domingo, 31 de março de 2019

🦅 Willie Nelson

🔌 ZAUM - 'Divination' (26/04/2019 via Listenable Records)

Review: ⚡ Magic Circle - 'Departed Souls‘ (2019) ⚡

Da grande e populosa cidade de Boston (Massachusetts, EUA) chega-nos o triunfante ‘Departed Souls’, o terceiro e novo álbum do poderoso quarteto Magic Circle, lançado muito recentemente pela mão da editora norte-americana 20 Buck Spin sob a forma física de CD, cassete e vinil. Resultada de um titânico e renhido braço de ferro entre um majestoso, ostentoso, enigmático e melódico Heavy Metal de raiz tradicional, um luciférico, esotérico, tenebroso e litúrgico Proto-Metal, e ainda um musculado, dinâmico, tirânico e torneado Hard Rock à boa moda dos 70’s, a vigorosa, oleada e sumptuosa sonoridade de ‘Departed Souls’ tem em prestigiadas bandas como Black Sabbath, Judas Priest, Witchfinder General, Pagan Altar e Rainbow (liderada pelo virtuoso e extravagante guitarrista ex-Deep Purple: Ritchie Blackmore) as suas basilares influências orientadoras. Pendulando entre monolíticas avalanches – galopadas e esporeadas por uma densa e ardente imponência – que nos encobrem, sacodem e soterram na sua profunda altivez, e refinadas, obscuras, solenes e enfeitiçadas baladas de beleza e envolvência outonal que nos seduzem, arrebatam e conduzem pela sua dourada maviosidade, a rica e fascinante musicalidade deste novo registo de Magic Circle é executada e domesticada a um epopeico primor capaz de ofuscar e conquistar até o mais exigente dos ouvintes. Nas rédeas de ‘Departed Souls’ estão duas guitarras reinantes de influentes, monstruosos, formosos e mordentes Riffs de feições Sabbath’icas e de onde desabrocham e se estriam dilacerantes, faustosos, esdrúxulos e ziguezagueantes solos, um baixo massivo – de uma reverberação motorizada e facilmente sussurrável – que se sustenta com base nas suas linhas potentes, densas, tensas e resistentes, uma expressiva bateria de cadências tanto velozes e fulminantes como vagarosas e relaxantes, e uma epopeica e liderante voz de longo alcance que alterna entre uma tonicidade melódica, diabrina, hipnótica e avinagrada (a fazer recordar os vocais de um Ozzy Osbourne juvenil) e uma áspera, felina, agressiva e urticante ferocidade. ‘Departed Souls’ representa não só o meu registo favorito desta cativante formação norte-americana, como também um dos meus álbuns de eleição lançados até aos territórios primaveris de 2019. Deixem-se eclipsar, possuir e assombrar pela sua forte propensão mística e comunguem esta inspirada obra-prima emoldurada a revivalismo.

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 20 Buck Spin

Sucking the 70's

💀 Witchcraft ’70

♕ Brian May // Queen

via "Queen: A Visual Documentary" (Ken Dean, 1986)

