quarta-feira, 3 de junho de 2026

Review: 🦋 Tom Penaguin - 'Tom Penaguin II' (2026, áMARXE) 🦋

★★★★★

Depois do impressivo álbum de estreia (aqui trazido e examinado) desabrochado na primavera de 2024, o virtuoso, estudioso e dotado multi-instrumentista francês Tom Penaguin está novamente de regresso com o lançamento do seu segundo trabalho de estúdio. Simplesmente chamado de ‘Tom Penaguin II’ e editado pelo selo discográfico espanhol áMARXE, este refinado, arrojado e notável trabalho arquitectado pelo disciplinado músico francês baloiça harmoniosamente entre um quimérico, enleante, enfeitiçante e cénico Prog Rock de ensolarado clima Canterbury’esco e doce fragância italiana, e um majestoso, cerebral, sensacional e aparatoso Jazz Fusion de ecos trazidos da dourada década de 1970. Ambiciosa, imaginativa, sensitiva e ostentosa, a magistral, sentimental e soberbamente detalhada sonoridade de ‘Tom Penaguin II’ traz no seu estômago mastigadas e misturadas influências de vultosas referências como Soft Machine, Mahavishnu Orchestra, Return to Forever, Hatfield and the North, National Health, Caravan, Soft Heap, Egg, Colosseum II, Isotope, Perigeo, Iceberg, Etna, Arti & Mestieri, Il Baricentro, Apoteosi e L'Uovo di Colombo. Ajardinado por complexas, grandiosas, triunfantes e portentosas composições – que têm na épica suite dividida em quatro movimentos denominada “The Ornamental Hermit” o seu pináculo criativo – este estupendo e maturado registo de Tom Penaguin invadira-me, pilhara-me e conquistara-me com tremenda facilidade. Borrifado por um imersivo sentimento de orvalhada e melancólica nostalgia que nos aspira o ar do peito, cativa e seduz, bem como vagueado por uma misteriosa e fantasmagórica bruma que se adensa e nos conduz – de olhar esfaimado e boquiabertos – pelos seus frondosos e inescapáveis labirintos, ‘Tom Penaguin II’ é uma aventurosa, eclética, poética e fabulosa obra cuidadosa e pormenorizadamente cinzelada a duas mãos. Na constituição desta irretocável e venerável obra-prima de essência instrumental estão uma guitarra endeusada de envolventes, camaleónicos, babilónicos e eloquentes riffs – que ocasionalmente se enrijecem, agigantam e centrifugam em ventosos, empolgantes e aparatosos crescendos – e espantosos, escorregadios, fugidios e intelectuais solos que correm graciosa e livremente, um baixo meneante de linhas enfáticas, oleadas, encaracoladas e elásticas, uma bateria leve e solta de ritmos acrobáticos, desatados, desgrenhados e hipnóticos, um melodioso teclado de teclas saltitantes e mugidos polposos, dramáticos e gloriosos, e ainda a efémera comparência de astrais, ecoantes e angelicais coros vocais da exclusiva responsabilidade da artista convidada Maureen Piercy (também a autora da belíssima fotografia que resulta na capa do disco) que conferem toda uma aura fantasista, intimista e sacramental. Este é um álbum de proporções monumentais, pensado com absoluta ousadia e executado com sofisticada maestria. Uma distinta peça de alta costura musical e realeza orquestral que, decerto, saciará os ouvidos mais exigentes. Os meus salivam sempre que ouço este ‘Tom Penaguin II’. Um dos grandes discos de 2026 está aqui, na controlada detonação de pura genialidade de Tom Penaguin.

Links:
🦋 Facebook
🦋 Instagram
🦋 Bandcamp
🦋 Ã¡MARXE

Sem comentários: