segunda-feira, 11 de abril de 2016

Review: ⚡ Asimov - 'Truth' ⚡ (2016)

Com cinco anos de existência, Asimov são hoje uma das mais sérias e incontornáveis referências portuguesas da margem underground da música Rock. Este power-duo natural do Cacém tem no seu Heavy Psych explosivo e inflamante o principal promotor da crescente legião de seguidores que Asimov vai recolhendo e colecionando, e as suas alucinantes performances acima dos palcos nacionais são ainda um verdadeiro estimulo para quem pela primeira vez comunga ao vivo a sua sonoridade. No passado dia 24 de Março a banda lançou o seu terceiro álbum intitulado ‘Truth’: um disco sobrecarregado de riffs poderosos, erosivos e electrizantes que facilmente nos desprende a cabeça para uma redentora e eufórica resposta comportamental a toda esta injecção de adrenalina em estado musical. Apresentado ao Mundo nos formatos digital, CD (pela Raging Planet) e de Cassete (pela Ya Ya Yeah), ‘Truth’ aprisiona um combativo e provocante Heavy Psych lubrificado pela vibrante rebeldia do Garage Rock numa fervilhante e extraordinária junção que nos assalta e conquista. Este álbum é conduzido por uma guitarra agressiva e indomável que se exorciza selvaticamente com os seus riffs soberanos e intoxicantes – regados e temperados com o efeito fuzz – e solos delirantes, sidéricos e penetrantes capazes de amordaçar toda a euforia e nos catapultar a um narcotizante estádio de doce inércia, uma bateria cavalgante e explosiva – de dinâmicas incitantes e criativas – que esporeia e enfatiza a ardente sonoridade de Asimov arrastando-nos consigo na sua emocionante galopada, e ainda uma voz vivificante e aguerrida que se erige do instrumental e se dissolve na estratosfera de ‘Truth’. Este é um disco de alma desassossegada que nos obriga a dançá-lo com total entrega. Um disco locomovido a um ritmo e velocidade estonteantes, que raras vezes se aquieta e desmaia numa perfeita e radiosa lisergia. Enfrentem este ‘Truth’ neste frenético rodeo, e sintam perder as rédeas da vossa consciência para a poderosa influência de Asimov. De destacar que no último fim de semana do presente mês de Abril esta banda tem presença assegurada no festival almadense Sound Bay Fest, e no dia 23 de Julho viajará até Trás-Os-Montes para subir ao palco do festival Rock d’Ouro.

We Hunt Buffalo & Monolord european tour!


The Planet of Doom (official trailer)


Links:

Ten Years After @ Filmore East (1970)


sábado, 9 de abril de 2016

Slowdive - "Alison" (1994)


Review: ⚡ Ocelot - 'Ocelot' EP ⚡ (2016)

Está finalmente lançado o primeiro registo do quinteto californiano Ocelot. Gravado ao vivo no Studio West (Rancho Bernardo, CA) e apresentado ao mundo no último suspiro do passado mês de Março, este EP vem tingido de um Heavy Psych N’ Blues repleto de carisma e elegância que facilmente recolherá a aprovação dos ouvintes que nele ancorarem a sua atenção. Pertencente à San Diego Scene (movimento que tanto idolatro, considerando mesmo este recanto californiano a actual meca do Heavy Psych, de onde destaco referências como Earthless, Joy, Harsh Toke, Monarch e Sacri Monti), Ocelot é uma banda de sonoridade imensamente fascinante, voluptuosa e requintada, perfumada por um Heavy Psych aveludado, agradável e relaxante de mãos dadas a um Blues fecundante, excitante e de ares primaveris que nos preserva neste delirante sonho lúcido. Toda esta prazerosa e deslumbrante comoção em estado musical é criada, nutrida e conduzida por uma guitarra irrequieta – de solos uivantes e extasiantes – que nos serpenteia e euforiza, um teclado vaidoso – de danças hipnotizantes e provocantes – que nos encanta e ameniza, um baixo de bafo pulsante e vigoroso que robustece com enlevo e relevância todos os acordes, uma voz mélica, charmosa, macia e harmoniosa que se passeia com admirável e distinta delicadeza, e uma bateria jazzística e extravagante que tiquetaqueia com electrizante e emocionante dinamismo toda esta incrível passerelle de encantamento dedilhado. Ocelot é uma redentora evasão de morfínica satisfação que nos eteriza e extasia. Percam-se na atmosfera ternurenta e sensual de Ocelot e sintam-se dominar pela doce e envolvente lisergia que vos massajará o cerebelo do primeiro ao último tema deste magnífico EP. De salientar ainda o artwork produzido pelo emblemático Alan Forbes (que já trabalhou com bandas como The Black Crowes, Queens of the Stone Age, The White Stripes e Dinosaur Jr.) que dá rosto a este belo e surpreendente trabalho de Ocelot. Embriaguem-se nele.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Review: ⚡ Jagannatha - 'Jagannatha' (2016) ⚡

De Grenoble (França) chega-nos o magnífico álbum homónimo de Jagannatha: um quarteto francês de instrumentos apontados ao Heavy Psych de feições astrais e orientação Progressiva que nos presenteia com uma emocionante e inesquecível odisseia gravitacional em sua poderosa e envolvente órbita. Este surpreendente disco encerra uma comovente e fascinante sonoridade que prontamente nos captura e conquista. Alicerçado num admirável e contemplativo Heavy Psych de contornos morfínicos e espaciais que de forma sedutora e embriagante se formoseia ao longo dos quatro temas que o materializam, ‘Jagannatha’ é um álbum verdadeiramente soberbo, perfilando-se como um dos mais notáveis registos do ano até ao momento. Há algo de encantadoramente místico e enigmático na sua essência que nos entorpece, extasia e ao mesmo tempo emancipa e euforiza. Deixem-se anestesiar e relaxar com os seus acordes ataráxicos e carinhosos que se desenvolvem e acabam por desaguar em poderosos, corrosivos e eletrizantes riffs de ares Doom’escos. Toda esta espantosa e estimulante expedição é alavancada por duas guitarras embriagadas que se transcendem com os seus solos alucinantes, fecundantes e lascivos capazes de nos endoidecer, aliados a riffs tanto plácidos, lentos e suaves quanto erosivos, enfurecidos e monolíticos que nos elevam do mais descontraído e petrificante estado ao mais vibrante e redentor estádio emocional, um baixo murmurante de reverberação robusta, ondeante e arrastada que sombreia e enaltece todas as incríveis divagações das duas guitarras, e uma bateria provocante – de ofensivas explosivas e dinâmicas – que nos agita e extravia num disparo consciencial. ‘Jagannatha’ é um verdadeiro detonador de consciências que nos arremessa para as mais distantes e secretas planícies do nosso Cosmos interior. Sintam-se colonizados pelo prazer em estado musical de Jagannatha e vivenciar um perpétuo e pleno estado de doce letargia. 2016 fica um ano musicalmente mais rico com este contributo de Jagannatha.

Stonehelm - S/T (Totem Cat Records)

Keep your cool man!


Pink Floyd @ Abbaye de Royaumont, France (1971)