segunda-feira, 9 de março de 2026

Review: ⚡ Zepter - 'Zepter' (2026, High Roller Records) ⚡

★★★★★

Proveniente da cidade austríaca de Linz chega-nos a excitante fogosidade cuspida pelo jovem e irreverente quarteto Zepter, formado em 2024, que nos apresenta o seu electrizante, lustroso e impactante álbum de estreia com denominação homónima, carimbado pela companhia editorial germânica High Roller Records através dos formatos LP, CD, cassete e digital. Baseada num desenfreado, irado e implacável rolo compressor – locomovido por um transpirado, picante, excitado e alucinante Heavy Metal de clara inspiração tradicional e energia combativa, atrelado a um fogoso, melódico, atlético e libidinoso Hard Rock de açucarada saudade oitentista e postura altiva –, a condutora, galopante, relampejante e sedutora sonoridade de ‘Zepter’ pendula o ouvinte entre caramelizadas baladas de emoções condimentadas e endiabradas cavalgadas de esporas ensanguentadas. De alento colhido em clássicas referências como Iron maidenSaxonWitchfinder GeneralCirith UngolSaracenOstrogothUFO (da era Michael Schenker), Thin LizzyManilla RoadApril WineAngel Witch e Acid, este primeiro trabalho de longa duração da turma austríaca é alimentado a alta voltagem e acelerado a alta rotação. Um registo selvagem que enterra os seus longos e afiados caninos na nossa veia jugular e nos vê desmaiar, rendidos, nos seus braços. Um álbum forjado no fogo e marcado na nossa pele. São entusiásticos e epidémicos 35 minutos de inapagável combustão que nos incendeia e pontapeia de incontida euforia e boa disposição. Uma louca correria à empolgante boleia de duas predatórias guitarras siamesas que se perseguem a alta velocidade num turbulento galope de felinos, fervorosos, imperiosos e viperinos riffs desdobrados em catadupa e de onde esvoaçam selváticos enxames de vertiginosos, ziguezagueantes, estimulantes e aparatosos solos, um baixo musculado de linhas insufladas, sísmicas, graníticas e inflamadas, uma incansável e indomesticável bateria metralhada por ritmos instigantes, frenéticos, psicóticos e mirabolantes, e uma liderante voz de pele fresca, sedosa, harmoniosa e levemente rouquenha. A velocidade, a técnica e a autenticidade de mãos dadas numa viva e emocionante gritaria pelos encaracolados carris de uma atordoante montanha-russa. Uma injecção de pura adrenalina. Escaldante, estonteante, viciante e sensacional, ‘Zepter’ trata-se de um álbum verdadeiramente arrebatador, de espírito bravo e conquistador, que cravara uma flecha de cupido no meu tenro coração logo à primeira audição. Um irresistível disco de brilho apoteótico – de roupagem clássica e saturado por um dulcificado sentimento nostálgico – que nos senta confortavelmente ao volante de um barulhento Pontiac Firebird Trans Am de 1982, de vidros embaciados e motor ronronante, desbravando, sem destino, nevadas, solitárias e sinuosas estradas de montanha e acordando a fria noite de um inverno pincelado a azulada melancolia. Zepter é uma banda a não perder de vista.

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