quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Review: ⚡ Fuzz Lord - 'Fuzz Lord' (2018) ⚡
Da pequena e pacata cidade
de Chillicothe (Ohio, EUA) chega-nos o assombroso
álbum de estreia do poderoso power-trio
Fuzz Lord. De designação homónima e lançamento
datado de dia 22 de Janeiro em formato unicamente digital através da plataforma
Bandcamp, este vibrante ‘Fuzz
Lord’ vem fervido e cozinhado num potente, corpulento, colérico e intimidante
Heavy Rock de feições setentistas – sombreado e anestesiado por
um arrastado, nebuloso, intrigante e pesado Stoner Doom e mutuamente atacado por um ofegante, entusiástico e
apressado Punk Rock – que nos preenche
e sacode de uma intensa e efervescente adrenalina. A sua sonoridade de envergadura
monolítica, obscura e tirânica – inflamada e corada pelo efeito fuzz – pontapeia a nossa lucidez e mergulha-nos
num eletrizante, violento e febril estádio de plena euforia que nos alucina e
endoidece do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 39 minutos governados e
arrasados por uma possante, turbulenta e reverberante avalanche sonora rugida
por uma influente guitarra conduzida a riffs
imponentes, corrosivos, majestosos e excitantes, e solos cortantes, gélidos, ácidos
e hipnotizantes, ensombrada por um baixo sólido, sombrio e carregado de linhas
volumosas, trovejantes e ostentosas, esporeado por uma bateria ofensiva de incontidos,
enérgicos e explosivos assaltos, e ainda uma voz cavernosa, pujante e espinhosa
que estimula e enfurece toda esta alucinante e vertiginosa debandada. ‘Fuzz
Lord’ é um álbum de contornos épicos que nos assalta e incendeia sem
qualquer moderação. Deixem-se encobrir e atemorizar pelo enigmático e
instigante negrume de Fuzz Lord e
vivenciem toda a exuberância de um dos álbuns mais ardentes lançados até ao
momento em 2018.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
domingo, 25 de fevereiro de 2018
Review: ⚡ Perro del Desierto - 'Vol. I' (2018) ⚡
Da outra margem do oceano Atlântico
chega-nos a apaixonante e inebriante brisa desértica de Perro del Desierto com o lançamento do seu magnífico álbum de
estreia ‘Vol. I’ em formato digital através da plataforma Bandcamp (disponível para download gratuito). Esta jovem e muito
promissora formação argentina – natural da cidade de Malagueño (Córdoba) – desenvolve
uma sonoridade verdadeiramente arrebatadora, resultante da psicotrópica mistura
entre um quente, vigoroso, argiloso e excitante Desert Rock, um envolvente, solarengo, delirante e empolgante Heavy Psych e ainda um elegante, hipnótico,
sumptuoso e dançante Heavy Blues. É
à ataráxica boleia sonora de ‘Vol. I’ que somos remetidos para as
distensíveis e poeirentas estradas de um deserto beijado e calejado pelo Sol
vigilante, onde uma fresca, perfumada e tonificante brisa desmaia em nós, trazendo
consigo distantes, enigmáticos e penetrantes uivos de coiotes escondidos nas
escarpadas montanhas que emolduram a imensa planura desértica, e o nosso olhar
se perde e desmaia no fervilhante, baço e deslumbrante firmamento que se
desdobra pela infinidade adentro. A encantadora musicalidade de Perro del Desierto pendula entre o peso
e a leveza, a robustez e a delicadeza, o entusiasmo e a pacificidade. Deixem-se
cair e diluir num anestésico, profundo e magnetizante arroubamento nutrido e promovido
por uma guitarra endeusada que se manifesta em poderosos, ritmados, inflamantes
e ostentosos riffs e se transcende em
demorados e lisérgicos solos de natureza alucinógena, extravagante, provocante e
meditativa, um baixo sussurrante de linhas carregadas, sombreadas, vibrantes e
pulsantes, uma bateria cintilante, ritmada e galopante, e ainda uma voz translúcida,
espectral, ecoante e visceral que sobrevoa suave e livremente toda esta maravilhosa
epifania desértica. De salientar e elogiar ainda os soberbos dotes gráficos do
guitarrista / vocalista Juan Pisoni,
autor do primoroso artwork de índole indígena
que tão bem combina com a árida sonoridade de ‘Vol. I’. Este é um álbum
paradisíaco que nos empoeira, enfeitiça e maravilha na sua intensa misticidade.
