terça-feira, 8 de outubro de 2019
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
Review: ⚡ White Canyon & The 5th Dimension - 'S/T' (2019) ⚡
De São Tomé das Letras
(município pertencente ao estado brasileiro de Minas Gerais) chega-nos o
adorável álbum de estreia do duo White Canyon & The 5th Dimension.
Lançado muito recentemente em formato digital através das principais
plataformas digitais pelo recém-formado selo discográfico brasileiro Escarlate Records e com o lançamento sob a forma física de vinil agendado
para o início de 2020 através da editora peruana Necio Records, este registo de designação homónima e essência ritualística transpira
um místico sortido de sonoridades de onde facilmente se apalada um intrigante,
desértico, feérico e alucinante Psychedelic Rock de enigmática atmosfera
xamânica, um dançante, ritmado, acalorado e contagiante Garage Rock de produção
lo-fi e ainda um relaxante, morfínico, mágico e embriagante Shoegaze
de densa envolvência onírica. A sua étnica e edénica musicalidade – de
influências apontadas a referências como Pink Floyd, The Doors, 13th
Floor Elevator, The Velvet Underground, Joy Division e The Black Angels – presenteia e prazenteia o
ouvinte com uma sedutora e estarrecedora narrativa Western’eana –
oxigenada por uma ambiência intimista e minimalista – que o convida a uma solitária digressão pela imensidão
de um deserto mergulhado na noite cósmica, onde as fornalhas estelares palpitam
e farolizam luminância, e a brisa suspirada pelos astros traz com ela ancestrais
profecias. De olhar semi-selado, cabeça pendulante e lucidez atordoada somos
atraídos e absorvidos por uma profunda e estonteante hipnose da qual não será
nada fácil – ou desejável – regressar. Uma misteriosa e primorosa cerimónia de
orientação ocultista que convoca a nossa espiritualidade a participar numa
erógena expedição. Recostem-se confortavelmente, respirem pausadamente e
interiorizem toda a messiânica liturgia liderada por uma guitarra catalisadora,
afundada em efeito Reverb e criadora de apurados, sublimes e consagrados
acordes e delirados, distorcidos, gritantes e ziguezagueantes solos untados e melificados
pelo THC (Tetraidrocanabinol), um baixo hipnótico de linhas
murmurantes, fluídas e possantes, uma bateria tribalista de galope esporeado a
uma constância magnetizante, e duas vozes delicadas, carinhosas, melodiosas e entrelaçadas
que ecoam pelos longos desfiladeiros de ‘White Canyon & The 5th
Dimension’. Este é um álbum paradisíaco que nos embacia de uma doce
ataraxia e nos flutua pelas artérias da espiritualidade que desaguam nas
nirvânicas praias ensolaradas pelo transe religioso. Um disco bafejado pela
inspiração e saturado de uma aliciante devoção ancestral que prontamente nos
converte em seus crentes apóstolos. Deixem-se diluir e enlevar nesta pacífica
ondulação que vos massajará e canalizará a um imperturbável e durável estádio
de pleno bem-estar. Uma verdadeira terapia sonora que perseguirá e derrotará todos
os tormentos da alma, purificando-a e imortalizando-a num cândido estado de
canonização. Juntem-se a esta sacra peregrinação e testemunhem na primeira pessoa todo o ofuscante esplendor de um
dos álbuns mais deíficos de 2019.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Escarlate Records
➥ Necio Records
➥ Bandcamp
➥ Escarlate Records
➥ Necio Records
domingo, 6 de outubro de 2019
sábado, 5 de outubro de 2019
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
Review: ⚡ Snake Mountain Revival - 'The Valley of Madness' EP (2019) ⚡
Depois de no passado ano de
2018 ter sido apresentado o seu aprazível EP de estreia (Review aqui),
o adorável power-trio norte-americano Snake Mountain Revival
(sediado na cidade costeira de Virginia Beach, estado da Virgínia)
ressurge agora com o lançamento do seu segundo registo de curta duração designado
de ‘The Valley of Madness’ e unicamente promovido em formato
digital – com a possibilidade de download gratuito – através da sua
página oficial de Bandcamp. Fundamentado e orientado por um deslumbrante,
ensolarado, relaxado e intoxicante Psych Rock de aragem veraneia e
fragância oceânica – que raras vezes se agiganta, robustece e obscurece num possante,
intenso e vibrante Heavy Psych – e um contemplativo, lisérgico, feérico e
lenitivo Surf Rock de ritmo dançante e contagiante atmosfera Western’eana,
este novo EP de Snake Mountain Revival tem o dom de nos ofuscar, bronzear
e arrebatar com a aromática radiância trazida de um Verão já findado. De olhar
semi-cerrado, corpo serpenteante e alma petrificada somos embriagados pela mística
e edénica sublimidade raiada por ‘The Valley of Madness’.
