domingo, 14 de outubro de 2012

Hi5, Stefan Koglek

Roadburn turned more into a metal festival over the recent years, devoted to the darker, harder and sadder side of music – no judgment! that`s just the situation – it maybe just wouldn`t fit anymore. No bad feelings – we played Roadburn three times already and I have only love and gratefulness for Walter.
Stefan Koglek

sábado, 13 de outubro de 2012

Primavera, Verão, Outono e Caustic Resin

Hoje desenterrei da memória uma das minhas bandas favoritas, que me acompanhou nos dias mais invernosos da adolescência. Falo de Caustic Resin. A sonoridade da banda liderada pelo (enorme) Brett Nelson sempre me cativou pela sua melancolia suja e a ambiência embriagada. A voz de Brett Nelson é fundida com a letargia libertada das cordas da sua guitarra, e remete-nos para os mais lúgubres estados emocionais que a nossa alma conhecera. Esta banda de cabelos grisalhos e mal cuidados lançou meia dúzia de álbuns e terminou actividade (?) de forma súbita (a par de Slint). Nunca se passearam pela avenida da fama, nem andaram lá perto. Caustic Resin foi uma banda para se descobrir na penumbra do quarto, na solidão de um domingo. Esta banda natural de Boise, Idaho (EUA) trouxe, na sua essência, o degradante ar de Seattle (refiro-me ao Grunge) na sua forma mais arrastada e anestesiada. Nenhuma outra voz se adaptaria de forma tão segura a este instrumental tão estéril, como a voz de Brett Nelson encaixou. Tem a voz mais narcotizada que ouvira até então (a fazer lembrar Andrew Wood) e é um dos músicos que mais admiro. Cresci com Caustic Resin, e continuarei a ouvi-los com este entusiasmo, como se os ouvisse pela primeira vez. Nunca o inverno da alma fora tão compreendido.


E aqui fica um dos temas da minha vida, para ser ouvido sem distracções:


O bom cinema de Terror saiu do coma!


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

"Go to sleep, don't you cry, rest your head upon the clover"


Um cometa chamado Shocking Fuzz


A par de Earthless e Tia Carrera, também estes astronautas nativos dos EUA se caracterizam pela sonoridade viajante, que habita onde a gravidade é praticamente inexistente. O álbum de estreia deste trio apresenta-nos uma interminável epopeia espacial, que promete entorpecer os nossos ouvidos e levitar a nossa alma para os mais insondáveis céus do firmamento vertical. O baixo é verdadeiramente hipnótico, a guitarra delirante e a bateria estonteante. Com passagens deliciosamente introspectivas onde o baixo é dono e senhor do espaço, e outras em que o querosene é queimado a toda a velocidade, este disco de estreia deixa o ouvinte a salivar pelo prolongamento do mesmo. Preparem os sacos de plástico e apertem bem os cintos de segurança, porque Shocking Fuzz viaja à velocidade da luz em pleno campo de asteróides.    

Blues at the Maxwell Street, Chicago (1947)


Young Mr. Lincoln (1939)


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Solaris

Well, anyway, my mission is finished. And what next? To return to earth? Little by little, everything will come to normal. I'll find new interests, new acquaintances. But I won't be able to devote all of myself to them. And do I have the right to turn down even an imaginary possibility of contact with the ocean, to which my race is trying to stretch a thread of understanding? To stay here, among the things we both touched, which still remember our breathing? What for? Just for the hope of her return? But I have no hope. The only thing left for me is to wait. Wait for what? I don't know... A new miracle.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Uh! (L)


Space Debris, a retrospectiva da Alemanha setentista

Space Debris é o resultado da calorosa envolvência entre o Krautrock e o Rock Progressivo. Esta banda alemã resolveu dedicar toda a sua carreira à melhor sonoridade que a sua pátria desenvolvera na década de 70, o Krautrock. Numa intensa dança realizada a dois, a guitarra e o sintetizador borbulham numa estonteante odisseia do início ao fim dos temas. Estes dois instrumentos envolvem-se numa orgia gritante e prazerosa pelos infinitos lençóis que os sustentam. A bateria e o baixo caminham de mãos dadas como figuras paternais, enquanto as suas duas crianças (guitarra e sintetizador) correm, gritam e saltam mundo fora. Destaco, como o meu álbum favorito, o majestoso disco de estreia, “Krautrock-Sessions 1994-2001” (lançado em 2002). Space Debris é um dos exemplos de que a música criada em décadas ancestrais, pode muito bem ser ressuscitada na actualidade e vivida com o mesmo entusiasmo de outrora. Adjectivar Space Debris de "viajante", é ser-se demasiado redutor.