sexta-feira, 29 de março de 2019

Review: ⚡ The Devil and the Almighty Blues - 'TRE‘ (2019) ⚡

Os noruegueses The Devil and the Almighty Blues são hoje uma das bandas mais aclamadas do circuito underground da música Rock. Esse mediatismo inteiramente justificado e meritório é motivado pela sua ainda verde discografia, mas que encerra uma sonoridade bastante madura, incapaz de deixar os seus ouvintes de boca seca e recostados à indiferença. Com dois álbuns editados em 2015 e 2017, esta venerável formação nórdica – natural da cidade-capital de Oslo – acaba de lançar hoje mesmo o seu novo e terceiro trabalho de longa duração intitulado de ‘TRE’, promovido pelo selo discográfico norueguês Blues for the Red Sun (com o qual a banda reforça o seu vínculo editorial) e distribuído pela Stickman Records nos formatos físicos de CD e vinil. Tal como acontece com os seus antecessores, a alma de ‘TRE’ prende um luciférico, lamacento, arrastado e mélico Heavy Blues fervido em efeito Fuzz que nos seduz, empolga e conduz do primeiro ao derradeiro tema. São 48 minutos climatizados e governados por uma intrigante, obscura, nebulosa e elegante musicalidade que nos absorve, enfeitiça e comove sem a mais pequena réstia de inibição. De corpo e alma integralmente cedidos à tirânica e melódica obscuridade de The Devil and the Almighty Blues, somos cativados e maravilhados por duas endeusadas guitarras de identidades aparentadas que se manifestam em majestosos, influentes, ardentes e vistosos Riffs de onde florescem primorosos, detalhados, sublimados e luxuosos solos, um imperioso baixo detidamente entregue a linhas vincadas, robustas, fluídas e sombreadas, uma elegante bateria locomovida a um toque refinado, preciso, altivo e cuidado, e ainda uma voz fragosa, urticante e melodiosa que conjuga na perfeição com a meticulosa e aristocrática sumptuosidade instrumental. ‘TRE’ é um álbum verdadeiramente expressivo, persuasivo e apaixonante que prontamente nos hipnotiza e nebuliza por entre a sua doce primazia sonora. Este é indubitavelmente o meu registo favorito deste quinteto nórdico que faz do lado mais demoníaco, eclipsado e ritualístico do Blues o seu emblema. Deixem-se embevecer pela irresistível tentação de The Devil and the Almighty Blues e reverenciar um dos mais egrégios e triunfantes discos lançados até à data em 2019. Não poderia finalizar esta dissertação textual sem exteriorizar a ainda fervorosa satisfação sentida esta manhã ao ter conhecimento de que estes vikings da era moderna acabam de ser confirmados e acrescentados no explosivo line-up do distinto festival português SonicBlast Moledo. Mal posso esperar, portanto, por poder comungar ao vivo toda esta glamorosa e umbrosa radiação superiormente nutrida e difundida pelos The Devil and the Almighty Blues num belo dia de verão temperado a calor e a maresia.


🌋 Earthless - "Red" (Split w/ White Hills, 2013)

terça-feira, 26 de março de 2019

☯️ Lamp of the Universe - 'The Cosmic Union' (Cranium Music, 2001)

Review: ⚡ Kamala - 'Your Sugar‘ (2019) ⚡

Depois de em 2017 ter ficado surpreendido e rendido com o fabuloso EP de estreia (Review aqui), e em 2018 ter reforçado o elogio a esta jovem banda germânica motivado pelo seu primeiro trabalho de longa duração (Review aqui), eis que os Kamala reclamam agora novo protagonismo e devoção com a apresentação do seu segundo álbum apelidado de ‘Your Sugar’ e promovido pelo selo discográfico seu compatriota Tonzonen Records sob a forma física de CD e vinil. Oficialmente lançado e disponibilizado para escuta integral no passado dia 22 de Março através da sua página de Bandcamp, este novo trabalho do agradável colectivo oriundo da cidade de Leipzig traz-nos uma aromatizada, radiosa e requintada fragância sonora de onde se reconhece e apalada um relaxante, hipnótico e contagiante Krautrock e um esplendoroso, idílico e majestoso Psychedelic Rock brilhantemente condimentados e executados por uma luxuosa, divertida e prazerosa envolvência jazzística que não deixará nenhum ouvinte indiferente. A sonoridade melodiosa, fluída, diferenciada e sumptuosa de ‘Your Sugar’ passeia-nos de olhar selado, corpo sedado e sorriso perpetuado no rosto pelas suas verdejantes, ensolaradas e apaziguantes planícies de clima estival e aroma floral. Um delicioso, aveludado e açucarado néctar musical composto por uma deslumbrante, refinada e suavizante excelência que prontamente nos coloca os ouvidos em constante salivação e a alma estacionada num verdadeiro oásis espiritual. Deixem-se enternecer e embevecer nos afáveis e adoráveis diálogos entre duas donairosas guitarras dedilhadas a desarmante sensibilidade, ternura e maviosidade, na reverberante respiração de um baixo zen movido a ondulantes, flácidas e magnetizantes danças, nas serpenteantes, sedosas, harmoniosas e uivantes exteriorizações de um distinto saxofone, na quente ritmicidade de uma sedutora bateria tiquetaqueada a um toque polido, cintilante, preciso e galante, e ainda numa aristocrática voz de feição cuidada, jovial e condimentada que sobrevoa de forma airosa, livre e graciosa toda a edénica atmosfera deste disco. ‘Your Sugar’ é um vistoso álbum repleto de classe e inspiração que nos corteja do primeiro ao derradeiro tema. Um registo deveras espirituoso, engenhoso e bem demonstrativo da maturada conexão entres estes jovens músicos que há muito deixaram de ser uma promessa para ser uma certeza.

