quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Cloud Catcher - "Enlightened Beyond Existence" (2015)

2015 ainda se espreguiça pelo ano de 2016 adentro. Foi de tal forma um ano de desmesurada produtividade musical que alguns dos álbuns nascidos durante período serão desvendados e falados apenas em 2016 (como acontece concretamente com este exemplo). Cloud Catcher teve em mim um efeito demasiado impactante que me capturara logo à primeira audição. O jovem power-trio natural da cidade norte-americana de Denver (no Colorado) brindou todos os fiéis seguidores do Heavy Psych com o seu euforizante “Enlightened Beyond Existence”. Este disco de alma cedida ao Hard Rock setentista e com imediatas alusões ao Heavy Psych praticado na costa californiana (bastante similar à banda natural de San Diego Joy) representa uma estonteante e enérgica dose de exaltação que nos obriga a vivenciá-lo de forma imoderadamente extravagante. Alicerçado a riffs tremendamente electrizantes e delirantes, conduzidos com petrificante e alucinante vaidade, este “Enlightened Beyond Existence” encerra uma das performances instrumentais mais soberbas do género. São mais de 40 minutos de constante excitação que nos perturba e endoidece. Impregnem-se na perfumada guitarra de riffs empolgantes e solos vertiginosos que se distendem numa fecundante e orgiástica manifestação, sintam a pesada vibração de um baixo dançante de linhas robustas e hipnóticas, agitem-se perante as entusiásticas divagações de uma bateria acrobática e arrebatadoramente ritmada que com firmeza e emoção cavalga e domina todo este intenso orgasmo sonoro, e escutem a voz lúcida e penetrante que pontualmente se passeia pela fascinante atmosfera de “Enlightened Beyond Existence” entrelaçando-se de forma admirável com a harmonia instrumental. A mágica consonância entre os três instrumentos eleva-nos a um extasiante estádio mental do qual não desejamos regressar. Agitem-se prazerosamente ao som desta possante descarga de psicadelismo embriagante e cheguem ao fim do disco completamente anestesiados pela intoxicante nebulosidade que este emana. Este é um dos grandes discos do passado ano de 2015 e um registo de audição obrigatória a todos os amantes do género.

Cheers Lemmy!

1968 Dodge Charger R/T

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Godsground - "Mosquitoes" EP (2014)

Acabo de receber o EP em formato físico dos germânicos Godsground chamado “Mosquitoes” (o qual agradeço desde já). Gravado em 2014 nos estúdios da Dreamsound Studios (em Munique), este disco encerra a pujante e vibrante mistura entre o Stoner Rock e o Grunge Rock resultando numa conciliável parceria que nos provoca um constante alvoroço. A sua sonoridade enérgica, orgânica e monolítica agiganta-se perante os nossos impotentes espíritos, dominando-os do primeiro ao derradeiro tema. Enfrentem uma guitarra fibrótica de riffs cáusticos, torneados e rochosos, um baixo de linhas maciças e bailantes, uma bateria explosiva de investidas dinâmicas e uma voz bem temperada que casa na perfeição com todos os momentos de “Mosquitoes”. Destaco ainda o brilhantismo do artwork traçado por Sebastian Jerke (My Sleeping Karma, Colour Haze, Greenleaf, Monster Magnet, John Garcia,...) que faz da edição física um verdadeiro requinte. Este disco representa uma verdadeira injecção de adrenalina que nos instiga a vivenciá-lo de forma extravagante e convulsiva. Vem ainda amadurecer a ideia de que a sujidade ligada ao Grunge Rock e o músculo associado ao Stoner Rock são dois elementos que em consonância resultam numa ode ao culturismo musical. Sintam esta pesada reverberação conduzida com destreza e entusiasmo. “Mosquitoes” é um disco que merece ser ouvido sem distracções. Euforizem-se n’Ele.

Dorthia Cottrell | Windhand

Lisa Alley | The Well

domingo, 3 de janeiro de 2016

Brant Bjork

© Kurt Prinz

Vircator - "At the Void's Edge" (2016)

Foi neste dia grisalho, frio e chuvoso que o primeiro álbum de Vircator saiu à rua. “At the Void’s Edge” assinala o primeiro trabalho de longa duração do jovem quarteto natural da cidade de Viana do Castelo e a sua sonoridade representa um dos mais quentes e confortáveis agasalhos para este Inverno que emoldura os nossos corpos. Sustentados por um Post Rock estimulante e afectuoso conexo ao viajante Space Rock e ao delirante Psychedelic Rock, os Vircator são hoje uma referência nacional dentro destes géneros e a sua legião de seguidores amplia de forma natural. Gravado no Hertzcontrol Studio no início do passado mês de Dezembro, este “At the Void’s Edge” encerra uma estarrecedora e lenitiva explanação sonora que nos envolve e acaricia do primeiro ao último tema. Uma odisseia onírica que nos obriga a vivenciá-la de sorriso golpeado no rosto e olhos cerrados, deixando que a musicalidade de Vircator nos conduza pelos seus fascinantes horizontes que se renovam infinitamente pelas estradas espaciais. Atentem as guitarras bocejantes, deslumbrantes e contemplativas que se perdem e encontram nos seus sedosos acordes e solos fecundantes, o baixo murmurante de constante sombreamento que se passeia harmoniosamente por toda esta profusão sensorial, e a admirável bateria de investidas dinâmicas e estimulantes que nos provoca uma firme e prazerosa agitação. Este é um trabalho surpreendente tocado pela criatividade e sensibilidade que nos respira e incita à levitação espiritual, fazendo da nossa consciência um verdadeiro navio à deriva no imenso oceano cósmico. Deixem que toda esta fragância auditiva vos abrace, massaje e liberte pelas vias astrais. “At the Void’s Edge” é um álbum de atmosfera imensamente hipnótica e sedutora que nos vence e convence. Uma das bandas-sonoras mais apaixonantes do Inverno está aqui, no mais recente trabalho dos minhotos Vircator.