quarta-feira, 22 de maio de 2019

⛧ Acid King | Busse Wooods 20th Anniversary USA Tour

☀️ Roger Waters (Pink Floyd live at Pompeii)

🎙 The Well @ KUTX 98.9 Austin (2019)

Review: ⚡ The Mothercrow - 'Magara' (2019) ⚡

Depois de uma bem-sucedida campanha de crowdfunding que num curto espaço de tempo financiara na totalidade toda a gravação e produção em estúdio, os espanhóis The Mothercrow anunciam finalmente o seu tão ansiado álbum de estreia batizado de ‘Magara’ e do qual muito devem orgulhar-se. Oficialmente lançado no passado dia 17 de Maio sob a forma física de vinil pela mão do conceituado selo discográfico de origem germânica Nasoni Records, e em formato de CD pela parceria editorial espanhola que interligara a madrilena Nooirax e a La Rubia Producciones, este primeiro trabalho de longa duração do entusiasmante quarteto localizado na cidade de Barcelona vem inflamado de um musculado, enérgico, fibrótico e torneado Hard Rock de tração setentista e engrenado num deslumbrante, sedutor, harmonioso e contagiante Heavy Blues de ostentosa e primorosa condução. A sua sonoridade deveras fascinante, clássica, carismática e chamejante prende um embriagante aroma de paladar intimista e revivalista que me envolvera, intrigara e embevecera do primeiro ao derradeiro tema. São 44 minutos ensolarados e ofuscados por uma paradisíaca fervura de alcance transversal a todo o álbum, condimentando e apimentando tanto as deleitáveis, adoráveis, atraentes e eloquentes baladas de desarmante beleza, como as excitantes, dinâmicas e desconcertantes cavalgadas de instrumentos esporeados à rédea solta. ‘Magara’ é um aprimorado, brilhante e consumado registo que se galanteia pela doce, harmoniosa e sedosa brandura, e se incendeia pela vulcânica, caótica e destravada comoção. Testemunhem toda a admirável sinergia destes catalães onde uma guitarra prodigiosa se bamboleia à boleia de ostentosos, veneráveis e prazerosos acordes e se transcende na libertação de vistosos, inventivos e talentosos solos, um voluptuoso baixo valvulado a linhas reverberantes, fluídas, vincadas e magnetizantes, uma agradável bateria locomovida tanto a um toque polido, brilhante e delicado como a uma rumorosa, explosiva e calorosa ritmicidade, e ainda uma voz volumosa, melódica, mélica e libidinosa que se passeia e envaidece pela decorosa atmosfera desde maravilhoso álbum de The Mothercrow. De realçar ainda o esmerado, distinto e elevado artwork – de créditos apontados ao habilidoso artista espanhol Jalón de Aquiles – que confere todo um exótico misticismo visual a esta distinta obra-prima. É de alma completamente enfeitiçada e saciada que regresso do sublimado ‘Magara’. Um disco portador de uma aura tanto edénica e tocante, como eufórica e vibrante que seguramente conquistará a aceitação e reclamará a devoção de todos aqueles que nele comungarem. Estamos na singular presença de um álbum tremendamente refinado e provocante que aponta todas as suas pretensões às mais altas posições da listagem referente aos melhores registos lançados em 2019.

🎙 Dunbarrow - "On This Night" [Kaffiprat 2019]

segunda-feira, 20 de maio de 2019

🥁 John "Bonzo" Bonham // Led Zeppelin (NYC, 1977)

