domingo, 21 de janeiro de 2018

Colour Haze

© Dan McPharlin

🖤 Colour Haze - "She Said" (live, 2012)

Review: ⚡ Crypt Trip - 'Rootstock' (2018) ⚡

De San Marcos (Texas, EUA) chega-nos um dos mais sérios candidatos a álbum do ano, isto apesar de 2018 ainda viver a primavera da sua existência. ‘Rootstock’ é o segundo e novo álbum do provocante tridente ofensivo Crypt Trip – lançado muito recentemente em formato físico de CD através da sua página oficial de Bandcamp – e vem nutrido e robustecido de um inflamante, intenso e empolgante Heavy Psych N’ Blues locomovido por um elegante, poderoso e excitante Hard Rock de clara devoção setentista. A sua sonoridade de tonalidade quente, ritmada e extasiante envaidece-se num fascinante equilíbrio entre o peso, a robustez, o dinamismo e a subtileza que faz com que a atenção do ouvinte gravite na sua órbita do primeiro ao último tema. São cerca de 40 minutos tanto entregues a uma desenfreada e alucinante galopada que nos hipnotiza, sacode e euforiza, como dedicados a uma saturada atmosfera enevoada por um psicadelismo ensolarado, anestésico e requintado que nos abraça, enfeitiça e deslumbra com tremenda facilidade. Estes descendentes da libidinosa sonoridade ZZ Top’eana têm em ‘Rootstock’ um registo detentor de uma personalidade muito bem conspirada e apurada que promete converter os mais cépticos em seus devotos entusiastas. Deixem-se influenciar e enlevar pelos tirânicos bailados de uma guitarra dominante que se tonifica em riffs dinâmicos, hercúleos e viris, e se revolta em virtuosos, atordoantes e vertiginosos solos. Dancem de forma detida e apaixonada ao envolvente som de um baixo magnetizante, atlético e pulsante de linhas diligentes, tensas, criativas e arredondadas. Balanceiem a cabeça em movimentos pendulares de ombro a ombro na instintiva resposta a uma bateria expedita, veloz e acrobática – de soberba orientação rítmica – que nos incendeia e prazenteia de uma veemente adrenalina, e sintam-se seduzidos por uns vocais sedosos, harmoniosos e intoxicantes que graciosamente sobrevoam e catalisam toda esta excitante e refinada atmosfera de ‘Rootstock’. Se eu já sustentava uma irrepreensível admiração por este exímio power-trio de instrumentos apontados aos corpulentos e vibrantes 70’s, a produção e consequente degustação deste seu novo álbum acaba de catapultar Crypt Trip para o mais alto pináculo da minha preferência musical. Este é indubitavelmente o meu álbum favorito brotado até ao momento no fresco e tenro solo de 2018. Comovam-se e exaltem-se n’Ele.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Review: ⚡ The Band Whose Name is a Symbol - 'Droneverdose' (2018) ⚡

Da cidade-capital de Ottawa (Ontário, Canadá) chega-nos a nova dose de psicadelismo astral brilhantemente cozinhada pelos já carismáticos The Band Whose Name is a Symbol e apelidada de ‘Droneverdose’. Lançado muito recentemente pelo selo discográfico britânico Cardinal Fuzz nos formatos físicos de CD-R e vinil (numa edição ultra-limitada a 50 (CD) e 300 (LP) cópias existentes), este novo álbum da produtiva banda canadiana ostenta um inventivo, celestial e explorativo Psych Rock – tingido e embaciado por um místico, envolvente e hipnótico Krautrock de ares orientais – que nos intriga, deslumbra e atira na vertiginosa direcção das estrelas. Baseado em fascinantes, narcóticas e extasiantes jams de natureza alienígena, este ‘Droneverdose’ é detentor de uma atmosfera autenticamente xamânica – climatizada e temperada por uma sublime espiritualidade sideral – que nos aprisiona numa profunda, labiríntica e temulenta hipnose. Sintam-se levitar e naufragar pela extraordinária infinidade de um Cosmos sedado à arrebatadora boleia de duas guitarras messiânicas que se atiçam e multiplicam em solos borbulhantes, orgásmicos, delirantes e enigmáticos, um baixo reverberante, sólido e dançante, de linhas pulsantes, sombrias e marcantes, uma bateria detidamente entregue a uma ritmicidade absorvente, firme e galopante, um mágico e edénico sintetizador – criador de uma atmosfera verdadeiramente sonhadora – que com os seus esotéricos bailados se enfatiza e opulenta, e ainda um monocórdico cântico gregoriano que ecoa ao longo de toda esta liturgia rezada pelos corpos celestes. ‘Droneverdose’ é uma fabulosa e homérica odisseia pelo vasto e copioso enxame de fornalhas estelares. Uma ataráxica experiência sensorial que nos canaliza a consciência aos sagrados braços do transe. Empoeirem-se na nebulosa alquimia desta nova experiência psicotrópica levada a cabo pela prestigiosa formação norte-americana e sintam-se estarrecer e transcender pela verticalidade do Cosmos interior.

