terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

🦂 Sleep @ Cidade do México 2018 [poster]

Artwork: Mike Sandoval

👹 Demon Head - "Rivers of Mars" (2018)

🌊 Causa Sui - "Homage" @ Duna Jam (2014)

Review: ⚡ Fuzz Lord - 'Fuzz Lord' (2018) ⚡

Da pequena e pacata cidade de Chillicothe (Ohio, EUA) chega-nos o assombroso álbum de estreia do poderoso power-trio Fuzz Lord. De designação homónima e lançamento datado de dia 22 de Janeiro em formato unicamente digital através da plataforma Bandcamp, este vibrante ‘Fuzz Lord’ vem fervido e cozinhado num potente, corpulento, colérico e intimidante Heavy Rock de feições setentistas – sombreado e anestesiado por um arrastado, nebuloso, intrigante e pesado Stoner Doom e mutuamente atacado por um ofegante, entusiástico e apressado Punk Rock – que nos preenche e sacode de uma intensa e efervescente adrenalina. A sua sonoridade de envergadura monolítica, obscura e tirânica – inflamada e corada pelo efeito fuzz – pontapeia a nossa lucidez e mergulha-nos num eletrizante, violento e febril estádio de plena euforia que nos alucina e endoidece do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 39 minutos governados e arrasados por uma possante, turbulenta e reverberante avalanche sonora rugida por uma influente guitarra conduzida a riffs imponentes, corrosivos, majestosos e excitantes, e solos cortantes, gélidos, ácidos e hipnotizantes, ensombrada por um baixo sólido, sombrio e carregado de linhas volumosas, trovejantes e ostentosas, esporeado por uma bateria ofensiva de incontidos, enérgicos e explosivos assaltos, e ainda uma voz cavernosa, pujante e espinhosa que estimula e enfurece toda esta alucinante e vertiginosa debandada. ‘Fuzz Lord’ é um álbum de contornos épicos que nos assalta e incendeia sem qualquer moderação. Deixem-se encobrir e atemorizar pelo enigmático e instigante negrume de Fuzz Lord e vivenciem toda a exuberância de um dos álbuns mais ardentes lançados até ao momento em 2018.

The Well & Crypt Trip meets Heavy Psych Sounds Records!

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💀 Black Label Society & Monolord // Euro Tour 2018 💀

domingo, 25 de fevereiro de 2018

💫 Sidéral Bordeaux Psych Fest 💫

Review: ⚡ Perro del Desierto - 'Vol. I' (2018) ⚡

Da outra margem do oceano Atlântico chega-nos a apaixonante e inebriante brisa desértica de Perro del Desierto com o lançamento do seu magnífico álbum de estreia ‘Vol. I’ em formato digital através da plataforma Bandcamp (disponível para download gratuito). Esta jovem e muito promissora formação argentina – natural da cidade de Malagueño (Córdoba) – desenvolve uma sonoridade verdadeiramente arrebatadora, resultante da psicotrópica mistura entre um quente, vigoroso, argiloso e excitante Desert Rock, um envolvente, solarengo, delirante e empolgante Heavy Psych e ainda um elegante, hipnótico, sumptuoso e dançante Heavy Blues. É à ataráxica boleia sonora de ‘Vol. I’ que somos remetidos para as distensíveis e poeirentas estradas de um deserto beijado e calejado pelo Sol vigilante, onde uma fresca, perfumada e tonificante brisa desmaia em nós, trazendo consigo distantes, enigmáticos e penetrantes uivos de coiotes escondidos nas escarpadas montanhas que emolduram a imensa planura desértica, e o nosso olhar se perde e desmaia no fervilhante, baço e deslumbrante firmamento que se desdobra pela infinidade adentro. A encantadora musicalidade de Perro del Desierto pendula entre o peso e a leveza, a robustez e a delicadeza, o entusiasmo e a pacificidade. Deixem-se cair e diluir num anestésico, profundo e magnetizante arroubamento nutrido e promovido por uma guitarra endeusada que se manifesta em poderosos, ritmados, inflamantes e ostentosos riffs e se transcende em demorados e lisérgicos solos de natureza alucinógena, extravagante, provocante e meditativa, um baixo sussurrante de linhas carregadas, sombreadas, vibrantes e pulsantes, uma bateria cintilante, ritmada e galopante, e ainda uma voz translúcida, espectral, ecoante e visceral que sobrevoa suave e livremente toda esta maravilhosa epifania desértica. De salientar e elogiar ainda os soberbos dotes gráficos do guitarrista / vocalista Juan Pisoni, autor do primoroso artwork de índole indígena que tão bem combina com a árida sonoridade de ‘Vol. I’. Este é um álbum paradisíaco que nos empoeira, enfeitiça e maravilha na sua intensa misticidade. Um disco imensamente irresistível que nos respira e namora do primeiro ao derradeiro minuto. Recostem-se confortavelmente, selem o olhar e comunguem detidamente toda esta sagrada mescalina via auditiva. Uma estreia de sonho para o power-trio Perro del Desierto que acabara de lançar um dos mais surpreendentes e adoráveis registos do ano.

