segunda-feira, 9 de novembro de 2020

★ Mark Lanegan ★

🌲 Tó Trips // Pinehouse Concerts (2020)

Review: ⚡ Pimmit Hills - 'Heathens & Prophets' EP (2020) ⚡

★★★★

Da pequena e pacata região de Pimmit Hills (localizada no estado norte-americano da Virgínia) chega-nos o EP de estreia do quarteto que se auto-denomina pelo nome da localidade onde reside. Lançado em meados de Setembro através do formato digital, que poderá ser ouvido e descarregado através da sua página de Bandcamp, bem como na forma física de CD, através de uma edição autoral que poderá ser adquirida no seu Bigcartel oficial, este ‘Heathens & Prophets’ trata-se de um registo de curta duração, fácil digestão e ininterrupta excitação. Motorizado por um picante, vulcânico, erótico e inflamante Heavy Blues de roupagem setentista, em harmoniosa coligação com um musculoso, potente, veemente e oleoso Hard Rock de carregada, intrigante e sombreada bafagem Proto-Doom’esca, a intoxicante sonoridade de Pimmit Hills equilibra-se por entre a desarmante elegância de uns The Flying Eyes, o afrodisíaco fervor de uns ZZ Top, e a encarvoada ressonância de uns Black Sabbath. São cerca de 30 minutos inteiramente lavrados e urticados por uma chamejante, vibrante e dançante lubricidade que nos tomba as pálpebras, serpenteia o corpo, e sacode a cabeça de ombro a ombro. Pendulando entre a contemplativa lisergia e a eruptiva euforia, somos contagiados e detonados pela extravagância de uma guitarra bronzeada que hasteia majestosos, desdobráveis, adoráveis e fibrosos Riffs encrostados pelo sulfuroso efeito Fuzz, e vomita solos uivantes, ácidos, alucinados e atordoantes, pelos rugidos felinos de uma escarpada, melódica e tonificada voz temperada a Whiskey, pela vagueante reverberação vociferada por um baixo soberbamente groovy de linhas inchadas, sinuosas e empoladas, pela provocante ritmicidade de uma bateria troteada a habilidade, destreza, e enérgica vivacidade, e ainda pela enigmática densidade mugida por um litúrgico, aromatizado e ritualístico teclado. ‘Heathens & Prophets’ é um portentoso EP que me fascinara e extasiara logo na primeira audição que lhe dedicara. Entrem em prazerosa combustão à emocionante boleia de toda esta efervescente comoção, e vivenciem como puderem a psicotrópica ardência destilada deste primeiro, mas enfático, passo discográfico da muito promissora formação norte-americana Pimmit Hills.

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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

✈️ Deep Purple // California Jam '74

💣 The Who

☄️ Sleep, 1993

📸 Gillig Phantom

Review: ⚡ Kimono Drag Queens - 'Songs of Worship' (2020) ⚡

★★★★

Da oceânica cidade de Sydney (situada na costa este da Austrália) chega-nos uma das mais agradáveis surpresas sonoras de 2020. ‘Songs of Worship’ dá nome ao devocional álbum de estreia impecavelmente pensado e executado pela auspiciosa, jovem e populosa formação australiana Kimono Drag Queens, que acaba de ser oficialmente lançado hoje mesmo pela mão do selo discográfico local Copper Feast Records em formato digital e nas variadas edições físicas em vinil (ultra-limitadas a poucas dezenas de cópias disponíveis). Deste sumarento, frutado e apaladado refrigerante borbulha e emerge toda uma apaixonante profusão de desiguais géneros musicais que, em afrodisíaca simbiose, provoca no ouvinte toda uma inesgotável fascinação, imperturbável êxtase, e ardente comoção. De corpo serpenteante, cabeça baloiçante, pálpebras rebaixadas, sorriso golpeado no rosto e espírito integralmente absorvido num perfeito estádio de febril deslumbramento, somos convidados a ingressar num místico e paradisíaco ritual de afago sensorial, superiormente celebrado por um perfumado, catártico, ataráxico e ensolarado Psychedelic Rock de coloração sessentista e tempero West Coast, um provocante, exótico, erótico e contagiante World Music predominantemente musicado no idioma Tuaregue, e ainda um imersivo, estético, hipnótico e contemplativo Krautrock de odor oriental que resvala nas orvalhadas fronteiras de um embrumado, sussurrado, melancólico e fantasmagórico Shoegaze. A sua apetitosa, açucarada, caleidoscópica e caprichosa musicalidade passeia-se formosa e progressivamente numa delicada, leve, onírica e embriagada fluidez que nos massaja todas as zonas erógenas do cérebro. Suspensos numa órbita nirvânica exercida pela sagrada influência de Kimono Drag Queens, somos nebulizados e mergulhados nas profundezas de um relaxante estádio de perfeito bem-estar que nos climatiza e narcotiza do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 32 minutos de prazerosa imersão nas vertiginosas funduras da introspecção ao messiânico som de alucinógenas guitarras que modelam envolventes, arábicos e eloquentes acordes e rubricam intoxicantes, delirados e formigantes solos, um baixo pulsante que se adensa em linhas revestidas a reverberação e robustecidas a negrito, uma galopante bateria – escoltada de perto por uma percussão tribal de suor tropical – esporeada a ritmicidade pausada, sedutora e compenetrada, um quimérico teclado que sulfata com melosa magia todas estas planícies veraneias, e ainda uma voz aveludada, lustrosa e caramelizada – sombreada por um ecoante coro espectral de angelicais vozes femininas – que veleja com desarmante fineza todo este diamantino oceano de pacifica ondulação. De destacar e elogiar ainda o boémio artwork de criativos adornos étnicos que aponta os seus créditos autorais à ilustradora Claire Johnson e confere rosto a esta preciosa obra. É de lucidez ainda atordoada e alma arrebatada que alcanço o desconfortável silêncio deixado pela ressaca do mesmo. ‘Songs of Worship’ é um registo utópico que merece ser detidamente namorado e intensamente reverenciado. Um verdadeiro néctar de mescalina que desagrega a consciência do ouvinte e a transcende aos proféticos braços do transe religioso. É impossível quebrar o poderoso feitiço de Kimono Drag Queens. Embarquem nesta reconfortante peregrinação pelos meditativos desertos interiores, e comunguem com inextinguível apego aquele que os meus ouvidos se perfila como um dos mais fortes candidatos a disco do ano.

