terça-feira, 26 de maio de 2026

Review: 🧜‍♂️ JUZZ - 'JUZZ II' (2026, áMARXE) 🧜‍♂️

★★★★★

Depois de um impactante álbum de estreia – lançado em 2018 e marcado por uma vibrante e irreverente personalidade de abstractas feições Free Jazz’escas e cinzelado por uma principesca caligrafia Avant-garde’sca –, o talentoso sexteto galego JUZZ ancora agora a sua embarcação nas quietas e mornas águas do seu segundo trabalho de longa duração, intitulado ‘JUZZ II’, nascido na embrumada e ainda tímida madrugada de 2026 e carimbado pelo selo discográfico espanhol áMARXE. Baloiçado entre um enfeitiçante, reflexivo, lenitivo e deslumbrante Jazz-Fusion e um serpenteante, místico, esfíngico e enleante Prog Rock, neste novo álbum da turma domiciliada em Pontevedra brilha um amarelecido revivalismo de raios setentistas que homenageia clássicas e emblemáticas referências da fusão entre estes dois sub-géneros como Return to Forever, Soft Machine, John Abercrombie, Brand X e Weather Report. Meditativa, imersiva e celestial, a seráfica e instrumental sonoridade de ‘JUZZ II’ é borrifada por uma ensolarada, doce e arejada fragância oriental que nos climatiza, seduz e eterniza num pleno estádio de imperturbável transe espiritual. De pestanas rebaixadas, olhar embriagado, narinas dilatadas e sorriso desenhado no rosto corado, somos levados – de velas içadas e sopradas ao sabor dos ventos oníricos – até aos braços do nirvana e lá deixados. Embevecidos, relaxados, apaixonados e adormecidos, levitamos e entramos em órbita das delicadas, suaves e acolchoadas melodias que condimentam este belíssimo ‘JUZZ II’. São 36 minutos sorvidos por uma esponjosa envolvência que nos prende e namora demorada e desavergonhadamente. Um registo deveras divinal, suculento, pachorrento e magistral, superiormente orquestrado por uma esplendorosa guitarra de acordes comoventes e maviosos onde desaguam solos crescentes e angulosos, um baixo sombreado de linhas murmurantes e maleáveis, uma cativante bateria tiquetaqueada a acurada precisão jazzística, um elegante saxofone de serpenteantes e aliciantes bailados, uma romântica flauta de sopros frescos e aveludados, e toda uma mágica profusão de perfumados teclados que polvilham toda a ambiência sonora do disco com coloridas poeiras cósmicas. Pincelado pelas garridas colorações crepusculares que antecedem o aveludado, negro e estrelado manto de que se vestem as noites de Verão, ‘JUZZ II’ é um álbum simultaneamente ambicioso e honesto, lustroso e desbotado, entorpecido e acordado que em nós floresce uma leve embriaguez capaz de ludibriar a nossa lucidez. Reconfortante, misterioso, hipnótico, luxuoso e de efeito calmante, este segundo capítulo da homérica odisseia jazzística de JUZZ conquistara-me logo à primeira audição que lhe dedicara. A bonança soberbamente musicada. Uma branda deflagração de autêntico prazer capaz de nos abraçar, massajar e enternecer do primeiro ao último tema. A milagrosa cura para corações preocupados, vidas apressadas e sonhos terrenos com medo de alturas. Recostem-se, derretam-se e deleitem-se neste verdadeiro oásis.


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