segunda-feira, 3 de maio de 2021
domingo, 2 de maio de 2021
Review: ⚡ Domkraft - 'Seeds' (2021) ⚡
O impetuoso, vibrante
e rumoroso power-trio sueco está de regresso com ‘Seeds’, o
seu novo álbum de estúdio oficialmente lançado no último fôlego do passado mês
de Abril pela mão da gravadora nova-iorquina Magnetic Eye Records nos
formatos físicos de CD e vinil. Tal como acontece com os seus antecessores, ‘Seeds’
é consumido e arrasado por imponentes, ofensivas e ardentes avalanches de um despótico,
vigoroso, viscoso e psicotrópico Psychedelic Doom encarvoado a um
trevoso negrume e relampejado a um tempestuoso frenesim. A sua sonoridade de índole fumarenta,
nebulosa, umbrosa e bafienta é apimentada, fervida e centrifugada numa trovejante,
demoníaca e flamejante explosividade que provoca âmago do ouvinte toda uma
intensa e inextinguível combustão sensorial. De euforia raivosamente rugida,
somos cercados, agredidos e sacudidos pela esmagadora gravidade de Domkraft.
Percam-se, encontrem-se e enlouqueçam-se por entre a intoxicante, atordoante e sulfurosa
bruma de poeira estelar, profusamente vaporizada por este potente tridente
plantado na cidade-capital de Estocolmo, que – na sua génese – combina uma
mastodôntica guitarra de cordas troantes e crocante distorção que se agiganta
em poderosos, coléricos, faraónicos e estrondosos Riffs de onde são vertidos
ácidos, trepidantes, electrizantes e desvairados solos, um magnético baixo de
reverberação pesadamente bafejada a linhas massivas, sombreadas, tonificadas e altivas,
uma bateria estrondosa de ritmicidade volumosa, viril, dinâmica e fervorosa, e ainda
uma voz angustiada, gritada em tons escarpados, lancinantes, cortantes e destemperados,
que ressoa e ecoa pelos vertiginosos abismos deste trágico inferno. ‘Seeds’
é um álbum intensamente dramático que coloca à prova a firmeza da nossa sanidade mental. Uma obra monstruosa
que – com as suas inflamadas, selváticas e rangentes rajadas de saturada toxicidade
– nos pontapeia, desgasta e incendeia sem moderação ou piedade. Encubram-se na
incandescente obscuridade de Domkraft, e vivenciem toda esta sua sónica
detonação com os ponteiros da excitação na máxima rotação. Efervesçam-se nele.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Magnetic Eye Records
sábado, 1 de maio de 2021
sexta-feira, 30 de abril de 2021
quarta-feira, 28 de abril de 2021
terça-feira, 27 de abril de 2021
Review: ⚡ Ulrich Schnauss & Jonas Munk - 'Eight Fragments Of An Illusion' (2021) ⚡
É ainda de espírito arrebatado
e lucidez embaciada que escrevo estas palavras. ‘Eight Fragments Of An
Illusion’ é o terceiro trabalho de longa duração brilhantemente concebido
pela simbiótica colaboração entre o alemão Ulrich Schnauss e o
dinamarquês Jonas Munk (Causa Sui), que fora muito recentemente
lançado através dos formatos digital, CD e vinil pela mão da editora independente
Azure Vista Records, enraizada na nórdica cidade de Odense (Dinamarca)
e essencialmente especializada na disseminação do universo da música electrónica. Orvalhado
por um sonho sublimemente musicado de onde se revelam um embrumado, melancólico,
bucólico e embriagado Shoegaze sintonizado na mesma frequência dos ingleses Slowdive, e um misterioso, cósmico, hipnótico e ocioso Dream
Pop na linha dos escoceses Cocteau Twins, este novo registo do duo vem
embrulhado numa experimental alquimia electrónica que cultiva no solo do ouvinte
todo um apaziguante, sedativo e reconfortante sentimento de doce nostalgia capaz
de o embalar, mitigar e enfeitiçar do primeiro ao derradeiro minuto. A sua sonoridade arejada,
espaçada e ambiental – desenvolvida em slow-motion, e magicada por uma
textura melodiosa, paradisíaca, mística e aquosa – desdobra no nosso imaginário
todo um cinematográfico crepúsculo de fluorescência colorida e desfocada que se
entrega demoradamente aos negros e aveludados braços da noite. Submersos e
prazerosamente desmaiados nas profundezas deste vívido sonho açucarado, somos
absorvidos, embevecidos e namorados pelas líricas e fantásticas composições caprichosamente deambuladas
e ecoadas por um sintetizador alienígena de mugidos etéreos, ébrios e angelicais
que embrumam de frescas, fluídas e cheirosas harmonias os oito temas que
compartimentam esta obra divinal, e pelos delicados, ternurentos e deslumbrados
acordes copiosamente florescidos de uma guitarra estética, opalina e profética que surfa
com desarmante formosura toda a pacífica ondulação electrónica. ‘Eight
Fragments Of An Illusion’ é um admirável registo repleto de uma monção de aromas
frutados, suaves ventos tropicais, e uma transformadora calma que nos gravita e
agita. Um quimérico álbum ofuscado a intensa beatitude e climatizado a uma ataráxica
envolvência que em nós instaura toda uma permeabilidade sensitiva. Banhem-se
nas nirvânicas águas da introspecção, e recebam uma terapêutica massagem
cerebral de afago espiritual. Não vai ser nada fácil – ou sequer desejado – despertar
de todo este radioso psicadelismo bocejante e aceitar que a utópica ilusão terminara, dando lugar ao desconfortável e atordoante silêncio que reinará na ressaca da
sua audição. Esta é a banda-sonora perfeita para emoldurar finais de tarde ensolarados.
