quinta-feira, 9 de dezembro de 2021
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
terça-feira, 7 de dezembro de 2021
segunda-feira, 6 de dezembro de 2021
Review: ⚡ Smooth Motion - 'Boogie Inside' (2021) ⚡
Da cidade de Rennes
(Bretanha, França) chega-nos o perfumado, colorido e ritmado
revivalismo musical farolizado pelo talentoso quarteto Smooth Motion que
nos presenteia e prazenteia com o seu novíssimo álbum intitulado ‘Boogie
Inside’ e lançado sob a forma digital e CD. Orientada por um vistoso, dançante,
empolgante e pomposo Progressive Rock de balanço Boogie, corante Bluesy
e evocação setentista, a sonoridade festiva, altiva e afrodisíaca desta erudita turma francesa passeia-se e galanteia-se de forma charmosa, livre e ostentosa
pelos oito temas que preenchem os seus 37 minutos de duração. De corpo
serpenteante, cabeça rodopiante e embalados neste excitante swing de cores
vibrantes, ritmos provocantes e visões caleidoscópicas, somos embriagados e naufragados pela
tentadora, redentora e extasiante fragância de Smooth Motion. Toda uma exótica,
burlesca, feérica e carnavalesca ambiência – ensolarada a diluviano, imersivo e neptuniano
psicadelismo à boa moda dos irreverentes 60’s – que nos gravita, incendeia e
agita num perfeito estádio de acalorado regozijo. De inspiração resgatada a carismáticas
referências do género, tais como Deep Purple, Atomic Rooster ou Genesis,
e contando com um vincado cunho pessoal, a majestosa, bem-disposta e gloriosa sonoridade
de ‘Boogie Inside’ é lavrada por um cremoso e deslumbrante teclado de
ziguezagueantes, harmoniosos, airosos e exuberantes bailados, uma guitarra prismática e alucinógena
de solos sinuosos, intoxicantes, extravagantes e esplendorosos, um baixo elástico
de linhas magnetizantes, encaracoladas, tonificadas e pulsantes, uma bateria
soberbamente jazzística de circenses acrobacias pelos timbalões
galopantes e pratos chamejantes, e ainda uma voz pitoresca e liderante – de tonalidade
aristocrática, dramática e avinagrada – que se impõe com ácida virilidade neste
expressivo bacanal instrumental. Deixem-se ofuscar pelo intenso brilho
revivalista de Smooth Motion e comunguem com imoderado entusiasmo este LSD
auditivo de regeneração sensorial, dilatação consciencial e consagração espiritual. Este é um registo tremendamente viciante, estético e vivificante. Um dos meus álbuns favoritos de 2021 está aqui, na espirituosa, faustosa e
contagiante folia de ‘Boogie Inside’. Dancem-no até perderem o
fôlego e desfalecerem num súbito desmaio de prazer.
sábado, 4 de dezembro de 2021
sexta-feira, 3 de dezembro de 2021
quinta-feira, 2 de dezembro de 2021
Review: ⚡ Altareth - 'Blood' (2021) ⚡
Da gélida e
húmida cidade de Gotemburgo (situada no sul da Suécia) chega-nos
o impactante álbum de estreia do auspicioso quinteto nórdico Altareth.
Lançado nos primeiros ares do passado mês de Novembro pela mão da Magnetic Eye Records sob
os formatos digital, CD e vinil, ‘Blood’ ostenta toda uma imersiva,
obscura, altiva e bafienta cerimónia de adoração pagã, liderada por um trevoso,
intrigante, arrogante e imperioso Proto-Doom de sacerdotais vestes Black
Sabbath’icas e geometrias Pentagram'icas, e um intoxicante, brumoso, lodoso e inflamante Psychedelic
Doom cozinhado com os mesmos condimentos de bandas como Windhand, Uncle
Acid & the Deadbeats e Green Lung. A sua sonoridade cáustica,
pantanosa, umbrosa e ocultista – que edifica no nosso imaginário desoladoras paisagens climatizadas a perniciosa
misantropia e pinceladas a esbatida melancolia – profana a alma do ouvinte e sepulta-a
no negro solo do lado eclipsado da religiosidade. De pálpebras seladas, tronco
pesadamente baloiçado e pálido rosto tombado sobre o peito, somos capturados, enlutados
e embalados numa fumarenta, demoníaca, ritualística e bolorenta narcose chefiada
por duas guitarras luciféricas que se agigantam na ascensão de tenebrosos, magnéticos,
tétricos e gordurosos Riffs fervidos no urticante, sujo e chamejante
efeito Fuzz, e uivam lustrosos, fecundantes, trepidantes e tortuosos solos
de brancura ofuscante, um baixo arrastadamente bafejante de ressonância obesa,
enegrecida, coesa e possante, uma bateria trovejante que – com batidas incisivas,
vigorosas, rumorosas e explosivas – relampeja todo este massivo negrume, e uma
vampírica, avinagrada, enregelada e cadavérica voz – de atormentadas feições Ozzy
Osbourne’scas – que esvoaça e ecoa por toda a atmosfera
amaldiçoada de ‘Blood’. São 45 minutos inundados de uma mefistofélica liturgia que nos
faz cair nos abismos da sua infernal tentação e comungar este sangrento cálice
de Altareth. Um dos álbuns mais prepotentes do ano está aqui, no acrimonioso
obscurantismo exalado pelo colectivo sueco. Percam-se e poluam-se nas suas intermináveis trevas.
Links:
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➥ Magnetic Eye Records