sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

✠ Lemmy Kilmister // Motörhead ✠

🖤 Patti Smith (New York City, 1978)

📸 Ebet Roberts

Review: ⚡ Khruangbin & Leon Bridges - 'Texas Sun‘ EP (2020) ⚡

O peculiar e já muito popular tridente texano Khruangbin – em parceria com o afamado cantor e compositor de Soul, Blues e Jazz, seu conterrâneo, Leon Bridges – acaba de lançar oficialmente o seu muito ansiado novo EP apelidado de ‘Texas Sun’ e devidamente promovido nos formatos físicos de CD e vinil pela mão da editora norte-americana Dead Oceans. Balizados por 20 minutos de duração, os quatro temas que integram este curto registo respiram e transpiram um exótico, dançante, contagiante e afrodisíaco Surf Rock de coloração psicadélica, e inflamação Funky, onde um deslumbrante, melódico, paradisíaco e suavizante Soul se passeia, sobrevoa e formoseia livre e graciosamente. A sua sonoridade ensolarada, harmoniosa, ostentosa e relaxada recosta-nos confortavelmente nas mornas e borbulhantes águas de um oásis espiritual onde nos bronzeamos e deleitamos. Perpetuados numa inamovível sensação de puro bem-estar, somos seduzidos, inebriados e conduzidos por uma quimérica guitarra de estética arábica que se serpenteia e estarrece em agradáveis acordes e arrepiantes solos de sublimada beleza, um pulsante baixo soberbamente ritmado à boleia de linhas oscilantes, sedutoras e hipnotizantes, uma eloquente bateria jazzística de compasso constante, lenitivo, imersivo e resplandecente, um elegante teclado de notas saltitantes, e uma voz torrada, doce e aveludada – sombreada por um angelical coro vocal – que capitaneia esta nau pelos pacíficos mares que se desdobram na direcção de um firmamento embaciado e ofuscado pelo Sol bocejante e embriagado. ‘Texas Sun’ é um delicioso EP detentor de um groove edénico, fluído e epidémico que nos balanceia os membros e massaja os sentidos. Espreguicem-se e regozijem-se na encantadora, açucarada e sonhadora resplandecência resultada desta bem-sucedida coligação florescida debaixo do intenso Sol texano.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

🦂 Larry Young - "Khalid Of Space" (Lawrence Of Newark, 1973)

©️ Mati Klarwein

🧙‍♂️ Monolith on the Mesa

🍁 Robert Plant & Family (Wales, 1976)

# Tony Alva

Review: ⚡ Aunt Cynthia's Cabin - 'Misty Woman‘ (2020) ⚡

Depois de no passado ano ter desconstruído e reverenciado o fabuloso EP ‘Mud Room #13’ dos californianos Aunt Cynthia’s Cabin (review aqui) – considerando-o e premiando-o mesmo como um dos melhores EP’s florescidos em 2019 (listagem completa aqui) – foi atestado e acalorado de um transbordante entusiasmo que recebera em primeira mão o muito aguardado primeiro trabalho de longa duração deste adorável power-trio residente na cidade costeira de San Diego. Intitulado de ‘Misty Woman’, gravado em Austin (Texas), e tendo o seu lançamento oficial agendado para o próximo dia 7 do presente mês pela mão do carismático selo discográfico germânico Nasoni Records sob a forma física de vinil (reduzido a uma prensagem ultra-limitada de apenas 300 cópias disponíveis), este purificante álbum de estreia de Aunt Cynthia’s Cabin traz-nos a salgada, espirituosa e aromatizada fragância oceânica da costa californiana beijada pelo Pacífico. Apimentada e bronzeada por um refrescante, ácido, alcoolizado e dançante Neo-Psych de vocação sessentista, um inflamante, ruborizado, ritmado e contagiante Garage Rock de produção lo-fi, e ainda um lisérgico, meditativo, mélico e imersivo Surf Rock de aragem Western, a alucinógena sonoridade de ‘Misty Woman’ passeia e esperneia o ouvinte da inefável frescura bafejada pelas tisnadas, diamantinas e ensolaradas praias californianas ao edénico e consagrado misticismo de um empoeirado deserto vigiado e afagado de perto pelo intenso Sol de luminância vespertina. De olhar semi-cerrado, pálpebras pesadas, sorriso talhado no rosto, cabeça baloiçante e alma sedada e mergulhada num profundo estado de êxtase, somos embaciados, deslumbrados e narcotizados pela feérica e caleidoscópica sublimidade de Aunt Cynthias Cabin. Um verdadeiro e irretocável oásis sensorial – emolduradao e climatizado pela radiância e fragância veraneia – onde nos banhamos, estarrecemos e apaziguamos do primeiro ao derradeiro tema. São 38 minutos saturados de uma ofuscante e angelical ataraxia chamejada por uma deslumbrante guitarra de acordes provocantes e solos delirantes, um baixo murmurante de linhas ondulantes, uma relaxada bateria de cadência magnetizante, e ainda uns vocais joviais que com a sua aura sonhadora eterizam e nebulizam toda esta nirvânica beatitude. Este é um álbum tocado pela maviosidade que me deixara de espírito enlevado, membros desmaiados e ouvidos salivantes. Deixem-se perfumar, maravilhar e embriagar pela afrodisíaca harmonia transpirada por todos os poros de ‘Misty Woman’ e namorem de forma detida, fascinada e apaixonada este irresistível álbum de beleza estonteante. Seguramente um dos grandes discos do ano.

