terça-feira, 14 de abril de 2026

Review: 🕷️ Malum - 'From the Void' (2026, Karisma / Dark Essence Recs) 🕷️

★★★★☆

Da Noruega – o berço do Black Metal – ouve-se o horripilante choro do recém-nascido ‘From the Voids’: o segundo álbum de estúdio de Malum (não confundir com a banda finlandesa com o mesmo nome e que pratica o mesmo tipo de música), quarteto de trajes tenebrosos, domiciliado na cidade-capital Oslo, com o carimbo editorial da parceria discográfica local Karisma Records & Dark Essence Records (LP/CD). Encarvoados por um melódico, trevoso, atmosférico, fogoso e misantrópico Black Metal que partilha o mesmo código genético dos polacos Mgła, este novo trabalho dos mascarados Malum é uma furiosa avalanche de flamejante negrura que nos caça e enlaça sem misericórdia. Niilista, catártico, opressivo, agressivo e pessimista, ‘From the Voids’ é um pesadelo acordado que nos enluta e profana a alma, anoitece o espírito, conspurca a religiosidade e soterra nas abissais profundezas da insignificante existência. Nutrido por um vigor demoníaco que nos incendeia o peito e capitaneado por um lirismo filosófico que nos faroliza e engole, esta nova obra dos noruegueses é um sangrento grito de relampejante revolta que nos estremece, enfurece e estarrece aos longo dos seus malfadados 38 minutos de duração. Simultaneamente libertador, incisivo e dominador, ‘From the Voids’ descortina na nossa fronte um quebrado, trágico e amaldiçoado mundo – climatizado a irrespirável distopia – e em nós semeia um crescente e inelutável apetite pelo confronto. Um sísmico braço de ferro entre a reluzente esperança e o deslustrado desalento. Deixem-se mergulhar na incandescente e fumegante pretura de Malum sob o perverso feitiço de duas guitarras virulentas que combinam a suja e urticante efervescência de queimantes, sulfurosos, pantanosos e sufocantes riffs com a ácida e penetrante palidez de enigmáticos, enregelados, avinagrados e fantasmagóricos solos que ecoam pela eterna vacuidade, um possante baixo de feições carregadas que se avoluma em linhas sombreadas, sisudas, carnudas e encorpadas, uma endiabrada bateria metralhada a ritmos explosivos, ansiosos, belicosos e combativos, e uma voz cavernosa, rugosa, mofosa e gutural – de ardor infernal – que lidera esta desventurada expedição pelo universo dantesco de ‘From the Voids’. Este é um álbum predatório, prepotente e implacável – de beleza nocturna e natureza licantrópica – que nos inflama em comoção e asfixia de escuridão. Encontrem a cura, o conforto e a revolta nas trevas de Malum, e regressem ao mundo lá fora com a insurgente coragem de o enfrentar.

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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Review: 🏄 The Mermen - 'Akwa Mmiri' (2026, KMA Records) 🏄