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 Tonzonen Records

Witchcraft @ Hellfest 2013

👻 Sleep

🎤 Lisa Lystam // Siena Root

segunda-feira, 25 de março de 2019

🌙 Kikagaku Moyo / 幾何学模様 - 'House in the Tall Grass' (2016)

📀 Solar Corona - 'Lightning One' (03/05/2019 via Lovers & Lollypops)

📀 Kaleidobolt - 'Bitter' (31/05/2019 via Svart Records)

Single

🌹 Jimmy Page // Led Zeppelin

🌿 BelzebonG

⚰️ The Obsessed

domingo, 24 de março de 2019

Review: ⚡ Stone from the Sky - 'Break a Leg‘ (2019) ⚡

Os franceses Stone from the Sky preparam-se para lançar o seu novo álbum de estúdio intitulado de ‘Break a Leg’ e devidamente promovido pela mão do jovem selo discográfico seu conterrâneo More Fuzz Records sob a forma física de CD e vinil. Apesar do seu nascimento oficial estar agendado apenas para o próximo dia 3 de Maio, fora-me dada a honrosa e irrecusável oportunidade de o experienciar na integra e em primeira mão, e a dissertação lírica que se segue é inteiramente motivada pela ressaca em mim depositada logo após a primeira audição que lhe dedicara. Com base na triunfante receita sonora já posta em prática na produção dos seus registos antecessores, este trio natural da cidade automobilística de Le Mans conjuga na perfeição a onírica e mágica envolvência do Post-Rock com a vulcânica e messiânica efervescência do Heavy Psych e ainda com a exótica e veraneia bafagem do Desert Rock. Numa viagem evolutiva e sensorial, que alterna entre estádios climatizados a um edénico e hipnótico misticismo, e outros incendiados e atormentados pelo ácido efeito Fuzz que os satura de uma poderosa e redentora euforia, somos violentamente arremessados para fora da órbita consciencial e magnetizados de encontro a secretos lugares da alma nunca antes avistados ou explorados. E é este pêndulo – que tanto nos alcooliza e canaliza numa profunda introspecção como provoca e exorciza numa intensa combustão de prazer – que faz de ‘Break a Leg’ um álbum detentor de uma narrativa auditiva verdadeiramente maravilhosa e fascinante. De olhar semi-cerrado, cabeça rodopiante e sorriso desenhado e imortalizado no rosto, somos cortejados, sublimados e absorvidos pela ofuscante lubricidade de Stone from the Sky. De alma desprendida e à deriva na incomensurável vacuidade do Cosmos interior, e corpo adormecido e abandonado nas amarras da gravidade terrena, velejamos ao longo de todo um lisérgico oceano de firmamento a perder de vista à boleia de uma guitarra afagada e canonizada pelos astros que tanto nos vaporiza e narcotiza de um esplendoroso transe como nos sacode e implode de adrenalina, um baixo lenitivo, magnetizante e meditativo que com a sua psicotrópica e monolítica reverberação nos tomba o pesado e embaciado semblante de encontro ao peito, e uma tonificante bateria de ritmicidade emotiva, criativa e excitante que arbitra toda esta fantástica odisseia pelos longínquos domínios alienígenas. Icem as velas do vosso imaginário ao sabor de ‘Break a Leg’ e vivenciem uma das mais paradisíacas evasões espirituais da vossa existência. Este é seguramente o meu álbum favorito de Stone From the Sky. Um disco arquitectado e executado a desarmante inspiração e que representa o tão almejado zénite na carreira deste tridente de natureza instrumental. Pulem de forma destemida para este verdadeiro trampolim de consciências e sintam-se dissipar pela infinidade sideral, montando e domesticando alucinantes cometas que golpeiam os céus, e cabeceando os mais distantes, solitários e intrigantes astros esquecidos e soterrados no negro e gélido solo cósmico.

