sábado, 19 de novembro de 2022
sexta-feira, 18 de novembro de 2022
Review: 🔮 SAPNA - 'SAPNA' (2022) 🔮
Proveniente da populosa cidade de Nashville (capital do estado norte-americano do Tennessee) chega-nos o homónimo álbum de estreia (e que estreia!) do power-trio SAPNA, lançado no início do presente mês através do exclusivo formato digital (ainda que com a garantia deixada pela banda de uma futura edição em formato vinil pela Infinite Spin Records calendarizada para o próximo ano). Incensado por um mântrico, meditativo, hipnótico e devocional Psychedelic Doom de caligrafia oriental – capturado pelas labirínticas teias de um circundante, repetitivo e obcecante Drone, e magicado por um arejado, colorido e empoeirado experimentalismo de admirável propulsão astral – ‘SAPNA’ aponta as suas antenas para referências como OM, Mammatus, Ufomammut e White Buzz. A sua sonoridade obscurantista, enfeitiçante, ambiental e ritualista embala o ouvinte numa arrebatadora, absorvente e desorientadora odisseia pelos infindáveis desertos da espiritualidade. Dissolvidos num profundo torpor mental e soterrados num imperturbável estádio de sonambulismo norteado a religioso misticismo, vagueamos e naufragamos pelo etéreo universo de SAPNA. Num constante pêndulo entre a doce letargia que nos faz dormitar e a vulcânica euforia que nos faz estremecer de prazer, a nossa consciência é desenraizada e catapultada de encontro aos jardins celestiais que florescem no negro solo do cosmos bocejante. Na composição deste poderoso fármaco de natureza psicotrópica gravitam entre si uma esfíngica guitarra de idioma alienígena que se avoluma em montanhosos, opressivos, altivos e brumosos riffs – escaldados a fervilhante, corrosiva, arenosa e crocante distorção – de onde são vertidos ácidos, atordoantes, ziguezagueantes e translúcidos solos, vocais espectrais, subterrâneos, messiânicos e espaciais, um baixo obeso de bafo possante, tenso, denso e magnetizante, e uma bateria tanto acintosa e incisiva como calmosa e sedativa que pauta na perfeição os contrastados climas do álbum. A ilustração deífica, sacra e salvífica – apelidada de “Paradiso Canto 31” - que confere rosto a esta transformadora obra, pertence ao clássico pintor francês do século XIX Gustave Doré. São 48 minutos de uma implacável narcose que nos distorce a lucidez e revolve numa inescapável náusea. ‘SAPNA’ é um registo enigmático, esotérico e piramidal que nos embacia, seduz e extasia do primeiro ao derradeiro tema. Banhem-se no seu diluviano misticismo e vivenciem com transbordante devoção todo o ofuscante esplendor de um dos grandes álbuns do ano. Corações ao alto.
quinta-feira, 17 de novembro de 2022
quarta-feira, 16 de novembro de 2022
segunda-feira, 14 de novembro de 2022
Review: 🦇 Death Trip - 'Mount Doom' (2022) 🦇
Da cidade de Winnipeg
(capital da província canadense de Manitoba) chega-nos uma das grandes
surpresas musicais do ano. ‘Mount Doom’ é o mastodôntico álbum de
estreia do jovem tridente ofensivo Death Trip – acabado de ser lançado
através dos formatos LP e digital – e vem atestado de um nebuloso, fumarento,
virulento e montanhoso Psychedelic Doom de forte odor canábico que gravita
numa envolvente dança de forças com um electrizante, gorduroso, ostentoso e serpenteante
Heavy Blues de estonteante toxicidade. A sua sonoridade encarvoada a
trevosa negrura, locomovida a contrastadas velocidades e electrificada a sónica
fervura, balanceia-se e esperneia-se com tentadora lubricidade, provocando no
ouvinte uma febril adrenalina reproduzida em slow-motion. Conseguem imaginar
uma endiabrada jam session entre Black Sabbath, Jimi Hendrix,
Sleep, Earthless e Acid King? Se sim, acabam de pisar e sondar os místicos territórios dos canadianos Death Trip. De semblante esbranquiçado e
pupilas dilatadas, mergulhamos nas abissais profundezas cósmicas de ‘Mount