Review: ⚡ Praÿ - 'Praÿ' (2019) ⚡

Da cidade francesa de Lyon chega-nos o empolgante álbum de estreia do jovem tridente Praÿ. Lançado muito recentemente através da sua página oficial de Bandcamp em formato digital, de CD e ainda numa limitada edição em vinil, este registo de denominação homónima encerra um electrizante, dinâmico, xamânico e euforizante Heavy Psych de um corrosivo e chamejante efeito Fuzz, que tanto se robustece e obscurece num montanhoso, lamacento e poderoso Psych Doom, como se apazigua e nebuliza num meditativo, místico e lenitivo Space Rock. A sua sonoridade – nutrida e conduzida a envolventes, valvuladas e eloquentes jams de natureza instrumental e sideral – tem a capacidade de absorver, amotinar e extasiar o ouvinte ao longo de todo o seu corpo temporal, pendulando-o do mais soterrado abismo terrestre ao mais elevado ponto do Cosmos. São cerca de 48 minutos povoados por quatro longos temas e alternados por uma bipolaridade atmosférica que tanto nos sacode, centrifuga e explode de incontida e fervorosa adrenalina, como nos relaxa, narcotiza e eteriza de uma temulenta sublimidade temperada a morfina. E é esta bipolaridade musical e emocional que faz de ‘Praÿ’ um álbum verdadeiramente irresistível aos ouvidos do comum mortal. Deixem-se absorver, enlouquecer e deleitar à boleia de uma guitarra endeusada e consagrada pelos astros que se manifesta em riffs vultosos, pujantes e rumorosos, e se agita em alucinantes, ácidos e trepidantes solos, um baixo carrancudo de linhas carregadas, magnetizantes, intrigantes e onduladas, e uma bateria sísmica que com a sua impetuosa, arrojada e fogosa ritmicidade esporeia e incendeia toda esta violenta evasão da consciência pelo profundo negrume astral. A cuidadosa, detalhada e engenhosa ilustração que confere rosto a este portentoso registo é da autoria da artista francesa Jody de Bousilly (aka Mamie Bousille) que vertera com exatidão para o universo visual o que de mais secreto e primordial subsiste na enigmática essência de ‘Praÿ’. Este é um álbum de propensão sideral que nos suga através de um desenfreado vórtice e desagua num perfeito estado de encantamento e exultação. Já tinha saudades de um disco assim.

Links:
 Facebook
 Bandcamp

🐝 World Bee Day

⚡️ Christoph "Lupus" Lindemann // Kadavar

📸 Burning Moon

♠ Lemmy Kilmister // Motörhead ♠

🔌 Necro - 'Pra Tomar Chá' EP (2019, Abraxas)

domingo, 19 de maio de 2019

🐺 Matt Pike (2005)

📸 Jimmy Hubbard

🧙‍♂️ Monolith on the Mesa

Review: ⚡ Saint Vitus - 'Saint Vitus' (2019) ⚡

Depois de um jejum discográfico de sete anos (no que à produção de álbuns de estúdio diz respeito, entenda-se), os lendários Saint Vitus – comumente e justamente apelidados de padrinhos do Doom Metal norte-americano – estão de regresso (e que regresso!) com a apresentação do seu novo trabalho de longa duração designado de ‘Saint Vitus’ e lançado muito recentemente pela mão da já consagrada editora discográfica francesa Season Of Mist (sediada na cidade de Marselha e especializada na promoção da música Metal) sob a forma física de vinil, CD e cassete. Este seu novo álbum – o segundo de designação homónima – representa o tão ansiado regresso às origens da banda, ou não tivessem recuperado o seu carismático vocalista de origem Scott Reagers (que desde o lançamento de ‘Die Healing’ em 1995 não mais empunhara o microfone de Saint Vitus). Confesso-me um especial adorador dos primórdios discográficos desta mítica formação californiana (particularmente em relação ao seu álbum de estreia ‘Saint Vitus’ datado de 1984 e ao ‘Born Too Late’ nascido em 1986), e, portanto, foi com uma grande dose de desconfiança que antevi este seu novo registo. Mas assim que o ouvira pela primeira vez, todas as dúvidas se dissiparam e deram lugar a um perfeito estado de fascinação que me climatizara e empolgara do primeiro ao derradeiro tema. Apesar dos 35 anos que balizam o primeiro disco homónimo deste segundo, ambos possuem almas aparentadas. Logo aos primeiros acordes baforados pela guitarra demoníaca e atormentada de Dave Chandler, somos hipnotizados e toldados pela negra e intrigante radiância que envolve todo o corpo temporal deste renovado ‘Saint Vitus’. Trajada e maquilhada por um titânico, carregado e luciférico Doom Metal e com destemidas (mas bem-sucedidas) aproximações aos domínios de um galopante, apressado e euforizante Heavy Metal de cariz tradicional, a caliginosa, tensa e portentosa sonoridade destes revigorados Saint Vitus provocara em mim toda uma súbita e inesperada sensação de crescente devoção. Comunguem toda esta sombria e horripilante liturgia de ‘Saint Vitus’ à perturbadora boleia de uma guitarra suprema que se agiganta em arrastados, monolíticos e assombrados riffs e se desfigura em excêntricos, caóticos e alucinados solos, um baixo profano de bafagem possante, tensa, turva e magnetizante, uma forte bateria de ritmicidade pausada, pesada e ressonante, e ainda uma carismática voz tanto de textura encorpada, melódica e cuidada, como ardente, espinhosa e corrosiva, que lidera com gloriosa autoridade toda esta sólida e denegrida avalanche sonora. Chego ao final deste álbum de alma completamente pasmada e exorcizada pela ritualística dominância que ‘Saint Vitus’ ostenta. Um álbum do tamanho da imaculada reputação que esta banda localizada em Los Angeles detém, e que – depois de um passado triunfante – deixa no ouvinte a forte convicção de que este invejável legado se vai arrastar pelas estradas futuristas. Foi essa a certeza que ‘Saint Vitus’ deixara imortalizada em mim.