★★★★★

Na iminência de completarem quatro décadas de frutífera actividade – onde contabilizam cerca de duas dezenas de álbuns lançados –, os californianos The Mermen (uma das minhas bandas favoritas, importa salientar) continuam num permanente estado de maré alta a surfar a crista da onda. Natural da icónica cidade de San Francisco, este já histórico tridente vive acima de uma ponte que interliga um ritmado, bronzeado e dançante Surf Rock de postura vanguardista a um caleidoscópico, exótico e enfeitiçante Psychedelic Rock de inspiração trazida do jardim sessentista, e é dessa tão sua amálgama musical de essência puramente instrumental que nasce o seu mais recente trabalho intitulado ‘Akwa Mmiri’, editado sob as formas de CD e digital pela independente companhia discográfica local KMA Records. Com salgadas pitadas de um misticismo pelágico e regada a um experimentalismo sem fronteiras, a lenitiva, alucinógena, erógena e reflexiva sonoridade de ‘Akwa Mmiri’ passeia o ouvinte dos radiosos, sagrados e gloriosos desertos cavalgados pelo célebre cineasta italiano Sergio Leone às mais paradisíacas, deíficas e virginais praias de areias douradas e cristalinas águas de um azul diamantino. É aqui que o calor desértico se mistura com a frescura oceânica. Um nirvânico estado de alma que nos perpetua sentados à beira-mar, de olhar maravilhado e naufragado nas quentes e vibrantes colorações crepusculares, narinas dilatadas a aspirar a salgada e perfumada brisa suspirada pelo oceano, e a saborear um doce e sumarento cocktail de aroma tropical. Um verdadeiro oásis mental de consagração espiritual onde nos perdemos, derretemos e encontramos. The Mermen tem o raro dom de nos travar a respiração, içar a imaginação e em nós instaurar um inesgotável verão. Deslumbrante, nostálgico, ataráxico e inebriante, ‘Akwa Mmiri’ representa toda uma miraculosa experiência que nos amolece, entorpece e embevece. Respirável, leve, livre e reverenciável. São 76 minutos de uma transbordante sedução que nos faroliza e canaliza a um imperturbável estádio de pleno êxtase. Deixem-se namorar e encantar pelos enleantes serpenteios de uma guitarra autenticamente sensacional – de irresistível charme oriental – que se manifesta através de esponjosos, aquosos e fascinantes acordes que desaguam em ecoantes, uivantes e extraordinários solos de uma desarmante beleza irreal, pelo hipnótico baloiçar de um murmurante baixo de linhas sombreadas, elásticas e almofadadas, e pelo repetitivo, imersivo e relaxado galope de uma bateria tribal. Este é um álbum neptuniano onde nos banhamos, descontraímos e expurgamos todos os nossos males. Um registo ternurento, comovente, arejado e pachorrento que nos baixa a pressão arterial. Um calmante natural de odor a maresia e propensão transcendental. Um tsunami de boas sensações. ‘Akwa Mmiri’ é o disco perfeito para emoldurar tropicais finais de tarde com os olhos ofuscados pelo amarelecido brilho solar e os pés beijados pela espumosa água do mar. O canto da sereia. A banda-sonora perfeita para musicar o Verão e lavar a alma das impurezas da vida.

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🔈 Allman Brothers Band, 1971

quarta-feira, 25 de março de 2026

🏄‍♀️ Kronstad 23 - "Menigheten" (2026, Batov Records)

Review: 👁️ Fangus - 'Emerald Dream' (2026, From the Urn Records) 👁️

★★★★★

Conseguem imaginar uma enérgica e sinérgica jam session entre Deep Purple e Black Sabbath? Se sim, acabam de alcançar os pentagrâmicos domínios de Fangus: um impressivo quinteto canadiano que acaba de lançar o seu poderoso álbum de estreia intitulado ‘Emerald Dream’ e editado pela mão do independente selo discográfico local From the Urn através dos formatos LP e digital. Escudada num trevoso, arrogante, maldoso e enfeitiçante Proto-Metal de carregadas feições demoníacas, um montanhoso, musculado, torneado e aparatoso Hard Rock de bíceps tonificados, e um electrizante, delirante, alucinógeno e intoxicante Heavy Psych de ácida caleidoscopia, a evangelista, clássica, majestática e ritualista sonoridade de ‘Emerald Dream’ vem envernizada pela brilhante graxa setentista. Com uma produção intencionalmente suja e primitiva – que nos faz duvidar se este álbum não terá sido gravado há meio século no interior abafado de uma escura, húmida, bolorenta e decrépita cave, e só agora fora desenterrado e desempoeirado à luz do dia –, este primeiro trabalho de longa duração da formação domiciliada na cidade de Montreal vem aureolado por uma carismática fragância de essência vintage que me cativara e conquistara logo à primeira audição. De inspiração colhida em egrégias referências como Deep Purple, Black Sabbath, Uriah Heep, Atomic Rooster, Captain Beyond, Lucifer's FriendJerusalem, Nigh Sun, High Tide, Granicus e Clear Blue Sky, a intriguista, cerimonial, arrepiante e ocultista musicalidade de ‘Emerald Dream’ é conduzida em excesso de velocidade, repleta de desvios bruscos e repentinos, fazendo com que o ouvinte se sobreaqueça, naufrague e enlouqueça na funda goela de uma diabólica espiral. Atordoados, derrotados e caídos aos pés de Fangus, confessamo-nos uma presa demasiado fácil perante os embruxados, vaidosos, majestosos e empolados bailados de um nobre e liderante teclado Hammond de presença proeminente, os enleantes serpenteios de uma guitarra que se empodera em dominantes, nervudos, sisudos e exuberantes riffs – escaldados a borbulhante, rugosa, arenosa e flamejante distorção – de onde esvoaçam ácidos, coloridos, tresloucados e avinagrados solos num pesado bater de asa, a intimidante sombra de um encorpado baixo embalado a linhas magnéticas, tesas, coesas e enigmáticas, o implacável galope de uma incisiva bateria – de espírito combativo – escoiceada a uma ritmicidade alucinante, escaldante, estimulante e tonitruante, e o irreverente swag de uma vistosa voz que transpira sedução felina e se baloiça entre urticantes, chamejantes e rouquenhos rugidos, e melosos, elegantes e harmoniosos bramidos. São 35 minutos saturados de uma ininterrupta fascinação governada por uma imersiva liturgia de índole teatral que nos encandeia e incendeia do primeiro ao derradeiro tema. Uma ciclópica avalanche de fumarento misticismo que nos persegue, atropela e incensa a alma. Um influente ritual de magia negra que nos mumifica e mortifica. Comunguem com total devoção este psicadélico cálice de Fangus e mergulhem nas infindáveis profundezas do vosso Cosmos interior.

