domingo, 18 de setembro de 2016
Review: ⚡ Buffalo Fuzz - 'Buffalo Fuzz' (2016) ⚡
Está lançado o álbum de
estreia dos norte-americanos Buffalo
Fuzz. Este power-duo de alma
mergulhada na região do delta do rio Mississippi e natural da populosa cidade
de Minneapolis (no estado do Minnesota, EUA) apresenta-nos uma elegante,
excitante e alucinante descarga de Heavy
Blues a pendular entre o estilo clássico e o mais irreverente que nos agita
do primeiro ao derradeiro tema de ‘Buffalo Fuzz’. A sua sonoridade
suja, inflamante e oxidada pelo efeito fuzz
é conduzida a volúpia e depressa nos conquista, remetendo-nos a um estado de
puro encantamento. É demasiado fácil dançá-lo detida e hipnoticamente como que
uma cobra Naja serpenteia fixamente a flauta indiana. A extravagante guitarra
de sublimes e atraentes acordes que se transcendem em gritantes e estonteantes
solos, espreguiça-se com graciosidade e excentricidade nesta atmosfera solarenga
de ‘Buffalo
Fuzz’, enquanto que o baixo groove’sco
de linhas pulsantes, robustas, contemplativas e imensamente magnetizantes tonifica
com constância o riff base, a bateria
de emoções ao rubro esporeia e cavalga a musicalidade de Buffalo Fuzz de rédeas firmemente empunhadas, e a agradável e
delgada voz passeia-se com ternura e distinção neste álbum que tão bem conjuga
o requinte com a indelicadeza. Este é um disco para ser ouvido relaxadamente num
dia calmo, límpido e solarengo. Não esperem pelo Outono para bronzearem a alma
com esta embriagante e cáustica radiação de Blues, e comungarem um dos mais belos álbuns de 2016.
sábado, 17 de setembro de 2016
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Review: ⚡ Reverence Valada 2016 ⚡ [Dia 2 - Sábado]
Ainda a manhã de sábado se
espreguiçava quando um fulgurante banho solar irrompera pelos céus límpidos de
Valada e desmaiara acima das tendas atracadas no Parque de Merendas. As minhas
pálpebras já seladas com pouca firmeza cederam à primeira luz do dia e depressa
acorri ao exterior para inalar a réstia da tímida e fresca brisa que combatia o
crescente calor que gradualmente se apoderava da atmosfera. Depois de uma veemente imersão
de lucidez tomada abaixo de um chuveiro de água fria, e um tranquilizante
repouso na esplanada junto ao rio Tejo debaixo de um todo-poderoso Sol que
governava os céus com total soberania, estava pronto a vivenciar com plena
entrega e devoção o derradeiro dia do festival Reverence Valada.
Øresund Space Collective
Foi desta formação
escandinava que sobressaiu um dos momentos mais encantadores do festival. Alicerçada
à envolvente mistura de Prog-Space-Jazz
com claras evocações ao Psych Rock
florido nos 60’s, a banda liderada pelo eremita Scott Heller (Dr. Space)
fez-nos eclodir numa hipnótica odisseia que nos passeara pelas costuras de um
Cosmos bocejante. As suas fascinantes e absorventes jams expandem-se pela nossa alma, assumindo com autoridade as
rédeas de uma incrível passeata pelas imensas e resplendorosas planícies da
introspecção. A plateia vivenciava um verdadeiro estado de transe alimentado
pelas incríveis divagações espaciais de Øresund
Space Collective. O êxtase estava instaurado em Valada e nada poderia
perturbar toda aquela atmosfera onírica que embrulhara aqueles corpos dançantes.
A banda e o público nutriam uma perfeita simbiose. As duas guitarras errantes
entrelaçavam-se em embriagantes e aveludados acordes que se metamorfoseavam em
sidéricos solos capazes de nos espevitar nesta intensa hipnose. A bateria
jazzística temperava com perícia e emoção toda esta caravana estelar, o baixo
de ondulação robusta e ritmada tonificava e regulava toda esta esquizofrénica
digressão, e o sintetizador empoeirava toda a plateia com a sua mágica
nebulosidade astral. Foi impossível não dançar Øresund Space Collective de forma detida e extravagante. Uma
autentica propulsão da nossa consciência pelo lado eclipsado da Lua.
Steak
Aos primeiros riffs de Steak segredei a mim próprio: “Estava mesmo a precisar de um
concerto assim!”. O enérgico quarteto londrino pôs toda a plateia refém de uma
euforia desmedida na instintiva resposta corporal ao seu poderoso, fibrado,
denso e torneado Stoner Rock de ares
desérticos. De maxilares cerrados, cabeças e cabelos em alvoroço e punhos
erguidos, o público entregava-se aos portentosos domínios de Steak que debitavam em nós a adrenalina
em estado musical. Foi uma performance intensa e estonteante que nos sacudira
com veemência do primeiro ao último minuto. A soberana guitarra de riffs abrasivos e dominadores –
facilmente sussurrados pelo público – e solos delirantes e penetrantes conduzia
os nossos corpos transpirados de entusiasmo, o possante e vibrante baixo
fazia-nos estremecer, a bateria explosiva e dinâmica fortificava toda aquela
comoção, e a voz feroz e aguerrida liderava e instigava aquela desgovernada
locomotiva sonora dada pelo nome de Steak.