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 Copper Feast Records

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

📀 Calexico - 'Seasonal Shift' (04.12.2020, City Slang / Anti Records)

Sonic Flower - "Super Witch" (Heavy Psych Sounds, 2020)

Ambassador (live session, 2020)

🎗 Fred "Sonic" Smith // MC5 (14/09/1948 - 04/11/1994)

Review & Full Premiere: ⚡ Acid Mess - 'Sangre de Otros Mundos' (2020) ⚡

★★★★

Acordados de uma hibernação discográfica com a duração de cinco anos, os espanhóis Acid Mess preparam-se finalmente para estrear o seu tão ansiado terceiro e novo trabalho de estúdio. Apesar do seu lançamento oficial estar calendarizado para a próxima sexta (6 de Novembro) pela mão da insuspeita editora local Spinda Records através dos formatos físicos de CD, vinil e cassete (ambos reduzidos a prensagens ultra-limitadas), o El Coyote orgulha-se de presentear todos os seus seguidores com a disponibilização em primeira mão de ‘Sangre de Otros Mundos’ para escuta integral, bem como a habitual desconstrução textual, e ainda duas mãos cheias de códigos para download gratuito do álbum total através da plataforma digital Bandcamp que recompensarão os primeiros leitores. Antes de engrenar a primeira mudança e soltar a embraiagem na detalhada descrição que esta nova experiência sonora em mim provocara, é justo antecipar que ‘Sangre de Otros Mundos’ ostenta todo um refinamento bem representativo do avançado estado de maturação e vitalidade desta talentosa formação sediada na cidade nortenha de Oviedo (capital das Astúrias). Alicerçado num bem-sucedido e apetitoso sortido sonoro de onde facilmente se reconhece e apalada a épica majestosidade de um vistoso, melódico e caprichoso Heavy Prog de tração setentista, a fogosa efervescência de um excitante, caleidoscópico e inflamante Heavy Psych que faz o mercúrio cabecear os limites máximos do termómetro, e ainda a mística beatitude de um profético, perfumado e estético Folk fielmente resgatado da velha Andaluzia, este surpreendente regresso de Acid Mess prende um poderoso afrodisíaco de calor latino e vapores ritualísticos que não deixará ninguém indiferente. Alternando entre plácidas, nocturnas e delicadas baladas de onírica e sublimada envolvência, e provocantes, dinâmicas e estonteantes galopadas de instrumentos em selvática debandada, a complexa musicalidade de ‘Sangre de Otros Mundos’ mantém o ouvinte atrelado a um inesgotável estádio de intensa fascinação. Na composição desta sumarenta e suculenta sangria em borbulhante ebulição está uma guitarra piramidal de Riffs sinuosos, altivos e aparatosos que desaguam em solos oleosos, ziguezagueantes e vaidosos, um dançante baixo motorizado e orientado a linhas magnetizantes, sedutoras e ondulantes, uma bateria deliciosamente jazzística – em parceria com uma carnavalesca percussão tribalista – de toque preciso, virtuoso, lustroso e explosivo, um carismático teclado de polposos, excêntricos e harmoniosos bailados, e uma voz sedosa, espectral e melodiosa – perseguida de perto por um coro vocal transversal a todos os membros da banda – que lidera toda esta purificante digressão pelos desertos da velha Pérsia. ‘Sangre de Otros Mundos’ é um álbum de composições ambiciosas, rebuscadas e prodigiosas que mantêm as nossas glândulas salivares em constante produção. Um trabalho simultaneamente agressivo e meditativo, eufórico e anestésico, luminoso e umbroso, de beleza e destreza irretocáveis, que resvala nas costuras da perfeição, garantindo, desde já, uma destacada posição por entre os mais medalhados álbuns brotados em 2020. Embarquem neste memorioso safari pelas exóticas selvas de Acid Mess, e experienciem de forma detida, vivida e reverenciada todo o esplendor de um dos mais esperados álbuns do presente ano.

