segunda-feira, 9 de novembro de 2020
Review: ⚡ Pimmit Hills - 'Heathens & Prophets' EP (2020) ⚡
Da pequena e pacata região
de Pimmit Hills (localizada no estado norte-americano da Virgínia)
chega-nos o EP de estreia do quarteto que se auto-denomina pelo nome da
localidade onde reside. Lançado em meados de Setembro através do formato
digital, que poderá ser ouvido e descarregado através da sua página de Bandcamp,
bem como na forma física de CD, através de uma edição autoral que poderá ser
adquirida no seu Bigcartel oficial, este ‘Heathens &
Prophets’ trata-se de um registo de curta duração, fácil digestão e
ininterrupta excitação. Motorizado por um picante, vulcânico, erótico e
inflamante Heavy Blues de roupagem setentista, em harmoniosa coligação
com um musculoso, potente, veemente e oleoso Hard Rock de carregada,
intrigante e sombreada bafagem Proto-Doom’esca, a intoxicante sonoridade
de Pimmit Hills equilibra-se por entre a desarmante elegância de uns The
Flying Eyes, o afrodisíaco fervor de uns ZZ Top, e a encarvoada ressonância de uns Black Sabbath. São cerca de
30 minutos inteiramente lavrados e urticados por uma chamejante, vibrante e dançante lubricidade que
nos tomba as pálpebras, serpenteia o corpo, e sacode a cabeça de ombro
a ombro. Pendulando entre a contemplativa lisergia e a eruptiva euforia, somos contagiados
e detonados pela extravagância de uma guitarra bronzeada que hasteia majestosos, desdobráveis,
adoráveis e fibrosos Riffs encrostados pelo sulfuroso efeito Fuzz,
e vomita solos uivantes, ácidos, alucinados e atordoantes, pelos rugidos
felinos de uma escarpada, melódica e tonificada voz temperada a Whiskey,
pela vagueante reverberação vociferada por um baixo soberbamente groovy
de linhas inchadas, sinuosas e empoladas, pela provocante ritmicidade de uma
bateria troteada a habilidade, destreza, e enérgica vivacidade, e ainda pela enigmática
densidade mugida por um litúrgico, aromatizado e ritualístico teclado. ‘Heathens
& Prophets’ é um portentoso EP que me fascinara e extasiara logo
na primeira audição que lhe dedicara. Entrem em prazerosa combustão à emocionante
boleia de toda esta efervescente comoção, e vivenciem como puderem a psicotrópica ardência destilada deste
primeiro, mas enfático, passo discográfico da muito promissora formação norte-americana
Pimmit Hills.
domingo, 8 de novembro de 2020
sábado, 7 de novembro de 2020
sexta-feira, 6 de novembro de 2020
Review: ⚡ Kimono Drag Queens - 'Songs of Worship' (2020) ⚡
Da oceânica cidade de Sydney
(situada na costa este da Austrália) chega-nos uma das mais agradáveis
surpresas sonoras de 2020. ‘Songs of Worship’ dá nome ao devocional
álbum de estreia impecavelmente pensado e executado pela auspiciosa, jovem e populosa
formação australiana Kimono Drag Queens, que acaba de ser oficialmente lançado
hoje mesmo pela mão do selo discográfico local Copper Feast Records em
formato digital e nas variadas edições físicas em vinil (ultra-limitadas a poucas
dezenas de cópias disponíveis). Deste sumarento, frutado e apaladado
refrigerante borbulha e emerge toda uma apaixonante profusão de desiguais géneros
musicais que, em afrodisíaca simbiose, provoca no ouvinte toda uma inesgotável
fascinação, imperturbável êxtase, e ardente comoção. De corpo serpenteante, cabeça
baloiçante, pálpebras rebaixadas, sorriso golpeado no rosto e espírito integralmente
absorvido num perfeito estádio de febril deslumbramento, somos convidados a ingressar
num místico e paradisíaco ritual de afago sensorial, superiormente celebrado por
um perfumado, catártico, ataráxico e ensolarado Psychedelic Rock de
coloração sessentista e tempero West Coast, um provocante, exótico,
erótico e contagiante World Music predominantemente musicado no idioma Tuaregue,
e ainda um imersivo, estético, hipnótico e contemplativo Krautrock de odor
oriental que resvala nas orvalhadas fronteiras de um embrumado, sussurrado, melancólico e fantasmagórico
Shoegaze. A sua apetitosa, açucarada, caleidoscópica e caprichosa
musicalidade passeia-se formosa e progressivamente numa delicada, leve, onírica
e embriagada fluidez que nos massaja todas as zonas erógenas do cérebro.
