domingo, 22 de dezembro de 2019

Review: ⚡ Visdom - 'White Heart' (2019) ⚡

Depois de já no distante ano de 2015 terem apresentado o seu álbum de estreia ‘Black Soul’, os germânicos Visdom – sediados na cidade de Mainz – lançam agora o seu incrível sucessor apelidado de ‘White Heart’ e formatado tanto em digital como vinil. Baseado num enérgico e renhido braço de ferro entre um musculado, harmonioso, ostentoso e torneado Heavy Blues de aroma revivalista e um poderoso, imponente, dinâmico e fogoso Heavy Rock de tração setentista que discretamente se aproxima dos territórios de um majestoso, galopante e imperioso Heavy Metal de raiz e cariz tradicionalista, este ‘White Heart’ equilibra-se por entre uma arrebatadora e sedutora melosidade que nos recolhe as pálpebras e esculpe um sorriso no rosto, e uma desarmante, vibrante e empolgante ferocidade que nos pontapeia o ritmo cardíaco e destrava violentamente a cabeça na sua alucinante perseguição. De inspirações apontadas aos clássicos britânicos Wishbone Ash, Black Sabbath, Deep Purple e aos contemporâneos suecos Graveyard, a requintada, melódica e fibrada sonoridade deste talentoso colectivo alemão expressa-se de uma tal forma exuberante, emocionante e eloquente, que me cativara e empolgara do primeiro ao derradeiro tema. São 29 minutos inteiramente apimentados, chamejados e norteados por uma fineza, nobreza e simetria consumadas que nos aguçam e empolam os sentidos, e revestem a alma de uma pesada e profunda fascinação. Superiormente pensado e executado por duas primorosas guitarras gémeas que se agigantam e embevecem em apaixonantes, grandiosos, caprichosos e triunfantes Riffs que imediatamente nos remetem para fabulosas narrativas trazidas da idade média, e se entrançam e envaidecem em dialogantes, excêntricos, aristocráticos e serpenteantes solos de beleza e destreza sublimes, um sombreado baixo balanceado a linhas volumosas, espessas, ondeantes e rumorosas, um litúrgico e carismático teclado Jon Lord’eano de extravagantes, pomposos e gloriosos bailados, uma cavalgante, combativa e incessante bateria locomovida a sensibilidade, sagacidade, avidez e tecnicidade, e ainda por uma erótica voz de tonalidade oleosa, calorosa, áspera e melodiosa que se incendeia e formoseia de forma livre e graciosa por toda a atmosfera deste estupendo álbum, ‘White Heart’ adjectiva-se como um registo inteiramente lavrado à minha imagem, que apenas peca pela sua curta duração. Todos os ingredientes sonoros são colocados no tempo e porção certos. Deixem-se intrigar, enamorar e euforizar pela vulcânica lubricidade hasteada pelos Visdom, e experienciem com destravada, intensa e emocionada extroversão todo o vistoso e portentoso esplendor de um álbum irretocável, que figurará seguramente por entre os mais elogiados e premiados registos nascidos no presente ano de 2019.

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