quinta-feira, 14 de maio de 2026

👥 FREE - "Be My Friend" (Beat Club, 1970)

🐚 Green Seagull - 'Smoke and Mirrors' (2026, Spinout Nuggets)

🌙 Uncle Leaf - 'Fear The Only Mother' (2026)

🌠 Astra - "The Weirding" (2009)

🦋 Las Robertas - "All We Need Is Now" (2026)

😈 Green Lung - "Evil in this House" (2026, Nuclear Blast)

🪐 D'Arcy Wretzky • The Smashing Pumpkins

terça-feira, 14 de abril de 2026

Review: 🕷️ Malum - 'From the Void' (2026, Karisma / Dark Essence Recs) 🕷️

★★★★☆

Da Noruega – o berço do Black Metal – ouve-se o horripilante choro do recém-nascido ‘From the Voids’: o segundo álbum de estúdio de Malum (não confundir com a banda finlandesa com o mesmo nome e que pratica o mesmo tipo de música), quarteto de trajes tenebrosos, domiciliado na cidade-capital Oslo, com o carimbo editorial da parceria discográfica local Karisma Records & Dark Essence Records (LP/CD). Encarvoados por um melódico, trevoso, atmosférico, fogoso e misantrópico Black Metal que partilha o mesmo código genético dos polacos Mgła, este novo trabalho dos mascarados Malum é uma furiosa avalanche de flamejante negrura que nos caça e enlaça sem misericórdia. Niilista, catártico, opressivo, agressivo e pessimista, ‘From the Voids’ é um pesadelo acordado que nos enluta e profana a alma, anoitece o espírito, conspurca a religiosidade e soterra nas abissais profundezas da insignificante existência. Nutrido por um vigor demoníaco que nos incendeia o peito e capitaneado por um lirismo filosófico que nos faroliza e engole, esta nova obra dos noruegueses é um sangrento grito de relampejante revolta que nos estremece, enfurece e estarrece aos longo dos seus malfadados 38 minutos de duração. Simultaneamente libertador, incisivo e dominador, ‘From the Voids’ descortina na nossa fronte um quebrado, trágico e amaldiçoado mundo – climatizado a irrespirável distopia – e em nós semeia um crescente e inelutável apetite pelo confronto. Um sísmico braço de ferro entre a reluzente esperança e o deslustrado desalento. Deixem-se mergulhar na incandescente e fumegante pretura de Malum sob o perverso feitiço de duas guitarras virulentas que combinam a suja e urticante efervescência de queimantes, sulfurosos, pantanosos e sufocantes riffs com a ácida e penetrante palidez de enigmáticos, enregelados, avinagrados e fantasmagóricos solos que ecoam pela eterna vacuidade, um possante baixo de feições carregadas que se avoluma em linhas sombreadas, sisudas, carnudas e encorpadas, uma endiabrada bateria metralhada a ritmos explosivos, ansiosos, belicosos e combativos, e uma voz cavernosa, rugosa, mofosa e gutural – de ardor infernal – que lidera esta desventurada expedição pelo universo dantesco de ‘From the Voids’. Este é um álbum predatório, prepotente e implacável – de beleza nocturna e natureza licantrópica – que nos inflama em comoção e asfixia de escuridão. Encontrem a cura, o conforto e a revolta nas trevas de Malum, e regressem ao mundo lá fora com a insurgente coragem de o enfrentar.

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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Review: 🏄 The Mermen - 'Akwa Mmiri' (2026, KMA Records) 🏄

★★★★★

Na iminência de completarem quatro décadas de frutífera actividade – onde contabilizam cerca de duas dezenas de álbuns lançados –, os californianos The Mermen (uma das minhas bandas favoritas, importa salientar) continuam num permanente estado de maré alta a surfar a crista da onda. Natural da icónica cidade de San Francisco, este já histórico tridente vive acima de uma ponte que interliga um ritmado, bronzeado e dançante Surf Rock de postura vanguardista a um caleidoscópico, exótico e enfeitiçante Psychedelic Rock de inspiração trazida do jardim sessentista, e é dessa tão sua amálgama musical de essência puramente instrumental que nasce o seu mais recente trabalho intitulado ‘Akwa Mmiri’, editado sob as formas de CD e digital pela independente companhia discográfica local KMA Records. Com salgadas pitadas de um misticismo pelágico e regada a um experimentalismo sem fronteiras, a lenitiva, alucinógena, erógena e reflexiva sonoridade de ‘Akwa Mmiri’ passeia o ouvinte dos radiosos, sagrados e gloriosos desertos cavalgados pelo célebre cineasta italiano Sergio Leone às mais paradisíacas, deíficas e virginais praias de areias douradas e cristalinas águas de um azul diamantino. É aqui que o calor desértico se mistura com a frescura oceânica. Um nirvânico estado de alma que nos perpetua sentados à beira-mar, de olhar maravilhado e naufragado nas quentes e vibrantes colorações crepusculares, narinas dilatadas a aspirar a salgada e perfumada brisa suspirada pelo oceano, e a saborear um doce e sumarento cocktail de aroma tropical. Um verdadeiro oásis mental de consagração espiritual onde nos perdemos, derretemos e encontramos. The Mermen tem o raro dom de nos travar a respiração, içar a imaginação e em nós instaurar um inesgotável verão. Deslumbrante, nostálgico, ataráxico e inebriante, ‘Akwa Mmiri’ representa toda uma miraculosa experiência que nos amolece, entorpece e embevece. Respirável, leve, livre e reverenciável. São 76 minutos de uma transbordante sedução que nos faroliza e canaliza a um imperturbável estádio de pleno êxtase. Deixem-se namorar e encantar pelos enleantes serpenteios de uma guitarra autenticamente sensacional – de irresistível charme oriental – que se manifesta através de esponjosos, aquosos e fascinantes acordes que desaguam em ecoantes, uivantes e extraordinários solos de uma desarmante beleza irreal, pelo hipnótico baloiçar de um murmurante baixo de linhas sombreadas, elásticas e almofadadas, e pelo repetitivo, imersivo e relaxado galope de uma bateria tribal. Este é um álbum neptuniano onde nos banhamos, descontraímos e expurgamos todos os nossos males. Um registo ternurento, comovente, arejado e pachorrento que nos baixa a pressão arterial. Um calmante natural de odor a maresia e propensão transcendental. Um tsunami de boas sensações. ‘Akwa Mmiri’ é o disco perfeito para emoldurar tropicais finais de tarde com os olhos ofuscados pelo amarelecido brilho solar e os pés beijados pela espumosa água do mar. O canto da sereia. A banda-sonora perfeita para musicar o Verão e lavar a alma das impurezas da vida.

