sexta-feira, 24 de junho de 2016

🎧 It's Not Night: It's Space - 'Our Birth is but a Sleep and a Forgetting' (2016)

Review: ⚡ Pale Grey Lore - ‘Pale Grey Lore’ (2016) ⚡

É justo começar por admitir que este é um dos álbuns que mais prazer me deu comungar nos últimos meses e ao qual devo esta nebulosa e duradoura embriaguez que tarda em se dissipar no lúcido e pálido silêncio que se instaurara logo após o final da audição. Simbolizando a estreia deste power-trio natural de Columbus, Ohio (EUA) apelidado de Pale Grey Lore, este álbum homónimo aprisiona um empolgante e dançante Heavy Psych de assustadoras feições Doom’escas e rebeldes ares Garage’iros que depressa nos converte em seus devotos seguidores. Baseado numa sonoridade vigorosa, cáustica e inquisidora que se galanteia com delicadeza, este ‘Pale Grey Lore’ representa o lado mais mélico e harmonioso do Psych Doom. Toda esta fascinante cavalgada é nutrida por uma portentosa guitarra de bailados luciféricos que ruge intimidantes, densos e monolíticos riffs que se perdem por entre os hipnóticos, delirantes e estonteantes solos que nos chicoteiam, desvairam e induzem a uma doce e relaxante exaltação; um baixo sombrio de linhas pulsantes, maciças e orgânicas que robustece toda esta titânica descarga sonora, segurando com firmeza e autoridade as rédeas do riff; uma voz límpida e etérea que se passeia e sobressai com sensual e encantadora elegância, e uma bateria explosiva e redentora – movida a um ritmo crescentemente empolgante – que condimenta com emocionante distinção toda esta intensa e poderosa avalanche sonora que nos arrasa e euforiza. Este é um disco verdadeiramente sedutor que nos detém do primeiro ao último tema. Um disco de deliciosa condução rítmica que nos domina, excita e incita a vivenciá-lo de forma completamente submissa. Deixem-se enfeitiçar pela veemente e narcotizante radiância de Pale Grey Lore e sintam-se transcender numa ininterrupta e desvairada erupção de prazer.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Monarch - 'Two Isles' (29/07 via El Paraiso Records)

Review: ⚡ If These Trees Could Talk - ‘The Bones of a Dying World’ (2016) ⚡

Apesar de nos últimos anos me ter distanciado do Post-Rock e redirecionado a minha atenção para outros segmentos musicais, os americanos If These Trees Could Talk são sempre motivo de regressar a esta vertente tão estética e cinematográfica da música Rock. Depois de lançados ‘Above the Earth, Below the Sky’ (2009) e ‘Red Forest’ (2012), este quinteto sediado na cidade de Akron (Ohio, EUA) acaba de desprender o sublime e hipnótico ‘The Bones of a Dying World’ via Metal Blade Records. Este álbum de natureza sonhadora apresenta-nos um deslumbrante e outonal Post-Rock - conduzido com desarmante sensibilidade e lubricidade – que desagua num robusto, cáustico e redentor Post-Metal capaz de nos agitar prazerosamente. A sua fascinante sonoridade projecta em nós toda uma fantástica narrativa visual que nos acompanha do primeiro ao último tema de ‘The Bones of a Dying World’. É verdadeiramente relaxante deixarmo-nos seduzir e conduzir pelos inventivos, plangentes e rendilhados solos de três guitarras orgiásticas em perfeita cumplicidade, e agigantarmo-nos à boleia dos seus riffs densos, reverberantes e montanhosos. Sintam o pesado e intimidatório bafo de um baixo sussurrante e depressivo que se manifesta em obscuras e contemplativas linhas, e balanceiem os vossos corpos ao entusiástico e excitante ritmo de uma bateria dinâmica de propensão ofensiva que nos esporeia e fortalece toda esta radiosa, nebulosa e delirante comoção de êxtase. Este é um dos álbuns mais sublimes e envolventes de 2016. Um álbum criador de uma cúpula que nos reveste, massaja e encanta. Percam-se nas sagradas e oníricas estradas de ‘The Bones of a Dying World’ e testemunhem a resplandecente ataraxia irromper da soturnidade e ancorar na vossa alma embriagada. 

Berkeley Barb (1970)

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Review: ⚡ Muddy Brothers - ‘Facing the Sky ​(​Backwards)’ (2016) ⚡

Do outro lado do oceano Atlântico chega-nos o entusiástico Heavy Psych N’ Blues do power-trio brasileiro Muddy Brothers. Depois de lançados ‘Handmade’ (em 2013) e o EP ‘Seasick’ (em 2014), esta banda natural de Vila Velha (no estado de Espírito Santo, Brasil) lança o seu terceiro registo apelidado de ‘Facing the Sky (Backwards)’ via Läjä Records. Este novo álbum encerra um cálido e inflamante Heavy Psych Rock de influência Cream’eana aliado a um elegante e torneado Delta-Blues banhado pelo rio Mississippi. Esta fervilhante mistura de sonoridades resulta numa extasiante detonação de ritmos poderosos e sedutores que nos assaltam e inquietam do primeiro ao último tema do disco. Fundamentado numa sonoridade desértica capaz de nos bronzear e embriagar a alma, este ‘Facing the Sky (Backwards)’ provocara em mim um efeito de amor à primeira audição do qual ressacarei por muito e muito tempo. Como ingredientes desta prazerosa descarga musical estão uma deslumbrante guitarra de acordes dançantes e solos alucinantes que tanto se transcende em eufóricos e desgovernados espasmos como se aquieta e passeia tranquilamente pelas poeirentas e contemplativas estradas sonoras deste álbum; um baixo hipnótico de pulsação robusta, ondulada e bem demarcada que se serpenteia airosamente pelas douradas e aveludadas dunas de ‘Facing the Sky (Backwards)’; uma bateria estimulante e galopante que pauta e tonifica a musicalidade de Muddy Brothers com firmeza e criatividade, e uma voz agradável, frígida e penetrante que se envaidece com distinção. De destacar ainda os bailados sidéricos e delirantes de um sintetizador envolvente que perfuma a atmosfera do tema que dá nome a este disco. ‘Facing the Sky (Backwards)’ é um álbum imensamente sedutor que tanto nos convida a vivenciar desinquietos estados de exaltação como nos embalsama e mumifica num profundo estado morfínico. Deixem-se encantar pela intensa radiação de Muddy Brothers num dos discos mais adoráveis de 2016.