sexta-feira, 9 de outubro de 2020
quinta-feira, 8 de outubro de 2020
Review: ⚡ Automatism - 'Immersion' (2020) ⚡
Da cidade-capital de Estocolmo
chega-nos o novo e terceiro álbum do sofisticado quarteto sueco Automatism.
Com o seu lançamento oficial calendarizado para o dia de amanhã nos formatos
físicos de CD e vinil (ambos limitados à existência de parcas centenas de cópias
disponíveis para venda) pela insuspeita mão da editora discográfica germânica Tonzonen
Records, que escolta esta formação nórdica já desde o seu primeiro passo
discográfico, ‘Immersion’ – tal como o seu nome assim sugere –
convida o ouvinte a embalar num imperturbável estado de profunda imersão. Baseado
num viajante, místico, cinematográfico e deslumbrante Psychedelic Rock de
ambiência meditativa, em harmoniosa concordância com um magnetizante, profético,
pérsico e dançante Krautrock de cadência repetitiva, e um extasiante, educado,
delicado e enfeitiçante Modal Jazz que nos esperta os sentidos, esta magistral
obra de Automatism – integralmente condimentada e conduzida em formato
instrumental – tem a capacidade de nos rebaixar as pálpebras, massajar o cerebelo,
relaxar os membros, apaziguar a alma, e catapultar a nossa consciência na
vertiginosa direcção da incomensurável negrura que oxigena e aduba o solo
cósmico. De olhar eclipsado, corpo reconfortado, cabeça pausadamente balanceada,
e espirito empoeirado pela sublimidade estelar, somos nutridos, seduzidos e farolizados
por duas guitarras dialogantes que se cruzam em lenitivos, sumptuosos e
radiosos acordes e descruzam em inventivos, aventurosos e gloriosos solos, um expressivo
baixo soberbamente groovy que se serpenteia em linhas ondeantes,
hipnóticas e errantes, uma elegante bateria jazzística de toque
cintilante, polido e cativante, um transcendente teclado de envolventes cantos
celestiais, e ainda uma exótica percussão de orientação tribalista que troteia
todos os seis temas que habitam esta reflexiva, ataráxica e criativa odisseia. Não
vai ser fácil – ou sequer desejado – emergir da intimidade desta prazerosa
hipnose. São 47 minutos inteiramente atestados de uma resplandecência diluviana que nos banha
e entope as zonas erógenas da alma. Deixem-se dissolver, inebriar e embevecer
pela mélica, paradisíaca e anestésica sublimidade vaporizada por Automatism,
e comunguem com inteira devoção um dos álbuns mais balsâmicos e nirvânicos do presente ano.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Tonzonen Records
quarta-feira, 7 de outubro de 2020
terça-feira, 6 de outubro de 2020
domingo, 4 de outubro de 2020
sexta-feira, 2 de outubro de 2020
quinta-feira, 1 de outubro de 2020
Review: ⚡ Steinsopp - 'Luggeføre' (2020) ⚡
Da Noruega
chega-nos mais um poderoso soporífero magicado e nasalado pelos druidas Steinsopp.
Designado de ‘Luggeføre’ e oficialmente lançado em meados do
passado mês de Setembro na forma digital (com a possibilidade de download
gratuito e a garantia de uma futura edição física em vinil) através da sua
página de Bandcamp oficial, este novo álbum do ritualístico tridente escandinavo
ostenta um pantanoso, alucinógeno e brumoso Heavy Psych de elevada
toxicidade, dissolvido e obscurecido num arrastado, resinado e vigoroso Psych
Doom de aroma fúngico. A sua sonoridade intensamente embriagada, morfínica,
melancólica e sobrecarregada – tingida a esbatidas cores outonais e embaciada por
uma enfeitiçante narcose – exorciza toda a lucidez dos ouvintes, amortalhando-os
e embalando-os num febril estádio de temulento sonambulismo. Conseguem imaginar
a combinação entre a imperiosa ressonância pesadamente bafejada pelos Sleep
e a ociosa misantropia chorada pelos Dead Meadow? Se sim, alcançaram as turvas
e lodacentas águas de Steinsopp. Gritados e ecoados do profundo epicentro
de toda esta densa e tensa letargia, são entoados uma guitarra que se manifesta
em épicos, oleosos e proféticos Riffs de onde esvoaçam solos delirantes,
ácidos e uivantes, um possante baixo de linhas ensombradas, magnetizantes e pesadas,
uma absorvente bateria compenetrada num galope pausado, explosivo e encorpado,
um intrigante sintetizador que ausculta as lamúrias de um Cosmos solitário e bocejante,
e uma voz avinagrada, fantasmagórica e siderada que sobrevoa a musguenta,
nimbosa e fumarenta atmosfera orvalhada a esmorecida languidez. ‘Luggeføre’
é um registo tiquetaqueado em modo slow motion que nos entorpece, ofusca
e enternece o espírito do primeiro ao derradeiro tema. São 38 minutos governados
por uma violenta e poeirenta náusea que nos distorce a consciência. Deixem-se
inundar nos funestos pântanos de Steinsopp e paralisar numa condição de
doce prostração. Não vai ser nada fácil emergir e despertar desta intensa
sonolência que nos petrificara todos os membros e sentidos.
quarta-feira, 30 de setembro de 2020
terça-feira, 29 de setembro de 2020
Review: ⚡ La Maschera di Cera - 'S.E.I.' (2020) ⚡
Proveniente da cidade
portuária de Génova (situada no norte de Itália) chega-nos o profético
misticismo superiormente musicado pelo talentoso e espirituoso tridente La
Maschera Di Cera com o lançamento do seu novo álbum apelidado de ‘S.E.I.’