Sunn O)))

My Mojave

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Review: ⚡ Seven That Spells - 'OMEGA' (2018) ⚡

Esta célebre formação croata – sediada na cidade-capital de Zagreb - acaba de dar por terminada a fascinante trilogia designada “The Death And Resurrection Of Krautrock” que fora iniciada no já distante ano de 2011 com o lançamento de ‘AUM’, desenvolvida em 2014 com ‘IO’ e agora devidamente concluída com a terceira e última parte: ‘OMEGA’. Lançado muito recentemente pela mão do selo discográfico alemão Sulatron Records nos formatos físicos de CD e vinil, este novo álbum de Seven That Spells vem sustentado num viajante, exótico e intrigante Space Rock, com claros chamamentos a um envolvente, hipnótico e delirante Krautrock e ainda com indiscretas aproximações a um xamânico, enigmático e ritualístico Psych Rock de propensão estelar. A sua sonoridade extraordinariamente excêntrica, magnetizante e labiríntica – de condução notavelmente complexa – tem o dom de nos deixar imortalizados num perfeito estádio de constante surpresa que nos prende e cativa do primeiro ao último tema. São cerca de 47 minutos embaciados e climatizados por uma misteriosa e bizarra atmosfera alienígena que prontamente nos converte em seus devotos seguidores. Na sagrada essência desta cerimónia tribalista estão duas guitarras que se entrelaçam em maravilhosos, místicos e alucinógenos acordes e se deslaçam em solos serpenteantes, gélidos e estonteantes, um baixo murmurante de linhas robustas, torneadas e oscilantes, um sintetizador embriagado de matéria estelar que se exterioriza em sibilinos esotéricos bailados de natureza celestial, uma bateria verdadeiramente sensacional de vistosas, fabulosas e mirabolantes acrobacias, e ainda uma voz gregoriana, profética e messiânica que lidera toda esta virtuosa e consagrada peregrinação pelos infindáveis domínios do Cosmos. ‘OMEGA’ é um álbum atestado de um transe religioso que nos abre as portas da percepção, ameniza os sentidos e convida a um vertiginoso mergulho consciencial pelas profundezas do universo interior.

💥 KADAVAR!

📸 Monk Calavera

Mammatus - "The Righteous Path Through The Forest Of Old"

🔥 Bow To Your Masters Volume I: Thin Lizzy 🔥

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Scott Reeder & Mario Lalli // Across the River '85

📸 Sophia Possidon

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

My Brother The Wind - "Death and Beyond" (2010)

🌌 Astral Blue

☄️ Earthless - "Black Heaven" (2018)

Review: ⚡ Astrodome - 'II' (2018) ⚡

Muito recentemente foi-me dada a irrecusável e prestigiante oportunidade de ouvir em primeira mão o segundo e novo álbum dos portuenses Astrodome batizado de ‘II’ e, portanto, não poderia estar mais ansioso e entusiasmado por finalmente comungar este renovado capitulo da sua encantadora digressão espacial. Conheci esta fascinante formação algures no final do ano de 2014 com o lançamento do seu live demo e em 2015 o seu álbum de estreia ‘Astrodome’ (review aqui) tivera em mim um impacto de tal magnitude que impulsionara este quarteto português até aos lugares mais cimeiros da minha preferência musical, onde gravita até então.

Gravado e misturado no estúdio minhoto Hertzcontrol Studio (situado na freguesia de Seixas, Caminha) pelo Marco Lima, masterizado pelo carismático músico e produtor dinamarquês Jonas Munk (Causa Sui, El Paraiso Records), com o lançamento em formato digital agendado para o próximo dia 4 de Março (através da sua página oficial de Bandcamp) e ainda com um especial lançamento nos formatos físicos de vinil (via HeviSike Records) e cassete (via Ya Ya Yeah) pensado para um futuro muito próximo, este ‘II’ viaja-nos numa envolvente, maravilhosa e extasiante odisseia cósmica à boleia das suas fascinantes, etéreas e intoxicantes jams de essência estelar. A sua sonoridade quente, hipnótica, erótica e comovente – fundamentada e orientada por um elegante, ataráxico, sublime e apaixonante Heavy Psych de condução jazzística e natureza sideral – causa em nós uma imperturbável sensação de deslumbramento que nos ofusca e narcotiza do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 41 minutos banhados numa edénica resplandecência que nos afaga, bronzeia e enfeitiça com tremenda facilidade. Percam-se e encontrem-se por entre os extravagantes, sumptuosos e aliciantes bailados de duas guitarras viajantes que se amuralham em riffs grandiosos, robustos e luxuosos, e solos verdadeiramente arrepiantes, agradáveis, adoráveis e alucinantes. Baloicem os vossos corpos embriagados à reverberante, monolítica e magnetizante ondulação emanada por um poderoso baixo de linhas dançantes, coesas, densas e pulsantes, e desatem a cabeça na excitante e libertadora resposta a uma bateria conduzida a perícia e emoção – de investidas tanto delicadas, polidas, cuidadas e tranquilizantes quanto agressivas, intensas, explosivas e euforizantes – que galopa com autoridade, ousadia e sublimidade pelas vastas, idílicas e frondosas planícies de ‘II’. É-me também importante estender o elogio ao copioso artwork brilhantemente ilustrado pela artista portuguesa Clara Pessanha que confere rosto a esta paradisíaca excursão iniciada de pés descalços e soterrados nas quentes e macias dunas de um deserto fervido pelo Sol e terminada à deriva no mais profundo e intrigante negrume cósmico. Este é um álbum verdadeiramente magnífico que nos prende e ofusca com a sua mágica e esplendorosa nebulosidade. Um disco mirífico – detentor de uma alma enlevada – que certamente estará perfilado no final do ano por entre os melhores álbuns nascidos em 2018.

🎧 Familia de Lobos - ST (2017) via Riot Season Records

San Francisco '67

© Jerry de Wilde