domingo, 21 de março de 2021
sábado, 20 de março de 2021
sexta-feira, 19 de março de 2021
quinta-feira, 18 de março de 2021
Review: ⚡ a/lpaca - 'Make It Better' (2021) ⚡
A jovem e destemida banda
italiana a/lpaca está na iminência de lançar o seu exótico álbum de
estreia ‘Make It Better’ pela mão da prolífica e insuspeita editora
discográfica germânica Sulatron Records através dos formatos físicos de
CD e vinil (ambos limitados à prensagem de apenas 500 cópias disponíveis para
venda). Com o nascimento oficial e integral do seu primeiro trabalho calendarizado
para o dia de amanhã (19 de Março), este auspicioso quarteto sediado na pequena
cidade de Mântua descarna e entrelaça um colorido, efervescente e
delirado Garage-Psych num imersivo, hipnótico e obsessivo Krautrock,
e ainda num galopante, eufórico e alucinante Post-Punk, originando assim
todo um explosivo curto-circuito que nos assalta e electrifica do primeiro ao
último minuto. Edificando no imaginário do ouvinte um psicadélico Beat-Club
resgatado do boémio território sessentista, repleto de corpos suados,
sorrisos desabrochados e pupilas dilatadas, a provocante, afrodisíaca e
contagiante musicalidade de ‘Make It Better’ embala-nos na
vertigem de uma caleidoscópica, alucinógena e selvática hipnose sem escapatória
possível. Conseguem fantasiar uma fusão entre CAN, Joy Division e
King Gizzard & The Lizard Wizard? Se sim, alcançaram este espaço recreativo
de transbordantes libertação, rebeldia e diversão. Embriagados e compenetrados numa inesgotável
dança primitiva – resposta instintiva em consequência da exposição à elevada
toxicidade de a/lpaca – somos aspirados e canalizados pela desdobrável e
interminável escadaria em espiral de um poderoso vórtice que nos entontece os
sentidos. São 42 minutos integralmente saturados de uma absorvente narcose
oxigenada por uma guitarra astral de serpenteantes bailados distorcidos a fogosa,
lustrosa e fantasmagórica acidez, um baixo insistente de linhas empoladas, espessas
e torneadas, um cósmico sintetizador de desgovernado experimentalismo que
perscruta o espaço alienígena, uma estonteante bateria metralhada a ritmicidade
emancipadora, incansável e enlouquecedora, e ainda uma voz avinagrada, diabrina
e robotizada que capitaneia toda esta fantástica odisseia pelo enigmático
universo de ‘Make It Better’. Este é um álbum verdadeiramente aparatoso e irreverente – nutrido
a uma agitada, intrigante e embriagada euforia – que nos atesta de fascinação e
a ele atrela toda a nossa atenção. Um registo estranha e intensamente viciante que certamente não deixará ninguém indiferente. Dificilmente esta formação italiana conseguiria ter uma estreia mais impactante. Mergulhem nos abismos
siderais de a/lpaca e vivenciem com total submissão todo o seu eruptivo
empolgamento.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Sulatron Records
quarta-feira, 17 de março de 2021
terça-feira, 16 de março de 2021
Review: ⚡ Cheval Sombre - 'Time Waits for No One' (2021) ⚡
De olhar embriagado,
respiração congestionada, semblante boquiaberto e espírito intensamente petrificado.
É nesta condição deixada pela ressaca que se seguira à digestão do novo
trabalho de Cheval Sombre – nome artístico do poeta e compositor
nova-iorquino Chris Porpora – que me encontro. Oficialmente lançado no final do
passado mês de Fevereiro pela mão da companhia discográfica britânica Sonic
Cathedral nos formatos físicos de CD e vinil (ambos, sem surpresa, já esgotados),
este quimérico e inspirador ‘Time Waits for No One’ vem orvalhado, esbatido e
aromatizado por um onírico, etéreo e morfínico Psychedelic Folk de formosura
pastoral e catártica candura sessentista que nos desmaia as pálpebras,
afaga a alma e massaja o cerebelo. A sua sonoridade enfeitiçante, ataráxica e
deslumbrante mergulha o ouvinte num profundo estado zen que o climatiza,
reconforta e eteriza do primeiro ao derradeiro tema. Leve e gentilmente sussurrado
por nove arejadas, angelicais e fluídas baladas de composições originais, e ainda uma embrumada,
doce e aveludada versão cover de “No Place to Fall” (tema originário do carismático músico norte-americano Townes Van Zandt) este nirvânico sonho acordado tem a capacidade de nos
embaciar a lucidez e prostrar num febril estádio de embriaguez. A sua
sonoridade fluída, frágil e relaxada – pincelada a pálida e imaculada luminescência
– movimenta-se aérea e vagarosamente em compassos envolventes, repetitivos e
minimalistas de padrões alucinógenos, meditativos e utopistas. Reféns de um
mélico torpor que nos paralisa os membros e alcooliza os sentidos, somos cortejados
e deslumbrados por uma profética voz de tez ecoante, espectral e magnetizante,
uma guitarra trovadora de apetitosos, enternecedores e sedosos acordes graciosa e cuidadosamente dedilhados a irretocável beatitude, e ainda mágicos teclados que – com o seu
imersivo e criativo experimentalismo de idioma alienígena – revestem os céus de
‘Time Waits for No One’ com um macio e nimboso manto cósmico. Este é um
álbum verdadeiramente arrebatador. Um registo sereno e transcendente, detentor
de uma edénica toxicidade que nos desmaia e recosta nos braços da ataraxia. Bronzeiem-se e canonizem-se na sagrada resplandecência tenuemente bafejada por um Sol bocejante, debruçado nas montanhas que recortam o inatingível firmamento de um sempiterno crepúsculo de Verão, e testemunhem toda
a mística e ritualística essência de um mavioso, idílico e lustroso álbum lavrado e emoldurado a caprichosa
ternura. Vai ser demasiado fácil reencontrar esta consumada obra de Cheval
Sombre perfilada entre a listagem dos melhores trabalhos florescidos em 2021.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Sonic Cathedral




