A performance deste quarteto inglês adjectivou-se um verdadeiro hino à
exaltação que nos assolara do primeiro ao último tema. No final do concerto
apenas restou a levitação da poeira naquele solo agredido, a respiração
arquejante e os nossos corações acelerados.
Papir
Estimulado pela performance
deste tridente dinamarquês na agradável companhia de Dr. Space dada no passado
dia de festival, tudo em mim gritava e ansiava pelo concerto de Papir. Perspectivava uma encantadora jornada
pelo estético, sublime e deslindado Psych
Rock de feições Kraut’eanas e assim
se materializou. Papir foram
irrepreensíveis acima do palco e (e)levaram toda uma plateia já embriagada aos
prazerosos braços do deslumbramento. Foi um final de tarde verdadeiramente
mágico em que se viveu uma contagiante emoção epicurista promovida pela
sedutora e inspiradora sonoridade de Papir.
O paraíso estava instaurado em Valada e nada parecia enfraquecê-lo. A brisa
veraneia do entardecer atrelava-se à agradável musicalidade de Papir e acariciava-nos com suavidade. Foi
de olhar selado e sorriso esculpido no rosto que respondi a uma guitarra ataráxica
de acordes elegantes e atraentes e solos hipnóticos, uma bateria imensamente
cativante que massaja toda esta etérea erupção musical com sentimento e
habilidade, e um baixo de danças magnetizantes e voluptuosas que robustece esta
endorfina via auditiva. Respirava-se a doce e edénica inércia. Papir foi um dos concertos mais soberbos
e deleitosos do Reverence Valada, e
a ressaca do mesmo ameaça perdurar em nós durante muito e muito tempo.
With the Dead
Foi já debaixo de uma noite
obscurecida que este quarteto de alma vendida aos luciféricos domínios do Doom Metal desprendera uma cáustica e
portentosa avalanche decibélica que nos arrasara sem qualquer misericórdia. A
plateia reagia como podia perante toda aquela maciça, reverberante e
inquisidora radiação Doom’esca. With the Dead
converteram todos aqueles peregrinos musicais que jaziam em frente ao palco em
seus devotos apóstolos. Foi demasiado fácil deixarmo-nos assombrar e conquistar
pela sua portentosa e impiedosa sonoridade, e detonarmos numa extravagante
resposta comportamental. Respirava-se detidamente toda a psicotrópica exalação
de With the Dead e os nossos corpos
inanimados testemunhavam a sagrada eclosão da alma. A titânica guitarra de
danças demoníacas envaidecia-se em monolíticos riffs que nos sombreavam, o
supremo baixo agigantava-se em possantes e vibrantes bafagens, a cintilante e
ecoante bateria galopava com autoridade toda esta atmosfera amaldiçoada,
enquanto que os vocais gélidos, diabólicos e distorcidos mantiam-nos de olhar
vigilante e atracado naquele nefasto altar. With the Dead foi um inesquecível ritual ao qual ninguém se recusou
a comungar. Muito provavelmente o melhor concerto deste último dia de Reverence Valada e certamente um dos
mais nebulosos que presenciara em toda a minha vida.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Review: ⚡ Soma - 'Vol. II' (2016) ⚡
Depois de no passado mês de
Março ter elogiado o seu EP de estreia (review
aqui), este power-trio
argentino apelidado de Soma acaba de
lançar a sequela ‘Vol. II’. Devo confessar que se na ressaca de ‘Soma’ (o seu primeiro EP) sentira uma
incurável e incontrolável necessidade de expor e promover esse registo, depois
de ouvir com tremenda entrega e consequente entusiasmo este ‘Vol.
II’ não resisti a dedicar-lhe o mesmo tratamento. Neste novo EP vigora um
robusto, cáustico e dançante Stoner Rock
de clima árido que nos bronzeia, sacode e euforiza de forma enérgica e incessante.
Encerrando ainda discretas influências de um extasiante e estonteante Heavy Psych que resvala num possante e inflamante
Psych Doom capaz de nos desprender a
cabeça com violência, ‘Vol. II’ convida-nos a planar a uma
velocidade alucinante todo um deserto castigado pela contínua radiação solar e de
firmamentos a perder de vista. A sua sonoridade fervilhante mantém-nos numa
constante comoção de prazer que nos envolve do primeiro ao último tema.
Transcendam-se à vertiginosa boleia de uma guitarra soberana que rosna monolíticos
e torneados riffs e se espevita em
serpenteantes e delirantes solos que nos golpeiam a lucidez, sintam-se
soterrados na pesada e reverberante exalação de um baixo obscuro, vivenciem a erupção
da exaltação ao som de uma bateria polvorosa, e agitem-se com os vocais
combativos que incendeiam toda a atmosfera de ‘Vol. II’. Este é um EP
de audição obrigatória que certamente cicatrizará a alma de quem o comungar.
Entreguem-se a esta poderosa e libertadora radiação de THC que vos conduzirá pelas poeirentas e douradas estradas de Soma.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Subscrever:
Mensagens (Atom)


