(acrónimo de Separazione / Egolatria / Inganno) sob a forma digital
através da sua página de Bandcamp oficial e ainda nos formatos físicos
de CD e vinil pela mão da sua compatriota AMS Records. Descendentes de
um carismático legado principiado e perpetuado por nobres referências locais tais como Premiata Forneria Marconi, Il Balletto di Bronzo, Nuova Idea e Museo
Rosenbach, esta maturada e fascinante formação itálica faz de um
extravagante, burlesco, principesco e apaixonante Progressive Rock de semente
setentista a sua estrela orientadora. Arejada ainda por uma requintada
fragância Jazzística de sotaque Canterbury’eano
e ensolarada por um contemplativo Folk de estética pastoril e clima
primaveril, a magistral, sonhadora, inspiradora e cerebral sonoridade de ‘S.E.I.’
passeia-se simbiótica e luxuriosamente por aventurosas, complexas,
enfeitiçantes e ambiciosas composições envernizadas a uma beleza fabular e
desdobradas com base numa versatilidade lapidar. São 45 minutos atestados de
uma instigante, enigmática, dramática e triunfante epopeia – segmentada por
três espaçosas e formosas melodias de adornos e contornos seráficos – que me
intrigara, comovera e cegara com a sua lustrosa opulência. Na génese de toda
esta imaginativa obra-prima está uma voz aristocrática, aveludada e simétrica
de entoação fortemente realçada, um hipnótico baixo de reverberação canalizada
em linhas flutuantes, pitorescas e pulsantes, uma circense bateria maquinada a precisas,
impactantes e inventivas acrobacias, um envolvente teclado de notas
saltitantes, frescas e deslumbrantes, um uivante saxofone de sopros enfáticos,
exóticos e melodramáticos, uma serpenteante flauta de pérsicos, esfíngicos e
romanescos bailados, e ainda um cósmico e sinfónico mellotron de empolados mugidos
melancólicos. Percam-se e encontrem-se pelos meandros desta épica, esdrúxula e quimérica
sinfonia irrepreensivelmente lavrada por La Maschera Di Cera, e
vivenciem a gloriosa, pomposa e sofisticada renascença do saudoso Prog Rock
amassado, enfarinhado e condimentado à boa e singular moda italiana. ‘S.E.I.’
é um imponente registo de sublimidade consumada que está irremediavelmente fadado
a firmar-se num invejado lugar de destaque por entre os melhores álbuns nascidos em 2020.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ AMS Records
segunda-feira, 28 de setembro de 2020
domingo, 27 de setembro de 2020
Review: ⚡ Rollin' Dice - 'Reroll' (2020) ⚡
Da histórica cidade-capital
de Atenas (Grécia) chega-nos o novo e segundo álbum do fantástico
tridente Rollin' Dice. Denominado de ‘Reroll’ e acabado de
ser integralmente lançado sob a forma digital através da sua página de Bandcamp
oficial, bem como numa estética e muito apelativa edição física em CD, este
majestoso registo conserva toda uma carismática aura vintage – fielmente
resgatada ao território setentista – de onde facilmente se identifica e apalada
um musculado, oleoso, fogoso e aprumado Heavy Rock em erótica harmonia
com um dançante, entusiástico, afrodisíaco e contagiante Blues Rock. A
sua musicalidade aromatizada e chamejada a inesgotáveis vistosidade, simetria e
sensualidade é desdobrada e ostentada ao longo de 38 minutos que sacodem e revolvem
o ouvinte numa eufórica comoção experienciada sem a mais pequena réstia de
inibição. De olhar apaixonado e semicerrado, sorriso perpetuado no rosto,
cabeça baloiçada de ombro a ombro, e espírito seduzido e intensamente arrebatado,
somos perseguidos e facilmente capturados pela provocante e incessante sedução
de Rollin’ Dice. Cravem os dentes no lábio inferior e revirem os olhos
de encontro ao território eclipsado que se esconde por detrás das pálpebras à
boleia de uma guitarra maravilhosa de pronúncia Led Zeppelin’esca
que se envaidece na ascensão de luxuosos, excitantes e imperiosos Riffs fervidos e eletrocutados em efeito Fuzz, e na virtuosa condução de trepidantes, excêntricos e ziguezagueantes
solos, um fibroso baixo de linhas desenhadas e bafejadas a densa, tensa e
ondulante reverberação, uma bateria explosiva de ritmicidade galopante,
entusiasmante e altiva, e uma liderante voz de feição ácida, melódica e
intrigante que capitaneia com imponente extravagância toda a opulência reflectida
por um álbum emoldurado a contornos épicos. De destacar ainda o esplêndido artwork
– de créditos apontados ao ilustrador helénico Jon Toussas (aka Graphicno Jutsu) e influência trazida do renomado e extraordinário artista checo Alphonse Mucha
– que confere ao disco uma sublimada ambiência de cariz fabular. ‘Reroll’
é um álbum imensamente apaixonante que me fascinara e empolgara do primeiro ao
derradeiro tema. Deixem-se enfeitiçar e derrotar pela sua distinta classe, e
vivenciem com inteira submissão e intratável devoção uma das mais singulares
surpresas sonoras do ano.
