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 Nasoni Records

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

🌈 The Who

🦋 Colour Haze - "Skydancer" @ Rockpalast 2019

🎙 Roger Waters // Pink Floyd

😎 Phil Lynott // Thin Lizzy

📸 Michael Putland

Review: ⚡ Rotten Mind - 'Rat City Dog Boy' (2020) ⚡

O quarteto nórdico Rotten Mind prepara-se para lançar o seu quarto álbum designado de ‘Rat City Dog Boy’ e devidamente promovido pela mão do selo independente local Lövely Records nos formatos físicos de CD e vinil. Apesar de sair oficialmente apenas no próximo dia 7 do presente mês de Fevereiro, fora-me dada a honrosa e irrecusável oportunidade de o experienciar na íntegra em primeira mão, e o surpreendente entusiasmo em mim depositado durante a ingestão e digestão do mesmo levara-me à criação desta apaixonada e elogiosa dissertação. Ritmado, agredido e inflamado por um vibrante, agitado, acalorado e excitante Garage-Punk de indiscreta inspiração britânica - onde facilmente se pressente uma atitude rebelde à boa moda de Sex Pistols – em parceria com um melódico, dançante e inebriante Post-Punk de ambiência fielmente resgatada a Joy Division ou The Cure, este novo registo da formação sediada na cidade sueca de Uppsala vem saturado e afogueado por uma fervorosa e revoltosa sonoridade transpirada de pura adrenalina que nos contagia, endoidece e extasia sem a mais pequena réstia de inibição. De olhar eclipsado, cabeça violentamente arremessada de ombro a ombro e alma atestada de uma incontida euforia, somos pontapeados e revirados pela provocante ritmicidade de Rotten Mind. Arrumado em onze temas de essência aparentada e curta duração, ‘Rat City Dog Boy’ é um libertino álbum carburado e locomovido por duas guitarras fumegantes de Riffs absorventes, vivazes, buliçosos e incandescentes, e solos avinagrados, gélidos, arrebatados e alucinantes, um baixo bafejante de linhas viçosas, expressivas e rumorosas, uma despachada, acelerada e pujante bateria esporeada a um compasso intensamente galopante, e ainda uma fervorosa voz de nuance urticante, enfática, melódica e penetrante que apimenta e esquenta toda esta enlouquecedora vertigem capaz de nos embalar e deflagrar do primeiro ao derradeiro minuto. De coração apressado, respiração ofegante e espírito desassossegado, somos varridos pela frenética explosividade de Rotten Mind. Deixem-se contaminar e amotinar pela redentora anarquia doutrinada por ‘Rat City Dog Boy’ e vivenciem de forma impetuosa e entusiasmada um dos álbuns mais vivificantes lançados até à data neste ainda verde ano de 2020.

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 Lövely Records

sábado, 1 de fevereiro de 2020

🌾 Son House

🎖 Folky 48th Birthday Neil Young's Harvest (01.02.1972)

🔥 RYTE - "Raging Mammoth" (Live @ Deer in the Headlights)

Review: ⚡ Yuri Gagarin - 'The Outskirts Of Reality' (2020) ⚡

Os já consagrados astronautas nórdicos Yuri Gagarin acabam de nos presentear com mais um capítulo retirado da sua fabulosa digressão cósmica. ‘The Outskirts Of Reality’ é o terceiro e novo álbum deste quarteto sediado na cidade de Gotemburgo (Suécia) e promovido a duas mãos sob a forma física de CD e vinil pela discográfica local Kommun 2 Records e através do selo grego Sound Effect Records. Baseado num furioso, estonteante, exótico e espalhafatoso Space Rock – à boa moda dos icónicos britânicos Hawkwind e dos cosmonautas suíços Monkey3 – entrelaçado num electrizante, carnavalesco e atordoante Heavy Psych de saturação astral – na mesma frequência dos norte-americanos Ecstatic Vision – e que pontualmente se apazigua, relaxa e desagua nas lisérgicas praias de um meditativo, hipnótico e imersivo Krautrock de inspiração trazida dos históricos germânicos Neu!, este ‘The Outskirts Of Reality’ é uma catártica experiência sensorial que nos arremessa para o centro de um poderoso vórtice capaz de engolir e capturar todos os corpos celestes suspensos na vastidão cósmica. A sua sonoridade tremendamente visual e de influência mental causa no ouvinte toda uma intensa e insana alucinação que lhe rasga as vestes da lucidez e o atesta de uma febril embriaguez. Embarquem e dissolvam-se nesta delirante hipnose pelas sónicas auto-estradas espaciais à estimulante boleia da enigmática radiação criada e propagada por um mágico sintetizador de idioma alienígena, a mística alquimia fumegada por uma guitarra messiânica que ruge poderosos, fibrados, motorizados e rumorosos Riffs, e uiva selváticos, ácidos, desvairados e entusiásticos solos, o bafo reverberante de um baixo magnetizante capitaneado a linhas possantes, densas, tensas e intrigantes, e uma incansável ritmicidade locomovida por uma bateria de rédea larga e esporas afiadas que arranca numa incessante, destravada e excitante galopada de consumo impróprio para cardíacos. De alargar as palavras elogiosas aos domínios visuais do extraordinário artwork brilhantemente concebido pelo talentoso ilustrador sueco Påhl Sundström (artista residente em todos os três álbuns de Yuri Gagarin). Este é um trabalho de natureza tremendamente impactante que nos varre violentamente pelas costuras fronteiriças de um Cosmos vivificante. Uma violenta propulsão na vertiginosa direcção do espaço sideral – a fazer recordar a épica viagem no tempo e espaço de Stanley Kubrick no comando de uma das suas obras-primas cinematográficas 2001: A Space Odyssey – sem ingresso de regresso assegurado. Percam-se, encontrem-se e endoideçam-se na revoltosa intimidade desta renovada e inspirada excursão pelo universo exuberante de Yuri Gagarin, e testemunhem toda a sísmica, psicotrópica e vibrante eclosão de um dos álbuns mais aguardados de 2020.