sexta-feira, 11 de setembro de 2020
Review: ⚡ Night - 'High Tides - Distant Skies' (2020) ⚡
Da histórica cidade de Linköping
(Suécia) chegam-nos os ares nórdicos baforados pelo quarteto Night
com o lançamento do seu novíssimo álbum ‘High Tides - Distant Skies’
nascido hoje mesmo pela mão do influente selo discográfico escandinavo The Sign
Records em formato digital, CD e vinil. Regido por um cheiroso, oleado,
condimentado e charmoso Classic Rock de evocação setentista aliado
a um imperioso, melódico, dinâmico e majestoso N.W.O.B.H.M. (acrónimo de New
Wave of British Heavy Metal), e a um prepotente, musculado, sombreado e imponente
Proto-Metal, este fresco álbum de Night prende uma enfeitiçante
aura que me oxigenara e deslumbrara do primeiro ao derradeiro tema. A sua intrigante,
refinada, bem-vestida e contagiante sonoridade – conjugada no pretérito e locomovida a
carismática nostalgia – é desdobrada e sintonizada nas mesmas frequências estilísticas de vultosas
bandas tais como Scorpions, Boston, Blue Öyster Cult, Judas
Priest, Thin Lizzy e até Dire Straits. Tendo a segunda metade
da década de 1970 e a primeira metade da década de 1980 como suas estrelas
orientadoras, esta formação que faz do passado o seu presente e futuro prima
pelas melodiosas, triunfantes e luxuriosas composições – tecidas e forradas a
uma exuberante atmosfera de estirpe vintage – que prontamente deslocam o ouvinte para
um imperturbável saudosismo que o prenderá e nebulizará ao longo dos seus 36
minutos de duração. Tricotado por duas afrodisíacas guitarras gémeas que se
envaidecem na ascensão de em altivos, ostentosos, fogosos e combativos Riffs
e entontecem na condução de solos tocantes, épicos, estéticos e atordoantes, ronronado
por um possante baixo reverberado a linhas pulsantes, fibrosas, umbrosas e
ondeantes, tiquetaqueado por uma enérgica bateria pontapeada a uma ritmicidade
desembaraçada, criativa, precisa e sofisticada, sulfatado por um harmonioso teclado
de notas refrescantes, dançantes, maviosas e saltitantes, e sobrevoado por uma
voz liderante de feição afinada, melodiosa, veludosa e aprumada, ‘High
Tides - Distant Skies’ balanceia-se por entre destravadas cavalgadas esporeadas
à rédea solta e plácidas baladas de beleza crepuscular. Num admirável equilíbrio
entre a cálida rudeza e a sublimada delicadeza, a sedutora musicalidade de Night provocara
em mim um intenso estádio de perdurável encantamento. Deixem-se enternecer,
aromatizar e embevecer pela doce e lúcida nostalgia soberbamente musicada em ‘High
Tides - Distant Skies’, e desfrutem de toda esta fabulosa viagem
temporal aos mais cintilantes anos da Música.
Links:
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➥ The Sign Records
➥ Bandcamp
➥ The Sign Records
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
quarta-feira, 9 de setembro de 2020
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
Review: ⚡ Sheverb - 'Once Upon a Time in Bombay Beach' (2020) ⚡
Do deserto californiano
(mais concretamente – e como o seu nome assim o sugere – da região semi-abandonada
de Bombay Beach) chega-nos este Western sublimemente musicado
pela formação texana Sheverb. Consequência da sua permanência de um mês nestas
ruínas à beira-mar plantadas, ‘Once Upon a Time in Bombay Beach’ espelha
todo o misticismo desértico que o quinteto natural de Austin inalara e assimilara.
