quinta-feira, 8 de março de 2018
quarta-feira, 7 de março de 2018
terça-feira, 6 de março de 2018
Review: ⚡ Dead Meadow - 'The Nothing They Need' (2018) ⚡
Dead
Meadow é seguramente uma das grandes bandas da minha vida. Álbuns
como ‘Dead
Meadow’ (Tolotta Records, 2000)
e ‘Feathers’
(Matador, 2005) representam
verdadeiras obras-primas de validade intemporal às quais regresso muito frequentemente,
e os concertos vivenciados no Hard Club,
Porto (2011) e no saudoso festival Reverence Valada (2016) ficar-me-ão perpetuamente
cicatrizados na memória. E, portanto, o anúncio de um novo álbum de estúdio –
depois de um longo jejum de cinco anos – provocara em mim toda uma crescente comoção
de expectativa e ansiedade só saciada muito recentemente com a audição do mesmo.
‘The Nothing They Need’
nasce no vigésimo aniversário desta lendária banda sediada em Washington (EUA) através do selo discográfico nova-iorquino Xemu Records nos formatos físicos de CD
e vinil, e devo antecipar sem demoras de que se trata de um dos meus registos favoritos
deste power-trio. Tal como acontece com
os seus antecessores, ‘The Nothing They Need’ reveste-se
de um psicadelismo lamacento, melancólico, morfínico e lenitivo que nos entope
todas as zonas erógenas, sufoca e embacia a lucidez e petrifica a nossa alma num
perfeito e imperturbável estádio de bem-estar. É fundamentalmente baseado num viscoso,
outonal, lisérgico, nebuloso e bucólico Heavy
Psych – aliado a um modorrento, enigmático, obscuro e fumarento Heavy Blues – que este novo álbum nos
amortalha num denso abraço psicotrópico capaz de nos adornar, hipnotizar e
extasiar do primeiro ao derradeiro tema. Sintam-se atravessar pesadamente um resinoso,
sombrio e pastoso pântano fecundado por velhas, esqueléticas e prostradas
árvores cobertas de musgo e onde uma cerrada, fantasmagórica e esverdeada bruma
sobrevoa rasteiramente toda esta pesarosa paisagem à intrigante e relaxante boleia
sonora de uma guitarra uivante que se passeia sublimemente por entre riffs de corpos vigorosos, letárgicos, magnetizantes
e luxuosos, e alucina em solos ácidos, ecoantes, cáusticos e efervescentes, um
baixo pulsante e reverberante de linhas bem delineadas, coesas e dançantes, uma
bateria flamejante de galope fascinante, relaxado e intoxicante, e ainda uma
voz destemperada, gélida e petrificada que nos golpeia e prazenteia neste profundo
sonho acordado. De destacar ainda num segundo plano a momentânea presença de um
serpenteante e envolvente saxofone detidamente entregue a aveludados,
agradáveis e edénicos bailados. Deixem-se cair, desmaiar e diluir num imenso oceano
de inércia que massajará e canalizará a vossa consciência pelas ataráxicas
artérias de ‘The Nothing They Need’. Recostem-se confortavelmente, baixem
as pálpebras, dilatem as narinas, respirem profundamente e inalem toda a
inebriante natureza deste poderoso sedativo via auditivo. Um dos álbuns mais mélicos,
harmoniosos e terapêuticos de 2018 está aqui, na consequência do tão aguardado
regresso a estúdio dos alucinógenos Dead
Meadow. Esbatam-se nele.