Suspensos numa órbita nirvânica exercida pela sagrada influência de Kimono
Drag Queens, somos nebulizados e mergulhados nas profundezas de um
relaxante estádio de perfeito bem-estar que nos climatiza e narcotiza do
primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 32 minutos de prazerosa imersão nas
vertiginosas funduras da introspecção ao messiânico som de alucinógenas guitarras
que modelam envolventes, arábicos e eloquentes acordes e rubricam intoxicantes,
delirados e formigantes solos, um baixo pulsante que se adensa em linhas revestidas
a reverberação e robustecidas a negrito, uma galopante bateria – escoltada de
perto por uma percussão tribal de suor tropical – esporeada a ritmicidade
pausada, sedutora e compenetrada, um quimérico teclado que sulfata com melosa magia
todas estas planícies veraneias, e ainda uma voz aveludada, lustrosa e
caramelizada – sombreada por um ecoante coro espectral de angelicais vozes
femininas – que veleja com desarmante fineza todo este diamantino oceano de pacifica
ondulação. De destacar e elogiar ainda o boémio artwork de criativos adornos
étnicos que aponta os seus créditos autorais à ilustradora Claire Johnson
e confere rosto a esta preciosa obra. É de lucidez ainda atordoada e alma arrebatada
que alcanço o desconfortável silêncio deixado pela ressaca do mesmo. ‘Songs
of Worship’ é um registo utópico que merece ser detidamente namorado e intensamente
reverenciado. Um verdadeiro néctar de mescalina que desagrega a consciência do ouvinte e a transcende aos proféticos braços do transe religioso. É impossível
quebrar o poderoso feitiço de Kimono Drag Queens. Embarquem nesta reconfortante
peregrinação pelos meditativos desertos interiores, e comunguem com inextinguível
apego aquele que os meus ouvidos se perfila como um dos mais fortes candidatos a
disco do ano.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Copper Feast Records
quinta-feira, 5 de novembro de 2020
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
Review & Full Premiere: ⚡ Acid Mess - 'Sangre de Otros Mundos' (2020) ⚡
Acordados de uma hibernação discográfica com a duração de cinco anos, os espanhóis Acid Mess preparam-se finalmente para estrear o seu tão ansiado terceiro e novo trabalho de estúdio. Apesar do seu lançamento oficial estar calendarizado para a próxima sexta (6 de Novembro) pela mão da insuspeita editora local Spinda Records através dos formatos físicos de CD, vinil e cassete (ambos reduzidos a prensagens ultra-limitadas), o El Coyote orgulha-se de presentear todos os seus seguidores com a disponibilização em primeira mão de ‘Sangre de Otros Mundos’ para escuta integral, bem como a habitual desconstrução textual, e ainda duas mãos cheias de códigos para download gratuito do álbum total através da plataforma digital Bandcamp que recompensarão os primeiros leitores. Antes de engrenar a primeira mudança e soltar a embraiagem na detalhada descrição que esta nova experiência sonora em mim provocara, é justo antecipar que ‘Sangre de Otros Mundos’ ostenta todo um refinamento bem representativo do avançado estado de maturação e vitalidade desta talentosa formação sediada na cidade nortenha de Oviedo (capital das Astúrias). Alicerçado num bem-sucedido e apetitoso sortido sonoro de onde facilmente se reconhece e apalada a épica majestosidade de um vistoso, melódico e caprichoso Heavy Prog de tração setentista, a fogosa efervescência de um excitante, caleidoscópico e inflamante Heavy Psych que faz o mercúrio cabecear os limites máximos do termómetro, e ainda a mística beatitude de um profético, perfumado e estético Folk fielmente resgatado da velha Andaluzia, este surpreendente regresso de Acid Mess prende um poderoso afrodisíaco de calor latino e vapores ritualísticos que não deixará ninguém indiferente. Alternando entre plácidas, nocturnas e delicadas baladas de onírica e sublimada envolvência, e provocantes, dinâmicas e estonteantes galopadas de instrumentos em selvática debandada, a complexa musicalidade de ‘Sangre de Otros Mundos’ mantém o ouvinte atrelado a um inesgotável estádio de intensa fascinação. Na composição desta sumarenta e suculenta sangria em borbulhante ebulição está uma guitarra piramidal de Riffs sinuosos, altivos e aparatosos que desaguam em solos oleosos, ziguezagueantes e vaidosos, um dançante baixo motorizado e orientado a linhas magnetizantes, sedutoras e ondulantes, uma bateria deliciosamente jazzística – em parceria com uma carnavalesca percussão tribalista – de toque preciso, virtuoso, lustroso e explosivo, um carismático teclado de polposos, excêntricos e harmoniosos bailados, e uma voz sedosa, espectral e melodiosa – perseguida de perto por um coro vocal transversal a todos os membros da banda – que lidera toda esta purificante digressão pelos desertos da velha Pérsia. ‘Sangre de Otros Mundos’ é um álbum de composições ambiciosas, rebuscadas e prodigiosas que mantêm as nossas glândulas salivares em constante produção. Um trabalho simultaneamente agressivo e meditativo, eufórico e anestésico, luminoso e umbroso, de beleza e destreza irretocáveis, que resvala nas costuras da perfeição, garantindo, desde já, uma destacada posição por entre os mais medalhados álbuns brotados em 2020. Embarquem neste memorioso safari pelas exóticas selvas de Acid Mess, e experienciem de forma detida, vivida e reverenciada todo o esplendor de um dos mais esperados álbuns do presente ano.