Deixem-se hipnotizar e enternecer perante os arábicos bailados de uma guitarra messiânica
que se embevece na concepção de envolventes, quentes, ataráxicos e enigmáticos Riffs
e se espreguiça em borbulhantes, alucinógenos, ácidos e uivantes solos, uma apaixonante
e liderante voz de qualidade ecoante, estética, melódica e deveras atraente, um
baixo pulsante, movediço e magnetizante de linhas empoladas, reverberantes,
intrigantes e encorpadas, e uma relaxante bateria que nos desata e balanceia a
cabeça a trote de uma ritmicidade verdadeiramente eloquente. São estes os
ingredientes experimentados e conjugados neste delicioso trabalho de Snake
Mountain Revival, que causara em mim todo um pleno e imediato estádio de indiscreta
afeição à primeira audição que lhe dedicara. São cerca de 22 minutos aureolados
e climatizados por uma nirvânica e desértica sedução que me massajara os
sentidos e provocara uma constante salivação nos ouvidos. Regresso dos ritualísticos
domínios de Snake Mountain Revival de alma integralmente revigorada e glorificada
pela meditativa e balsâmica mansidão que sobrevoa os purpúreos e crepusculares céus
de ‘The Valley of Madness’. Seguramente um dos mais aliciantes EP’s
de 2019 está aqui, nesta solitária e contemplativa digressão pelos poeirentos
desfiladeiros da espiritualidade.
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
terça-feira, 1 de outubro de 2019
Review: ⚡ Vvlva - 'Silhouettes' (2019) ⚡
Depois de no início do
passado ano de 2018 ter referenciado, desconstruído e elogiado o auspicioso álbum
de estreia ‘Path of Virtue’ (Review aqui) do
quinteto germânico Vvlva, regresso agora – de expectativas largamente
excedidas – com uma reverente dissertação acerca do seu segundo álbum ‘Silhouettes’,
que tem o seu lançamento oficial sob a forma física de CD e vinil (este último disponível em duas edições de coloração contrastada) agendado para
o próximo dia 18 de Outubro pela mão da influente editora discográfica alemã World
in Sound. Governado por um poderoso, principesco, romanesco e harmonioso Heavy
Prog de fragância, pendor e elegância revivalista – orientado e abençoado
por célebres referências como Atomic Rooster, Deep Purple, Camel
e Wishbone Ash – este ‘Silhouettes’ deixara-me completamente boquiaberto com a qualidade, simetria e maviosidade das suas opulentas composições. Alicerçado
numa luxuosa, virtuosa e aparatosa sonoridade – pensada, executada e ornamentada
a maestria, capricho e ousadia – este novo trabalho de Vvlva
assombrara-me, cativara-me e extasiara-me do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 43
minutos farolizados por uma sagacidade reinante e contagiante que me deixara
completamente deslumbrado. ‘Silhouettes’ é orquestrado numa fluída
alternância entre contemplativas, sublimes e lenitivas passagens que nos
recostam a um pleno estádio de fascinada e embriagada inércia, e intensos momentos
de uma euforizante, atordoante e carnavalesca selvajaria que nos sacode numa
prazerosa ebulição. Superiormente nutrido e conduzido por um exuberante, melodioso,
ostentoso e dançante teclado de misticidade litúrgica e aparatosos bailados a
fazerem recordar o singular Vincent Crane (inventivo teclista de Atomic
Rooster), uma guitarra majestosa que se ensoberbece e embevece em
comoventes, sumptuosos, melosos e ardentes acordes de onde florescem e
enlouquecem mirabolantes, labirínticos, magnânimos e berrantes solos soberbamente
talhados e detalhados a uma desarmante beleza e destreza lapidar, um baixo
pulsante, hipnótico e ondulante que se passeia e formoseia com graciosa
distinção, uma bateria circense de talentosas, provocantes e vistosas acrobacias
que na sua instintiva perseguição nos fazem contorcer e endoidecer a cabeça, e ainda
por uma refrescante, jovial, cordial e incitante voz – apoiada e aureolada por
um populoso e luminoso coro vocal – este ‘Silhouettes’ é um
registo que – aos meus ouvidos – resvala na perfeição. De enlevar ainda o novelesco
artwork – ilustrado pela artista Lena Richter – que empresta toda
uma misticidade extra a este renovado, mas diferenciado, álbum de Vvlva.
Testemunhem toda uma surpreendente simbiose onde todos os instrumentos se
destacam com autoridade, dialogando entre si com uma tenacidade, subtileza e
expressividade foras de série. Seguramente um dos mais notáveis álbuns de 2019
está aqui, na entusiasmante e vibrante eloquência transpirada pelo irretocável
e inatacável ‘Silhouettes’. Que disco!
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