sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Review: ⚡ River Cult - 'Halcyon Daze' (2018) ⚡

De Brooklyn (Nova York, EUA) chega-nos o primeiro álbum de estúdio do tridente ofensivo River Cult designado ‘Halcyon Daze’. Lançado hoje mesmo nos formatos físicos de CD, cassete (via Blackseed Records) e vinil (via Nasoni Records), este fabuloso álbum de estreia prende um enigmático, delirante, sombrio e cósmico Heavy Psych aliado a um denso, poderoso, pausado e corpulento Psych Doom que nos enevoa, narcotiza e sepulta no profundo negrume do solo espacial. A sua sonoridade – incendiada em efeito fuzz - intensamente fascinante, morfínica, hipnótica e intoxicante causa em nós todo um efeito redentor que nos desamarra a consciência e a propaga pelos mais soturnos, gélidos e inóspitos domínios do Cosmos embriagado. É numa constante, adorável e ofuscante dança pendular que tanto nos afoga, asfixia e entorpece numa assombrosa, despótica e impiedosa cavalgada pelos pardacentos, espessos e lamacentos prados Doom’escos como nos absorve, atesta e euforiza de uma adrenalina febril vaporizada pelo lado mais arrebatador e empolgante do psicadelismo astral, que este majestoso ‘Halcyon Daze’ se ostenta e enaltece. Aspirem toda esta narcotizante bruma estelar e sintam-se naufragar pelos lisérgicos oceanos da infinidade sideral ao enigmático som de uma guitarra prodigiosa que se revigora em riffs musculados, esotéricos, vagarosos e ensombrados, e se esgota e dissipa em solos verdadeiramente alucinantes, corrosivos, distorcidos e estimulantes, um baixo trovejante de linhas maciças, magnetizantes, arrastadas e intimidantes, uma voz colérica e ecoante de rugidos violentos, ásperos e mordazes, e uma bateria enérgica, turbulenta e explosiva – de investidas cativantes, dinâmicas e ardentes – que esporeia e apimenta toda esta épica e inesquecível odisseia pela inebriante majestosidade de River Cult. Confesso que ‘Halcyon Daze’ foi-me uma experiência de reverência à primeira audição. Um impacto colossal que deixara em mim uma profunda e incurável cratera. Deixem-se dissolver no admirável universo que climatiza este imponente ‘Halcyon Daze’ e enfrentem destemidamente um dos registos mais altivos, notáveis e poderosos do ano. Não vai ser nada fácil regressar dele.

🏁 Fu Manchu - 'Clone of the Universe' (2018)

🤩 Earthless confirmados no SonicBlast Moledo 2018 🤩

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Anthony Meier // Radio Moscow

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Fu Manchu - I've Been Hexed (2018)

Pink Floyd - Atom Heart Mother (St. Tropez, 1970)

📀 Naxatras - 'III' (16-02-2018)

🎹 Jon Lord // Deep Purple

Review: ⚡ Ozone Mama - 'Cosmos Calling' (2018) ⚡

Da cidade de Budapeste (Húngria) chega-nos o terceiro e novo álbum do poderoso quarteto Ozone Mama chamado ‘Cosmos Calling’. Lançado no passado mês de Janeiro pela mão do selo discográfico californiano Ripple Music nos formatos físicos de CD e vinil, este novo registo da banda húngara escuda-se num elegante, tirânico e empolgante Hard Rock de essência setentista em erótica cumplicidade com um oleado, atraente e arrojado Southern Rock que se ostenta por entre a forte robustez e a apaixonante melosidade. A sua enérgica, agradável e provocante sonoridade – de encantadoras variações rítmicas - conjuga na perfeição a pujança e o vigor com a doce e requintada harmonia, numa adorável combinação sonora capaz de nos inebriar, prender e fascinar do primeiro ao último tema. São cerca de 43 minutos climatizados e conduzidos por uma altiva e opulenta guitarra que se manifesta em majestosos, primorosos, notáveis e charmosos riffs que desaguam em refinados, exuberantes, vistosos e arrebatadores solos, um baixo errante de linhas pulsantes, bailantes, hipnóticas e reverberantes, uma bateria acrobática de impactante, dinâmica, inventiva e euforizante orientação rítmica, e ainda uma voz imponente, melódica, doce e glamorosa – regada e temperada a whiskey – que conjuga na perfeição com a virilidade instrumental. ‘Cosmos Calling’ é um álbum verdadeiramente esplendoroso que nos intriga, namora e instiga com espantosa facilidade. Um registo desmesuradamente extraordinário que ilustra condignamente toda a potência, simetria e subtileza de Ozone Mama. Deixem-se enfeitiçar, envolver e entusiasmar pela caprichosa, magnífica e deleitosa musicalidade de ‘Cosmos Calling’ e testemunhem a grandiosa eclosão de um dos mais luxuosos álbuns lançados até ao momento em 2018.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Kadavar

🍁 Hällas - "Autumn in Space" (2015)

Review: ⚡ Pastels - 'The Snake King' EP (2018) ⚡

Da cidade portuária de Geelong (Victoria, Austrália) chega-nos o fabuloso EP de estreia da jovem banda Pastels denominado ‘The Snake King’. Este auspicioso registo brinda e prazenteia o ouvinte com um fascinante, afável, agradável e relaxante Psych Rock de ares veraneios em deliciosa harmonia com um elegante, meloso, majestoso e hipnotizante Blues de essência intoxicante. A sua sonoridade ensolarada, deslumbrante e narcotizada – aureolada e condimentada por uma intensa ambiência idílica – causa em nós toda uma estarrecedora, imperturbável e duradoura sensação de bem-estar que nos embacia, envolve e acaricia do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 26 minutos conduzidos a ternura, volúpia e requinte que nos ofuscam com a sua etérea e inebriante radiância. Deixem-se esvaziar de lucidez e atestar de um nebuloso encantamento ao combinado som de uma guitarra sonhadora que se embeleza em esplendorosos, sublimes e prazerosos acordes, e se esgota em sumptuosos, irretocáveis e fogosos solos, um baixo pulsante, robusto e magnetizante de linhas murmurantes, torneadas e dançantes que mareia e capitaneia este lisérgico oceano, uma bateria maviosa e relaxante de toque delicado, polido e comovente, um sintetizador polvilhado de matéria estelar que se transcende e envaidece por entre bailados fantasiosos, exuberantes e viscerais, e ainda uma voz vistosa, sóbria e cavalheiresca que - na sedutora e harmoniosa parceria com uma outra voz de feições cristalinas, amenas e divinas - confere a este ‘The Snake King’ todo um cunho de imaculada e inatacável formosura que nos abraça, sufoca e atordoa sem qualquer inibição. Sintam-se desvanecer num extasiante desmaio que vos canalizará numa admirável odisseia pelas exóticas e morfínicas paisagens sonoras de Pastels e vivenciem demorada e apaixonadamente toda a insuperável majestosidade transpirada de um dos mais refinados e notáveis EP’s lançados este ano.

🌌 Hazy Storm

Dylan Carlson | Earth (2015)