Códigos para download gratuito que devem ser usados no seguinte link: https://spindarecords.bandcamp.com/yum
Links:
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➥ Bandcamp
➥ Spinda Records
terça-feira, 3 de novembro de 2020
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
domingo, 1 de novembro de 2020
Review: ⚡ Yawning Man - 'Live at Giant Rock' (2020) ⚡
Foi já no longínquo ano
de 2013 que os norte-americanos Yawning Man divulgaram esta séria intenção
de replicar a imersiva experiência vivida pelos Pink Floyd, quando em
1971 a célebre formação britânica praticara a sua tão característica liturgia
cósmica em plenas históricas ruínas romanas de Pompeia (nota oficial aqui
exposta na íntegra), mas com a mesma transposta para o seu tão familiar ambiente
que os vira nascer e crescer: o Deserto de Mojave. O presente e estranho
ano de 2020 foi então o palco temporal dessa tão desejada materialização, resultando numa memorável
odisseia audiovisual a todos aqueles que a vivenciaram de forma detida e
apaixonada, ainda que à distância do epicentro deste tão emblemático ritual. Longe
dos olhares presenciais do grande público – devido ao confinamento imposto pela pandemia global COVID-19 – e apenas cercado pelas múltiplas câmeras de vídeo superiormente comandadas
pelo Sam Grant, este famoso power-trio motorizado a um velho e
barulhento gerador de forte odor a gasolina (ressuscitando, assim, o espírito
das célebres generator parties), ventilado pela profética e revitalizante
brisa desértica, e de pés enraizados no bronzeado, nativo e sagrado solo de Giant
Rock, arrancara para uma épica performance, estreando toda uma mão cheia de
novos temas. De velas içadas ao sabor de um estético, meditativo e lisérgico Post-Rock,
um enfeitiçante, arejado e dançante Surf-Rock e ainda um fogoso, contagiante
e arenoso Desert Rock, a sua ataráxica sonoridade de moldura cinematográfica
sobrevoara e ecoara pelas planuras a perder de vista de um bocejante deserto
vigiado de perto pelo chamejante Sol suspenso no céu azul diamantino. Cruzando os caminhos de uma messiânica guitarra que delicadamente dedilha solos uivantes, experimentais, espirais e ziguezagueantes,
um pulsante e ronronante baixo bafejado e conduzido a linhas fibradas, reverberantes, magnetizantes e
viajadas, e uma bateria tribalista de timbalões galopantes e pratos cintilantes,
esta tapeçaria de vistosidade étnica e ingestão auditiva, superiormente tecida
pelos artesões musicais Yawning Man, instaura e nutre na alma dos
ouvintes toda uma epifania desértica que os mantém firmemente embriagados, absorvidos
e embalados numa extasiante, profunda e deslumbrante hipnose sem escapatória
possível. ‘Live at Giant Rock’ representa um verdadeiro bálsamo
sensorial que nos massaja o cérebro e prazenteia o espírito sedento por poder vivenciar
algo assim. Este tangível oásis arborizado pelos Yawning Man pode ser visto
em formato de DVD numa edição de autor, e ouvido nos formatos físicos de CD e
vinil através da prestigiada discográfica italiana Heavy Psych Sounds.
Empoeirem-se na mística musicalidade destes três eremitas que tocam o idioma do
deserto, e testemunhem imponentes saguaros e Joshua Trees eclodirem
no vosso peito. Provavelmente o mais epopeico registo captado ao vivo neste insólito
ano alérgico a concertos está aqui, no caprichado sonho acordado de uma das grandes bandas da minha vida.
Santifiquem-se e regozijem-se nele.
Links:
➥ Website
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➥ Bandcamp
➥ Heavy Psych Sounds

