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quinta-feira, 19 de março de 2026

🥁 Carl Palmer // Emerson, Lake & Palmer

Review: 🐙 Harvey Rushmore & the Octopus - 'Mindsuckers' (2026, Taxi Gauche Records) 🐙

★★★★★

Da Suíça – mais concretamente da cidade de Basel – dão à nossa costa as boas vibrações irradiadas pelo irreverente quarteto helvético Harvey Rushmore & the Octopus com a apresentação do seu novo álbum intitulado ‘Mindsuckers’ e editado pelo selo discográfico independente – seu conterrâneo – Taxi Gauche Records através dos formatos LP, CD, cassete e digital. Baseada numa multicolorida amálgama musical de onde se reconhece e apalada um caleidoscópico, matizado, ensolarado e exótico Neo-Psychedelic Rock de leveza e doçura Indie Rock, um dançante, ritmado, transpirado e excitante Garage Rock de magnéticos serpenteios Surf Rock, e um enfeitiçante, esponjoso, infeccioso e estimulante Krautrock, a sua reconfortante, aconchegante e sonhadora sonoridade – de aroma tropical, brisa oceânica e climatizada a caramelizada nostalgia – emoldura mágicos crepúsculos musicados pelo penetrante grasnar de gaivotas esvoaçantes e vislumbrados por olhares maravilhados, desfocados pelas profusas lágrimas salgadas que discorrem, difusas, pelas rosadas maçãs do nosso rosto e se perdem no interior do nosso tímido sorriso. De influências colhidas em bandas como The Black Angels, Black Mountain, Wooden Shjips, Moon Duo, Rose City Band, Dommengang, Night Beats, Arbouretum, Magic Machine e Acid Rooster, a aventurosa, onírica, mística e radiosa música de Harvey Rushmore & the Octopus leva-nos das cálidas, sedosas e bronzeadas dunas de um amarelecido deserto vigiado de perto por um impiedoso Sol às refrescantes, espumosas e revigorantes ondas de um imenso e ventilado oceano azul-turquesa. Num febril estádio de sonambulismo vagueamos, alcoolizados e arrebatados, pelo prismático, extático e imersivo psicadelismo de calor desértico e odor a maresia de ‘Mindsuckers’. Fascinados, aspirados e canalizados até ao estômago de Harvey Rushmore & the Octopus, somos demoradamente digeridos por uma embaciada, pálida, frágil e avinagrada voz de pele orvalhada e presença flutuante, uma intoxicante guitarra – de distorção urticante e chamejante – que surfa encaracolados, bailantes, provocantes e inflamados riffs de onde bruxuleiam efervescentes, ácidos, derrapantes e alucinógenos solos, um baixo invertebrado de linhas elásticas, meneantes, ondeantes e hipnóticas, um teclado fantasista de enleante, sedutora, libertadora e inebriante formosura electrónica, e uma bateria galopante, animada e pulsante a trote de eloquentes ritmos com a robótica precisão de um relógio suíço. ‘Mindsuckers’ é um álbum de natureza camaleónica, composto por temas desiguais, que tanto nos incendeia, pontapeia e euforiza numa agitada e suada dança, como nos anoitece, entristece e eteriza nos caramelizados braços da melancolia. Um disco de beleza sem fronteiras que se engrandece a cada renovada audição que lhe dedicamos. Deixem-se derreter na lisérgica melosidade que este registo destila e embevecer na atordoante centrifugadora onde o mesmo rodopia. ‘Mindsuckers’ é um vulcão em erupção no Ártico. Um gigantesco tsunami num lago. Um eco no espaço. Uma obra irresistível, inverosímil e viciante que estará, seguramente, perfilada entre as mais medalhadas do ano. Gravitem-na com total veneração.