Um disco imensamente irresistível que nos respira e namora do primeiro ao
derradeiro minuto. Recostem-se confortavelmente, selem o olhar e comunguem detidamente
toda esta sagrada mescalina via auditiva. Uma estreia de sonho para o power-trio Perro del Desierto que acabara de lançar um dos mais surpreendentes
e adoráveis registos do ano.
sábado, 24 de fevereiro de 2018
Review: ⚡ Seven That Spells - 'OMEGA' (2018) ⚡
Esta célebre formação croata
– sediada na cidade-capital de Zagreb
- acaba de dar por terminada a fascinante trilogia designada “The Death And Resurrection Of Krautrock”
que fora iniciada no já distante ano de 2011 com o lançamento de ‘AUM’,
desenvolvida em 2014 com ‘IO’ e agora devidamente concluída
com a terceira e última parte: ‘OMEGA’. Lançado muito recentemente
pela mão do selo discográfico alemão Sulatron
Records nos formatos físicos de CD e vinil, este novo álbum de Seven That Spells vem sustentado num
viajante, exótico e intrigante Space
Rock, com claros chamamentos a um envolvente, hipnótico e delirante Krautrock e ainda com indiscretas
aproximações a um xamânico, enigmático e ritualístico Psych Rock de propensão estelar. A sua sonoridade extraordinariamente
excêntrica, magnetizante e labiríntica – de condução notavelmente complexa –
tem o dom de nos deixar imortalizados num perfeito estádio de constante
surpresa que nos prende e cativa do primeiro ao último tema. São cerca de 47
minutos embaciados e climatizados por uma misteriosa e bizarra atmosfera
alienígena que prontamente nos converte em seus devotos seguidores. Na sagrada
essência desta cerimónia tribalista estão duas guitarras que se entrelaçam em maravilhosos,
místicos e alucinógenos acordes e se deslaçam em solos serpenteantes, gélidos e
estonteantes, um baixo murmurante de linhas robustas, torneadas e oscilantes,
um sintetizador embriagado de matéria estelar que se exterioriza em sibilinos esotéricos
bailados de natureza celestial, uma bateria verdadeiramente sensacional de
vistosas, fabulosas e mirabolantes acrobacias, e ainda uma voz gregoriana, profética
e messiânica que lidera toda esta virtuosa e consagrada peregrinação pelos infindáveis
domínios do Cosmos. ‘OMEGA’ é um álbum atestado de um transe religioso que nos abre as portas da percepção, ameniza os
sentidos e convida a um vertiginoso mergulho consciencial pelas profundezas do
universo interior.
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
Review: ⚡ Astrodome - 'II' (2018) ⚡
Muito recentemente foi-me
dada a irrecusável e prestigiante oportunidade de ouvir em primeira mão o segundo
e novo álbum dos portuenses Astrodome
batizado de ‘II’ e, portanto, não poderia estar mais ansioso e entusiasmado
por finalmente comungar este renovado capitulo da sua encantadora digressão espacial.
Conheci esta fascinante formação algures no final do ano de 2014 com o
lançamento do seu live demo e em 2015 o seu álbum de estreia ‘Astrodome’ (review aqui) tivera em mim um
impacto de tal magnitude que impulsionara este quarteto português até aos
lugares mais cimeiros da minha preferência musical, onde gravita até então.
Gravado e misturado no
estúdio minhoto Hertzcontrol Studio (situado
na freguesia de Seixas, Caminha) pelo Marco Lima, masterizado pelo carismático músico e produtor dinamarquês
Jonas Munk (Causa Sui, El Paraiso Records), com o lançamento em formato digital agendado para o próximo dia 4
de Março (através da sua página oficial de Bandcamp)
e ainda com um especial lançamento nos formatos físicos de vinil (via HeviSike Records) e cassete (via Ya Ya Yeah) pensado para um futuro
muito próximo, este ‘II’ viaja-nos numa envolvente, maravilhosa e extasiante
odisseia cósmica à boleia das suas fascinantes, etéreas e intoxicantes jams de essência estelar. A sua sonoridade
quente, hipnótica, erótica e comovente – fundamentada e orientada por um elegante,
ataráxico, sublime e apaixonante Heavy
Psych de condução jazzística e
natureza sideral – causa em nós uma imperturbável sensação de deslumbramento
que nos ofusca e narcotiza do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 41
minutos banhados numa edénica resplandecência que nos afaga, bronzeia e
enfeitiça com tremenda facilidade. Percam-se e encontrem-se por entre os extravagantes,
sumptuosos e aliciantes bailados de duas guitarras viajantes que se amuralham
em riffs grandiosos, robustos e
luxuosos, e solos verdadeiramente arrepiantes, agradáveis, adoráveis e
alucinantes. Baloicem os vossos corpos embriagados à reverberante, monolítica e
magnetizante ondulação emanada por um poderoso baixo de linhas dançantes, coesas,
densas e pulsantes, e desatem a cabeça na excitante e libertadora resposta a
uma bateria conduzida a perícia e emoção – de investidas tanto delicadas,
polidas, cuidadas e tranquilizantes quanto agressivas, intensas, explosivas e
euforizantes – que galopa com autoridade, ousadia e sublimidade pelas vastas,
idílicas e frondosas planícies de ‘II’. É-me também importante
estender o elogio ao copioso artwork brilhantemente
ilustrado pela artista portuguesa Clara Pessanha que confere rosto a esta paradisíaca excursão iniciada de pés
descalços e soterrados nas quentes e macias dunas de um deserto fervido pelo Sol
e terminada à deriva no mais profundo e intrigante negrume cósmico. Este é um
álbum verdadeiramente magnífico que nos prende e ofusca com a sua mágica e
esplendorosa nebulosidade. Um disco mirífico – detentor de uma alma enlevada – que
certamente estará perfilado no final do ano por entre os melhores álbuns
nascidos em 2018.
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
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