quinta-feira, 18 de março de 2021

🤍 Brian May // Queen

🍄 The Doors

🌈 Jimi Hendrix (Newcastle, 1967)

📷️ Alec Byrne

Review: ⚡ a/lpaca - 'Make It Better' (2021) ⚡

★★★★☆

A jovem e destemida banda italiana a/lpaca está na iminência de lançar o seu exótico álbum de estreia ‘Make It Better’ pela mão da prolífica e insuspeita editora discográfica germânica Sulatron Records através dos formatos físicos de CD e vinil (ambos limitados à prensagem de apenas 500 cópias disponíveis para venda). Com o nascimento oficial e integral do seu primeiro trabalho calendarizado para o dia de amanhã (19 de Março), este auspicioso quarteto sediado na pequena cidade de Mântua descarna e entrelaça um colorido, efervescente e delirado Garage-Psych num imersivo, hipnótico e obsessivo Krautrock, e ainda num galopante, eufórico e alucinante Post-Punk, originando assim todo um explosivo curto-circuito que nos assalta e electrifica do primeiro ao último minuto. Edificando no imaginário do ouvinte um psicadélico Beat-Club resgatado do boémio território sessentista, repleto de corpos suados, sorrisos desabrochados e pupilas dilatadas, a provocante, afrodisíaca e contagiante musicalidade de ‘Make It Better’ embala-nos na vertigem de uma caleidoscópica, alucinógena e selvática hipnose sem escapatória possível. Conseguem fantasiar uma fusão entre CAN, Joy Division e King Gizzard & The Lizard Wizard? Se sim, alcançaram este espaço recreativo de transbordantes libertação, rebeldia e diversão. Embriagados e compenetrados numa inesgotável dança primitiva – resposta instintiva em consequência da exposição à elevada toxicidade de a/lpaca – somos aspirados e canalizados pela desdobrável e interminável escadaria em espiral de um poderoso vórtice que nos entontece os sentidos. São 42 minutos integralmente saturados de uma absorvente narcose oxigenada por uma guitarra astral de serpenteantes bailados distorcidos a fogosa, lustrosa e fantasmagórica acidez, um baixo insistente de linhas empoladas, espessas e torneadas, um cósmico sintetizador de desgovernado experimentalismo que perscruta o espaço alienígena, uma estonteante bateria metralhada a ritmicidade emancipadora, incansável e enlouquecedora, e ainda uma voz avinagrada, diabrina e robotizada que capitaneia toda esta fantástica odisseia pelo enigmático universo de ‘Make It Better’. Este é um álbum verdadeiramente aparatoso e irreverente – nutrido a uma agitada, intrigante e embriagada euforia – que nos atesta de fascinação e a ele atrela toda a nossa atenção. Um registo estranha e intensamente viciante que certamente não deixará ninguém indiferente. Dificilmente esta formação italiana conseguiria ter uma estreia mais impactante. Mergulhem nos abismos siderais de a/lpaca e vivenciem com total submissão todo o seu eruptivo empolgamento.

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terça-feira, 16 de março de 2021

Le Orme - "L'Equilibrio" (1973, Philips)

Rose City Band - "Silver Roses" (2021, Thrill Jockey)

🦅 Lemmy Kilmister // Motörhead

🎙 BB King

🎁 72 years of Jerry Goodman // Mahavishnu Orchestra (16/03/1949)

🔌 Rafael Denardi - "30" (Single, 2021)

Review: ⚡ Cheval Sombre - 'Time Waits for No One' (2021) ⚡

★★★★☆

De olhar embriagado, respiração congestionada, semblante boquiaberto e espírito intensamente petrificado. É nesta condição deixada pela ressaca que se seguira à digestão do novo trabalho de Cheval Sombre – nome artístico do poeta e compositor nova-iorquino Chris Porpora – que me encontro. Oficialmente lançado no final do passado mês de Fevereiro pela mão da companhia discográfica britânica Sonic Cathedral nos formatos físicos de CD e vinil (ambos, sem surpresa, já esgotados), este quimérico e inspirador ‘Time Waits for No One’ vem orvalhado, esbatido e aromatizado por um onírico, etéreo e morfínico Psychedelic Folk de formosura pastoral e catártica candura sessentista que nos desmaia as pálpebras, afaga a alma e massaja o cerebelo. A sua sonoridade enfeitiçante, ataráxica e deslumbrante mergulha o ouvinte num profundo estado zen que o climatiza, reconforta e eteriza do primeiro ao derradeiro tema. Leve e gentilmente sussurrado por nove arejadas, angelicais e fluídas baladas de composições originais, e ainda uma embrumada, doce e aveludada versão cover de “No Place to Fall” (tema originário do carismático músico norte-americano Townes Van Zandt) este nirvânico sonho acordado tem a capacidade de nos embaciar a lucidez e prostrar num febril estádio de embriaguez. A sua sonoridade fluída, frágil e relaxada – pincelada a pálida e imaculada luminescência – movimenta-se aérea e vagarosamente em compassos envolventes, repetitivos e minimalistas de padrões alucinógenos, meditativos e utopistas. Reféns de um mélico torpor que nos paralisa os membros e alcooliza os sentidos, somos cortejados e deslumbrados por uma profética voz de tez ecoante, espectral e magnetizante, uma guitarra trovadora de apetitosos, enternecedores e sedosos acordes graciosa e cuidadosamente dedilhados a irretocável beatitude, e ainda mágicos teclados que – com o seu imersivo e criativo experimentalismo de idioma alienígena – revestem os céus de ‘Time Waits for No One’ com um macio e nimboso manto cósmico. Este é um álbum verdadeiramente arrebatador. Um registo sereno e transcendente, detentor de uma edénica toxicidade que nos desmaia e recosta nos braços da ataraxia. Bronzeiem-se e canonizem-se na sagrada resplandecência tenuemente bafejada por um Sol bocejante, debruçado nas montanhas que recortam o inatingível firmamento de um sempiterno crepúsculo de Verão, e testemunhem toda a mística e ritualística essência de um mavioso, idílico e lustroso álbum lavrado e emoldurado a caprichosa ternura. Vai ser demasiado fácil reencontrar esta consumada obra de Cheval Sombre perfilada entre a listagem dos melhores trabalhos florescidos em 2021.

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