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🍄 The Black Wizards - "Killing The Buzz" (2026, Hassle Records)

✝ Peter Green // Fleetwood Mac (1970)

sexta-feira, 13 de março de 2026

🎶 Havana's Dream

Review: 🐉 Corima - 'Hunab Ku' (2026, Soleil Zeuhl) 🐉

★★★★★

Acordados de uma longa hibernação com uma década de duração, os exóticos californianos Corima – quinteto residente na cidade de Los Angeles – acaba de surpreender e maravilhar todos os seus seguidores com o inesperado lançamento do seu tão ansiado novo álbum intitulado ‘Hunab Ku’ e editado pelo carismático selo discográfico francês – especializado no género – Soleil Zeuhl através de uma bonita edição em CD. De denominação colhida no seio da ancestral civilização Maia, que significa a fonte primordial, o coração da criação, ‘Hunab Ku’ simboliza uma miraculosa, radiosa e curativa viagem no tempo e no espaço. Alicerçada num serpenteante, magnético, profético e enleante Prog Rock de extravagante caligrafia Zeuhl e alienígena idioma Kobaïan (linguagem artística criada e patenteada pelo engenhoso baterista e compositor francês Christian Vander ao serviço dos seus enigmáticos Magma), num combativo, arrojado, acicatado e impositivo Rock In Opposition (RIO) de instrumentação desarrumada e em contramão, e ainda num rebuscado, mirabolante, enfeitiçante e azafamado Avant-garde Jazz sintonizado na frequência de John Coltrane e deflagrado numa colorida combustão, a cerimonial, camaleónica, hipnótica e sensacional sonoridade de ‘Hunab Ku’ passeia-nos, montados nas costas de um ziguezagueante dragão chinês,  pelos frondosos, labirínticos, esfíngicos e formosos jardins de Corima. De bússolas apontadas aos seminais Magma, bem como a outras bandas francesas como Eskaton, Weidorje, Eider Stellaire, Bernard Paganotti, Shub-Niggurath e Dün, às nipónicas Ruins, Bondage Fruit e Koenji Hyakkei, e à belga Univers Zéro, estes cinco druidas magicam cerebrais, esdrúxulas, imprevisíveis e magistrais composições – de tempos acrobáticos – que nos surpreendem e deslumbram a cada esquina. São 37 minutos de um caos superiormente organizado por talentosos músicos disciplinados que se envolvem e revolvem em fascinantes diálogos condimentados a afrodisíaca simbiose. A transcendência da alma aos límpidos e ensolarados céus do Nirvana. Uma iguaria gourmet capaz de satisfazer os mais ousados desejos de requinte dos ouvidos mais exigentes. Na génese deste sacramental fármaco de estirpe natural perfilam-se mântricos, angelicais e operáticos coros vocais que desfilam, hirtos, numa marcha marcial, fantásticos teclados de ofuscante magia metamorfoseada em estado musical, um liderante violino de alucinantes, esvoaçantes e sedosos serpenteios, um rebelde saxofone de excêntricos, psicóticos e berrantes devaneios, uma lunática guitarra de solos esponjosos, sinuosos e angulares, um sombreado baixo de pulsantes, bailantes e possantes linhas desenhadas a negrito, e uma flamejante bateria – deliciosamente jazzy – de tarola rufante, timbalões galopantes e pratos cintilantes. A sublime, estonteante e pormenorizada ilustração de tradicional inspiração oriental aponta o seu crédito autoral ao artista Jee-Shaun Wang. Estamos na presença de um singular álbum de inefável beleza, clima tribal e dimensão piramidal. Um registo divinal, verdadeiramente sedutor, arrebatador e resplandecente, que cativa o ouvinte num imaculado paraíso mental. O exotismo e o misticismo de mãos dadas e sorriso no rosto. Um dos mais sérios candidatos a melhor álbum de 2026 está aqui, no triunfante regresso dos notáveis Corima. Comunguem-no num transe religioso e expurguem-se nele.

