quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Typhaon - "Typhaon" (2015)

Confesso que já ressacava por um disco assim. “Typhaon” foi um caso de amor à primeira audição, e desde então este sentimento que lhe dedico não tem conhecido o mais discreto abrandamento. Lançado no verão de 2015 pelo power-trio germânico Typhaon, este trabalho de estreia da jovem banda aprisiona um aromático Psych Rock embrulhado num Space Rock deliciosamente atmosférico. Estes dois géneros coabitam intimamente entre si transpirando um sublime e inebriante odor sonoro que nos seduz com extrema espontaneidade. A sua narrativa sonora pendula entre desertos de areias douradas e fervilhantes onde o sol se espreguiça e paisagens astrais que nos convidam ao profundo mergulho cósmico. “Typhaon” tem em nós um efeito verdadeiramente anestésico que nos induz a um estado nirvânico. A sua tranquilizante e meditativa ondulação leva a nossa consciência narcotizada a desaguar nas paradisíacas praias da ataraxia. Deixem-se impregnar em todo este prazer via auditivo propagado por uma guitarra endeusada de deslumbrantes e viscerais riffs de sonância oriental, e desarmantes e estimulantes solos que nos afagam do primeiro ao último tema. Sussurrem para vocês mesmos as soberbas e dançantes linhas de um baixo pulsante e hipnótico que veleja todo este oceano de leviandade com destacada vaidade. Baloicem os vossos corpos ao som de uma bateria deliciosamente conduzida que desprende magia em todas as suas incursões. A beleza de “Typhaon” é de tal forma atraente e petrificante que quase nos esquecemos de respirar. Este é um dos grandes e singulares discos da minha vida. Comunguem este psicadelismo de contornos étnicos, hasteiem as velas da vossa alma e deixem que os encantadores e alucinogénios ventos de Typhaon a conduzam rumo a uma das odisseias espirituais mais extasiantes da vossa existência. 

Sabbath Fuzz'y Sabbath


Aluga-se máquina do tempo!


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Earthless de volta à estrada!


Serpent - "Nekromant" (2015)

Apesar de vivenciarmos o ainda juvenil ano de 2016, é o ano de 2015 que continua a merecer o maior protagonismo no que diz respeito a lançamentos musicais. Desta vez falo-vos do mais recente trabalho do power-trio sueco Serpent chamado “Nekromant” (lançado dia 18 de Dezembro de 2015 pela mão da Transubstans Records). Este álbum traz-nos um galopante e exaltante Heavy Psych oleado pelo robusto e elegante Hard Rock setentista de ares Doom’escos. São 43 minutos de riffs musculosos e torneados que nos vergastam a consciências com a sua poderosa reverberação. Inflamem-se ao som de uma guitarra endiabrada que se agiganta na atmosfera de “Nekromant” com os seus riffs monolíticos e inquisidores e solos verdadeiramente alucinantes que nos serpenteiam e endoidecem. Sintam as trovejantes, densas, obscuras e vibrantes linhas de um baixo dominante que robustece toda esta ambiência sonora com a sua dança groove’sca e vigorosa. Soltem a cabeça na intensa e hipnótica perseguição a uma bateria explosiva e dinâmica que cavalga “Nekromant” com emoção e habilidade. Deliciem-se com a voz aveludada, perfumada e enérgica – de contornos ancestrais – que se entranha de forma perfeita nesta aspereza e pujança instrumental. Este é um disco de conquista imediata. Um disco de sonoridade imensamente estimulante que aviva o nosso ritmo cardíaco e nos obriga a uma resposta efusiva do primeiro ao último tema. Enfrentem como puderem toda esta colossal descarga de riffs portentosos e chocantes que nos arrasam e sacodem sem qualquer moderação. Este álbum representa uma das conciliações musicais mais brilhantes entre o peso e o movimento. Cervejas ao alto, o nosso coração está em “Nekromant”.

Cortesia dos Big Red Panda!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Sleep - "The Clarity" & "Dragonaut" (Chicago, 2014)


Desert Realm

All Them Witches

Kapitan Bongo - "Skibi" (2015)

É justo começar por dizer que não fosse o facto de “SKIBI” ter sido lançado no derradeiro suspiro de 2015 (tendo escapado em tempo útil ao meu radar) e certamente faria parte dos 40 contemplados que elegera para representar o que de melhor acontecera no passado ano musical. Oriundo da capital polaca (Varsóvia) este quarteto denominado Kapitan Bongo aponta os seus instrumentos para o Stoner Rock revigorante e encorpado, com indiscretos chamamentos ao Psych Doom denso e arrastado e ao Space Rock viandante e sonolento (no sentido elogioso da palavra). “SKIBI” representa uma autêntica odisseia que se distende do mais ardente e radioso deserto ao mais gélido, distante e tenebroso lugar no Cosmos. São 57 minutos de consciência ancorada a um constante e profundo estado de sedação e lisergia que nos massaja o cérebro e nos veleja pelos negros, densos e enrugados lençóis cósmicos. Eclodam rumo ao lado eclipsado do Sol à boleia de uma guitarra infinitamente estimulante de solos paralisantes e riffs inquisidores, um baixo OM’esco de murmúrios contemplativos, baloiçantes e hipnóticos, e uma bateria fascinante que tiquetaqueia com entusiasmo todos os momentos do disco. Num papel complementar estão ainda um djambé tribalístico, um sintetizador de ondulações magnéticas e uma voz de sonâncias contrastadas (tanto áspera e gutural quanto macia e nebulosa). “SKIBI” é uma complexa e enigmática ambulação explorada com uma estarrecedora sensibilidade que nos deixa de cabeça empoeirada num intenso viveiro estelar. A sua narrativa musical leva-nos a vivenciar verdadeiros estádios de pura tranquilidade e ataraxia que nos extasiam, assim como fases de fervilhante comoção que nos agitam e detonam. Este álbum provocara em mim uma das mais deslumbrantes transcendências que me recordo de experienciar. Deixem-se seduzir e conduzir pelos Kapitan Bongo nesta jornada astral de firmamentos desdobráveis.