Lançado no final do passado mês de Agosto sob a exclusiva forma digital através
do seu Bandcamp oficial, este renovado trabalho de Sheverb vem
velejado por um imersivo, arejado, ornamentado e inventivo Surf Rock, bronzeado
por um deslumbrante, veraneio, tropical e tranquilizante Psychedelic Rock
e ainda condimentado por um dançante, fogoso, libidinoso e contagiante Tex-Mex
Music que prontamente nos remete para os poeirentos cenários cinematográficos
desdobrados e capitaneados pelo carismático realizador italiano Sérgio Leone. Situada numa intersecção que combina a melodiosa brisa desértica de uns Spindrift
com o afrodisíaco exotismo de fragância latina transudado pelos Mariachis
norte-americanos Calexico e a revitalizante bafagem oceânica respingada pelos
clássicos The Ventures, a ensolarada, profética, estética e aromatizada sonoridade
de ‘Once Upon a Time in Bombay Beach’ planta e fertiliza no
imaginário do ouvinte um arenoso, fervilhante e veludoso tapete desértico de
dimensão a perder de vista, onde imponentes saguaros se espreguiçam na vertiginosa
direcção de um Sol esbatido e bocejante, cowboys solitários se passeiam de
olhares desconfiados e coldres desapertados, e uivantes coiotes deambulam com discrição
pelos intangíveis firmamentos que se renovam pela eternidade fora. De texanas
calçadas, esporas aguçadas, gatilhos cintilantes e instrumentos empunhados, Sheverb
convida-nos a vivenciar meditativas baladas de beleza crepuscular e desenfreadas
cavalgadas à rédea solta. Na composição desta adorável orquestra Ennio
Morricone’sca estão duas druídicas guitarras que se cruzam na
condução de serpenteantes Riffs e descruzam na libertação de intoxicantes
solos, uma hipnotizante bateria de ritmicidade galopante, um baixo murmurante compenetrado
em linhas vagueantes, e ainda um estimulante trompete de sopros pomposos que
confere a toda esta mágica atmosfera uma elegância de feição mexicana. É-me
ainda importante e enfatizar e endeusar o mirífico artwork superiormente
ilustrado pela talentosa artista de nacionalidade australiana Lauren Massy
que com inesgotável capricho fabricara o pórtico perfeito para esta sagrada
peregrinação pelos trilhos e desfiladeiros do deserto espiritual. Deixem-se
embrenhar, entontecer e alucinar à boleia da mescalina sonora de ‘Once
Upon a Time in Bombay Beach’ e sintam-se dar à costa de um verdadeiro
oásis sensorial. Um dos meus álbuns favoritos do ano está aqui, nesta espirituosa
liturgia de veneração desértica. Degustem este mezcal sem qualquer moderação,
cambaleiem para fora do saloon, enfrentem Sheverb num duelo
desigual, e caiam derrotados aos pés das cinco silhuetas sombreadas pelos pistoleiros texanos. É este o incontornável destino reservado a todos aqueles que neste álbum decidirem ingressar.
domingo, 6 de setembro de 2020
sábado, 5 de setembro de 2020
sexta-feira, 4 de setembro de 2020
Review: ⚡ Polymoon - 'Caterpillars of Creation' (2020) ⚡
Da cidade finlandesa de
Tampere chega-nos o deslumbrante sonho musicado pelo jovem e talentoso quinteto
Polymoon com o seu extraordinário álbum de estreia ‘Caterpillars
of Creation’ que fora hoje mesmo lançado através do influente selo
discográfico local Svart Records nos formatos físicos de CD e vinil.
Oxigenado por um onírico, viajante e catártico Space Rock gravitado pelo
exótico experimentalismo, um místico, fabular e ritualístico Progressive
Rock matizado a etéreo, brumoso e caleidoscópico psicadelismo, e
ainda um melancólico, ataráxico e vaporoso Shoegaze de propensão sideral,
este primeiro passo discográfico do muito promissor colectivo nórdico representa
toda uma épica digressão de percepção içada na direcção das mais longínquas e recônditas
fornalhas estelares que farolizam o negro oceano cósmico. Atrelados a uma
sonoridade verdadeiramente profética que nos balanceia da prostrada lisergia à embaciada
euforia, somos intrigados, convertidos e maravilhados pela litúrgica alquimia
de Polymoon. Com a tempestade e a bonança em admirável conciliação, ‘Caterpillars
of Creation’ convida-nos a mergulhar nas caóticas e labirínticas profundezas
de toda uma nebulosidade celestial. Inalada a sua mágica bruma, ingressamos num
perpétuo movimento pendular que nos passeia da nirvânica sonolência espiritual à