Doom’, embarcando numa enlouquecedora montanha-russa de entontecidas visões
caleidoscópicas. São 37 minutos de selvática alucinação que tanto nos relaxa e alcooliza
como sacode e euforiza sem qualquer moderação. Na constituição deste poderoso
narcótico de propulsão sensorial e consagração espiritual vagueia uma guitarra titânica
– de sotaque Iommi’esco e encrostada a vulcânica distorção
– que se agiganta e robustece na ascensão de dominantes, obscurantistas, implacáveis
e triunfantes riffs, e endoidece na condução de um psicotrópico furacão onde
redemoinham delirantes, ácidos, escorregadios e berrantes solos Hendrix’eanos,
balanceia um baixo umbroso, carrancudo, elástico e fibroso de sísmica
reverberação, e bombardeia uma incisiva, tonitruante, galopante e propulsiva bateria
de baquetas chamejantes. ‘Mount Doom’ é um álbum tremendamente empolgante,
lascivo, altivo e viciante que me preenchera as medidas. Um registo de dimensão
monolítica que nos sombreia, cativa e incendeia. Vai ser impossível ouvi-lo
apenas uma vez, duas ou três. Banhem-se na borbulhante e urticante efervescência
de Death Trip, e comunguem com transbordante e incessante entusiasmo um
dos álbuns mais enfeitiçantes de 2022.
domingo, 13 de novembro de 2022
sábado, 12 de novembro de 2022
sexta-feira, 11 de novembro de 2022
quinta-feira, 10 de novembro de 2022
quarta-feira, 9 de novembro de 2022
Review: 🍄 The Wild Century - 'Organic' (2022) 🍄
Depois de no
passado ano ter sido intensamente ofuscado pelo álbum ‘5’ (aqui
copiosamente elogiado), o fabuloso quinteto holandês The Wild Century –
domiciliado na cidade de Breda – descortina agora o seu novo álbum ‘Organic’,
lançado pela companhia discográfica alemã Tonzonen Records através dos
formatos LP, CD e digital. Embrulhado num imersivo, lisérgico, caleidoscópico e
explorativo Psychedelic Rock de efervescência Jimi Hendrix’eana
e vibrante, deslumbrante e festiva coloração sessentista, num elegante, swingado,
perfumado e inebriante Blues-Rock de estética The Doors’eana,
e num irreverente, apimentado, ritmado e fervente Garage-Rock sintonizado
na mesma frequência de The Stooges, o terceiro álbum destes hippies
da era moderna envolve, contagia e revolve o ouvinte num ácido e alucinógeno revivalismo
trazido dos psicadélicos anos 60, adulterado por um corante de sofisticada
contemporaneidade. Dissolvidos nas profundezas deste LSD sonoro e
centrifugados numa febril hipnose em forma de repetitiva espiral, ‘Organic’
tem a capacidade de nos desfocar a lucidez e atestar de uma etérea embriaguez. São
38 minutos saturados de um mântrico encantamento que nos enevoa, embevece e
atordoa. Embarquem nesta multicolorida, palpável, tântrica e inescapável narcose
climatizada por uma guitarra druídica que se meneia em sumarentos, narcóticos,
prismáticos e obcecantes riffs de onde esvoaçam penetrantes,
escorregadios, fugidios e alucinantes solos de intoxicante acidez, um baixo
polposo de ondulantes, fluídas, flexíveis e magnetizantes linhas desenhadas a
negrito, uma expressiva bateria escoiceada a dinâmica, fogosa, aparatosa e
criativa ritmicidade, um harmonioso teclado de intrigantes, esponjosos, aquosos
e refrescantes mugidos, uma mágica cítara de fragância oriental e afago mental,
e vocais deleitosos de feições tanto educadas e melosas quanto gritadas e
espalhafatosas. ‘Organic’ vive por entre sedadas, seráficas e sublimadas
baladas de radiância crepuscular, que se vão desenvolvendo e remexendo até alcançar
um clímax verdadeiramente nirvânico, e chamejantes, deliradas e empolgantes correrias
de transbordante euforia que nos dilatam as pupilas, aumentam a tensão arterial
e dispersam os sentidos. Don’t panic, it’s organic.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Tonzonen Records





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