terça-feira, 20 de abril de 2021

🔥 FUZZ - "Sleigh Ride" @ Levitation Sessions (2021)

Review: ⚡ Howling Giant - 'Alteration' EP (2021) ⚡

★★★★

De Nashville – a cidade mais populosa do estado norte-americano do Tennessee – chega-nos ‘Alteration’, o novíssimo EP da recém-transfigurada formação Howling Giant (que passara de trio a quarteto) lançado hoje mesmo sob a exclusiva forma digital, selo autoral, e através da sua página de Bandcamp oficial. Cozinhado num chamejante, apimentado e borbulhante caldeirão onde um vulcânico, empolgante e dinâmico Desert Rock, um intoxicante, poderoso e alucinante Heavy Psych e ainda um virtuoso, fluído e sinuoso Prog Metal dialogam numa sinérgica fusão, este adorável registo de curta duração, mas de duradoura comoção, desdobra no imaginário do ouvinte cinematográficas paisagens de ambiência SCI-FI. A sua sonoridade puramente instrumental, brilhantemente ostentosa, híbrida, envolvente e sumptuosa, ziguezagueia entre meditativas, delicadas e lenitivas passagens sulfatadas a embriagada beleza, e tumultuosas, vibrantes e rumorosas erupções carburadas a pujante adrenalina. De corpo serpenteante, olhar eclipsado, espírito deslumbrado e cabeça furiosamente rodopiada de ombro a ombro, somos aliciados pelo inflamante erotismo de uma guitarra majestosa que – abrasada pelo gaseificado efeito Fuzz – se enrijece na ascensão de épicos, musculosos e apoteóticos Riffs rugidos a intenso fervor, e endoidece na condução de estonteantes, ácidos e trepidantes solos rubricados em espiral, pesadamente bafejados pela densa reverberação de um baixo fibrótico que se balanceia em sombreadas, volumosas e lubrificadas linhas, açoitados pela estimulante efervescência de uma incisiva bateria esporeada a uma galopante, frenética e provocante ritmicidade, e ainda empoeirados pela nebulosa magia entoada por um teclado sublimado de perfumadas, frescas e condimentadas harmonias. Pendulando entre a doce letargia que nos embacia a lucidez, e a explosiva euforia que em nós provoca todo um sísmico abalo sensorial, somos fascinados e arrebatados pela expressiva beleza deste ‘Alteration’ ao longo dos seus efémeros e ingratos 20 minutos. Um dos meus EP’s predilectos – dos já desabrochados até à data – está aqui, na estética, transcendente e simétrica opulência de Howling Giat. Não vai ser nada fácil experienciá-lo apenas uma vez, duas ou três.

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✌🏻 Mark Lanegan

🎁 50 years of The Doors - 'L.A. Woman' (19/04/1971)

terça-feira, 13 de abril de 2021

🎁 77 years of Jack Casady // Jefferson Airplane & Hot Tuna (13/04/1944)

🎁 42 years of Thin Lizzy - 'Black Rose: A Rock Legend' (13/04/1979)

Review: ⚡ Potion - 'Oath to Flame' EP (2021) ⚡

★★★★

O pujante power-trio australiano Potion está de regresso com o lançamento do seu novo EP intitulado de ‘Oath to Flame’ e devidamente promovido pela mão da independente companhia discográfica local Brilliant Emperor Records através da forma física de cassete (numa especial e ultra-limitada edição de apenas 100 cópias disponíveis). Encarvoado, atormentado e demonizado por um imperioso, despótico, distópico e nebuloso Proto-Doom de feições ameaçadoras e carregadas que se emporcalha nas paradas e pesadas águas de um pantanoso, crepitante, inflamante e viscoso Sludge Metal em agitada ebulição, este novo trabalho de curta duração – superiormente forjado pela formação enraizada na cidade de Sydney – é climatizado por uma atmosfera verdadeiramente trevosa, perniciosa, vampírica e misantrópica que nos cega e enluta de uma intensa e demoníaca negrura. A sua sonoridade intrigante, ritualística e atemorizante agiganta-se e empodera-se numa monolítica, mastodôntica e rumorosa avalanche que nos atropela e soterra nos abismos de um imperturbável estádio de sedada euforia. De espírito enfeitiçado e sentidos mumificados pela trágica, mórbida e melancólica liturgia celebrada pelos Potion, somos conduzidos ao lado ímpio e eclipsado da religiosidade. Na génese deste prepotente, nocivo e intoxicante elixir que tumultuosamente borbulha num chamejante caldeirão, está uma guitarra profana que se enegrece e robustece em Riffs gordurosos, fumarentos, bafientos e monstruosos de onde são escoados solos lancinantes, esvoaçantes, avinagrados e uivantes, um titânico baixo de reverberação massiva, dilatada, sombreada e opressiva, uma violenta bateria de ritmicidade incisiva, trovejante, potente e explosiva, e ainda uma enrugada voz de natureza gutural, incandescente, erodente e infernal que, num atormentado, cavernoso e inflamado bramido, emerge das trevas e em nós provoca todo um vibrante sismo sensorial. ‘Oath to Flame’ é um EP hostil e brutal, extremamente impetuoso, tenebroso e dominante, que me envolvera e revolvera do primeiro ao derradeiro minuto nas suas ferozes lavaredas. Mergulhem e naufraguem nas vertiginosas, obscuras e aterradoras profundezas de ‘Oath to Flame’, e regressem à tona completamente atordoados e conquistados pela sua reinante potência que fará até estremecer e desmoronar os resistentes alicerces que sustentam o mais devoto e imaculado coração. Um dos mais sérios candidatos a EP do ano está aqui, na temível e amaldiçoada alma de Potion. Poluam-se e arruínem-se nele.

