terça-feira, 6 de março de 2018

🎖 72 anos para David Gilmour (06.03.1946)

🔥 Ridin' RYTE!


🏁 '67 Smokey Yunick Camaro

Review: ⚡ Dead Meadow - 'The Nothing They Need' (2018) ⚡

Dead Meadow é seguramente uma das grandes bandas da minha vida. Álbuns como ‘Dead Meadow’ (Tolotta Records, 2000) e ‘Feathers’ (Matador, 2005) representam verdadeiras obras-primas de validade intemporal às quais regresso muito frequentemente, e os concertos vivenciados no Hard Club, Porto (2011) e no saudoso festival Reverence Valada (2016) ficar-me-ão perpetuamente cicatrizados na memória. E, portanto, o anúncio de um novo álbum de estúdio – depois de um longo jejum de cinco anos – provocara em mim toda uma crescente comoção de expectativa e ansiedade só saciada muito recentemente com a audição do mesmo.

‘The Nothing They Need’ nasce no vigésimo aniversário desta lendária banda sediada em Washington (EUA) através do selo discográfico nova-iorquino Xemu Records nos formatos físicos de CD e vinil, e devo antecipar sem demoras de que se trata de um dos meus registos favoritos deste power-trio. Tal como acontece com os seus antecessores, ‘The Nothing They Need’ reveste-se de um psicadelismo lamacento, melancólico, morfínico e lenitivo que nos entope todas as zonas erógenas, sufoca e embacia a lucidez e petrifica a nossa alma num perfeito e imperturbável estádio de bem-estar. É fundamentalmente baseado num viscoso, outonal, lisérgico, nebuloso e bucólico Heavy Psych – aliado a um modorrento, enigmático, obscuro e fumarento Heavy Blues – que este novo álbum nos amortalha num denso abraço psicotrópico capaz de nos adornar, hipnotizar e extasiar do primeiro ao derradeiro tema. Sintam-se atravessar pesadamente um resinoso, sombrio e pastoso pântano fecundado por velhas, esqueléticas e prostradas árvores cobertas de musgo e onde uma cerrada, fantasmagórica e esverdeada bruma sobrevoa rasteiramente toda esta pesarosa paisagem à intrigante e relaxante boleia sonora de uma guitarra uivante que se passeia sublimemente por entre riffs de corpos vigorosos, letárgicos, magnetizantes e luxuosos, e alucina em solos ácidos, ecoantes, cáusticos e efervescentes, um baixo pulsante e reverberante de linhas bem delineadas, coesas e dançantes, uma bateria flamejante de galope fascinante, relaxado e intoxicante, e ainda uma voz destemperada, gélida e petrificada que nos golpeia e prazenteia neste profundo sonho acordado. De destacar ainda num segundo plano a momentânea presença de um serpenteante e envolvente saxofone detidamente entregue a aveludados, agradáveis e edénicos bailados. Deixem-se cair, desmaiar e diluir num imenso oceano de inércia que massajará e canalizará a vossa consciência pelas ataráxicas artérias de ‘The Nothing They Need’. Recostem-se confortavelmente, baixem as pálpebras, dilatem as narinas, respirem profundamente e inalem toda a inebriante natureza deste poderoso sedativo via auditivo. Um dos álbuns mais mélicos, harmoniosos e terapêuticos de 2018 está aqui, na consequência do tão aguardado regresso a estúdio dos alucinógenos Dead Meadow. Esbatam-se nele.

sábado, 3 de março de 2018

🔪 Church Of Misery // Euro Tour 2018

♛ Svartanatt - "Hit Him Down" (2017)