Links:
 Facebook
 Bandcamp
 Season Of Mist

sexta-feira, 17 de maio de 2019

✌️ Harley and J

www

🕊 Jimi Hendrix @ Benedict Canyon, Los Angeles (09/09/1968)

📀 Swan Valley Heights - "Teeth & Waves" (06/09/2019 via Fuzzorama Records)

Sucking the 70's

🔌 Saint Vitus - 'Saint Vitus' (2019, Season of Mist)

Review: ⚡ Dommengang - 'No Keys' (2019) ⚡

Depois de na madrugada do passado ano de 2018 ter dissertado e elogiado o adorável e irreprovável ‘Love Jail’ (review aqui), eis que os californianos Dommengang convocam novamente a minha atenção e motivam a uma renovada bajulação. ‘No Keys’ é o terceiro álbum deste fascinante tridente originário da exótica cidade de Los Angeles, lançado hoje mesmo pela prestigiada Thrill Jockey Records (afamada editora norte-americana, sediada em Chicago e responsável pela promoção de todos os trabalhos discográficos da banda até à data) nos formatos físicos de CD e vinil, e que se alicerça num ensolarado, extasiante, ofuscante e delirado Psych Rock de bafagem veraneia em harmonioso diálogo com um elegante, oleado, torneado e serpenteante Blues Rock de ritmicidade Boogie e ainda um entusiasmante, lascivo e contagiante Garage Rock fervido e inflamado pelo efeito Fuzz. A sua sonoridade magnetizante, sublimada, enfeitiçada e inebriante – brilhantemente climatizada por uma mágica, paradisíaca e envolvente nebulosidade a fazer recordar não só os seus vizinhos californianos Sleepy Sun, como os míticos canadianos Quest For Fire que tantas saudades em mim deixaram – causa no ouvinte uma forte sensação de relaxamento, apego e deslumbramento impossível de contrariar. De ouvidos salivantes, olhar petrificado, sorriso imortalizado no rosto e alma arrebatada, somos mareados e balanceados pela edénica maviosidade de ‘No Keys’ que edifica no nosso imaginário todo um esplendoroso deserto californiano, de Sol esbatido e debruçado sobre as montanhas que delimitam e emolduram o horizonte crepuscular, uma dançante, anestésica e suavizante brisa de aroma floral que se entrelaça nos nossos cabelos e escoa pelas nossas narinas dilatadas, e onde toda uma apaziguante, carismática e reinante ambiência Western sobrevoa as cálidas, tisnadas e sedosas areias deste lisérgico oceano desértico. Deixem-se bronzear e mistificar pelos provocantes e inquietantes bailados de uma guitarra soberbamente ritmada que se envaidece e estarrece em cativantes, flexíveis e emocionantes riffs e se ultrapassa e endoidece na criação e condução de solos verdadeiramente estonteantes, requintados, desconcertantes e orgásmicos, um tonificante baixo desenhado e sombreado a linhas reverberantes, hipnotizantes, fibróticas e oscilantes, uma bateria expressiva e criativa de excitante e vibrante galope, e ainda um hipnotizante, ecoante, luminoso e apaziguante  coro vocal que contrasta na perfeição com a fogosidade instrumental. Este novo álbum de Dommengang prende um perfeito sentimento nirvânico que me farolizara, enfeitiçara e arrebatara do primeiro ao último minuto. ‘No Keys’ é um registo verdadeiramente excepcional, de essência intensamente esplendorosa, exultante e voluptuosa, que certamente surpreenderá e apaixonará todo aquele que nela se deliciar. Um dos álbuns mais enternecedores e comoventes de 2019 está aqui, na maravilhosa obra-prima presenteada pelos inspirados Dommengang. Um autêntico paraíso devocional para absoluto gáudio do nosso espírito mental e sensorial.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Review: ⚡ Pyramidal - 'Pyramidal' (2019) ⚡

