sexta-feira, 12 de março de 2021

☕️ Return To Forever feat. Chick Corea - 'Hymn of the Seventh Galaxy' (1973)

🌴 Brant Bjork - "Somewhere Some Woman" (2010, Low Desert Punk)

🔥 Hot Breath - "Right Time" (2021, The Sign Records)

⚓ Mason - "Golden Sails" (1971)

🌻 Headstone Circus - 'Headstone Circus' (1968)

✨ The Sonic Dawn // Rockpalast (live, 2020)

Review: ⚡ Betty Benedeadly - 'From the Mesa' EP (2021) ⚡

★★★★☆

Betty Benedeadly – a talentosa guitarrista da banda feminina Sheverb sediada no Texas (já aqui descrita e elogiada no passado ano) – decidira afastar-se da cidade de Austin, e bronzear, empoeirar e purificar a sua alma nas areias do extenso Deserto de Chihuahua para dele trazer toda a inspiração e motivação que a conduziriam à produção deste seu primeiro trabalho a solo. ‘From the Mesa’ simboliza a consequência audível dessa epifania desértica, e acaba de ser oficial e integralmente lançada hoje mesmo sob o desígnio do selo discográfico norte-americano Desert Records na forma digital e ainda numa edição ultra-limitada em formato físico de CD (restringida a uma prensagem de apenas 50 cópias disponíveis para venda). De olhar vigilante e desconfiado que se esconde na sombra do chapéu de aba larga, dedo nervoso a apalpar o leve gatilho, e coldre desapertado, esta aventurosa Mariachi de guitarra empunhada presenteia o ouvinte com um Spaghetti Western soberbamente musicado. De bússola apontada ao emblemático compositor italiano Ennio Morricone e velas hasteadas ao sabor da catártica e refrescante brisa que massaja o solo escaldado do deserto, Betty Benedeadly troteia e patenteia um dançante, veraneio, bem-disposto e contagiante Surf Rock – ensolarado e matizado a alucinógeno psicadelismo – que prontamente remete o nosso imaginário para as velhas películas cinematográficas do inigualável Sergio Leone. Parcelado em três arenosas, arejadas e lustrosas baladas, este deslumbrante EP de abreviada duração, mas prolongada satisfação, é banhado a mescalina e sobrevoado por uma envolvente, harmoniosa e quente sonoridade que nos tranquiliza, seduz e eteriza do primeiro ao derradeiro minuto. Uma mística, edénica e ritualística fragância de onde se desprende uma guitarra xamânica que – à boleia de acordes arejados, serpenteantes, uivantes e espaçados – surfa as imponentes e movediças dunas do deserto, um murmurante baixo de fôlego pulsante, pausado e relaxante que sombreia todos os passos da guitarra, e ainda uma tribalista percussão de compasso magnetizante, vagaroso e minimalista que esporeia toda esta imersiva cavalgada pelos longos e ziguezagueantes desfiladeiros que se esperneiam na vertiginosa direcção do Sol crepuscular. De destacar ainda a vistosa ilustração de ares vintage – tecida a padrões étnicos, estampada com a silhueta da pistoleira, e rubricada a duas mãos pela própria Betty Benedeadly e a Abby Apple – que confere rosto a esta estética e sincera obra. ‘From the Mesa’ é um registo verdadeiramente consolador que desperta e desenterra o velho espírito dos indígenas nativo americanos. Um EP aliciante, portador de uma alma boémia que vagueia livre e graciosamente por entre o vasto tapete sépia e o profundo céu azul-turquesa. Encandeiem-se e prazenteiem-se nele.

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terça-feira, 9 de março de 2021

🤩 Acid's Trip - "Trippin' Balls" (2019)

Review: ⚡ Holy Monitor - 'Southern Lights' (2021) ⚡

★★★★★

Com origem na cidade-capital de Atenas (Grécia) chega-nos o dulcificante, colorido, embriagante e renovado cocktail sonoro, superiormente formulado pelo exótico quinteto helénico Holy Monitor que acaba de nos presentear e prazentear com o seu novíssimo álbum designado de ‘Southern Lights’, e que fora muito recentemente lançado sob a forma digital e numa ultra-limitada e pigmentada edição em formato físico de vinil (de prensagem reduzida a apenas 300 cópias disponíveis para venda) com o carimbo editorial da discográfica grega Blackspin Records. Matizado por um dançante, hipnótico, mélico e deslumbrante Neo-Psych de acidez sessentista, aromatizado por um místico, absorvente, suavizante e profético Krautrock de texturas pérsicas, e ainda arejado por um estival, quimérico, sidérico e cerimonial Space Rock de olhos banhados e eclipsados pela poeira estelar, este divinal ‘Southern Lights’ representa toda uma perfeita ode ao hedonismo. De corpo suavemente massajado, olhar intensamente sublimado, e espírito mitigado e embrenhado num profundo e inamovível estádio de pleno transe, somos alcoolizados, diluídos e embalados numa ataráxica, mágica e inescapável hipnose de redentora e enriquecedora catarse sensorial. Aureolado por uma atmosfera aquosa, onírica, utópica e lustrosa, este novo álbum de Holy Monitor tem o raro dom de petrificar, embevecer e perpetuar o ouvinte nas teias do sonambulismo. Percam-se e encontrem-se pelas miríficas paisagens deste paraíso de beleza consumada, e – de lucidez embaciada e consciência catapultada na vertiginosa direcção do Cosmos bocejante – comunguem as ofuscantes danças de duas guitarras sedutoras que se manifestam na admirável condução de Riffs verdadeiramente sonhadores, arrebatadores e magnetizantes, e de solos serpenteantes, aventurosos e alucinantes, a ondulante reverberação densamente bafejada por um baixo bamboleante de linhas pulsantes, inquietas e contagiantes, a ébria simpatia destilada pelos afrodisíacos vocais de tez melosa, etérea e sedosa, a epidémica ritmicidade soberbamente tiquetaqueada por uma apaixonante bateria de toque polido, tilintante, cintilante e delicado, e ainda toda uma fascinante alquimia superiormente musicada e sulfatada por extraordinários teclados de extravagantes, fabulares e intrigantes bailados. De desdobrar ainda elogiosas palavras pelo vistoso, distinto e prodigioso portal visual, de créditos apontados ao talentoso estúdio de design Bewild Brother, que confere rosto a esta irretocável obra de contornos milagrosos. ‘Southern Lights’ é um registo genuinamente transcendente que nos permite sonhar acordados, e relaxadamente caminhar pelos nirvânicos trilhos da introspecção. Reconfortem-se neste balsâmico oásis de trago mediterrânico e afago sensorial, e mergulhem no infindável negrume espacial que reina para lá das portas da percepção. Este álbum toca as costuras fronteiriças da perfeição.

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