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 Brilliant Emperor

sexta-feira, 9 de abril de 2021

☕️ Miles Davis - 'Live-Evil' (1971)

Review: ⚡ Heavy Feather - 'Mountain of Sugar' (2021) ⚡

★★★★

Da cidade-capital Estocolmo chega-nos a doce, estética e carismática fragância de essência revivalista brilhantemente desenvolvida pelo quarteto sueco Heavy Feather com a apresentação do seu muito aguardado segundo trabalho de longa duração. Oficialmente lançado hoje mesmo pela mão da influente discográfica nórdica The Sign Records em formato digital e sob a forma física de CD e vinil, ‘Mountain of Sugar’ vem chamejado e condimentado por um ostentoso, lubrificado, açucarado e melodioso Blues-Rock de roupagem vintage que ocasionalmente se maquilha e metamorfoseia num picante, lascivo, convidativo e dançante Boogie-Rock. De inspiração resgatada aos saudosos 60’s e 70’s onde se notabilizaram vultosas referências do género como Cream, Taste, Stevie Ray Vaughan, Free, Cactus e Lynyrd Skynyrd, e com um forte grau de parentesco com bandas contemporâneas tais como Siena Root, Blues Pills, Radio Moscow, DeWolff, Wucan e Three Seasons, a fogosa, afrodisíaca e majestosa sonoridade deste talentoso colectivo escandinavo equilibra-se e envaidece-se por entre relaxantes, idílicas, românticas e reconfortantes baladas climatizadas a inefável doçura, e euforizantes, inflamadas, destravadas e alucinantes cavalgadas locomovidas à rédea solta. Tricotado por uma guitarra luxuosa que se manifesta em excitantes, magnéticos, eróticos e deslumbrantes Riffs de onde são vertidos e gritados lustrosos, ácidos, trepidantes e sinuosos solos, bafejado por um baixo pulsante de linhas inchadas, densas, tensas e torneadas, tiquetaqueado por uma bateria de ritmicidade cuidada, diligente, envolvente e desembaraçada, e ensolarado por uma caramelizada, vistosa, portentosa e encorpada voz de feição felina que evoca o espírito Soul da icónica Janis Joplin, este excepcional ‘Mountain of Sugar’ vem embrulhado numa irresistível formusura de conteúdo impróprio para diabéticos. De olhar semi-selado, boca salivada, semblante rosado, sorriso golpeado no rosto e espírito inteiramente embrumado por um ofuscante estádio de pura satisfação, somos enfeitiçados, embevecidos e cortejados pela transbordante sensualidade que a apetitosa musicalidade de Heavy Feather transpira por todos os seus poros. Este é um álbum verdadeiramente magistral, de simetria aprumada e beleza consumada, que preenchera a profunda barragem de expectativas a ele previamente dedicadas. Uma obra simultaneamente delicada, ternurenta, atiçada e turbulenta que tanto nos absorve num embriagado encantamento, como revolve num vulcânico empolgamento. Prazenteiem-se, incendeiem-se e viciem-se neste meloso e montanhoso néctar de ingestão auditiva, e vivenciem com inesgotável fascinação e imediata veneração um dos registos mais requintados do ano.

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 The Sign Records