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 Soleil Zeuhl

segunda-feira, 9 de março de 2026

😇 Black Sabbath (1972)

📸 Kevin Goff

🥁 Chad Smith - "Burn" (Deep Purple cover)

💘 Fangus - "Pyre Of Love" (2026)

Review: ⚡ Zepter - 'Zepter' (2026, High Roller Records) ⚡

★★★★★

Proveniente da cidade austríaca de Linz chega-nos a excitante fogosidade cuspida pelo jovem e irreverente quarteto Zepter, formado em 2024, que nos apresenta o seu electrizante, lustroso e impactante álbum de estreia com denominação homónima, carimbado pela companhia editorial germânica High Roller Records através dos formatos LP, CD, cassete e digital. Baseada num desenfreado, irado e implacável rolo compressor – locomovido por um transpirado, picante, excitado e alucinante Heavy Metal de clara inspiração tradicional e energia combativa, atrelado a um fogoso, melódico, atlético e libidinoso Hard Rock de açucarada saudade oitentista e postura altiva –, a condutora, galopante, relampejante e sedutora sonoridade de ‘Zepter’ pendula o ouvinte entre caramelizadas baladas de emoções condimentadas e endiabradas cavalgadas de esporas ensanguentadas. De alento colhido em clássicas referências como Iron maidenSaxonWitchfinder GeneralCirith UngolSaracenOstrogothUFO (da era Michael Schenker), Thin LizzyManilla RoadApril WineAngel Witch e Acid, este primeiro trabalho de longa duração da turma austríaca é alimentado a alta voltagem e acelerado a alta rotação. Um registo selvagem que enterra os seus longos e afiados caninos na nossa veia jugular e nos vê desmaiar, rendidos, nos seus braços. Um álbum forjado no fogo e marcado na nossa pele. São entusiásticos e epidémicos 35 minutos de inapagável combustão que nos incendeia e pontapeia de incontida euforia e boa disposição. Uma louca correria à empolgante boleia de duas predatórias guitarras siamesas que se perseguem a alta velocidade num turbulento galope de felinos, fervorosos, imperiosos e viperinos riffs desdobrados em catadupa e de onde esvoaçam selváticos enxames de vertiginosos, ziguezagueantes, estimulantes e aparatosos solos, um baixo musculado de linhas insufladas, sísmicas, graníticas e inflamadas, uma incansável e indomesticável bateria metralhada por ritmos instigantes, frenéticos, psicóticos e mirabolantes, e uma liderante voz de pele fresca, sedosa, harmoniosa e levemente rouquenha. A velocidade, a técnica e a autenticidade de mãos dadas numa viva e emocionante gritaria pelos encaracolados carris de uma atordoante montanha-russa. Uma injecção de pura adrenalina. Escaldante, estonteante, viciante e sensacional, ‘Zepter’ trata-se de um álbum verdadeiramente arrebatador, de espírito bravo e conquistador, que cravara uma flecha de cupido no meu tenro coração logo à primeira audição. Um irresistível disco de brilho apoteótico – de roupagem clássica e saturado por um dulcificado sentimento nostálgico – que nos senta confortavelmente ao volante de um barulhento Pontiac Firebird Trans Am de 1982, de vidros embaciados e motor ronronante, desbravando, sem destino, nevadas, solitárias e sinuosas estradas de montanha e acordando a fria noite de um inverno pincelado a azulada melancolia. Zepter é uma banda a não perder de vista.

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🕊️ RIP Country Joe McDonald (1942 🎤 2026)

📷 Jim Marshall