terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Review: ⚡ Against the Grain - 'Cheated Death' (2018) ⚡

Da populosa e industrial cidade de Detroit (Michigan, EUA) chega-nos ‘Cheated Death’: o novo álbum do poderoso quarteto ofensivo Against the Grain. Lançado no passado dia 9 de Fevereiro e promovido pela mão do produtivo e influente selo discográfico californiano Ripple Music nos formatos físicos de CD e vinil, este excitante registo vem atestado, robustecido e incendiado de um enérgico, desenfreado, explosivo e musculado Heavy Rock de atitude Punk que nos agarra, sacode e euforiza do primeiro ao derradeiro tema. A sua sonoridade intensamente delirante, furiosa e empolgante – balanceada entre o peso, a harmonia e a velocidade – arranca numa crescente, vertiginosa e emocionante galopada sem travão à vista. Dispam-se de timidez, vistam-se de ousadia, e apanhem uma das mais incríveis e alucinantes boleias sonoras ao volante de duas guitarras assombrosas que se abraçam na monolítica edificação de riffs imponentes, velozes, turbulentos e majestosos, e se desenlaçam e dissipam em gritantes, desvairados, coléricos e dilacerantes solos, uma voz fervilhante, colérica, áspera e melodiosa, um baixo movediço de linhas pulsantes, dinâmicas, torneadas e reverberantes, e uma bateria troante de acrobacias explosivas, vigorosas e estonteantes que inflama e esporeia toda esta tirânica e caótica cavalgada nada aconselhável a cardíacos. Este é um álbum tremendamente eletrizante que nos deixa entregues a uma absorvente, saturada e violenta efervescência capaz de nos irrigar e preencher de adrenalina. Um disco que nos faz dilatar as pupilas, rufar o coração, e vibrar todos os membros e sentidos ao longo dos seus impactantes 38 minutos de duração. Deixem-se atropelar e abalar pela fascinante, insana e provocante impetuosidade transpirada de ‘Cheated Death’ e vivenciem com total entrega e devoção um dos mais marcantes registos nascidos até ao momento em 2018.

Causa Sui | Freedom Fu💤


🥇 48 anos de 'Black Sabbath' (1970)

Belzebong!

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Review: ⚡ Holy Mushroom - 'Moon' (2018) ⚡

Depois de em 2016 ter comungado e devidamente elogiado o alucinógeno álbum de estreia ‘Holy Mushroom’ (review aqui), esta jovem formação hispânica enraizada na cidade nortenha de Oviedo (Astúrias, Espanha) motiva agora uma renovada e lisonjeira dissertação ao seu segundo e novo álbum batizado de ‘Moon’. Lançado muito recentemente em formato digital através da sua página oficial de Bandcamp, este belo registo vem empoeirado de um deslumbrante psicadelismo estelar resultante do admirável cruzamento entre um requintado, fascinante e adornado Psych Rock de perfumados ares Blues’eiros e um hipnótico, envolvente e lisérgico Space Rock que nos seduz, narcotiza e conduz pela infinita espacialidade de um Cosmos deslumbrante. A sua sonoridade extasiante – tocada com desarmante sensibilidade – tem em nós um efeito edénico que nos abraça e nebuliza do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 43 minutos embebidos numa misticidade sideral que nos eteriza, respira e tranquiliza. Deixem-se hipnotizar e enfeitiçar pelos sublimes bailados de uma guitarra messiânica que se ostenta em riffs serpenteantes, voluptuosos e excitantes, e se transcende em solos intoxicantes, ácidos e delirantes. Balanceiem o vosso corpo na instintiva resposta a um baixo dançante de linhas pulsantes, coesas e magnetizantes, banhem-se na mágica radiância exalada por um formoso e carismático teclado de celestiais e apaixonantes passeatas, degustem as raras aparições de uma voz branda, mélica e sedosa que se acomoda e reconforta na restante instrumental, e destravem a cabeça à cativante boleia de uma bateria relaxante, ritmada e cintilante – conduzida a delicadeza e lubricidade – que tiquetaqueia toda esta fabulosa odisseia tão para lá do lado eclipsado da Lua. O esmerado artwork que confere rosto a esta fabulosa divagação astral é da autoria conjunta dos artistas Portu Lugosi e Greta Saavedra que tão fielmente interpretaram tudo o que a natureza do álbum sugere. ‘Moon’ é um álbum intensamente maravilhoso que nos namora e magnetiza do primeiro ao ultimo minuto. Entrem na sagrada e temulenta órbita de Holy Mushroom, dissolvam-se na copiosa, profunda e prazerosa sublimidade de ‘Moon’ e vivenciem a plenitude de um dos mais aliciantes registos lançados até ao momento em 2018.