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 More Fuzz Records

sexta-feira, 22 de março de 2019

🔗 Emerson, Lake & Palmer

☄️ Sleep [Live]

🔥 The Black Wizards @ Hard Club, PT (2019)

📸 Ah!PHOTO

Yob @ Amoeba Green Room Session (2018)

Review: ⚡ Tia Carrera - 'Visitors / Early Purple‘ (2019) ⚡

Da cidade de Austin (Texas, EUA) chega-nos o quinto e novo álbum de estúdio dos já míticos Tia Carrera intitulado de ‘Visitors / Early Purple’. Oficialmente lançado hoje mesmo pelo conceituado selo discográfico norte-americano Small Stone Records tanto em formato digital como numa edição limitada em vinil (reduzido a uma prensagem de apenas 500 cópias físicas disponíveis), este novo trabalho do power-trio texano – que desde a sua formação faz da jam a sua estrela orientadora – vem atestado de um incandescente, explorativo, alucinógeno e atordoante Heavy Psych de ousadas e bem resultadas aproximações a um sedutor Heavy Blues e ainda a um efervescente Acid Rock que nos centrifuga a alma e a arremessa na vertiginosa direcção da infindável vacuidade cósmica. A sua sonoridade electrizante, exótica, hipnótica e euforizante – inspirada e norteada pela irreverência setentista (de onde sobressai com indiscrição um fabuloso tributo ao virtuoso guitarrista neozelandês Billy TK ao volante de The Human Instinct) e fervida pelo corrosivo efeito Fuzz que banha o ouvinte com uma ácida, tensa e monolítica reverberação – tem a rara capacidade de nos atrelar a ela e viajar a alta velocidade pelos acrobáticos e sinuosos carris de uma estonteante montanha-russa sem qualquer equilíbrio emocional ou organização lógica. Passaram-se cerca de 8 anos desde a sua última arrebatadora profecia estelar apelidada de ‘CosmicPriestess’ (álbum no qual me refugio inúmeras vezes) mas a extraordinária capacidade deste tridente em executar e canalizar fascinantes, distensíveis e viajantes jams instrumentais de elevado grau de toxicidade continua bem intacta. Deixem-se empoeirar pela sónica misticidade astral borrifada por uma inexcedível e intratável guitarra que nos incendeia e chicoteia de adrenalina e embala na profunda vertigem à boleia dos seus dispersantes, caóticos, alucinados e revitalizantes solos, um baixo musculado – firmemente compenetrado na execução do riff-base – que se carrega a linhas onduladas, fluídas, graves e torneadas, e uma bateria groovy de ritmicidade galopante, destravada e empolgante que segura com destemida liderança as escaldantes rédeas desta poderosa, monolítica e furiosa avalanche sonora. Este é o lado mais indisciplinado e radical do Heavy Psych onde é usado e lavrado até às costuras das suas fronteiras. Uma constante erupção orgásmica que nos exorciza, enlouquece e eteriza ao longo dos seus vertiginosos e ofegantes 35 minutos de duração. ‘Visitors / Early Purple’ é um álbum de consumo impróprio para cardíacos que agride o ouvinte com uma intensa e saturada descarga de pura exaltação. Que este tão ansiado e aclamado regresso de Tia Carrera represente uma aceleração mais efectiva no processo de produção discográfica capaz de saciar todo o apetite voraz que as suas jams extraplanetárias há muito despertam em mim. Estamos seguramente na presença de um dos grandes discos do ano que rivalizará pelos lugares cimeiros da minha eleição.

quarta-feira, 20 de março de 2019

😈 Green Lung - "Let the Devil In" (Kozmik Artifactz, 2019)