Taste - "What’s Going On" @ The Isle Of Wight Festival (1970)

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

😈 Cactus - "Evil" (1971)

© Dana Trippe

➟ www

🌹 Paz Lenchantin

Review: ⚡ Foot - 'Buffalo' (2018) ⚡

Da cidade de Melbourne – na Austrália – chega-nos o segundo álbum do quarteto Foot designado de ‘Buffalo’ e lançado no passado dia 12 de Janeiro em formato digital através da sua página oficial de Bandcamp. Fundamentado num quente, robusto e empolgante Desert Rock – inflamado e condimentado por um delirante, etéreo, brumoso e excitante Heavy Psych, e ainda revigorado e apimentado por um imponente, ritmado, atlético e fibrado Grunge Rock à boa moda dos anos 90 – este novo álbum produzido pela formação australiana provoca em nós uma forte sensação de fascínio e exaltação que nos envolve, comove e inquieta do primeiro ao último tema. É num admirável equilíbrio entre a leveza, o peso e a força que este ‘Buffalo’ se ostenta e desenvolve ao longo dos 42 minutos de duração, enfeitiçando e dominando quem nele ancorar a sua atenção. Cerrem os maxilares, endureçam o olhar e enfrentem destemidamente toda esta intensa avalanche sonora à boleia de duas guitarras influentes que se conjugam em riffs fogosos, corpulentos, vibrantes e faustosos, e se distanciam em solos fecundantes, desvairados, gélidos e alucinantes, um baixo de respiração pesada que nos intriga e absorve com as suas linhas musculadas, reverberantes e torneadas, uma bateria explosiva de redentora, sedutora e empolgante ritmicidade, e uns vocais melodiosos, hipnóticos, translúcidos e enevoados – a fazer lembrar o carismático e singular Layne Staley – que combina na perfeição com a aspereza e potência instrumental. ‘Buffalo’ presenteia o ouvinte com uma atmosfera verdadeira cativante, mística e extasiante que o abraça, adorna e embacia na sua densa e deslumbrante bruma. Sintam-se diluir na exuberante e psicotrópica majestosidade de Foot e experienciar um álbum de natureza verdadeiramente marcante, sublime e arrebatadora.

✞ Saint Vitus ✞

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Sleep'eans

Drop out of life with bong in hand
Follow the Smoke toward the Riff filled Land
Proceeds the Weedian
Nazareth
🐫

domingo, 14 de janeiro de 2018

Matt Pike | Sleep

☄️ Hawkwind: A Space Odyssey!

Review: ⚡ Mythic Sunship - 'Upheaval' (2018) ⚡

Da capital dinamarquesa chega-nos o novo álbum do quarteto Mythic Sunship apelidado de ‘Upheaval’. Lançado muito recentemente pelo influente selo discográfico El Paraiso Records nos formatos físicos de CD e vinil – com o qual a banda reforça o seu vínculo editorial – este novo registo seduz, prende e conduz o ouvinte numa enigmática, envolvente e majestosa odisseia pelos nebulosos firmamentos da intimidade cósmica. Depois de comungados e devidamente elogiados os seus antecessores ‘Ouroboros’ de 2016 (review aqui) e ‘Land Between Rivers’ de 2017 (review aqui), esta fascinante banda sediada em Copenhaga tem em ‘Upheaval’ um novo capítulo da sua fantástica digressão espacial, entrando – agora – em territórios mais longínquos, gélidos e sombrios da sua etérea sonoridade. É com base num deslumbrante, esplêndido e narcotizante Psych Rock – sublimemente climatizado e massajado por um hipnotizante, meditativo e viajante Krautrock – que este novo álbum nos convida a desatar os nós da gravidade consciencial, deixando para trás um corpo inanimado, e levitando numa sagrada, letárgica e extasiante ascensão por entre berrantes, admiráveis e intoxicantes nebulosas, e rochosos, melancólicos e solitários astros brotados e perpetuados no imenso negrume cósmico. Há algo de verdadeiramente tântrico, terapêutico e encantador na essência celestial de ‘Upheaval’ que nos mumifica num intenso e duradouro estádio nirvânico. Sintam-se alcançar e orbitar o transe à influente boleia de duas guitarras endeusadas que se abraçam e desprendem por entre solos atordoantes, desvairados, incisivos e euforizantes, e se consolidam em riffs imponentes, luxuosos, poderosos e magnetizantes, um baixo murmurante de linhas dançantes, torneadas e possantes, e uma bateria jazzística de delicada, ligeira e requintada orientação rítmica que condimenta com entrega e emoção toda esta edénica cerimónia chefiada por Mythic Sunship. Este é um álbum verdadeiramente alucinógeno que nos absorve, seda e lapidifica num paradisíaco estado de pleno relaxamento. Recostem-se, selem as pálpebras, icem as velas da vossa espiritualidade, desancorem a consciência e empoeirem-se na densa e abençoada misticidade astral de ‘Upheaval’, rumo a uma das digressões mais épicas da vossa existência.

✌️ Oh Lord, Yeah!