segunda-feira, 1 de junho de 2026

Review: 🌈 Kronstad 23 - 'Dødehavet' (2026, Batov Records) 🌈


★★★★★

Da cidade norueguesa de Bergen chega-nos o terceiro álbum de estúdio do talentoso, fascinante e engenhoso quarteto Kronstad 23, intitulado ‘Dødehavet’, captado em analógico e carimbado pelo selo discográfico londrino Batov Records. Cercados por altas montanhas rochosas e profundos fiordes, estes dotados, criativos e assanhados jazz-cats têm neste seu recém-nascido ‘Dødehavet’ um sensacional, apaziguante, apaixonante e cerimonial registo aureolado por um meditativo, mântrico, caravânico e curativo Spiritual-Jazz, oxigenado por um místico, exótico, hipnótico e ritualístico Ethio-Jazz, colorido por um bronzeado, dançante, contagiante e transpirado Jazz-Funk, condimentado por um enfeitiçante, ensolarado, relaxado e deslumbrante Psychedelic Rock e arejado por um pastoral, rústico, delicado e ambiental Folk de inimitável beleza escandinava. Tribal, imersivo, lenitivo e tropical, ‘Dødehavet’ constrói no imaginário do ouvinte um consumado paraíso virginal. De pés soterrados nas douradas areias de uma praia deserta – beijados lentamente pela fresca espuma do oceano –, olhar anestesiado, perdido e encontrado no distante rebentamento das ondas, rosto aquecido e avermelhado pelo ardente bafo solar, pele refrescada pela salgada e leve brisa suspirada pelo mar, e lábios mergulhados num frutado, gélido e açucarado cocktail, somos seduzidos, conduzidos e extasiados pela psicotrópica radiância de Kronstad 23. De inspiração colhida em nomes como Mulatu Astatke, Alice Coltrane, Gábor Szabó, Grateful Dead, Tommy Guerrero, Causa Sui e Glass Beams, a cinematográfica, expressiva, reflexiva e camaleónica sonoridade de ‘Dødehavet’ estaciona o ouvinte num inamovível estádio de sonolência embriagada que o conserva do primeiro ao derradeiro tema. São 35 minutos de um profundo encantamento que nos encapsula, uma doce fragância que nos faz descair as pálpebras e um ataráxico misticismo que nos massaja o cerebelo. Na vistosa embarcação sonora destes vikings dialogam harmoniosamente entre si uma faustosa guitarra de dulcificados serpenteios e solos avinagrados, um onírico teclado de românticos bailados, um pulsante baixo de linhas encorpadas, uma bateria tribalista de pulso Afrobeat e ritmos apimentados, um extravagante saxofone de sopros aveludados e uma refinada sitar de sagrada caligrafia. ‘Dødehavet’ é um álbum radioso, afrodisíaco, eucarístico e sumptuoso que nos pincela a alma com inflamadas cores crepusculares. Um paraíso divinal onde nos recostamos e deleitamos. Um arco-íris de boas sensações. Esta é a banda-sonora perfeita para emoldurar o verão que se avizinha. Atravessem, exultantes e maravilhados, os arborizados, irrigados e verdejantes desertos de Kronstad 23, escoltados e farolizados pela sua música de natureza sacramental.

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 Batov Records