domingo, 18 de setembro de 2016

Uncle Acid and the deadbeats

She Killed in Ecstasy (1971)

Review: ⚡ Buffalo Fuzz - 'Buffalo Fuzz' (2016) ⚡

Está lançado o álbum de estreia dos norte-americanos Buffalo Fuzz. Este power-duo de alma mergulhada na região do delta do rio Mississippi e natural da populosa cidade de Minneapolis (no estado do Minnesota, EUA) apresenta-nos uma elegante, excitante e alucinante descarga de Heavy Blues a pendular entre o estilo clássico e o mais irreverente que nos agita do primeiro ao derradeiro tema de ‘Buffalo Fuzz’. A sua sonoridade suja, inflamante e oxidada pelo efeito fuzz é conduzida a volúpia e depressa nos conquista, remetendo-nos a um estado de puro encantamento. É demasiado fácil dançá-lo detida e hipnoticamente como que uma cobra Naja serpenteia fixamente a flauta indiana. A extravagante guitarra de sublimes e atraentes acordes que se transcendem em gritantes e estonteantes solos, espreguiça-se com graciosidade e excentricidade nesta atmosfera solarenga de ‘Buffalo Fuzz’, enquanto que o baixo groove’sco de linhas pulsantes, robustas, contemplativas e imensamente magnetizantes tonifica com constância o riff base, a bateria de emoções ao rubro esporeia e cavalga a musicalidade de Buffalo Fuzz de rédeas firmemente empunhadas, e a agradável e delgada voz passeia-se com ternura e distinção neste álbum que tão bem conjuga o requinte com a indelicadeza. Este é um disco para ser ouvido relaxadamente num dia calmo, límpido e solarengo. Não esperem pelo Outono para bronzearem a alma com esta embriagante e cáustica radiação de Blues, e comungarem um dos mais belos álbuns de 2016.

70's Heavy Psych N' Blues

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Brant Bjork - "The Greeheen" [@ 'Tao of The Devil', 2016]

Dinosaur Jr.

Heavy Temple - 'Chassit' EP (18-11-2016)

Review: ⚡ Reverence Valada 2016 ⚡ [Dia 2 - Sábado]

Ainda a manhã de sábado se espreguiçava quando um fulgurante banho solar irrompera pelos céus límpidos de Valada e desmaiara acima das tendas atracadas no Parque de Merendas. As minhas pálpebras já seladas com pouca firmeza cederam à primeira luz do dia e depressa acorri ao exterior para inalar a réstia da tímida e fresca brisa que combatia o crescente calor que gradualmente se apoderava da atmosfera. Depois de uma veemente imersão de lucidez tomada abaixo de um chuveiro de água fria, e um tranquilizante repouso na esplanada junto ao rio Tejo debaixo de um todo-poderoso Sol que governava os céus com total soberania, estava pronto a vivenciar com plena entrega e devoção o derradeiro dia do festival Reverence Valada.

Øresund Space Collective
Foi desta formação escandinava que sobressaiu um dos momentos mais encantadores do festival. Alicerçada à envolvente mistura de Prog-Space-Jazz com claras evocações ao Psych Rock florido nos 60’s, a banda liderada pelo eremita Scott Heller (Dr. Space) fez-nos eclodir numa hipnótica odisseia que nos passeara pelas costuras de um Cosmos bocejante. As suas fascinantes e absorventes jams expandem-se pela nossa alma, assumindo com autoridade as rédeas de uma incrível passeata pelas imensas e resplendorosas planícies da introspecção. A plateia vivenciava um verdadeiro estado de transe alimentado pelas incríveis divagações espaciais de Øresund Space Collective. O êxtase estava instaurado em Valada e nada poderia perturbar toda aquela atmosfera onírica que embrulhara aqueles corpos dançantes. A banda e o público nutriam uma perfeita simbiose. As duas guitarras errantes entrelaçavam-se em embriagantes e aveludados acordes que se metamorfoseavam em sidéricos solos capazes de nos espevitar nesta intensa hipnose. A bateria jazzística temperava com perícia e emoção toda esta caravana estelar, o baixo de ondulação robusta e ritmada tonificava e regulava toda esta esquizofrénica digressão, e o sintetizador empoeirava toda a plateia com a sua mágica nebulosidade astral. Foi impossível não dançar Øresund Space Collective de forma detida e extravagante. Uma autentica propulsão da nossa consciência pelo lado eclipsado da Lua.

Steak
Aos primeiros riffs de Steak segredei a mim próprio: “Estava mesmo a precisar de um concerto assim!”. O enérgico quarteto londrino pôs toda a plateia refém de uma euforia desmedida na instintiva resposta corporal ao seu poderoso, fibrado, denso e torneado Stoner Rock de ares desérticos. De maxilares cerrados, cabeças e cabelos em alvoroço e punhos erguidos, o público entregava-se aos portentosos domínios de Steak que debitavam em nós a adrenalina em estado musical. Foi uma performance intensa e estonteante que nos sacudira com veemência do primeiro ao último minuto. A soberana guitarra de riffs abrasivos e dominadores – facilmente sussurrados pelo público – e solos delirantes e penetrantes conduzia os nossos corpos transpirados de entusiasmo, o possante e vibrante baixo fazia-nos estremecer, a bateria explosiva e dinâmica fortificava toda aquela comoção, e a voz feroz e aguerrida liderava e instigava aquela desgovernada locomotiva sonora dada pelo nome de Steak. A performance deste quarteto inglês adjectivou-se um verdadeiro hino à exaltação que nos assolara do primeiro ao último tema. No final do concerto apenas restou a levitação da poeira naquele solo agredido, a respiração arquejante e os nossos corações acelerados.