Enquanto a noite subsiste lá fora..


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

If i go, I'm going

This house
She's holding secrets
I got my change behind the bed

In a coffee can,
I throw my nickels in
Just in case I have to leave

And I will go if you ask me to
I will stay if you dare
And if I go I'm goin shameless
I'll let my hunger take me there

This house
She's quite the talker
She creeks and moans
She keeps me up

And the photographs
Know I'm a liar
They just laugh as I burn her down

And I will go if you ask me to
I will stay if you dare
And if I go I'm goin on fire
Let my anger take me there

The shingles man they're shaking
The back door's burning through
This house she's quite the keeper
Quite the keeper of you

I will go if you ask me to
I will stay if you dare
And if I go, I'm goin crazy
I'll let my darlin take me there

She's the one!


✝ Vitus ✝


Nate Vs Brenda @ Six Feet Under

- Vim cá dizer-te que acho que fui um pouco teimosa. Cheguei a ponto de ter de escolher entre o meu casamento e este bebé, e parece-me imprudente arriscar o meu casamento por causa de um exame estúpido.
- Óptimo!
- Mas agora que estou aqui, a olhar para ti... Estivemos separados tanto tempo. Parece que estamos juntos, mas não estamos. Tenho pensado que a culpa é minha, dos meus medos ou das minhas hormonas, mas acho que é tua. É nossa.
- Escuta, Bren...
- Não, não me toques.
- O que queres que faça?
- Meu Deus! Faz o que quiseres! Uma vez na vida, faz o que queres, não o que as pessoas querem ou o que deverias fazer. Porque estou a borrifar-me!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Restará sempre este tema esperançoso


A queda evitável

Pierre, que, mais do que qualquer outro, fizera com que emergisse das profundezas de uma vida íntima e fechada, lançava-a agora ao abismo ainda mais insondável da dúvida e do temor. Era essa a mais dura de todas as quedas, porquanto se lhe entregara totalmente, vivendo as emoções até ao extremo limite de si mesma. O que nos seus sentimentos mais medo lhe causava era o sentir-se agora incapaz de tornar a fechar-se, como outrora, na sua concha, de virar as costas ao mundo, de se fazer surda e cega e arquitectar algo de imaginário em substituição da realidade. E só então se deu conta de como ele se insinuara no mais fundo do seu ser. Sempre que pensava na sua pele, delicadamente doirada pelo sol, nos seus olhos verdes, retraídos, que só mudavam quando ele se inclinava para lhe apanhar a boca com os lábios grossos, sentia um arrepio percorrer-lhe o corpo, e aquela imagem torturava-a de desejo. Depois de ter vivido horas de uma dor tão viva e tão forte que pensou não mais vir a recompor-se, caiu num estranho estado de letargia, numa semi-sonolência. Dir-se-ia que algo dentro dela se quebrara. Não sentia já nem dor nem prazer. Estava entorpecida. Tudo lhe parecia irreal. E o seu corpo de novo morria. 


Anais Nin em Delta de Vénus 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cinema de Setembro

Last Days Here (2011) de Don Argott e Demian Fanton
Dev.D (2009) de Anurag Kashyap
Vicky Cristina Barcelona (2008) de Woody Allen
4 Luni, 3 Saptamâni si 2 Zile (2007) de Cristian Mungiu
Danny the Dog (2005) de Louis Leterrier
Speak (2004) de Jessica Sharzer
Kill Bill: Vol.2 (2004) de Quentin Tarantino
Kill Bill: Vol.1 (2003) de Quentin Tarantino
Oldboy (2003)
de Chan-Wook Park
Im Juli (2000)
de Fatih Akin
Kids (1995) de Larry Clark
Que Viva México! (1979) de Sergei M. Eisenstein
Attack of the 50 Foot Woman (1950)
de Nathan Juran
The Asphalt Jungle (1950)
de John Huston
3 Godfathers (1948)
de John Ford