Da Suíça –
mais concretamente da cidade de Basel – dão à nossa costa as boas
vibrações irradiadas pelo irreverente quarteto helvético Harvey Rushmore
& the Octopus com a apresentação do seu novo álbum intitulado ‘Mindsuckers’
e editado pelo selo discográfico independente – seu conterrâneo – Taxi Gauche
Records através dos formatos LP, CD, cassete e digital. Baseada numa
multicolorida amálgama musical de onde se reconhece e apalada um caleidoscópico,
matizado, ensolarado e exótico Neo-Psychedelic Rock de leveza e doçura Indie
Rock, um dançante, ritmado, transpirado e excitante Garage Rock de magnéticos
serpenteios Surf Rock, e um enfeitiçante, esponjoso, infeccioso e
estimulante Krautrock, a sua reconfortante, aconchegante e sonhadora sonoridade
– de aroma tropical, brisa oceânica e climatizada a caramelizada nostalgia – emoldura
mágicos crepúsculos musicados pelo penetrante grasnar de gaivotas esvoaçantes e
vislumbrados por olhares maravilhados, desfocados pelas profusas lágrimas salgadas
que discorrem, difusas, pelas rosadas maçãs do nosso rosto e se perdem no interior
do nosso tímido sorriso. De influências colhidas em bandas como The Black
Angels, Black Mountain, Wooden Shjips, Moon Duo, Rose
City Band, Dommengang, Night Beats, Arbouretum, Magic
Machine e Acid Rooster, a aventurosa, onírica, mística e radiosa música
de Harvey Rushmore & the Octopus leva-nos das cálidas, sedosas e
bronzeadas dunas de um amarelecido deserto vigiado de perto por um impiedoso
Sol às refrescantes, espumosas e revigorantes ondas de um imenso e ventilado oceano
azul-turquesa. Num febril estádio de sonambulismo vagueamos, alcoolizados e arrebatados,
pelo prismático, extático e imersivo psicadelismo de calor desértico e odor a
maresia de ‘Mindsuckers’. Fascinados, aspirados e canalizados até ao
estômago de Harvey Rushmore & the Octopus, somos demoradamente digeridos
por uma embaciada, pálida, frágil e avinagrada voz de pele orvalhada e presença
flutuante, uma intoxicante guitarra – de distorção urticante e chamejante – que
surfa encaracolados, bailantes, provocantes e inflamados riffs de onde bruxuleiam
efervescentes, ácidos, derrapantes e alucinógenos solos, um baixo invertebrado de
linhas elásticas, meneantes, ondeantes e hipnóticas, um teclado fantasista de enleante,
sedutora, libertadora e inebriante formosura electrónica, e uma bateria galopante,
animada e pulsante a trote de eloquentes ritmos com a robótica precisão de um
relógio suíço. ‘Mindsuckers’ é um álbum de natureza camaleónica, composto por temas desiguais, que
tanto nos incendeia, pontapeia e euforiza numa agitada e suada dança, como nos anoitece,
entristece e eteriza nos caramelizados braços da melancolia. Um disco de beleza
sem fronteiras que se engrandece a cada renovada audição que lhe dedicamos.
Deixem-se derreter na lisérgica melosidade que este registo destila e embevecer
na atordoante centrifugadora onde o mesmo rodopia. ‘Mindsuckers’ é um vulcão
em erupção no Ártico. Um gigantesco tsunami num lago. Um eco no espaço. Uma
obra irresistível, inverosímil e viciante que estará, seguramente, perfilada
entre as mais medalhadas do ano. Gravitem-na com total veneração.
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