quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Review: ⚡ Hazemaze - 'Hazemaze' (2018) ⚡
De Estocolmo, a cidade capital da Suécia,
chega-nos o homónimo álbum de estreia do power-trio
Hazemaze que muito recentemente
assinara um contrato com a editora discográfica alemã Kozmik Artifactz. Lançado oficialmente no passado dia 9 de
Fevereiro unicamente em formato digital através da sua página de Bandcamp, e fundamentado num
atemorizante, demoníaco, enigmático e provocante Stoner-Doom aliado a um hipnótico, obscuro, corpulento e místico Heavy Blues de feições luciféricas,
este nebuloso e ritualístico ‘Hazemaze’
tem o dom de nos fascinar, narcotizar e enlutar a alma. A sua sonoridade poderosa,
sombria, anestésica e brumosa – de clara influência Black Sabbath’eana – passeia-nos por entre os
escombros que lavram e assolam paisagens fúnebres, sinistras e melancólicas distendidas ao longo dos oito temas que assombram o álbum. São cerca de 43
minutos governados e saturados por uma intoxicante, tirânica, densa e
magnetizante atmosfera que nos mumifica, sufoca e entorpece. Comunguem toda
esta liturgia esotérica superiormente chefiada por uma guitarra profana que se
agiganta em imponentes, fumarentos, intensos e absorventes riffs (inflamados e eletrificados pelo efeito fuzz) e solos penetrantes, desvairados, alucinógenos e erodentes,
um baixo granítico de linhas tensas, coesas, torneadas e reverberantes, uma
bateria excitante de galope ardente, dinâmico e vibrante, e uma voz diáfana,
aguda, fecundante e visceral que nos esgrima e intriga do primeiro ao derradeiro
minuto. ‘Hazemaze’ é um álbum verdadeiramente mirífico, de audição
incontornável a todos os devotos peregrinos que seguem o lado mais morfínico do
Doom. Deixem-se dissolver no profundo,
pastoso e deslumbrante negrume de Hazemaze
e inalem os psicotrópicos vapores de um dos mais arrebatadores e viciantes
registos nascidos em 2018.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
domingo, 18 de fevereiro de 2018
Review: ⚡ Vvlva - 'Path of Virtue' (2018) ⚡
Da Alemanha chega-nos a elegante fragância de ‘Path of Virtue’, o disco
de estreia do quinteto Vvlva.
Lançado muito recentemente pelo influente selo discográfico germânico World in Sound nos formatos físicos de
CD e vinil, este seu primeiro álbum de estúdio ostenta um exuberante e fascinante
sortido sonoro – de essência resgatada aos carismáticos anos 70 – onde coabitam
um luxurioso, sublime e vaidoso Heavy
Psych, um envolvente, sideral e magnetizante Krautrock, e ainda um vistoso, atraente e majestoso Prog Rock. A sonoridade soberbamente deslumbrante, principesca e intrigante desta impressionante formação sediada na cidade
independente de Aschafemburgo mantem-nos
focados, perplexos e enfeitiçados do primeiro ao último tema. Na génese desta encantadora
ode revivalista está uma sumptuosa guitarra de notáveis, afáveis e prestigiosos
acordes que se desmancham em alucinantes, frenéticos e estonteantes solos, um prestigioso
órgão Hammond de charmosos, extravagantes e portentosos bailados, um baixo vigoroso
e murmurante de linhas coesas, hipnóticas e baloiçantes, uma impressionante bateria
movida a delicadeza, leveza e virtuosismo, e ainda uma voz agradável, terna e
sedosa que empresta um brilho extra à distinta, encantadora e caprichosa atmosfera
de ‘Path
of Virtue’. É importante ainda salientar e elogiar o fabuloso artwork de contornos mitológicos e epopeicos
pensado e trabalhado pela artista milanesa Francesca Vecchio e o berrante logótipo irreverentemente esculpido pelo já célebre Karmazid. Este é um disco adorável que nos abraça e intoxica
de um sagrado misticismo. Um álbum detentor de uma ambiência apaixonante que
nos cativa e namora com destacadas veemência e expressividade. Deixem-se
enlevar e extasiar pelo epopeico, bizarro e arrebatador universo de Vvlva, empoeirem-se na sua mágica
sublimidade e vivenciem com total entrega e devoção um dos mais exóticos e excepcionais
registos lançados até ao momento em 2018.
sábado, 17 de fevereiro de 2018
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Review: ⚡ Naxatras - 'III' (2018) ⚡
Tal como o seu nome sugere, ‘III’
representa o novo e terceiro álbum do muito respeitado power-trio helénico Naxatras.