Códigos para download gratuito que devem ser usados no seguinte linkhttps://spindarecords.bandcamp.com/yum

eqqr-6lnj
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axlc-76b8
8qpe-5k4n
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ln6r-ka5e
45yw-g723 

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 Spinda Records

domingo, 1 de novembro de 2020

☕️ Grateful Dead - 'American Beauty' (1970)

Review: ⚡ Yawning Man - 'Live at Giant Rock' (2020) ⚡

★★★★

Foi já no longínquo ano de 2013 que os norte-americanos Yawning Man divulgaram esta séria intenção de replicar a imersiva experiência vivida pelos Pink Floyd, quando em 1971 a célebre formação britânica praticara a sua tão característica liturgia cósmica em plenas históricas ruínas romanas de Pompeia (nota oficial aqui exposta na íntegra), mas com a mesma transposta para o seu tão familiar ambiente que os vira nascer e crescer: o Deserto de Mojave. O presente e estranho ano de 2020 foi então o palco temporal dessa tão desejada materialização, resultando numa memorável odisseia audiovisual a todos aqueles que a vivenciaram de forma detida e apaixonada, ainda que à distância do epicentro deste tão emblemático ritual. Longe dos olhares presenciais do grande público – devido ao confinamento imposto pela pandemia global COVID-19 – e apenas cercado pelas múltiplas câmeras de vídeo superiormente comandadas pelo Sam Grant, este famoso power-trio motorizado a um velho e barulhento gerador de forte odor a gasolina (ressuscitando, assim, o espírito das célebres generator parties), ventilado pela profética e revitalizante brisa desértica, e de pés enraizados no bronzeado, nativo e sagrado solo de Giant Rock, arrancara para uma épica performance, estreando toda uma mão cheia de novos temas. De velas içadas ao sabor de um estético, meditativo e lisérgico Post-Rock, um enfeitiçante, arejado e dançante Surf-Rock e ainda um fogoso, contagiante e arenoso Desert Rock, a sua ataráxica sonoridade de moldura cinematográfica sobrevoara e ecoara pelas planuras a perder de vista de um bocejante deserto vigiado de perto pelo chamejante Sol suspenso no céu azul diamantino. Cruzando os caminhos de uma messiânica guitarra que delicadamente dedilha solos uivantes, experimentais, espirais e ziguezagueantes, um pulsante e ronronante baixo bafejado e conduzido a linhas fibradas, reverberantes, magnetizantes e viajadas, e uma bateria tribalista de timbalões galopantes e pratos cintilantes, esta tapeçaria de vistosidade étnica e ingestão auditiva, superiormente tecida pelos artesões musicais Yawning Man, instaura e nutre na alma dos ouvintes toda uma epifania desértica que os mantém firmemente embriagados, absorvidos e embalados numa extasiante, profunda e deslumbrante hipnose sem escapatória possível. ‘Live at Giant Rock’ representa um verdadeiro bálsamo sensorial que nos massaja o cérebro e prazenteia o espírito sedento por poder vivenciar algo assim. Este tangível oásis arborizado pelos Yawning Man pode ser visto em formato de DVD numa edição de autor, e ouvido nos formatos físicos de CD e vinil através da prestigiada discográfica italiana Heavy Psych Sounds. Empoeirem-se na mística musicalidade destes três eremitas que tocam o idioma do deserto, e testemunhem imponentes saguaros e Joshua Trees eclodirem no vosso peito. Provavelmente o mais epopeico registo captado ao vivo neste insólito ano alérgico a concertos está aqui, no caprichado sonho acordado de uma das grandes bandas da minha vida. Santifiquem-se e regozijem-se nele.

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 Heavy Psych Sounds