sexta-feira, 13 de março de 2026

🎶 Havana's Dream

Review: 🐉 Corima - 'Hunab Ku' (2026, Soleil Zeuhl) 🐉

★★★★★

Acordados de uma longa hibernação com uma década de duração, os exóticos californianos Corima – quinteto residente na cidade de Los Angeles – acaba de surpreender e maravilhar todos os seus seguidores com o inesperado lançamento do seu tão ansiado novo álbum intitulado ‘Hunab Ku’ e editado pelo carismático selo discográfico francês – especializado no género – Soleil Zeuhl através de uma bonita edição em CD. De denominação colhida no seio da ancestral civilização Maia, que significa a fonte primordial, o coração da criação, ‘Hunab Ku’ simboliza uma miraculosa, radiosa e curativa viagem no tempo e no espaço. Alicerçada num serpenteante, magnético, profético e enleante Prog Rock de extravagante caligrafia Zeuhl e alienígena idioma Kobaïan (linguagem artística criada e patenteada pelo engenhoso baterista e compositor francês Christian Vander ao serviço dos seus enigmáticos Magma), num combativo, arrojado, acicatado e impositivo Rock In Opposition (RIO) de instrumentação desarrumada e em contramão, e ainda num rebuscado, mirabolante, enfeitiçante e azafamado Avant-garde Jazz sintonizado na frequência de John Coltrane e deflagrado numa colorida combustão, a cerimonial, camaleónica, hipnótica e sensacional sonoridade de ‘Hunab Ku’ passeia-nos, montados nas costas de um ziguezagueante dragão chinês,  pelos frondosos, labirínticos, esfíngicos e formosos jardins de Corima. De bússolas apontadas aos seminais Magma, bem como a outras bandas francesas como Eskaton, Weidorje, Eider Stellaire, Bernard Paganotti, Shub-Niggurath e Dün, às nipónicas Ruins, Bondage Fruit e Koenji Hyakkei, e à belga Univers Zéro, estes cinco druidas magicam cerebrais, esdrúxulas, imprevisíveis e magistrais composições – de tempos acrobáticos – que nos surpreendem e deslumbram a cada esquina. São 37 minutos de um caos superiormente organizado por talentosos músicos disciplinados que se envolvem e revolvem em fascinantes diálogos condimentados a afrodisíaca simbiose. A transcendência da alma aos límpidos e ensolarados céus do Nirvana. Uma iguaria gourmet capaz de satisfazer os mais ousados desejos de requinte dos ouvidos mais exigentes. Na génese deste sacramental fármaco de estirpe natural perfilam-se mântricos, angelicais e operáticos coros vocais que desfilam, hirtos, numa marcha marcial, fantásticos teclados de ofuscante magia metamorfoseada em estado musical, um liderante violino de alucinantes, esvoaçantes e sedosos serpenteios, um rebelde saxofone de excêntricos, psicóticos e berrantes devaneios, uma lunática guitarra de solos esponjosos, sinuosos e angulares, um sombreado baixo de pulsantes, bailantes e possantes linhas desenhadas a negrito, e uma flamejante bateria – deliciosamente jazzy – de tarola rufante, timbalões galopantes e pratos cintilantes. A sublime, estonteante e pormenorizada ilustração de tradicional inspiração oriental aponta o seu crédito autoral ao artista Jee-Shaun Wang. Estamos na presença de um singular álbum de inefável beleza, clima tribal e dimensão piramidal. Um registo divinal, verdadeiramente sedutor, arrebatador e resplandecente, que cativa o ouvinte num imaculado paraíso mental. O exotismo e o misticismo de mãos dadas e sorriso no rosto. Um dos mais sérios candidatos a melhor álbum de 2026 está aqui, no triunfante regresso dos notáveis Corima. Comunguem-no num transe religioso e expurguem-se nele.

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 Soleil Zeuhl

segunda-feira, 9 de março de 2026

😇 Black Sabbath (1972)

📸 Kevin Goff

🥁 Chad Smith - "Burn" (Deep Purple cover)

💘 Fangus - "Pyre Of Love" (2026)

Review: ⚡ Zepter - 'Zepter' (2026, High Roller Records) ⚡

★★★★★

Proveniente da cidade austríaca de Linz chega-nos a excitante fogosidade cuspida pelo jovem e irreverente quarteto Zepter, formado em 2024, que nos apresenta o seu electrizante, lustroso e impactante álbum de estreia com denominação homónima, carimbado pela companhia editorial germânica High Roller Records através dos formatos LP, CD, cassete e digital. Baseada num desenfreado, irado e implacável rolo compressor – locomovido por um transpirado, picante, excitado e alucinante Heavy Metal de clara inspiração tradicional e energia combativa, atrelado a um fogoso, melódico, atlético e libidinoso Hard Rock de açucarada saudade oitentista e postura altiva –, a condutora, galopante, relampejante e sedutora sonoridade de ‘Zepter’ pendula o ouvinte entre caramelizadas baladas de emoções condimentadas e endiabradas cavalgadas de esporas ensanguentadas. De alento colhido em clássicas referências como Iron maidenSaxonWitchfinder GeneralCirith UngolSaracenOstrogothUFO (da era Michael Schenker), Thin LizzyManilla RoadApril WineAngel Witch e Acid, este primeiro trabalho de longa duração da turma austríaca é alimentado a alta voltagem e acelerado a alta rotação. Um registo selvagem que enterra os seus longos e afiados caninos na nossa veia jugular e nos vê desmaiar, rendidos, nos seus braços. Um álbum forjado no fogo e marcado na nossa pele. São entusiásticos e epidémicos 35 minutos de inapagável combustão que nos incendeia e pontapeia de incontida euforia e boa disposição. Uma louca correria à empolgante boleia de duas predatórias guitarras siamesas que se perseguem a alta velocidade num turbulento galope de felinos, fervorosos, imperiosos e viperinos riffs desdobrados em catadupa e de onde esvoaçam selváticos enxames de vertiginosos, ziguezagueantes, estimulantes e aparatosos solos, um baixo musculado de linhas insufladas, sísmicas, graníticas e inflamadas, uma incansável e indomesticável bateria metralhada por ritmos instigantes, frenéticos, psicóticos e mirabolantes, e uma liderante voz de pele fresca, sedosa, harmoniosa e levemente rouquenha. A velocidade, a técnica e a autenticidade de mãos dadas numa viva e emocionante gritaria pelos encaracolados carris de uma atordoante montanha-russa. Uma injecção de pura adrenalina. Escaldante, estonteante, viciante e sensacional, ‘Zepter’ trata-se de um álbum verdadeiramente arrebatador, de espírito bravo e conquistador, que cravara uma flecha de cupido no meu tenro coração logo à primeira audição. Um irresistível disco de brilho apoteótico – de roupagem clássica e saturado por um dulcificado sentimento nostálgico – que nos senta confortavelmente ao volante de um barulhento Pontiac Firebird Trans Am de 1982, de vidros embaciados e motor ronronante, desbravando, sem destino, nevadas, solitárias e sinuosas estradas de montanha e acordando a fria noite de um inverno pincelado a azulada melancolia. Zepter é uma banda a não perder de vista.

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🕊️ RIP Country Joe McDonald (1942 🎤 2026)

📷 Jim Marshall