Slow Riffs & Bong Hits

© Frank Frazetta - The Witch (1981)

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Review: ⚡ River Cult - 'Halcyon Daze' (2018) ⚡

De Brooklyn (Nova York, EUA) chega-nos o primeiro álbum de estúdio do tridente ofensivo River Cult designado ‘Halcyon Daze’. Lançado hoje mesmo nos formatos físicos de CD, cassete (via Blackseed Records) e vinil (via Nasoni Records), este fabuloso álbum de estreia prende um enigmático, delirante, sombrio e cósmico Heavy Psych aliado a um denso, poderoso, pausado e corpulento Psych Doom que nos enevoa, narcotiza e sepulta no profundo negrume do solo espacial. A sua sonoridade – incendiada em efeito fuzz - intensamente fascinante, morfínica, hipnótica e intoxicante causa em nós todo um efeito redentor que nos desamarra a consciência e a propaga pelos mais soturnos, gélidos e inóspitos domínios do Cosmos embriagado. É numa constante, adorável e ofuscante dança pendular que tanto nos afoga, asfixia e entorpece numa assombrosa, despótica e impiedosa cavalgada pelos pardacentos, espessos e lamacentos prados Doom’escos como nos absorve, atesta e euforiza de uma adrenalina febril vaporizada pelo lado mais arrebatador e empolgante do psicadelismo astral, que este majestoso ‘Halcyon Daze’ se ostenta e enaltece. Aspirem toda esta narcotizante bruma estelar e sintam-se naufragar pelos lisérgicos oceanos da infinidade sideral ao enigmático som de uma guitarra prodigiosa que se revigora em riffs musculados, esotéricos, vagarosos e ensombrados, e se esgota e dissipa em solos verdadeiramente alucinantes, corrosivos, distorcidos e estimulantes, um baixo trovejante de linhas maciças, magnetizantes, arrastadas e intimidantes, uma voz colérica e ecoante de rugidos violentos, ásperos e mordazes, e uma bateria enérgica, turbulenta e explosiva – de investidas cativantes, dinâmicas e ardentes – que esporeia e apimenta toda esta épica e inesquecível odisseia pela inebriante majestosidade de River Cult. Confesso que ‘Halcyon Daze’ foi-me uma experiência de reverência à primeira audição. Um impacto colossal que deixara em mim uma profunda e incurável cratera. Deixem-se dissolver no admirável universo que climatiza este imponente ‘Halcyon Daze’ e enfrentem destemidamente um dos registos mais altivos, notáveis e poderosos do ano. Não vai ser nada fácil regressar dele.

🏁 Fu Manchu - 'Clone of the Universe' (2018)

🤩 Earthless confirmados no SonicBlast Moledo 2018 🤩

➟ www

Anthony Meier // Radio Moscow

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Fu Manchu - I've Been Hexed (2018)

Pink Floyd - Atom Heart Mother (St. Tropez, 1970)

📀 Naxatras - 'III' (16-02-2018)

🎹 Jon Lord // Deep Purple

Review: ⚡ Ozone Mama - 'Cosmos Calling' (2018) ⚡

Da cidade de Budapeste (Húngria) chega-nos o terceiro e novo álbum do poderoso quarteto Ozone Mama chamado ‘Cosmos Calling’. Lançado no passado mês de Janeiro pela mão do selo discográfico californiano Ripple Music nos formatos físicos de CD e vinil, este novo registo da banda húngara escuda-se num elegante, tirânico e empolgante Hard Rock de essência setentista em erótica cumplicidade com um oleado, atraente e arrojado Southern Rock que se ostenta por entre a forte robustez e a apaixonante melosidade. A sua enérgica, agradável e provocante sonoridade – de encantadoras variações rítmicas - conjuga na perfeição a pujança e o vigor com a doce e requintada harmonia, numa adorável combinação sonora capaz de nos inebriar, prender e fascinar do primeiro ao último tema. São cerca de 43 minutos climatizados e conduzidos por uma altiva e opulenta guitarra que se manifesta em majestosos, primorosos, notáveis e charmosos riffs que desaguam em refinados, exuberantes, vistosos e arrebatadores solos, um baixo errante de linhas pulsantes, bailantes, hipnóticas e reverberantes, uma bateria acrobática de impactante, dinâmica, inventiva e euforizante orientação rítmica, e ainda uma voz imponente, melódica, doce e glamorosa – regada e temperada a whiskey – que conjuga na perfeição com a virilidade instrumental. ‘Cosmos Calling’ é um álbum verdadeiramente esplendoroso que nos intriga, namora e instiga com espantosa facilidade. Um registo desmesuradamente extraordinário que ilustra condignamente toda a potência, simetria e subtileza de Ozone Mama. Deixem-se enfeitiçar, envolver e entusiasmar pela caprichosa, magnífica e deleitosa musicalidade de ‘Cosmos Calling’ e testemunhem a grandiosa eclosão de um dos mais luxuosos álbuns lançados até ao momento em 2018.