Da vizinha Espanha chega-nos o espantoso novo álbum de uma das bandas mais aclamadas do flanco underground da música Rock espanhola: Pyramidal. Esta talentosa formação, recém transfigurada de quarteto para quinteto, e localizada na cidade sulista de Alicante lançara em meados do passado mês de Abril o homónimo ‘Pyramidal’ através da parceria discográfica promovida pela espanhola Surnia Records (em formato de CD) e a holandesa Lay Bare Recordings (em formato de vinil), e o mesmo provocara em mim um intenso estádio de encantamento logo na primeira audição que lhe dedicara. Fundamentado num magistral, opulento e orquestral Prog Rock de inspiração revivalista, um envolvente, meditativo e eloquente Space Rock de alcance extraplanetário e ainda um poderoso, ostentoso e empolgante Heavy Psych de elevada toxicidade, este deslumbrante e exuberante álbum traz o intrigante peso e denso negrume de uns Black Sabbath, a sagrada, sublimada e sedutora fragância de uns Pink Floyd e os copiosos, extravagantes e inebriantes bailados de uns Hawkwind. A sua sonoridade soberbamente complexa de ‘Pyramidal’ – tecida e nutrida a uma desarmante tecnicidade, primorosa subtileza e magnetizante vistosidade – vem confirmar um elevado grau de maturação e cumplicidade instrumental nunca antes alcançado pelos espanhóis. Uma gloriosa, carnavalesca e caprichosa odisseia sensorial que nos atesta de um crescente fascínio e projecta pelos infindáveis firmamentos da vacuidade sideral. De visão vendada, cabeça rodopiante e alma atordoada, somos enfeitiçados e estimulados pela maestria de duas guitarras principescas e enigmáticas que se unificam na elevação e orientação de épicos, formosos e quiméricos riffs e se serpenteiam e galanteiam na exteriorização de solos rendilhados, hipnóticos e alucinados, um baixo dançante de linhas bafejantes, fluídas e pulsantes, uma bateria diligente que se conduz a uma ritmicidade altiva, dinâmica e criativa, e um mágico sintetizador que borrifa toda a atmosfera de ‘Pyramidal’ com uma aura celestial de idioma alienígena. É-me ainda importante destacar e elogiar as colaborações adicionais de um exótico saxofone que se perde e encontra por entre os seus ziguezagueantes, esquizofrénicos e delirantes bailados, e um violino que com os seus sedosos, apaziguantes e pomposos movimentos sobrevoa a atmosfera desta epopeica narrativa superiormente pensada e executada por Pyramidal. Chego ao final destes 47 minutos que balizam esta obra-prima hispânica de expectativa não só saciada como superada, e alma profundamente assombrada, absorta e conquistada por todo o requintado talento que ‘Pyramidal’ encerra. Estamos seguramente na honrosa presença de um dos álbuns portadores da beleza e destreza mais consumadas de 2019. Irretocável.

👨‍🚀 Sleep [USA Tour 2019]

Artwork: Dave Kloc

© Robert Crumb

🙏 OM [Kulturkirken JAKOB, 2019]

✌🏻 Grateful Dead // Human Be-In (1967)

★ Uncle Acid and the deadbeats - Runaway Girls

terça-feira, 14 de maio de 2019

🔌 Zig Zags - 'They'll Never Take Us Alive' (RidingEasy Records, 2019)