Links:
➥ Ulrich Schnauss Facebook
➥ Jonas Munk Facebook
➥ Azure Vista Records
➥ Bandcamp
sábado, 24 de abril de 2021
Review: ⚡ Hekate - 'Sermons to the Black Owl' (2021) ⚡
Da insuspeita Austrália
chega-nos uma das mais ousadas e impactantes surpresas sonoras do ano. ‘Sermons
to the Black Owl’ dá nome ao irrepreensível álbum de estreia forjado
pelo pujante quarteto Hekate, e que fora lançado na segunda metade do
passado mês de Março através da exclusiva forma digital (ainda que com a
garantia de uma futura edição em formato físico de vinil pela jovem mão da editora discográfica local Black Farm Records). Consequência de um nebuloso,
obscurantista e trevoso ritual onde são esconjurados e conjugados um enlutado, imperioso,
intrigante e fibrado Proto-Doom de ameaçadoras feições luciféricas, um musculoso,
oleado, flamejado e rumoroso Hard Rock de roupagem setentista, e ainda
um glorioso, torneado, serpenteado e majestoso Heavy Blues de sedutora fragância,
este primeiro registo da formação australiana impõe-se de faca nos dentes,
olhar fulminante e mangas arregaçadas. A sua poderosa sonoridade – que mescla a
demoníaca liturgia de Black Sabbath com o tenso negrume de Saint
Vitus e a enigmática feitiçaria de Witchcraft – pendula entre alucinadas,
eufóricas e destravadas galopadas esporeadas a escaldante ferocidade, e melancólicas,
embriagadas e misantrópicas passagens mergulhadas numa abissal obscuridade de beleza outonal. Consumidos nas negras lavaredas de Hekate, somos inflamados e
dominados pela urticante, titânica e rangente opulência de duas guitarras
predatórias que hasteiam tenebrosos, fumegantes, provocantes e montanhosos Riffs
estriados de electrizantes, escorregadios, giratórios e esvoaçantes solos em ciclónica
e enlouquecedora debandada, um mastodôntico baixo de reverberação altiva e massiva
que bafeja linhas pesadas, umbrosas, polposas e onduladas, uma bateria rutilante,
explosiva e faiscante que é vergastada e pregueada a violenta, intensa e
desenfreada pujança, e ainda uma voz vampírica de tonalidade intoxicante, perfurante,
ácida e fantasmagórica que sobrevoa e assombra toda a atmosfera infernal de ‘Sermons
to the Black Owl’. Este é um álbum verdadeiramente avassalador que nos
centrifuga os sentidos, atesta de adrenalina e deixa em polvorosa. Uma abrasiva,
opressiva e triunfante cavalgada, locomovida a frenética rotação e de consumo
impróprio para cardíacos, que nos bombardeia, endoidece e incendeia de fascinada e transbordante
excitação. Precipitem-se numa veemente convulsão, incinerem-se numa eruptiva combustão,
e deixem-se engolir por este monstruoso furacão tricotado a endorfinas. Um dos
registos mais influentes e apoteóticos de 2021 está aqui. Encarvoem-se, demonizem-se e
empoderem-se nele.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Black Farm Records


























