terça-feira, 22 de setembro de 2020
segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Review: ⚡ Melody Fields - 'Broken Horse' EP (2020) ⚡
Da cidade de Gotemburgo
(Suécia) – domicílio de célebres bandas como Horisont, Hills
e Yuri Gagarin – chega-nos a apaladada brisa nórdica sublimemente
suspirada pelo apaixonante sexteto Melody Fields, com a exposição do seu
novíssimo EP intitulado de ‘Broken Horse’ e lançado nos formatos físicos
de CD (pela mão da discográfica grega Sound Effect Records) e vinil (através do jovem selo sueco Coop Records Gotland). Farolizada por um deslumbrante, caleidoscópico e radiante
Psychedelic Rock, um lenitivo, repetitivo e enfeitiçante Krautrock,
e ainda um bucólico, alucinógeno e melancólico Acid Rock, a lisérgica,
meditativa e profética sonoridade de ‘Broken Horse’ é
condimentada a especiarias orientais e revestida a um misticismo de atmosfera vintage
que me fizera escorregar pelas labirínticas profundezas do universo onírico, e
sobrevoar os corados céus da velha Pérsia montado num tapete mágico. Com claras
influências estilísticas apontadas aos seus velhos e consagrados compatriotas Träd,
Gräs och Stenar, este colectivo escandinavo transuda inebriantes ressonâncias
xamânicas que nos prazenteiam o espírito, adormecem a lucidez e balanceiam o
corpo como que uma serpente Naja respondendo numa compenetrada e extravagante
dança às hipnotizantes movimentações da flauta indiana. São 19 minutos de
imersiva sedução que nos embala num imperturbável estádio de febril meditação.
Embarquem nesta sagrada digressão pelas bronzeadas e aveludadas dunas que
mareiam os desertos da alma à purificante boleia de três guitarras fabulosas que
se cruzam em acordes arenosos, imaginativos e majestosos, e descruzam em solos
uivantes, ácidos e atordoantes, uma cítara messiânica de afrodisíacos, ornamentados
e arábicos bailados, um baixo murmurante de linhas pausadas, relaxadas e
magnetizantes, uma bateria tribalista de galope envolvente, descontraído e desembaraçado,
e vocais sedosos, espectrais e luminosos que banham de brilho, delicadeza e melosidade
toda esta exótica tapeçaria. Contando ainda com um clima West Coast
que remete o ouvinte para o idílico verão californiano de Sol reluzente, céu pincelado
a azul-turquesa e uma salgada brisa oceânica, ‘Broken Horse’ é um
EP verdadeiramente ataráxico que me deixara levemente embriagado e ancorado num inamovível estádio de
pleno bem-estar. Um registo de curta duração, mas prolongada veneração, tingido
a uma estival refulgência de tonalidade crepuscular e preciosamente musicado a uma estética de ambiência fabular.
Demasiado fácil namorá-lo e em nós imortalizá-lo.
domingo, 20 de setembro de 2020
sábado, 19 de setembro de 2020
sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Review: ⚡ Fooks Nihil - 'Fooks Nihil' (2020) ⚡
Domiciliado na cidade
de Wiesbaden (Hesse, Alemanha), o jovem power-trio
germânico Fooks Nihil acaba de desabrochar uma das mais agradáveis
surpresas sonoras do presente ano. Integralmente lançado hoje mesmo nos
formatos físicos de CD e vinil pela mão da histórica editora local Unique
Records, este seu fabuloso álbum de estreia vem ensolarado, afagado e
apaladado por um deslumbrante, luminoso, cheiroso e apaziguante Psychedelic
Rock de roupagem sessentista e clima West-Coast, um reconfortante,
bucólico, caleidoscópico e extasiante Indie Rock tingido a dourado revivalismo
californiano, e ainda um ritmado, pastoril, bem-disposto e troteado Country
Rock de doce fragância primaveril. Resultante de uma bem-sucedida
intersecção que combina carismáticas influências germinadas na segunda metade
dos irreverentes 60’s tais como The Byrds, Crosby, Stills
& Nash e Neil Young, a purificante, singela e apaixonante sonoridade
de ‘Fooks Nihil’ prende uma nostálgica ambiência sublimemente
musicada que me remete para as aventurosas e inimitáveis explanações líricas de
Jack Kerouac (um dos mais influentes líderes do revolucionário movimento
literário comummente apelidado de Geração Beat, e o meu escritor de
eleição). De olhar levemente embriagado, pálpebras semi-cerradas, sorriso destapado
por entre bochechas rosadas, e cabeça detidamente entregue a um pausado movimento