Review: ⚡ Vago Sagrado - 'Vol. III' (2019) ⚡

Da grande e populosa cidade-capital de Santiago (no Chile) chega-nos o novo e terceiro álbum do tridente Vago Sagrado. Oficialmente lançado no início de Março pela mão do selo discográfico peruano Necio Records sob a forma física de vinil (numa prensagem ultra-limitada a apenas 250 cópias existentes, produzidas em solo europeu e distribuídas a partir da Alemanha), este ‘Vol. III’ passeia o ouvinte pelas suas místicas, plácidas e idílicas paisagens sonoras tecidas, coloridas e desdobradas por um inebriante, sublime e delirante Shoegaze em harmoniosa consonância com um envolvente, hipnótico e viajante Krautrock, um carismático, empolgante e dançante Post-Punk à boa moda de uns Bauhaus, Killing Joke e Joy Division, e ainda um vibrante, alucinógeno e deslumbrante Neo-Psych de padrões revivalistas. A mágica e temulenta musicalidade deste terceiro capítulo – pertencente à fascinante odisseia principiada em 2015 por estes talentosos músicos chilenos – tem a capacidade de exorcizar a nossa consciência do solo terrestre e catapulta-la para as mais distantes costuras do Cosmos. Uma alternância mental que tanto nos eclipsa a alma e a unge de uma doce melancolia, como em nós faz florescer todo um adorável manto primaveril de cores berrantes, aromas quentes e luminosidade ofuscante. E é esta bipolaridade de ‘Vol. III’ que faz dele um álbum de natureza verdadeiramente intrigante, misteriosa e tocante. Uma evolutiva viagem de cariz introspectivo que nos conduz dos mais obscurecidos e soterrados abismos da existência humana aos mais elevados e ensolarados píncaros da alma. Deixem-se absorver e embriagar nas profundezas deste distorcido universo onírico ao volante de uma guitarra nutrida a lisergia que se manifesta em fascinantes, anestésicos e magnetizantes acordes de essência morfínica, e se transcende em borbulhantes, venenosos e atordoantes solos de lamacento psicadelismo, um baixo modorrento e sonolento de linhas desenhadas e bafejadas a uma reverberação ondulante, fluída e pulsante, uma emocionante bateria esporeada e locomovida a duas velocidades, e uma voz afagante, ecoante, profética e liderante (que oscila entre um Ian Curtis dos históricos Joy Division e um Brian McMahan dos míticos Slint). São estes os ingredientes elementares que em aliciante e erótica conjugação fazem deste novo trabalho de longa duração de Vago Sagrado, um registo verdadeiramente irresistível e impactante. Uma gloriosa ascensão que nos transporta do infortúnio ao triunfo em apenas 47 minutos de duração. Um disco impossível de passar despercebido aos ouvidos que nele ancorarem a sua atenção.

Links:
 Facebook
 Bandcamp
 Necio Records

sábado, 11 de maio de 2019

🌅 Tame Impala

⚔️ Hawkwind - 'Warrior on the Edge of Time'

Graveyard - "Right is Wrong" (2007)

© Maarten Donders

🕊 Robert Plant // Led Zeppelin

🍄 Alice in Fenderland!

👨🏻‍🚀 Sleep - 'The Sciences' [Roadburn Festival '19]

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Review: ⚡ Hibushibire - 'Turn On, Tune In, Freak Out' (2019) ⚡

Depois de em 2017 ter lançado o seu bombástico álbum de estreia (‘Freak Out Orgasm!’), o vulcão nipónico Hibushibire expele agora o segundo trabalho de longa duração designado de ‘Turn On, Tune In, Freak Out!’ e promovido nos formatos físicos de cassete e vinil pela mão do selo discográfico inglês Riot Season (com o qual a banda reforça o seu vínculo editorial). Baseado num explosivo, delirante, desvairado e inflamante Heavy Psych que combina o deslumbrante virtuosismo do icónico Jimi Hendrix, a titânica energia dos clássicos Blue Cheer e o experimentalismo sónico dos seus compatriotas Acid Mothers Temple, este novo álbum do power-trio oriental – sediado na cidade japonesa de Osaka – encerra uma intensa dosagem de um vistoso, electrizante e poderoso psicadelismo capaz de provocar no ouvinte uma estrondosa erupção de incontida euforia. A sua sonoridade saturada e inebriada por uma alucinante vertigem arremessa-nos para uma frenética e acrobática montanha-russa sem fim à vista. É à empolgante boleia de uma guitarra intratável que se revolve em furiosos, instigantes e vigorosos riffs e enlouquece em borbulhantes, gritantes, ácidos e atordoantes solos, um baixo reverberante de bafagem desenhada a uma densa e pesada pujança, uma excitante bateria de galope esporeado à rédea solta, e uma voz avinagrada, diabrina e destemperada que contrasta com o espesso negrume instrumental, que somos agredidos e exaltados pela transbordante adrenalina destilada por ‘Turn On, Tune In, Freak Out!’. Este segundo álbum de Hibushibire encerra uma potente, caótica e dominante explosividade da qual ninguém conseguirá sair ileso. Deixem que a sua sónica e desenfreada demência rasgue e consuma as vestes da vossa lucidez, e sintam-se disparar numa violenta e atordoante eclosão pela desmedida vacuidade do Cosmos sideral. Chego ao final dos 35 minutos de alma completamente pasmada e abalada pela imensa toxicidade que ‘Turn On, Tune In, Freak Out!’ conserva na sua essência. Uma verdadeira injecção de pura exultação que do primeiro ao derradeiro tema nos manterá tão para lá da gravidade terrestre. Absorvam-se neste fervoroso vómito (no sentido elogioso da palavra) de exuberante, embriagado e extravagante psicadelismo, e embarquem numa exótica odisseia de inspiração sessentista, liderada pelo mítico Timothy Leary e condimentada pela intensa lisergia do LSD.