segunda-feira, 5 de março de 2018
domingo, 4 de março de 2018
sábado, 3 de março de 2018
Review: ⚡ Svartanatt - 'Starry Eagle Eye' (2018) ⚡
A Suécia é hoje um dos poucos países onde o revivalismo musical – mais
concretamente a música Rock
resgatada da década de 70 – tem uma forte e inspirada presença que prolifera de
forma sustentável. Bandas influentes e das mais variadas gerações como Graveyard, Siena Root, Witchcraft, Hällas, Horisont, Three Seasons,
MaidaVale, Captain Crimson, Topplock,
Abramis Brama e Svartanatt (para referir apenas algumas) representam – de forma
copiosa – este nobre chamamento setentista
que muito deleita a minha alma e ouvidos. E é neste contexto de desmesurada devoção
aos dourados anos 70 que vos falo do segundo e novo álbum da jovem formação Svartanatt designado ‘Starry
Eagle Eye’ e lançado muito recentemente pelo produtivo e dedicado selo
discográfico sueco The Sign Records
nos formatos físicos de CD e vinil. Neste fascinante disco vigora um charmoso, dançante,
intrigante e ostentoso Hard Rock,
maquilhado e climatizado por um elegante, robusto e magnetizante Heavy Blues, e superiormente conduzido
por um serpenteante, enigmático, hipnótico e excitante Heavy Prog. A desarmante, carismática e apaixonante sonoridade deste
quinteto baseado na cidade-capital de Estocolmo
passeia-se graciosamente por entre a exuberância, o vigor e a sumptuosidade num
perfeito equilíbrio entre a emoção e a tecnicidade. Na índole deste
transbordante deslumbramento que nos ofusca com a sua radiosa majestosidade evidenciam-se
duas guitarras opulentas e ternurentas detidamente entregues a requintados,
harmoniosos, magníficos e vistosos acordes atropelados por distintos, apurados,
esplêndidos e prestigiados solos que nos comovem e arrebatam, um baixo coeso de
murmúrios sombrios, torneados, vigorosos e pesados que robustece e empola os envolventes,
soberbos e luxuriantes bailados de um exímio teclado carregado de fascínio, uma
bateria circense e diligente de investidas criativas, acrobáticas e talentosas
que nos conserva num estádio de firme e pleno encantamento, e ainda uma voz fogosa,
enérgica e glamorosa que lidera com primazia toda esta formosa, distinta e maravilhosa
galopada de tração setentista. ‘Starry
Eagle Eye’ é um álbum notável – movido a sentimento, destreza e
maestria – que me conquistara e entusiasmara de uma forma irremediavelmente marcante.
Percam-se na grandiosidade desta autêntica obra-prima superiormente forjada por
Svartanatt e testemunhem toda a vitalidade
de um dos mais épicos álbuns lançados até ao momento em 2018.
sexta-feira, 2 de março de 2018
quinta-feira, 1 de março de 2018
Review: ⚡ Sabel - 'Re-Generation' (2018) ⚡
Os suecos Sabel acabam de anunciar o nascimento
do seu novo álbum ‘Re-Generation’
lançado em formato digital através da sua página oficial de Bandcamp e ainda em formato físico de
vinil (numa edição ultra-limitada) pela mão do selo discográfico Oak Island Records e distribuído pela Kozmik Artifactz. Herdeiros da intrigante sonoridade de Black Sabbath, Sleep e Electric Wizard, estes quatro eremitas de instrumentos amaldiçoados
atravessam os sombrios, nebulosos e lamacentos domínios do lado mais narcotizante
do Doom e empoeiram-se num
eletrizante, enigmático, hipnótico e alucinante Heavy Psych de alta rotação. E é esta harmoniosa e inebriante mistura
entre o brumoso, carregado, morfínico e modorrento Psych Doom e o cósmico, frenético, delirante e euforizante Heavy Psych que faz com que reverencie ‘Re-Generation’ com total entrega e submissão. Enfrentem todo este
tsunami de endorfinas à excitante boleia
de duas guitarras tirânicas que se agigantam em arrogantes, vigorosos,
ostentosos e imponentes riffs e se desvairam
em mirabolantes, ácidos, labirínticos e estonteantes solos, um baixo
intimidante de linhas pulsantes, poderosas, robustas e reverberantes, uma
bateria galopante de investidas explosivas, emotivas e empolgantes, e ainda os vocais gélidos, espectrais, cortantes e avinagrados que sobrevoam toda esta saturada, entorpecedora
e luciférica atmosfera de ‘Re-Generation’. Este é um álbum soberano
que nos despe de timidez, embacia a lucidez e arremessa violentamente na profunda
e vertiginosa direcção dos mais longínquos e recônditos astros do Cosmos sedado. Um disco movido a duas velocidades que tanto
nos abranda, estaciona e adormece, como nos acelera, provoca e embebeda de uma
selvática adrenalina. Inalem esta esverdeada, densa e intoxicante exalação de Sabel e sintam-se dissolver e mergulhar
numa deslumbrante, extasiante e temulenta hipnose que vos conduzirá do primeiro
ao último tema. Um dos mais grandiosos registos do ano está aqui, na despótica,
profana, soturna e monolítica alma de ‘Re-Generation’.
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