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🔈 Allman Brothers Band, 1971

quarta-feira, 25 de março de 2026

🏄‍♀️ Kronstad 23 - "Menigheten" (2026, Batov Records)

Review: 👁️ Fangus - 'Emerald Dream' (2026, From the Urn Records) 👁️

★★★★★

Conseguem imaginar uma enérgica e sinérgica jam session entre Deep Purple e Black Sabbath? Se sim, acabam de alcançar os pentagrâmicos domínios de Fangus: um impressivo quinteto canadiano que acaba de lançar o seu poderoso álbum de estreia intitulado ‘Emerald Dream’ e editado pela mão do independente selo discográfico local From the Urn através dos formatos LP e digital. Escudada num trevoso, arrogante, maldoso e enfeitiçante Proto-Metal de carregadas feições demoníacas, um montanhoso, musculado, torneado e aparatoso Hard Rock de bíceps tonificados, e um electrizante, delirante, alucinógeno e intoxicante Heavy Psych de ácida caleidoscopia, a evangelista, clássica, majestática e ritualista sonoridade de ‘Emerald Dream’ vem envernizada pela brilhante graxa setentista. Com uma produção intencionalmente suja e primitiva – que nos faz duvidar se este álbum não terá sido gravado há meio século no interior abafado de uma escura, húmida, bolorenta e decrépita cave, e só agora fora desenterrado e desempoeirado à luz do dia –, este primeiro trabalho de longa duração da formação domiciliada na cidade de Montreal vem aureolado por uma carismática fragância de essência vintage que me cativara e conquistara logo à primeira audição. De inspiração colhida em egrégias referências como Deep Purple, Black Sabbath, Uriah Heep, Atomic Rooster, Captain Beyond, Lucifer's FriendJerusalem, Nigh Sun, High Tide, Granicus e Clear Blue Sky, a intriguista, cerimonial, arrepiante e ocultista musicalidade de ‘Emerald Dream’ é conduzida em excesso de velocidade, repleta de desvios bruscos e repentinos, fazendo com que o ouvinte se sobreaqueça, naufrague e enlouqueça na funda goela de uma diabólica espiral. Atordoados, derrotados e caídos aos pés de Fangus, confessamo-nos uma presa demasiado fácil perante os embruxados, vaidosos, majestosos e empolados bailados de um nobre e liderante teclado Hammond de presença proeminente, os enleantes serpenteios de uma guitarra que se empodera em dominantes, nervudos, sisudos e exuberantes riffs – escaldados a borbulhante, rugosa, arenosa e flamejante distorção – de onde esvoaçam ácidos, coloridos, tresloucados e avinagrados solos num pesado bater de asa, a intimidante sombra de um encorpado baixo embalado a linhas magnéticas, tesas, coesas e enigmáticas, o implacável galope de uma incisiva bateria – de espírito combativo – escoiceada a uma ritmicidade alucinante, escaldante, estimulante e tonitruante, e o irreverente swag de uma vistosa voz que transpira sedução felina e se baloiça entre urticantes, chamejantes e rouquenhos rugidos, e melosos, elegantes e harmoniosos bramidos. São 35 minutos saturados de uma ininterrupta fascinação governada por uma imersiva liturgia de índole teatral que nos encandeia e incendeia do primeiro ao derradeiro tema. Uma ciclópica avalanche de fumarento misticismo que nos persegue, atropela e incensa a alma. Um influente ritual de magia negra que nos mumifica e mortifica. Comunguem com total devoção este psicadélico cálice de Fangus e mergulhem nas infindáveis profundezas do vosso Cosmos interior.

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