quarta-feira, 22 de março de 2023

Review: 🌋 Mike Vhiles - 'Mystic Dream Sequence' (2023) 🌋

★★★★

Da cidade portuguesa de Coimbra chega-nos o eruptivo e disruptivo álbum de estreia do electrizante power-trio Mike Vhiles, intitulado ‘Mystic Dream Sequence’, exteriorizado sob os formatos de CD e digital, e carimbado com o selo da editora discográfica bracarense Gig.Rocks. Consequência de um apimentado, intenso e pornográfico flirt entre um transpirado, fogoso, destravado e tumultuoso Garage Rock e um delirante, sónico, cósmico e intoxicante Heavy Psych, este primeiro passo discográfico (que, na verdade, se trata de um salto olímpico) da jovem banda conimbricense (no que ao lançamento de registos de longa duração diz respeito) vomita um bíblico dilúvio de lava polposa e incandescente, e tosse toda uma chuva torrencial de faúlhas fumarentas e chamejantes. Combinando o insurgente lado Punk-Rock de Nirvana, a demente descarga psicotrópica de Lecherous Gaze e a libidinosa ardência dos californianos Fuzz, a cáustica, vulcânica e excitante sonoridade de ‘Mystic Dream Sequence’ mergulha e dilui o ouvinte numa efervescente, suja e febril acidez. Uma mastodôntica, selvática e impiedosa avalanche de endorfinas que nos morde os calcanhares do primeiro ao derradeiro tema. Banhem-se na escaldante euforia detonada por uma guitarra endemoninhada – consumida pela urticante, abrasiva e crocante distorção – que se agiganta em convulsivos, ciclónicos e resinosos riffs, e ziguezagueia em solos avinagrados, fantasmagóricos e vertiginosos, um baixo monolítico de bafo denso, tenso e sombreado, uma bateria inflamada de baquetas incisivas, convulsivas e relampejantes, e ainda vocais insanos, perversos e guturais que casam na perfeição com todo o estonteante rebuliço instrumental. Num plano secundário, surgem ainda os devaneios alienígenas de sintetizadores embriagados que condimentam e colorizam este intenso caos superiormente domesticado. São 44 minutos viajados a alta rotação. Mike Vhiles é pura adrenalina. Uma alucinante, acrobática e galopante montanha-russa imprópria para cardíacos. Deixem-se envolver, revolver e incinerar nas lavaredas infernais de ‘Mystic Dream Sequence’ e vivenciem com imoderado entusiasmo um dos mais sérios candidatos a melhor álbum português do ano.

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