sábado, 3 de dezembro de 2022
sexta-feira, 2 de dezembro de 2022
Review: 💫 Kanaan - 'Diversions Vol. 1: Softly Through Sunshine' (2022) 💫
Com seis
álbuns na sua estante discográfica e sem um único passo em falso a apontar-lhes,
os noruegueses Kanaan são hoje uma das minhas bandas de eleição.
Combinando o Jazz como figura reinante – género musical da sua formação
académica – com o Psychedelic Rock, Space Rock, Krautrock
e até o Experimental, este tridente escandinavo, natural da cidade-capital
Oslo, presenteia invariavelmente os seus ouvintes com propostas ousadas,
mas imensamente inovadoras e aliciantes. Contando com o reforço pontual de um
teclista e empolando a sua veia curiosa e experimental a níveis nunca antes alcançados
na musicalidade da banda, os Kanaan descortinam ‘Diversions
Vol. 1: Softly Through Sunshine’ – através de quatro edições coloridas
e ultra-limitadas a 100 unidades cada em vinil, bem como sob a forma digital –
pela mão do selo discográfico local Jansen Records. Magicada por um esdrúxulo,
exploratório e desregrado experimentalismo de alquimia electrónica, arejada
por um milagroso, odoroso e pastoral psicadelismo de ambiência onírica e
clima estival, e efervescida por um expressivo, anguloso, imaginativo e majestoso
Jazz-Rock de impressivos e explosivos resvalos Avant-garde, a
sonoridade camaleónica deste sexto trabalho de longa duração do engenhoso power-trio
norueguês (aqui metamorfoseado em quarteto) passeia-se do embaciado, etéreo e ensolarado minimalismo de
instrumentos amainados ao hermético, magnético e labiríntico espalhafato de
instrumentos em sónica debandada. Oxigenado por simbióticas, ácidas e
espontâneas Jams de natureza instrumental e contrastados moods
que ricocheteiam entre a relaxante e bucólica quietação e a alucinante e claustrofóbica
ebulição, ‘Diversions Vol. 1: Softly Through Sunshine’ é uma rebuscada obra
de complexidade estética que se agiganta progressivamente em nós com o acumular
de renovadas audições. Percam-se e encontrem-se por entre os luminosos acordes e
aparatosos solos de uma guitarra bailante, as tonificadas reverberações de um
baixo hipnotizante, os coices endiabrados de uma bateria ciclónica, e toda uma encantadora
profusão de harmoniosos teclados que orvalham a madrugada deste paradisíaco sonho
acordado. Este é um álbum de personalidade bipolar onde a aprumada arrumação e
a indisciplinada balbúrdia coabitam e dialogam em afável cumplicidade. Abram as
janelas laterais da vossa mente e experienciem com detido fascínio este novo
rasgo criativo dos sempre imprevisíveis Kanaan.
Links:
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➥ Jansen Records
quinta-feira, 1 de dezembro de 2022
quarta-feira, 30 de novembro de 2022
terça-feira, 29 de novembro de 2022
segunda-feira, 28 de novembro de 2022
Review: 🪐 КОМВУИАТ ЯОВОТЯОИ - 'Dickfehler Studio Treffen 2' (2022) 🪐
Dois anos após
o lançamento da primeira parte da sublimada e exploratória jam-session intitulada
‘Dickfehler Studio Treffen’ (aqui vivamente experienciada e textualmente
narrada), eis que os cosmonautas germânicos de instrumentos empunhados Kombynat
Robotron disponibilizam agora o tão aguardado segundo capítulo desta
fantástica odisseia. Lançado nos formatos digital e LP pela mão da fértil
discográfica britânica Drone Rock Records, este fascinante registo de
essência instrumental – o vigésimo do quarteto sediado na cidade de Kiel
em apenas quatro anos de inesgotável criatividade e imparável produção discográfica
– gravita em órbita de um magnético, esponjoso e morfínico Krautrock de
propulsão astral – aliado a um intoxicante, balsâmico e delirante Psychedelic
Rock de absorvente textura Drone’sca, e um deslumbrante,
etéreo e viajante Space Rock com vista panorâmica para as estrelas.
Irrigada por generosas doses de um alienígena e refrescante experimentalismo que
se manifesta de forma livre, sem fronteiras que o espartilhem, a apaziguante,
embrumada e narcotizante sonoridade de ‘Dickfehler Studio Treffen 2’
desenraíza o ouvinte da gravidade terrestre e embala-o numa adorável, inescapável
e transcendente hipnose pela desmesurada vacuidade de um Cosmos sonolento. De
pálpebras seladas, narinas dilatadas, cabeça entorpecida e pesadamente
baloiçada de ombro a ombro, e espírito profundamente enfeitiçado, vagueamos e naufragamos
prazerosamente na eterna vertigem de Kombynat Robotron sem garantias de
um regresso ao ponto de partida. Capturados e relaxados pela lisérgica sedução
que as suas intuitivas, ácidas e evolutivas jams exalam, embalamos numa ataráxica
levitação – reproduzida em slow-motion – de encontro ao tão almejado
transe espiritual. Na composição deste poderoso opiáceo estão duas guitarras
embriagadas que se envolvem e revolvem num flirt de obcecantes, libidinosos
e contagiosos acordes de onde são destilados solos mirabolantes, frígidos e ecoantes,
um baixo liderante – balanceado a linhas pulsantes, hipnóticas e ondeantes – que
soletra repetida e incansavelmente todas as sílabas do riff-base, e uma bateria minimal – tiquetaqueada a uma repetitiva precisão robótica – que pauta toda esta
entontecida narcose com o inflexível rigor de um relógio suíço. São 44 minutos –
compartimentados em quatro longas faixas – dissolvidos na abissal intimidade de
um sono profundo que nos massaja o cerebelo e estaciona num inamovível estádio
de transe. Não vai ser nada fácil – ou sequer desejado – despertar disto.




