Review: ⚡ Svartanatt - 'Starry Eagle Eye' (2018) ⚡

A Suécia é hoje um dos poucos países onde o revivalismo musical – mais concretamente a música Rock resgatada da década de 70 – tem uma forte e inspirada presença que prolifera de forma sustentável. Bandas influentes e das mais variadas gerações como Graveyard, Siena Root, Witchcraft, Hällas, Horisont, Three Seasons, MaidaVale, Captain Crimson, Topplock, Abramis Brama e Svartanatt (para referir apenas algumas) representam – de forma copiosa – este nobre chamamento setentista que muito deleita a minha alma e ouvidos. E é neste contexto de desmesurada devoção aos dourados anos 70 que vos falo do segundo e novo álbum da jovem formação Svartanatt designado ‘Starry Eagle Eye’ e lançado muito recentemente pelo produtivo e dedicado selo discográfico sueco The Sign Records nos formatos físicos de CD e vinil. Neste fascinante disco vigora um charmoso, dançante, intrigante e ostentoso Hard Rock, maquilhado e climatizado por um elegante, robusto e magnetizante Heavy Blues, e superiormente conduzido por um serpenteante, enigmático, hipnótico e excitante Heavy Prog. A desarmante, carismática e apaixonante sonoridade deste quinteto baseado na cidade-capital de Estocolmo passeia-se graciosamente por entre a exuberância, o vigor e a sumptuosidade num perfeito equilíbrio entre a emoção e a tecnicidade. Na índole deste transbordante deslumbramento que nos ofusca com a sua radiosa majestosidade evidenciam-se duas guitarras opulentas e ternurentas detidamente entregues a requintados, harmoniosos, magníficos e vistosos acordes atropelados por distintos, apurados, esplêndidos e prestigiados solos que nos comovem e arrebatam, um baixo coeso de murmúrios sombrios, torneados, vigorosos e pesados que robustece e empola os envolventes, soberbos e luxuriantes bailados de um exímio teclado carregado de fascínio, uma bateria circense e diligente de investidas criativas, acrobáticas e talentosas que nos conserva num estádio de firme e pleno encantamento, e ainda uma voz fogosa, enérgica e glamorosa que lidera com primazia toda esta formosa, distinta e maravilhosa galopada de tração setentista. ‘Starry Eagle Eye’ é um álbum notável – movido a sentimento, destreza e maestria – que me conquistara e entusiasmara de uma forma irremediavelmente marcante. Percam-se na grandiosidade desta autêntica obra-prima superiormente forjada por Svartanatt e testemunhem toda a vitalidade de um dos mais épicos álbuns lançados até ao momento em 2018.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Review: ⚡ Sabel - 'Re-Generation' (2018) ⚡

Os suecos Sabel acabam de anunciar o nascimento do seu novo álbum ‘Re​-​Generation’ lançado em formato digital através da sua página oficial de Bandcamp e ainda em formato físico de vinil (numa edição ultra-limitada) pela mão do selo discográfico Oak Island Records e distribuído pela Kozmik Artifactz. Herdeiros da intrigante sonoridade de Black Sabbath, Sleep e Electric Wizard, estes quatro eremitas de instrumentos amaldiçoados atravessam os sombrios, nebulosos e lamacentos domínios do lado mais narcotizante do Doom e empoeiram-se num eletrizante, enigmático, hipnótico e alucinante Heavy Psych de alta rotação. E é esta harmoniosa e inebriante mistura entre o brumoso, carregado, morfínico e modorrento Psych Doom e o cósmico, frenético, delirante e euforizante Heavy Psych que faz com que reverencie ‘Re-Generation’ com total entrega e submissão. Enfrentem todo este tsunami de endorfinas à excitante boleia de duas guitarras tirânicas que se agigantam em arrogantes, vigorosos, ostentosos e imponentes riffs e se desvairam em mirabolantes, ácidos, labirínticos e estonteantes solos, um baixo intimidante de linhas pulsantes, poderosas, robustas e reverberantes, uma bateria galopante de investidas explosivas, emotivas e empolgantes, e ainda os vocais gélidos, espectrais, cortantes e avinagrados que sobrevoam toda esta saturada, entorpecedora e luciférica atmosfera de ‘Re-Generation’. Este é um álbum soberano que nos despe de timidez, embacia a lucidez e arremessa violentamente na profunda e vertiginosa direcção dos mais longínquos e recônditos astros do Cosmos sedado. Um disco movido a duas velocidades que tanto nos abranda, estaciona e adormece, como nos acelera, provoca e embebeda de uma selvática adrenalina. Inalem esta esverdeada, densa e intoxicante exalação de Sabel e sintam-se dissolver e mergulhar numa deslumbrante, extasiante e temulenta hipnose que vos conduzirá do primeiro ao último tema. Um dos mais grandiosos registos do ano está aqui, na despótica, profana, soturna e monolítica alma de ‘Re-Generation’.

Turn Off, Tune Out, Drop In!

☀️ Siena Root - "Waiting for the Sun" (2008)