2015 ainda se espreguiça
pelo ano de 2016 adentro. Foi de tal forma um ano de desmesurada produtividade
musical que alguns dos álbuns nascidos durante período serão desvendados e
falados apenas em 2016 (como acontece concretamente com este exemplo). Cloud Catcher teve em mim um efeito
demasiado impactante que me capturara logo à primeira audição. O jovem power-trio natural da cidade
norte-americana de Denver (no
Colorado) brindou todos os fiéis seguidores do Heavy Psych com o seu euforizante “Enlightened Beyond Existence”.
Este disco de alma cedida ao Hard Rock
setentista e com imediatas alusões ao Heavy
Psych praticado na costa californiana (bastante similar à banda natural de
San Diego Joy) representa uma
estonteante e enérgica dose de exaltação que nos obriga a vivenciá-lo de forma
imoderadamente extravagante. Alicerçado a riffs
tremendamente electrizantes e delirantes, conduzidos com petrificante e
alucinante vaidade, este “Enlightened Beyond Existence” encerra
uma das performances instrumentais mais soberbas do género. São mais de 40
minutos de constante excitação que nos perturba e endoidece. Impregnem-se na
perfumada guitarra de riffs empolgantes
e solos vertiginosos que se distendem numa fecundante e orgiástica manifestação,
sintam a pesada vibração de um baixo dançante de linhas robustas e hipnóticas,
agitem-se perante as entusiásticas divagações de uma bateria acrobática e arrebatadoramente
ritmada que com firmeza e emoção cavalga e domina todo este intenso orgasmo
sonoro, e escutem a voz lúcida e penetrante que pontualmente se passeia pela
fascinante atmosfera de “Enlightened Beyond Existence” entrelaçando-se
de forma admirável com a harmonia instrumental. A mágica consonância entre os
três instrumentos eleva-nos a um extasiante estádio mental do qual não
desejamos regressar. Agitem-se prazerosamente ao som desta possante descarga de
psicadelismo embriagante e cheguem ao fim do disco completamente anestesiados
pela intoxicante nebulosidade que este emana. Este é um dos grandes discos do
passado ano de 2015 e um registo de audição obrigatória a todos os amantes do
género.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Godsground - "Mosquitoes" EP (2014)
Acabo de receber o EP em formato físico dos germânicos Godsground chamado “Mosquitoes” (o qual
agradeço desde já). Gravado em 2014 nos estúdios da Dreamsound Studios (em
Munique), este disco encerra a pujante e vibrante mistura entre o Stoner Rock e o Grunge Rock resultando numa conciliável parceria que nos provoca um
constante alvoroço. A sua sonoridade enérgica, orgânica e monolítica
agiganta-se perante os nossos impotentes espíritos, dominando-os do primeiro ao
derradeiro tema. Enfrentem uma guitarra fibrótica de riffs cáusticos, torneados e rochosos, um baixo de linhas maciças e
bailantes, uma bateria explosiva de investidas dinâmicas e uma voz bem
temperada que casa na perfeição com todos os momentos de “Mosquitoes”. Destaco
ainda o brilhantismo do artwork traçado
por Sebastian Jerke (My Sleeping Karma, Colour Haze, Greenleaf, Monster Magnet, John Garcia,...) que faz da edição física um verdadeiro requinte. Este disco
representa uma verdadeira injecção de adrenalina que nos instiga a vivenciá-lo
de forma extravagante e convulsiva. Vem ainda amadurecer a ideia de que a
sujidade ligada ao Grunge Rock e o músculo
associado ao Stoner Rock são dois
elementos que em consonância resultam numa ode ao culturismo musical. Sintam
esta pesada reverberação conduzida com destreza e entusiasmo. “Mosquitoes”
é um disco que merece ser ouvido sem distracções. Euforizem-se n’Ele.
domingo, 3 de janeiro de 2016
Vircator - "At the Void's Edge" (2016)
Foi neste dia grisalho, frio
e chuvoso que o primeiro álbum de Vircator
saiu à rua. “At the Void’s Edge” assinala o primeiro trabalho de longa
duração do jovem quarteto natural da cidade de Viana do Castelo e a sua sonoridade representa um dos mais quentes
e confortáveis agasalhos para este Inverno que emoldura os nossos corpos. Sustentados
por um Post Rock estimulante e afectuoso
conexo ao viajante Space Rock e ao delirante
Psychedelic Rock, os Vircator são hoje uma referência
nacional dentro destes géneros e a sua legião de seguidores amplia de forma
natural. Gravado no Hertzcontrol Studio no início do passado mês de Dezembro, este “At
the Void’s Edge” encerra uma estarrecedora e lenitiva explanação sonora
que nos envolve e acaricia do primeiro ao último tema. Uma odisseia onírica que
nos obriga a vivenciá-la de sorriso golpeado no rosto e olhos cerrados,
deixando que a musicalidade de Vircator nos conduza pelos seus fascinantes horizontes
que se renovam infinitamente pelas estradas espaciais. Atentem as guitarras
bocejantes, deslumbrantes e contemplativas que se perdem e encontram nos seus sedosos
acordes e solos fecundantes, o baixo murmurante de constante sombreamento que
se passeia harmoniosamente por toda esta profusão sensorial, e a admirável bateria
de investidas dinâmicas e estimulantes que nos provoca uma firme e prazerosa
agitação. Este é um trabalho surpreendente tocado pela criatividade e sensibilidade
que nos respira e incita à levitação espiritual, fazendo da nossa consciência
um verdadeiro navio à deriva no imenso oceano cósmico. Deixem que toda esta
fragância auditiva vos abrace, massaje e liberte pelas vias astrais. “At
the Void’s Edge” é um álbum de atmosfera imensamente hipnótica e
sedutora que nos vence e convence. Uma das bandas-sonoras mais apaixonantes do
Inverno está aqui, no mais recente trabalho dos minhotos Vircator.
sábado, 2 de janeiro de 2016
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Subscrever:
Mensagens (Atom)

