Review: ⚡ Green Lung - 'Woodland Rites‘ (2019) ⚡

Da cidade-capital de Londres chega-nos a sombria e nebulosa liturgia de Green Lung com o lançamento do seu surpreendente álbum de estreia ‘Woodland Rites’. Acabado de ser disponibilizado na íntegra através da sua página de Bandcamp oficial e promovido sob a forma física de CD e vinil pela editora discográfica germânica Kozmik Artifactz, este primeiro trabalho de longa duração do quinteto inglês vem assombrado por um enigmático, profano, melódico e ritualístico Occult Rock em erótica cumplicidade com um vigoroso, imponente e ostentoso Proto-Metal de feições góticas. A sua sonoridade de propensão cerimonial tem o dom de anoitecer, enlutar e profanar a nossa espiritualidade, convidando-a a testemunhar todo um tenebroso e extravagante rito de evocação e adoração demoníaca. ’Woodland Rites’ é um álbum tremendamente tirânico que exerce uma grande influência nos seus ouvintes, convertendo até o mais céptico dos ouvintes em seu leal discípulo. De olhar lapidificado e horrorizado, semblante entorpecido e desmaiado e alma rendida e enfeitiçada pelo lado eclipsado do divino. Deixem-se ungir e submergir na intimidade de toda esta magia negra superiormente celebrada por uma guitarra pagã que recita dominantes, obscuros, vultosos e intrigantes riffs, e se incita na ascensão e orientação de uivantes, alucinógenos, estupendos e delirantes solos , um baixo modorrento e bafejante de reverberação possante, pesada, fluída e magnetizante, um esotérico teclado de envolventes, hipnóticos e eloquentes bailados , uma bateria opulenta de ritmicidade explosiva, rutilante e altiva, e ainda uma voz cristalina, ecoante, avinagrada e diabrina – a fazer lembrar o próprio Ozzy Osbourne da era primordial de Black Sabbath – que atemoriza toda a carregada, maléfica e denegrida atmosfera de Green Lung. De louvar ainda o fabuloso artwork de natureza ocultista e créditos apontados ao ilustrador Richard Wells que vertera para o universo visual tudo aquilo que a mística sonoridade de ‘Woodland Rites’ nos reza. Confesso que este era um dos álbuns por mim mais aguardados do presente ano e o mesmo acabou por esbater todas as grandiosas expectativas que lhe dedicara na antevisão. Melhor e mais promissora estreia era impossível. ‘Woodland Rites’ é um registo verdadeiramente egrégio e provocante que encerra todo o carisma do velho e culto Cinema de horror exibido nas décadas de 60 e 70. É demasiado fácil cair na sua tentação. Corações ao alto. O nosso coração está em Green Lung.

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 Kozmik Artifactz

📀 Clouds Taste Satanic - 'Evil Eye' (30/04/2019)

Bill Ward 🕇 Black Sabbath (1972)

📸 Keith McMillan

terça-feira, 19 de março de 2019

📀 Left Lane Cruiser - 'Shake and Bake' (31/05/2019 via Alive Records)

🛸 Across the Desert!

Review: ⚡ Hot Lunch - 'Seconds‘ (2019) ⚡

Regressados de um longo jejum de cinco anos (no que à produção de trabalhos de longa duração diz respeito), os californianos Hot Lunch acabam de lançar o seu tão ansiado terceiro álbum apelidado de ‘Seconds’ e devidamente promovido pela mão do prestigiado selo discográfico nova-iorquino Tee Pee Records nos formatos físicos de CD e vinil. Oriundos da carismática cidade de San Francisco, os irreverentes Hot Lunch conduzem um ardente, dinâmico e excitante Skate Punk de mãos dadas a um vigoroso, enigmático e assombroso Proto-Metal de tração setentista e ainda um ensolarado, expressivo, lenitivo e soberbamente delineado Folk que resvala nos domínios do psicadelismo. Pendulando entre uma tensa e desenfreada ferocidade locomovida a alta velocidade e uma melódica, agradável e pacífica envolvência climatizada a um primaveril e endeusado misticismo, a complexa sonoridade de ‘Seconds’ causa no ouvinte toda uma alternância emocional que tanto o satura e detona de intensa euforia como o sossega e entrega às profundezas de um oceano de lisergia. Ainda assim – apesar desta ambivalência musical e consequentemente sentimental – um esplendoroso nirvana é transversal a todo o seu espaço temporal. São 45 minutos – onde gravitam e coabitam 6 simpáticos temas de naturezas contrastadas – irrigados e incendiados por uma voz cálida, áspera, felina e diabrina que se conjuga com a intensa efervescência de uma guitarra fervida em efeito Fuzz e manejada a empolgantes, torneados, ritmados e contagiantes riffs de fácil digestão que confluem em translúcidos solos de desarmante beleza, um pulsante, fluído e reverberante baixo de linhas desenhadas a volúpia, e uma intratável bateria de fogosas, enérgicas e aparatosas investidas que tiquetaqueia e pontapeia toda esta vistosa, abrasadora e luminosa chama cuspida por Hot Lunch. Este é um álbum extremamente prazeroso, capaz de divertir, arrebatar e seduzir todo aquele que nele se refugiar. Um disco detentor de uma aura puramente meditativa e simultaneamente de uma personalidade explosiva que o canalizam pelas sinuosas estradas da imprevisibilidade e mantêm os ouvintes encalhados num imperturbável estádio de plena fascinação.

