Confesso que já ressacava
por um disco assim. “Typhaon” foi um caso de amor à primeira audição, e desde então
este sentimento que lhe dedico não tem conhecido o mais discreto abrandamento.
Lançado no verão de 2015 pelo power-trio
germânico Typhaon, este trabalho de
estreia da jovem banda aprisiona um aromático Psych Rock embrulhado num Space
Rock deliciosamente atmosférico. Estes dois géneros coabitam intimamente
entre si transpirando um sublime e inebriante odor sonoro que nos seduz com
extrema espontaneidade. A sua narrativa sonora pendula entre desertos de areias
douradas e fervilhantes onde o sol se espreguiça e paisagens astrais que nos
convidam ao profundo mergulho cósmico. “Typhaon” tem em nós um efeito verdadeiramente
anestésico que nos induz a um estado nirvânico. A sua tranquilizante e
meditativa ondulação leva a nossa consciência narcotizada a desaguar nas
paradisíacas praias da ataraxia. Deixem-se impregnar em todo este prazer via
auditivo propagado por uma guitarra endeusada de deslumbrantes e viscerais riffs de sonância oriental, e
desarmantes e estimulantes solos que nos afagam do primeiro ao último tema.
Sussurrem para vocês mesmos as soberbas e dançantes linhas de um baixo pulsante
e hipnótico que veleja todo este oceano de leviandade com destacada vaidade.
Baloicem os vossos corpos ao som de uma bateria deliciosamente conduzida que
desprende magia em todas as suas incursões. A beleza de “Typhaon” é de tal forma
atraente e petrificante que quase nos esquecemos de respirar. Este é um dos grandes
e singulares discos da minha vida. Comunguem este psicadelismo de contornos
étnicos, hasteiem as velas da vossa alma e deixem que os encantadores e
alucinogénios ventos de Typhaon a
conduzam rumo a uma das odisseias espirituais mais extasiantes da vossa
existência.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Serpent - "Nekromant" (2015)
Apesar de vivenciarmos o
ainda juvenil ano de 2016, é o ano de 2015 que continua a merecer o maior protagonismo
no que diz respeito a lançamentos musicais. Desta vez falo-vos do mais recente
trabalho do power-trio sueco Serpent chamado “Nekromant” (lançado dia
18 de Dezembro de 2015 pela mão da Transubstans
Records). Este álbum traz-nos um galopante e exaltante Heavy Psych oleado pelo robusto e elegante Hard Rock setentista de
ares Doom’escos. São 43 minutos de riffs musculosos e torneados que nos
vergastam a consciências com a sua poderosa reverberação. Inflamem-se ao som de
uma guitarra endiabrada que se agiganta na atmosfera de “Nekromant” com os seus riffs monolíticos e inquisidores e solos
verdadeiramente alucinantes que nos serpenteiam e endoidecem. Sintam as trovejantes,
densas, obscuras e vibrantes linhas de um baixo dominante que robustece toda esta
ambiência sonora com a sua dança groove’sca e vigorosa. Soltem a cabeça na
intensa e hipnótica perseguição a uma bateria explosiva e dinâmica que cavalga “Nekromant”
com emoção e habilidade. Deliciem-se com a voz aveludada, perfumada e enérgica –
de contornos ancestrais – que se entranha de forma perfeita nesta aspereza e
pujança instrumental. Este é um disco de conquista imediata. Um disco de
sonoridade imensamente estimulante que aviva o nosso ritmo cardíaco e nos obriga
a uma resposta efusiva do primeiro ao último tema. Enfrentem como puderem toda
esta colossal descarga de riffs
portentosos e chocantes que nos arrasam e sacodem sem qualquer moderação. Este
álbum representa uma das conciliações musicais mais brilhantes entre o peso e o
movimento. Cervejas ao alto, o nosso coração está em “Nekromant”.
domingo, 10 de janeiro de 2016
sábado, 9 de janeiro de 2016
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Kapitan Bongo - "Skibi" (2015)
É justo começar por dizer
que não fosse o facto de “SKIBI” ter sido lançado no
derradeiro suspiro de 2015 (tendo escapado em tempo útil ao meu radar) e
certamente faria parte dos 40 contemplados que elegera para representar o que
de melhor acontecera no passado ano musical. Oriundo da capital polaca (Varsóvia) este quarteto denominado Kapitan Bongo aponta os seus
instrumentos para o Stoner Rock
revigorante e encorpado, com indiscretos chamamentos ao Psych Doom denso e arrastado e ao Space Rock viandante e sonolento (no sentido elogioso da palavra). “SKIBI”
representa uma autêntica odisseia que se distende do mais ardente e radioso
deserto ao mais gélido, distante e tenebroso lugar no Cosmos. São 57 minutos de
consciência ancorada a um constante e profundo estado de sedação e lisergia que
nos massaja o cérebro e nos veleja pelos negros, densos e enrugados lençóis
cósmicos. Eclodam rumo ao lado eclipsado do Sol à boleia de uma guitarra
infinitamente estimulante de solos paralisantes e riffs inquisidores, um baixo OM’esco
de murmúrios contemplativos, baloiçantes e hipnóticos, e uma bateria fascinante
que tiquetaqueia com entusiasmo todos os momentos do disco. Num papel complementar
estão ainda um djambé tribalístico, um sintetizador de ondulações magnéticas e
uma voz de sonâncias contrastadas (tanto áspera e gutural quanto macia e
nebulosa). “SKIBI” é uma complexa e enigmática ambulação explorada com uma
estarrecedora sensibilidade que nos deixa de cabeça empoeirada num intenso viveiro
estelar. A sua narrativa musical leva-nos a vivenciar verdadeiros estádios de
pura tranquilidade e ataraxia que nos extasiam, assim como fases de fervilhante
comoção que nos agitam e detonam. Este álbum provocara em mim uma das mais
deslumbrantes transcendências que me recordo de experienciar. Deixem-se seduzir
e conduzir pelos Kapitan Bongo nesta
jornada astral de firmamentos desdobráveis.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
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