quinta-feira, 8 de junho de 2023

🦅 Eagles - "Take it easy" (live, 1977)

🍹 El Perro @ Freak Valley 2023

🦇 Black Sabbath

😱 King Crimson - "Epitaph" (1969)

Review: ⚓️ The Silver Linings - 'The Silver Linings' EP (2023) ⚓️

★★★★☆

Da cidade sulista de Málaga (Andaluzia, Espanha) chega-nos um dos mais sérios candidatos a melhor registo de curta duração de 2023. ‘The Silver Linings’ é o homónimo EP de estreia (e que estreia!) da banda andaluza, lançado sob a exclusiva forma digital, mas com a promessa do lançamento de um LP calendarizado para o outono debaixo da alçada do influente selo discográfico local Spinda Records (com o qual o quinteto acaba de celebrar um vínculo contratual). Este sumarento cocktail tricolor, onde se identifica e apalada um colorido, caleidoscópico, exótico e ensolarado Psychedelic Rock – a fazer recordar Causa Sui, Papir e Sun River – de fragância oceânica, calor tropical e acidez sessentista, um alucinógeno, ritualístico, místico e sideral Space Rock de alienígena idioma Hawkwind’esco, escapismo sónico e amplificação consciencial, e um galopante, ritmado, magnético e contagiante Krautrock de absorvente pulsação CAN’ica que mumifica o ouvinte na sua inescapável teia sonora, provoca no ouvinte todo um arco-íris de boas sensações que o aureola do primeiro ao derradeiro tema. A sua sonoridade ataráxica, viajante, deslumbrante e camaleónica embala-nos numa vertiginosa hipnose – rica em sacarose – que nos subtrai a lucidez e mergulha nas profundezas da sinestésica embriaguez. De olhar ofuscado por uma intensa luzência diamantina, narinas dilatadas na inalação da cheirosa brisa marítima, ouvidos salivantes onde penetra o grasnar de gaivotas esvoaçantes, sorriso desabrochado no rosto bronzeado e pés desnudos, soterrados nas suavizantes e douradas areias onde um perpétuo vai-e-vem de frescas e espumosas ondas desmaiam, somos eclipsados e sedados pela paradisíaca toxicidade de The Silver Linings. Na composição desta irresistível iguaria mediterrânica perfilam-se duas guitarras lisérgicas que se enlaçam em dançantes, voluptuosos e refrescantes acordes e desenlaçam em escorregadios, prismáticos e fugidios solos, um baixo murmurante de linhas saltitantes, hipnóticas e ondeantes, uma bateria propulsiva – aliada a uma percussão tribal – de ritmos quentes, movediços e absorventes, um quimérico teclado de mil coros angelicais, e uma voz robotizada, distorcida e espectral. A maravilhosa e chamativa ilustração desta bonita obra aponta os seus créditos autorais ao artista espanhol Antonio Ramírez, que traduzira com exactidão para o universo visual todo o psicadelismo pelágico que navega a musicalidade desta jovem banda. ‘The Silver Linings’ é um nirvânico sonho acordado. A banda-sonora perfeita para musicar o verão que se avizinha. Deixem-se dissolver e embevecer nesta esponjosa e deleitosa odisseia marítima, e se avistarem o deus Poseidon, talvez não seja uma miragem.

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segunda-feira, 5 de junho de 2023

👽 Lemmy Kilmister // Hawkwind (1972)

📸 Gijsbert Hanekroot

Rufus & Chaka Khan - "Once You Get Started" @ TopPop (1975)

Quest For Fire - 'Lights From Paradise' (2010, Tee Pee Records)

✈️ Budgie - 'Squawk' (1972)


🎨 Roger Dean

Review: 🔮 Lars Fredrik Frøislie - 'Fire Fortellinger' (2023) 🔮

★★★★★

Da cidade-capital norueguesa de Oslo chega-nos o mirífico álbum de estreia do multi-instrumentista Lars Fredrik Frøislie (teclista de Wobbler), que conta com a colaboração do baixista Nikolai Hængsle (Elephant9 e Needlepoint). Recém-lançado pela mão do influente selo discográfico norueguês Karisma Records nos formatos físicos de LP e CD, ‘Fire Fortellinger’ vem climatizado por um medieval, romanesco, poético e magistral Progressive Rock de épica dramaturgia que passeia de mãos dadas a um primaveril, charmoso, odoroso e pastoril Folk pincelado a enternecedora melancolia. Norteada pela intrigante mitologia escandinava e cativantes relatos de eventos ancestrais, bem como impregnada em indiscretas influências britânicas resgatadas dos dourados anos 70 como YES, Gentle Giant, Genesis, Jade Warrior, Camel e Emerson, Lake & Palmer, a sua quimérica, estética e novelesca sonoridade caminha airosa e graciosamente pelas sumptuosas, frescas e cheirosas melodias que compõem este primeiro e glorioso passo discográfico a solo do talentoso músico nórdico. Esculpido por composições de traje aristocrático, natureza erudita e destreza irrepreensível, ‘Fire Fortellinger’ conduz o ouvinte pelas virginais paisagens naturais da velha Noruega. Uma reparadora, ataráxica e libertadora experiência, sublimemente musicada por toda uma mística, nirvânica e onírica profusão de enfeitiçantes teclados clássicos (cravo, Mellotron, MiniMoog, Yamaha CP70 e um órgão Hammond) – de onde saltitam soltas e consonantes notas de beleza lapidar, esvoaçam imersivos e expressivos bailados serpenteantes, e mugem polposos e misteriosos coros astrais e inebriantes –, um vistoso baixo de linhas possantes, magnéticas, elásticas e ondeantes que sombreia e mareia este navio viking, uma cintilante, acrobática, fogosa e enfática bateria – de apaixonante requinte jazzístico – que pauta com distinção tanto a quimérica quietação como a troante comoção, e uma voz lírica, sóbria e profética – entoada no seu idioma nativo – que completa na perfeição esta caprichada, doce e frutada fragrância norueguesa. Este é um álbum imensamente garboso, primoroso e enleante que nos faz dançar e sonhar bem alto. Uma obra extraordinariamente cativante, inspiradora e divinal, de arquitectura cerebral e beatitude imortal, que em nós causa todo um apego impossível de quebrar e uma imensa permeabilidade emocional. Um purificante bálsamo de lívida brancura que nos cega de devota fascinação e reconforta nos braços da plena jubilação. Deixem-se absorver e embevecer nesta encantadora epopeia nórdica e vivenciem – com um incontrariável sorriso no rosto, uma inapagável expressão fantasista no olhar e uma imperturbável sensação de bem-estar na alma – todo o mágico esplendor de um disco batizado pelos astros.

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