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 Tee Pee Records

🔥 Rory Gallagher - "Messin' With The Kid" [live, 1972]

High On Fire [poster]

🎖 Groovy 46th Birthday Brant Bjork!

Radio Moscow - "Deceiver" & "Pacing" [Live, 2018]


domingo, 17 de março de 2019

🏄‍♂️ Surf in Peace Dick Dale!

Kim Gordon // Sonic Youth '87

Review: ⚡ Haunt - 'If Icarus Could Fly‘ (2019) ⚡

Depois de no passado ano de 2018 me terem surpreendido com o seu magnífico álbum de estreia ‘Burst Into Flame’ (Review aqui) e de já no presente ano terem reacendido a chama do meu empolgamento com o impactante EP ‘Mosaic Vision’ (Review aqui), eis que estes titânicos cavaleiros do Heavy Metal estão novamente de regresso com o lançamento do seu tão aguardado segundo álbum apelidado de ‘If Icarus Could Fly’ e promovido pela mão da editora discográfica norte-americana Shadow Kingdom Records (com a qual a banda reforça os seus laços de exclusividade contratual) na forma física de CD, cassete e vinil. Localizados no coração da Califórnia (mais concretamente na cidade de Fresno), este poderoso quarteto de lanças apontadas ao carismático New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) são hoje uma das referências contemporâneas mais influentes do género e naturalmente uma das minhas favoritas. A sonoridade de Haunt encerra uma majestosidade, ardência, acutilância e ferocidade que me deixam de batimentos cardíacos acelerados, respiração ofegante e alma exaltada, arrebatada e atestada de pura adrenalina. Baseado num melódico, ostentoso e vulcânico Heavy Metal de natureza tradicional – que tanto se assanha num possante e desenfreado galope, como se enternece em harmoniosas e maravilhosas passagens aclimatadas por uma sumptuosa envolvência – este ‘If Icarus Could Fly’ representa o segundo capítulo da sua nobre e memorável digressão iniciada com o álbum antecessor, e que em tudo se assemelham. Nas rédeas desta cavalaria pesada de vocação belicista estão duas exímias guitarras gémeas que se entrelaçam na ascensão e condução de imperiosos, dinâmicos, tirânicos e luxuosos riffs, e se desenlaçam na selvática e virtuosa emancipação de solos verdadeiramente vertiginosos, extravagantes, atordoantes e prodigiosos, um baixo de reverberação bafejante que se carrega por entre linhas pulsantes, volumosas, vigorosas e trovejantes, uma bateria incisiva e ofensiva de ritmicidade incessantemente turbulenta, e uma voz formosa, lustrosa, cristalina e penetrante que se esclarece e enobrece por entre o rumoroso, altivo e combativo instrumental. Se já no confronto com o seu primeiro álbum tinha saído derrotado, deste segundo duelo saio justamente nessa mesma condição. Haunt simboliza um misto de sedução, primor, vigor e combustão ao qual não consigo escapar incólume. Regresso de ‘If Icarus Could Fly’ integralmente conquistado e fascinado pela sua ilustre hostilidade e com a inabalável convicção de que este disco de contornos épicos figurará – tal como acontecera com o seu antecessor – nos mais elevados e destacados lugares da listagem final dos melhores álbuns nascidos em 2019.

Prog'licious!

🙏 In the name of the Father, and of the Son..