pendular que a ricocheteia de ombro a ombro, somos sedados, maravilhados e levados
pelas sinuosas estradas, bronzeadas pelo chamejante Sol poente e temperadas pela
fresca brisa salgada suspirada pelo Oceano Pacífico, que percorrem toda a costa
californiana. De ouvidos salivantes, sentidos sedados e alma intensamente fascinada,
o ouvinte é diluído num sempiterno estádio de purificante nirvana que o massaja
e prazenteia do primeiro ao derradeiro tema. São 40 minutos tricotados e
adornados a uma ternura verdadeiramente paradisíaca e enternecedora. Uma diluviana
catarse que me recostara a um verdadeiro oásis sensorial e saciara um espírito ávido
por experienciar algo assim. De velas içadas ao sabor de uma guitarra sonhadora
que se manifesta em envolventes, sumptuosos e eloquentes acordes de beleza
fabular e ácidos, efervescentes e delirados solos de elevada toxicidade, um hipnótico
baixo murmurado a linhas flutuantes, graciosas e dançantes, uma primorosa bateria
esporeada a um toque brilhante, polido e pensado, um majestoso teclado de
ostentosos, intumescidos e gloriosos bailados, um uivante Pedal Steel de
arrepiantes, melosos e atordoantes arranjos, e uma voz verdadeiramente harmoniosa,
amistosa e sedutora – perseguida de perto por um espectral coro vocal – que
capitaneia toda esta maravilhosa obra, ‘Fooks Nihil’ zarpa rumo
aos melhores dos melhores álbuns nascidos em 2020. De destacar ainda o
prismático artwork cuidadosamente ilustrado pela artista Joyce
Abrahams que delineia e maquilha na perfeição o rosto desta irretocável
obra-prima. Percam-se e encontrem-se por entre a lívida luzência e deífica magnificência
que farolizam todo o corpo temporal desta imaculada estreia, e testemunhem com
inesgotável admiração a ataráxica lubricidade transpirada por estes três talentosos
jovens alemães. Um dos meus álbuns favoritos do ano está aqui. Empoeirem-se na
sua etérea e diamantina sagacidade.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Unique Records
quinta-feira, 17 de setembro de 2020
Review: ⚡ Hadron - 'Evil Lady' (2020) ⚡

★★★★☆
Proveniente da cidade
de Odense (localizada na Dinamarca) chega-nos a enigmática liturgia emoldurada e adornada a (ir)reverência
ocultista superiormente celebrada pelo quarteto nórdico Hadron com o
lançamento do seu novo álbum designado de ‘Evil Lady’. Apresentado
na segunda metade do passado mês de Agosto sob a exclusiva forma digital
através da sua página de Bandcamp oficial – ainda que com a garantia de
um futuro lançamento em vinil agendado para o Inverno que se avizinha – esta
nova obra forjada pela formação escandinava vem lavrada, pincelada e ensombrada por um galopante,
luciférico, dramático e magnetizante Heavy Metal de estética tradicionalista,
e um imperioso, sombreado, encorpado e lutuoso Doom Metal de revivalismo
trazido dos dourados 70’s que nos horripilam o espírito, dilatam as
pupilas, empalidecem o semblante e profanam a religiosidade. A sua perturbadora
sonoridade de feições tenebrosas, densas, tensas e pecaminosas – pesadamente bafejada
a ressonâncias Candlemass’icas – tem o dom de prontamente nos
converter em seus devotos discípulos. Na génese de todo este nebuloso, soberano,
tirano e poderoso ritual está uma vampírica voz de compleição enregelada,
penetrante, melódica e avinagrada que sobrevoa os amaldiçoados trilhos desbravados
por uma guitarra pagã de Riffs chamejantes, majestosos, gordurosos e
intrigantes, obscurece na tóxica reverberação ronronada por um sinistro baixo conduzido
a linhas possantes, pulsantes e sólidas, e cavalga às costas de uma bateria
trovejante que – a trote de uma ritmicidade altiva, precisa e inflamante – tiquetaqueia
todo este monolítico, hediondo e apocalíptico negrume numa impactante e
triunfante galopada. São 44 minutos de um imperturbável, intenso e perdurável arrebatamento que nos embalsama membros e sentidos. Deixem-se ceifar, estremecer e enfeitiçar pelo reinante
esoterismo que reveste todo este ‘Evil Lady’, e testemunhem todo o
trevoso esplendor de um álbum integralmente oxigenado a purificante obscurantismo. Não vai
ser nada fácil quebrar o feitiço de Hadron e reaver a luzência
que nos fora soprada e desbotada por estes quatro monges de alma eclipsada.



