Links:
 Facebook
 Bandcamp
 Riot Season

🎬 ReMastered: Devil at the Crossroads (2019)

quinta-feira, 9 de maio de 2019

🦇 Stacia Blake // Hawkwind

Nitzinger - "L.A. Texas Boy" (1972)

Review: ⚡ Papir - 'VI' (2019) ⚡

Devo confessar que para lá do álbum de estreia ‘Papir’ (via Red Tape, 2010) e do registo que perseguira o homónimo ‘Stundum’ (via El Paraiso Records, 2011) não mais consegui retirar dos seguintes álbuns de Papir o grande fascínio que a minha expectativa deles esperava exteriorizar. Ainda assim, foi de alma deslumbrada e olhar firmemente ancorado no palco do saudoso festival ribatejano Reverence Valada que no verão de 2016 experienciara ao vivo pela primeira e – até ao momento – única vez este adorável trio dinamarquês (review aqui). Mas hoje o meu entusiasmo apontado a Papir – depois de uma longa hibernação – acaba de despertar e reacender-se, e o único culpado dessa proeza intitula-se de ‘VI’. Tal como o nome sugere, ‘VI’ simboliza o sexto álbum de estúdio produzido por esta consumada formação nórdica localizada na cidade-capital de Copenhaga, e tem o seu lançamento integral e oficial agendado para o dia de amanhã (sexta-feira, 10 de Maio) pela mão da editora germânica Stickman Records (casa discográfica de prestigiadas referências como Elder, Motorpsycho, Weedpecker e King Buffalo) sob a forma física de CD e vinil. E se na primeira impressão retirada de ‘VI’ é-nos fácil reconhecer e apaladar um relaxante, edénico, bucólico e apaixonante Psych Rock de orientação e sensibilidade jazzística (a fazer lembrar Colour Haze, Causa Sui e Yawning Man), a fluída viagem sonora de Papir transporta-nos seguidamente para os místicos domínios de um magnetizante, lenitivo e deslumbrante Krautrock que muito subtilmente evolui para um dançante, robusto e empolgante Heavy Prog capaz de pôr à prova a firmeza da nossa sanidade mental. Bordada por repetitivas estruturas instrumentais que se amontoam e organizam entre si – criando uma rendilhada tapestria de hipnótica e delirante beleza – a sublime e sedutora musicalidade de ‘VI’ pendula-nos entre uma contemplativa e inebriante serenidade climatizada pela inércia e uma euforizante vertigem que nos embala num labiríntico vórtice. Uma onírica viagem de condução progressiva que nos envolve, ofusca e revolve. Deixem-se dissolver e embevecer nos enfeitiçantes acordes e ziguezagueantes solos tecidos por uma guitarra movimentada a uma simetria e polifonia verdadeiramente admiráveis, um baixo pulsante de linhas desenhadas a robustez, vivacidade e fluidez, uma bateria criativa e sofisticada de toque cintilante, requintado e chamejante que esculpe e lapida todas as digressões da guitarra, e um mágico sintetizador de misticismo ecoante e transbordante que confere a ‘VI’ toda uma endeusada aura celestial. Este é um álbum de natureza viajante e cinematográfica que arremessa o comum mortal para fora da sua órbita consciencial. Deixem-se hipnotizar e eterizar pela sua radiância cristalina, e testemunhem todo o desarmante portento de um dos álbuns mais cativantes forjados em 2019.

Links:
 Facebook
 Bandcamp
 Stickman Records

Freak Valley Festival 2018 [Aftermovie]

★ Frank Zappa ★