de beleza sem fronteiras que se engrandece a cada renovada audição que lhe dedicamos. Deixem-se derreter na lisérgica melosidade que este registo destila e embevecer na atordoante centrifugadora onde o mesmo rodopia. ‘Mindsuckers’ é um vulcão em erupção no Ártico. Um gigantesco tsunami num lago. Um eco no espaço. Uma obra irresistível, inverosímil e viciante que estará, seguramente, perfilada entre as mais medalhadas do ano. Gravitem-na com total veneração.

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🍄 The Black Wizards - "Killing The Buzz" (2026, Hassle Records)

✝ Peter Green // Fleetwood Mac (1970)