sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

🎁 Johnny Winter (23/02/1944 🦅 16/07/2014)

📸 Paul Natkin ©️ Getty Images (2003)

✊🏿 Nina Simone @ Newport Jazz Festival, 1968

📸 David Redfern

🎭 MaidaVale - "Faces [Where is Life]" (2024)

Review: 🧛‍♂️ Misleading - 'Face the Psych' (2024) 🧛‍♂️

★★★★

O esfíngico quarteto português Misleading está na iminência de oficializar o lançamento do seu terceiro álbum de estúdio intitulado ‘Face the Psych’ (calendarizado para o dia de amanhã), mas o El Coyote orgulha-se de antecipar o parto, estreando, na íntegra e em primeira mão, aquele que se trata do seu álbum favorito, apresentado até à data pela banda enraizada na cidade de Leiria. Exorcizado e arrastado das mais abissais trevas para a amarelecida luzência diurna através do exclusivo formato digital – ainda que com as formas de CD e cassete pensadas para um futuro próximo – este novíssimo álbum de Misleading atormenta de forma impiedosa o ouvinte, atropelando-o sem demoras com uma febril, poderosa, contagiosa e vil avalanche psicotrópica que o deixará combalido e atordoado do primeiro ao derradeiro tema. Combinando um infernal, esotérico, mesmérico e cerimonial Doom Metal sintonizado na mesma frequência luciférica dos britânicos Electric Wizard, e um caótico, efervescente, erodente e selvático Heavy Psych de influência emprestada pelos saudosos californianos PETYR, este novo trabalho da formação lusitana crava os seus longos e afiados caninos na nossa jugular, poluindo os nossos rios sanguíneos com um veneno letal. De lucidez subtraída, alma anoitecida, olhar aterrorizado e espírito embriagado e embruxado de incuráveis intenções demoníacas, principiamos esta caravânica digressão nas enigmáticas Pirâmides de Gizé e prosseguimos – tanto a velocidade de cruzeiro numa morfínica, reflexiva, lenitiva e sonolenta absorção do horizonte cósmico que se vai desvelando calma e demoradamente, como numa libertadora, enlouquecedora, turbulenta e alucinante centrifugação que nos varre furiosamente pelos virginais territórios alienígenas – de olhos içados e corpo levitante na vertiginosa direcção do grande desconhecido que se esconde secretamente algures na eterna noite astral. Conservado e cozinhado a dois climas totalmente opostos – ora gélido, melancólico e anestésico, ora vulcânico, inflamado e eufórico – ‘Face the Psych’ edifica em redor de quem o comunga toda uma atmosfera extraterrestre sobrevoada por fantasmagóricas brumas que nos deixa desnorteados, atemorizados e de olhares desconfiados. Um verdadeiro cataclismo oxigenado por um vampírico obscurantismo que nos trava a respiração e impede de pestanejar. Bebam deste sangrento cálice, encarvoem-se na pretura cósmica e reverenciem o lado eclipsado da religiosidade à estimulante boleia sonora de uma guitarra ufana que alavanca e manobra riffs monolíticos, trevosos, pantanosos e cabalísticos – empapados em urticante distorção – e vomita solos avinagrados, desvairados, efervescentes e despedaçados, um hipnótico baixo de linhas baloiçantes, nervudas, sisudas e dançantes, uma ávida bateria de frenético coice Punk a galope de um ritmo ansioso, impaciente e belicoso, uma voz depravada de pele sebosa, bolorenta, decrépita e cavernosa, e enfeitiçantes teclados de caligrafia arábica que se serpenteiam em enleantes bailados e magicam dramáticos sirenes de estética Sci-Fi que colocam todo o Cosmos em estado de alerta. Este é um álbum verdadeiramente intrigante, detentor de uma sufocante obscuridade sem porta de saída. Um registo ritualístico que tanto nos adormece nos braços de fortes sedativos como endoidece numa intensa overdose de anfetaminas. A banda-sonora perfeita para musicar os velhos e carismáticos filmes de horror. Entrem na cripta de Misleading e dancem desnudos e compenetrados por entre sarcófagos e múmias andantes.