Papir
Estimulado pela performance deste tridente dinamarquês na agradável companhia de Dr. Space dada no passado dia de festival, tudo em mim gritava e ansiava pelo concerto de Papir. Perspectivava uma encantadora jornada pelo estético, sublime e deslindado Psych Rock de feições Kraut’eanas e assim se materializou. Papir foram irrepreensíveis acima do palco e (e)levaram toda uma plateia já embriagada aos prazerosos braços do deslumbramento. Foi um final de tarde verdadeiramente mágico em que se viveu uma contagiante emoção epicurista promovida pela sedutora e inspiradora sonoridade de Papir. O paraíso estava instaurado em Valada e nada parecia enfraquecê-lo. A brisa veraneia do entardecer atrelava-se à agradável musicalidade de Papir e acariciava-nos com suavidade. Foi de olhar selado e sorriso esculpido no rosto que respondi a uma guitarra ataráxica de acordes elegantes e atraentes e solos hipnóticos, uma bateria imensamente cativante que massaja toda esta etérea erupção musical com sentimento e habilidade, e um baixo de danças magnetizantes e voluptuosas que robustece esta endorfina via auditiva. Respirava-se a doce e edénica inércia. Papir foi um dos concertos mais soberbos e deleitosos do Reverence Valada, e a ressaca do mesmo ameaça perdurar em nós durante muito e muito tempo.

With the Dead
Foi já debaixo de uma noite obscurecida que este quarteto de alma vendida aos luciféricos domínios do Doom Metal desprendera uma cáustica e portentosa avalanche decibélica que nos arrasara sem qualquer misericórdia. A plateia reagia como podia perante toda aquela maciça, reverberante e inquisidora radiação Doom’esca. With the Dead converteram todos aqueles peregrinos musicais que jaziam em frente ao palco em seus devotos apóstolos. Foi demasiado fácil deixarmo-nos assombrar e conquistar pela sua portentosa e impiedosa sonoridade, e detonarmos numa extravagante resposta comportamental. Respirava-se detidamente toda a psicotrópica exalação de With the Dead e os nossos corpos inanimados testemunhavam a sagrada eclosão da alma. A titânica guitarra de danças demoníacas envaidecia-se em monolíticos riffs que nos sombreavam, o supremo baixo agigantava-se em possantes e vibrantes bafagens, a cintilante e ecoante bateria galopava com autoridade toda esta atmosfera amaldiçoada, enquanto que os vocais gélidos, diabólicos e distorcidos mantiam-nos de olhar vigilante e atracado naquele nefasto altar. With the Dead foi um inesquecível ritual ao qual ninguém se recusou a comungar. Muito provavelmente o melhor concerto deste último dia de Reverence Valada e certamente um dos mais nebulosos que presenciara em toda a minha vida.

Guitar Moves: ✠ Lemmy Kilmister ✠

⚡ Tia Carrera ⚡

ph Brian Ledden

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Review: ⚡ Soma - 'Vol. II' (2016) ⚡

Depois de no passado mês de Março ter elogiado o seu EP de estreia (review aqui), este power-trio argentino apelidado de Soma acaba de lançar a sequela ‘Vol. II’. Devo confessar que se na ressaca de ‘Soma’ (o seu primeiro EP) sentira uma incurável e incontrolável necessidade de expor e promover esse registo, depois de ouvir com tremenda entrega e consequente entusiasmo este ‘Vol. II’ não resisti a dedicar-lhe o mesmo tratamento. Neste novo EP vigora um robusto, cáustico e dançante Stoner Rock de clima árido que nos bronzeia, sacode e euforiza de forma enérgica e incessante. Encerrando ainda discretas influências de um extasiante e estonteante Heavy Psych que resvala num possante e inflamante Psych Doom capaz de nos desprender a cabeça com violência, ‘Vol. II’ convida-nos a planar a uma velocidade alucinante todo um deserto castigado pela contínua radiação solar e de firmamentos a perder de vista. A sua sonoridade fervilhante mantém-nos numa constante comoção de prazer que nos envolve do primeiro ao último tema. Transcendam-se à vertiginosa boleia de uma guitarra soberana que rosna monolíticos e torneados riffs e se espevita em serpenteantes e delirantes solos que nos golpeiam a lucidez, sintam-se soterrados na pesada e reverberante exalação de um baixo obscuro, vivenciem a erupção da exaltação ao som de uma bateria polvorosa, e agitem-se com os vocais combativos que incendeiam toda a atmosfera de ‘Vol. II’. Este é um EP de audição obrigatória que certamente cicatrizará a alma de quem o comungar. Entreguem-se a esta poderosa e libertadora radiação de THC que vos conduzirá pelas poeirentas e douradas estradas de Soma.

Tucson, Arizona 1950's

US Heavy Blues

terça-feira, 13 de setembro de 2016

[ON TIME]

Lake On Fire (2016)

Liz Buckingham | Electric Wizard

Blues Pills (live)

ॐ Lamp of the Universe ॐ

🎧 All Them Witches - 'Live In Brussels' (2016)

Gene Simmons | KISS