segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Review: 🦂 Primitive Ring - 'Primitive Ring' (2026, In The Red Records) 🦂

★★★★★

Formado por membros de bandas como Fuzz, Hooverii e Frankie & The Witch Fingers, este irreverente tridente intitulado Primitive Ring e domiciliado na cidade hollywoodesca de Los Angeles lançou na passada primavera o seu escaldante, sexy e viciante homónimo álbum de estreia pela mão da companhia discográfica local In The Red Records através do exclusivo formato físico de vinil. Rodopiados e misturados numa frenética centrifugadora, um fogoso, apimentado, ritmado e poderoso Garage Rock de intensidade infernal a fazer recordar os velhos furacões The Stooges e MC5, um inflamante, oleoso, aparatoso e intoxicante Heavy Psych de clima tropical na senda dos dinossauros Blue Cheer, Captain Beyond e Leaf Hound, e um rugoso, intrigante, arrepiante e assombroso Heavy Blues de perversos serpenteios e atemorizantes e pesados ecos Black Sabbath’icos envolvem-se e revolvem-se num prazeroso, libidinoso e movediço groove que nos faz cravar os dentes nos lábios, cerrar as pálpebras e soltar furiosamente a cabeça em movimentos giratórios. Conectada por uma admirável simbiose – como pude experienciar, de agitada e transpirada emoção, ao vivo na passada edição do festival musical SonicBlast –, esta endemoninhada, bem conduzida e radical banda californiana bamboleia-se numa provocante, vulcânica, exótica e excitante sonoridade de pele venéfica que nos mantém entretidos, sobreaquecidos e em comoção do primeiro ao derradeiro tema. São 42 minutos saturados de uma ácida fogosidade que nos pontapeia, incendeia e euforiza sem piedade ou moderação. Envelhecida e envernizada por uma amarelecida luzência vintage de forte odor setentista, a propulsiva, afrodisíaca, camaleónica e criativa musicalidade de Primitive Ring prende e embala o ouvinte numa embriagante, vertiginosa e emocionante montanha-russa. Deixem-se embevecer, apaixonar e enlouquecer pelas estonteantes danças de uma extraordinária guitarra – empapada em crocante, abrasivo e borbulhante efeito fuzz – que se manifesta em aprazíveis, maleáveis, adoráveis e irresistíveis riffs de onde se desprendem e esvoaçam vendavais de solos extravagantes, desgovernados, alucinados e derrapantes, pela carregada reverberação emanada por um baixo obeso de linhas sombreadas, fibrosas, gloriosas e encorpadas, pela contagiante explosividade de uma bateria dinâmica galopada a ritmos impressionantes, acrobáticos, enfáticos e estimulantes, e pela venenosa tentação de vocais diabrinos, avinagrados, esbranquiçados e joviais. ‘Primitive Ring’ é um álbum verdadeiramente ciclónico, sísmico e bombástico que tudo em nós faz estremecer. Um registo electrizante, escaldante e fumegante que nos banha na polposa e incandescente lava de um vulcão em inesgotável erupção. Uma efervescência psicotrópica onde nos dissolvemos e naufragamos. Vai ser demasiado fácil reencontrá-lo perfilado e destacado na listagem que premeia os melhores discos lançados em 2026.

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