psicotrópica efervescência sensorial. Embalados na hipnótica vertigem que nos
escoa e atordoa pela enlouquecedora escadaria de um dominante vórtice, testemunhamos
o crescente desfoque da lucidez e a reinante ascensão da embriaguez. Na génese
desta colorida amálgama condimentada a sublimidade, estão duas guitarras
dialogantes que se manifestam em Riffs ensolarados, miríficos e embriagados,
de onde emergem uivantes, ácidos e serpenteantes solos, um baixo pulsante que
se adensa em linhas sombreadas, encaracoladas e magnetizantes, uma bateria jazzística
de toque preciso, lustroso e fogoso, um intrigante sintetizador de beleza
fabular que reveste toda a fantástica atmosfera do disco com um melódico ritual
de auscultação astral, e ainda uma messiânica voz de tonalidade espectral, diamantina
e angelical que – de forma compenetrada, leve e delicada – norteia e prazenteia
o ouvinte pelo universo encantado de Polymoon. Este é um disco mutuamente
meditativo e tempestivo, delicado e encrespado, garrido e esbatido, ardente e
gélido, intenso e lenitivo. Um álbum integralmente arquitectado e erigido a uma
esmerada simbiose instrumental que decerto não deixará ninguém recostado à
indiferença. Deixem-se encandear, embevecer e levitar pela utópica radiância
que banha todas as vastas planícies de ‘Caterpillars of Creation’
e vivenciem a irretocável majestosidade destilada de uma obra que estará
seguramente perfilada por entre as mais premiadas e elogiadas do ano. Quando
todos os instrumentos se remeterem ao desconfortável silêncio final, não será nada
fácil despertar deste febril estado de sonambulismo que nos administrara ao
longo de 40 minutos de duração e aceitar que a vivência do sonho terminara ali.
quinta-feira, 3 de setembro de 2020
Review: ⚡ Lord Loud - 'Timid Beast' (2020) ⚡
Da outra margem do oceano Atlântico chega-nos a abrasiva, irreverente e intrusiva acidez gaseificada pelo enérgico power-duo californiano Lord Loud. Intitulado de ‘Timid Beast’ e com o seu nascimento integral calendarizado para o dia de amanhã sob a forma digital e numa primeira prensagem em vinil ultra-limitada a 400 cópias disponibilizadas pela mão conjunta do selo discográfico local King Volume Records e da discográfica germânica Kozmik Artifactz, este novo álbum do dueto domiciliado na ensolarada cidade de Los Angeles vem deflagrado por um dançante, ritmado, acalorado e empolgante Garage Rock que nos obriga a estalar os dedos e a bater o pé, apimentado por um electrizante, fervoroso, nebuloso e excitante Heavy Psych carburado a elevada toxicidade, e ainda sombreado por um intrigante, musculado, saturado e bafejante Proto-Doom de trevosas ressonâncias Black Sabbath’icas. A sua sonoridade intoxicante, vulcânica, dinâmica e entusiasmante – resinada, consumida e distorcida pelo reinante, cáustico e fervilhante efeito Fuzz – é condimentada a picantes diabruras e fervida a altas temperaturas. Na composição deste conturbado caldeirão em constante ebulição está uma vistosa guitarra de fogosos, torneados, descomplicados e libidinosos Riffs dilacerados por borbulhantes, alucinantes, serpenteantes e embriagados solos que nos despistam e ceifam a lucidez, um magnetizante baixo de reverberação possante, pululante, opulenta e vibrante que nos convida a murmurá-lo de forma compenetrada, uma bateria arrojada, desembaraçada e explosiva, conduzida a uma avidez incisiva, libertadora, provocadora e imersiva, que nos desprende membros e sentidos, e ainda uma voz avinagrada, refrescante, enfeitiçante e acidificada – a fazer lembrar o célebre Ty Segall ao volante dos efervescentes Fuzz – que esvoaça e ecoa livremente por entre as intensas labaredas de ‘Timid Beast’. Este é um álbum de fácil digestão e inesgotável comoção que prontamente nos faz cair na sua tentação. Banhem-se na incandescente, polposa e fumegante lava cuspida e vertida pelo vulcão Lord Loud, e dancem-no desavergonhadamente sobre brasas. Um dos registos mais cativantes e contagiantes de 2020 está aqui, neste urticante trago de paladar melificado ao qual ninguém se deve negar.
quarta-feira, 2 de setembro de 2020
terça-feira, 1 de setembro de 2020
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