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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

🦅 Joe Walsh - "Walk Away"

Review: 🐎 Thick - 'Get a Ride' EP (2024) 🐎

★★★★

Depois de na Primavera de 2022 ter florescido o seu impactante álbum de estreia ‘Audio Obesity’ (aqui descrito e reverenciado), o fantástico power-trio sueco Thick está de regresso com o lançamento do novíssimo EP intitulado ‘Get a Ride’ e descortinado através do exclusivo formato digital. Replicando a receita sonora posta em prática no seu primeiro registo, este irretocável EP vem afogueado e agitado por um musculado, apimentado, majestoso e lubrificado Hard Rock de rotação setentista, e um dançante, provocante, ritmado e enleante Blues Rock de invertebrado balanço boogie. Contando com apenas três temas – dois originais e uma irrepreensível versão cover do tema “Walk Away” (escrito por Joe Walsh ao serviço dos James Gang) – a compartimentar a sua curta duração de apenas 10 minutos, a vibrante, irresistível e inquietante sonoridade de fragância e radiância vintage deste ‘Get a Ride’ – que colhe influências de clássicas referências como Rory Gallagher, ToadCactus, Leaf Hound e ZZ Top, assim como de outras contemporâneas como JoyThe Golden Grass, Dirty Streets, Love Gang e The Dues – embarca o ouvinte numa ensolarada, entretida e bem-humorada road trip pela velha e arenosa Rota 66 ao volante de um barulhento muscle car. De cabeça meneante, corpo baloiçante, cabelos ao vento, sorriso golpeado no rosto, dentes cravados nos lábios e espírito radiante, serpenteamos pelas curvas e contracurvas de uma guitarra sedutora que conduz bailantes, graciosos, libidinosos e cativantes riffs de onde são deslaçados solos ziguezagueantes, escorregadios, fugidios e excitantes, inalamos o quente bafo de um nervudo baixo movido a linhas pulsantes, elásticas, atléticas e ondeantes, galopamos ao estimulante ritmo de uma gingona bateria tiquetaqueada a leveza, primor e destreza, e absorvermos toda a vistosa elegância revivalista dos aromáticos, frescos e carismáticos vocais que colorizam e envernizam este delicioso, excepcional e garboso registo. ‘Get a Ride’ é um EP verdadeiramente lustroso, harmonioso e sublime, inteiramente pensado, arquitectado e executado à minha imagem. Uma radiosa, magnética e buliçosa cavalgada – esporeada e trilhada à boa moda dos 70’s – que deixa no ouvinte aquele mélico trago da nostalgia. Já salivo pelo seu sucessor.

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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

War Cloud - "Vulture City" / "Give'r" (live, 2019)

Rare Bird - "Flight" (1970)

🪐 David Gilmour // Pink Floyd (1972)

⚡ The Runaways, 1978

Review: 💥 Mean Mistreater - 'Razor Wire' (2024) 💥

★★★★

Da grande e populosa cidade de Austin – capital do estado norte-americano do Texas – chega-nos o eriçado e fumegante álbum de estreia do irreverente quinteto Mean Mistreater. Intitulado ‘Razor Wire’, lançado com o carimbo autoral através dos formatos LP, CD e digital, e escudado num frenético, fogoso, furioso e atlético Heavy Metal de ideologia tradicionalista que encaixa as suas rodas dentadas num alucinante, abrasivo, combativo e galopante Heavy Rock de tração setentista, este primeiro passo discográfico da jovem banda texana escoiceia, inflama e incendeia os seus ouvintes de uma febril adrenalina que os fosforeja e amotina do primeiro ao derradeiro tema. Locomovida e apimentada a ferocidade, intensidade e fogosidade, a dinâmica, desassossegada e vulcânica sonoridade de Mean Mistreater arranca numa titânica, selvática e incansável cavalgada à rédea solta de esporas ensanguentadas e espadas desembainhadas. De punhos cerrados e hasteados ao alto, copos de cerveja transbordante e corpos transpirados, rodopiados num redentor tumulto alimentado a pura excitação, embarcamos nesta desenfreada, desgovernada e incessante correria de ‘Razor Wire’ à estonteante boleia de duas guitarras predatórias que desenrolam gordurosos, fervorosos, assanhados e poderosos riffs, e libertam ciclónicos vendavais de trepidantes, impulsivos, ostensivos e centrifugantes solos, um baixo sólido de linhas nervudas, tensas, densas e sisudas, uma bateria metralhada a um ritmo buliçoso, bombástico, empolgante e espalhafatoso, e uma voz felina, urticante, melódica e feminina que lidera com distinção este desordeiro clube de motociclistas. Este é um álbum verdadeiramente viciante, de curta duração, mas trilhado a alta rotação, que só no último tema conhece um repentino abrandamento. Um registo intensamente vertiginoso, glorioso e fulminante que nos dameja, chameja e atira para o violento centro do mosh pit. É impossível escapar ileso desta veemente montanha-russa chamada Mean Mistreater.

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