Esta fascinante banda natural da populosa cidade de Tessalónica – que por mérito próprio é hoje reconhecida como uma
das formações mais elogiadas da Psych
Scene europeia – tem vindo a aumentar a sua comunidade de seguidores e
consequentemente a merecer a confiança de festivais como o nosso bem conhecido SonicBlast Moledo (do qual farão parte
já na próxima edição). Fundamentados num envolvente, exótico, místico e
deslumbrante psicadelismo sonoro que tanto nos enraíza os pés nas aveludadas,
fervilhantes e douradas areias do deserto como nos faz cabecear os mais
distantes, gélidos e recônditos astros do Cosmos, os Naxatras acabam de nos presentear com o tão ansiado lançamento do
seu terceiro registo nos formatos físicos de CD e vinil. Este novo álbum
simboliza um renovado capítulo da sua edénica odisseia pelo lado mais sideral,
quente e magistral do Psych Rock em
agradável consonância com o lado mais relaxante, meditativo e deslumbrante do Space Rock. E é esta encantadora
coligação dos dois géneros que nos afaga, massaja e embriaga os sentidos e
desprende a consciência numa sagrada, extasiante e nirvânica levitação rumo ao
íntimo do transe. A sua harmoniosa,
agradável e maravilhosa sonoridade irradia uma desarmante, sublime e ofuscante
beatitude que nos desperta a libido. São cerca de 65 minutos de duração –
devidamente repartidos pelos sete temas que incorporam este álbum – saturados
de uma sumptuosa, mélica e faustosa ambiência celestial que nos hipnotiza,
seduz e nebuliza com tremenda facilidade. Juntem-se a esta religiosa caravana
pelos paradisíacos desertos de ‘III’ ao som combinado entre uma
guitarra endeusada que dedilha deliciosos, esplêndidos, elegantes e prazerosos
acordes e se purifica e engrandece em serpentantes, arrebatadores e
magnetizantes solos plenos de uma estarrecedora delicadeza, um baixo oscilante
de linhas suavizantes, anestésicas e dançantes, uma voz serena, macia e
adocicada que sobrevoa o instrumental, e uma bateria jazzística de soberba, cuidada e inventiva orientação rítmica que
tiquetaqueia com capricho e emoção toda esta iguaria veraneia. O enigmático artwork de traços sibilinos, tribais e
ritualísticos é da autoria do ilustrador escocês Chris RW com quem a banda conta já desde a sua fundação. ‘III’
é um álbum prodigioso que certamente agradará tanto a gregos como troianos. Um
registo de natureza sonhadora para ser comungado de corpo relaxado, olhar
selado e alma narcotizada. Bronzeiem-se na sua resplandecente toxicidade e
deleitem-se na sua beleza e sublimidade. Um dos discos mais consagrados de 2018
está aqui, no ardente e sensual bafo de Naxatras.
Links:
Review: ⚡ Bismarck - 'Urkraft' (2018) ⚡
De Bergen – a segunda maior cidade da Noruega – chega-nos o álbum de estreia do quinteto Bismarck apelidado de ‘Urkraft’. Lançado unicamente em
formato digital no passado dia 5 de Fevereiro através do seu Bandcamp oficial (mas com a edição em
vinil pensada e agendada para o final do próximo mês de Março), este vultoso,
altivo e majestoso registo da jovem e muito promissora formação nórdica prende
um possante, encorpado, intenso e prepotente Stoner-Doom fervido em efeito Fuzz
e temperado com alguns laivos de um envolvente, místico e fascinante
psicadelismo sideral que nos hipnotiza, narcotiza e arremessa violentamente na
vertiginosa direcção dos astros. A sua sonoridade imensamente poderosa, intrigante
e ostentosa arrasta-se pela intimidade do negrume cósmico, mergulhando o
ouvinte numa profunda e duradoura hipnose que o climatiza, absorve e eteriza do
primeiro ao último tema. São cerca de 35 minutos governados e aureolados por
uma sombria, carregada e enigmática bruma abissal que mumifica e sufoca a mais
pequena réstia de lucidez e nos sepulta a alma na sua fumarenta e intoxicante
essência. Baloicem detida e pesadamente os vossos corpos sonolentos, submissos
e temulentos ao potente, hipnótico e influente som de duas guitarras criadoras
de riffs imponentes, demoníacos e
ressonantes que nos enfeitiçam e atiçam, e solos viscerais, lisérgicos e
astrais que nos golpeiam e envenenam. Diligenciem e murmurem as reverberantes, tensas,
febris e pujantes linhas de um baixo intensamente palpitante, desatem a cabeça
à excitante e redentora boleia de uma bateria explosiva, massiva e trovejante,
e sintam-se diluir nos rugidos cavernosos, enérgicos e raivosos que dão voz a toda
esta devastadora avalanche sonora que nos atropela e soterra os sentidos. É importante
ainda destacar o primoroso artwork de
ares ritualísticos superiormente ilustrado pelo artista escandinavo Anders Røkkum que serve de portal para
um esplêndido e inolvidável mergulho pelo universo de ‘Urkraft’. Este é um
álbum de natureza tirânica que nos domina e conquista com admirável prontidão. Participem
nesta irreligiosa cerimónia rezada e liderada pelos Bismarck que – de instrumentos apontados aos mais remotos e denegridos
domínios cósmicos – nos invade, maravilha e consagra em seus devotos
peregrinos.
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