segunda-feira, 17 de maio de 2021

🎁 Andrew Latimer // Camel (17/05/1949)

🎁 Josh Homme // Kyuss & Queens of the Stone Age (17/05/1973)

🎁 Bill Bruford // YES, King Crimson & Genesis (17/05/1949)

Review: ⚡ Jack Harlon & The Dead Crows - 'The Magnetic Ridge' (2021) ⚡

★★★★★

Três anos depois do seu portentoso álbum de estreia (designado ‘Hymns’, e aqui devidamente desconstruído e imensamente elogiado) ter saído à rua, o exótico quarteto australiano Jack Harlon & The Dead Crows – localizado na artística cidade de Melbourne – ressurge agora com a muito ansiada apresentação do seu novo trabalho ‘The Magnetic Ridge’, oficial e integralmente lançado hoje mesmo nos formatos físicos de vinil (pela mão da editora local Psychedelic Salad Records) CD e cassete (estes com o carimbo editorial do selo norte-americano Forbidden Place Records). Repetindo a bem-sucedida receita usada na génese do primeiro álbum, este imersivo, apaixonante, impactante e criativo ‘The Magnetic Ridge’ vem ensolarado, nutrido e flamejado por um intoxicante, arenoso, lustroso e electrizante Heavy Psych que – de forma indiscreta e fluída – desagua numa bifurcação que separa as paradísicas praias de um deslumbrante, caleidoscópico, hipnótico e purificante Psychedelic Rock banhado a intensa luzência solar, dos encarvoados pântanos embrumados por um intrigante, trevoso, fibroso e aliciante Psychedelic Doom de coloração nocturna. Sintonizado na mesma frequência dos norte-americanos All Them Witches e King Buffalo, dos germânicos Colour Haze, e ainda dos saudosos canadianos Quest for Fire, o segundo capítulo destes místicos cowboys australianos vem ainda embelezado por arejados, meditativos e aromatizados interlúdios de natureza Folky que nos remetem para os solitários desertos do velho oeste. Num perfeito equilíbrio entre a profunda imersão numa morfínica, labiríntica e atordoante hipnose que nos atesta de febril embriaguez, e a enlouquecedora, efervescente e libertadora euforia que nos sobreaquece de um ardor vulcânico e rasga as vestes da lucidez, galopamos as desérticas planícies que se descortinam por entre a densa poeira cósmica deste ‘The Magnetic Ridge’ completamente absorvidos pela sua feitiçaria xamânica. Na sagrada composição de toda esta empolgada, extasiante e embriagada paranoia deambulam livremente duas guitarras endeusadas que se envaidecem na edificação de serpenteantes, venenosos, poderosos e excitantes Riffs distorcidos e encrostados a crocante efeito Fuzz, e na sónica condução de selváticos enxames de uivantes, fugidios, escorregadios e borbulhantes solos, uma voz avinagrada, ecoante, escarpada e liderante que pendula entre a inflamada rispidez e a gélida placidez, um baixo motorizado – soberbamente groovy – de onduladas, oleadas, magnéticas e estéticas linhas pesadamente bafejadas, e uma bateria expressiva – esporeada a duas velocidades contrastadas – que tanto metralha de forma bélica e tempestuosa os momentos de saturada explosividade, como tiquetaqueia com polido requinte as passagens mais bonanceiras do disco. O fantástico artwork de feições necrológicas que confere rosto a este álbum verdadeiramente épico pertence ao inconfundível ilustrador Adam Burke (aka Nightjar Illustration). Se deste regresso de Jack Harlon & The Dead Crows eu muito esperava, tudo ele me deu. ‘The Magnetic Ridge’ é um registo incrivelmente híbrido que tanto nos centrifuga numa psicótica espiral de emoções à flor da pele, como esbate numa entorpecida lisergia oxigenada a LSD. Estamos mesmo na honrosa presença de uma obra genuinamente piramidal que aponta aos mais elevados lugares da listagem que condecorará os melhores álbuns florescidos em 2021. Embarquem destemidamente nesta quimérica odisseia de estimulação sensorial e glorificação espiritual sem destino predefinido e regresso garantido.

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terça-feira, 11 de maio de 2021

🎗 Noel Redding // The Jimi Hendrix Experience (25/12/1945 - 11/05/2003)

📷 Ed Caraeff

🌙 Thin Lizzy - 'Nightlife' (1974)

🎁 48 years of Hawkwind - 'Space Ritual' (11/05/1973)

Review: ⚡ Lucid Sins - 'Cursed!' (2021, Totem Cat Records) ⚡

★★★★★

Regressado de um longo jejum discográfico de sete anos – que principiara logo após o lançamento do seu álbum de estreia ‘Occultation’ (2014) – o jovem duo escocês Lucid Sins presenteia agora todos os seus discípulos com um novo trabalho de longa duração, designado de ‘Cursed!’ e exteriorizado sob a forma digital, de CD e vinil através do selo discográfico francês Totem Cat Records. Embrumado e assombrado por enfeitiçantes, outonais, pastorais e intrigantes melodias – encarvoadas a um negrume nocturno, melificadas a imersiva melancolia e orientadas a um esotérico ritual – este segundo álbum da talentosa formação enraizada na cidade portuária de Glasgow combina um demoníaco, sombrio, dramático e misterioso Proto-Doom de enigmáticas ressonâncias Black Sabbath’icas, com um fluído, aliciante, extravagante e ornamentado Classic Rock lavrado à boa moda dos britânicos Wishbone Ash, um sumptuoso, deslumbrante, magnetizante e sinuoso Progressive Rock de inspiração setentista, e ainda um rústico, cerimonioso, umbroso e bucólico Neofolk de feições pagãs. A sua sonoridade heterogénea – trajada a adereços tradicionais e condimentada a uma fragância vintage – envolve e revolve o ouvinte numa enfeitiçante, druídica, obscura e intoxicante liturgia de adoração ocultista que o magnetiza, eteriza e namora do primeiro ao derradeiro tema. Contando com a preciosa colaboração de outros músicos locais que, desta forma, enriquecem e amadurecem as ambiciosas composições desta épica obra, ‘Cursed!’ trata-se de um registo tristemente belo que nos dilata as pupilas, empalidece o semblante e embevece o espírito. Na génese deste intenso encantamento impossível de ser quebrado, está uma guitarra lírica que se manifesta em vaidosos, atraentes e assombrosos acordes de onde são esvoaçados solos ziguezagueantes, ácidos e atordoantes, uma bateria soberbamente jazzística de toque polido, flamejante, leve e cintilante, um baixo murmurante de linhas fibradas, trevosas e lubrificadas, um teclado jupiteriano de harmonias exuberantes, polposas e absorventes, um melodramático violino de mugidos uivantes, enfáticos e penetrantes, e ainda vocais sedosos, aristocráticos e pomposos que esculpem com superior vistosidade toda esta joia erudita. A ilustração de natureza surrealista e datada do século XX que confere rosto a esta sublime maldição, aponta os seus créditos autorais ao clássico ilustrador inglês Alan Elsden Odle. Este é um álbum verdadeiramente excepcional – executado a exímia maestria e pincelado a intocável formosura – que em mim imortalizara todo um sentimento de venerada admiração. Dele regresso com os sentidos desmaiados, a respiração travada, alma reconfortada, e ainda a forte convicção de que muito dificilmente este não será – aos meus ouvidos – o melhor álbum do ano. Ensombrem-se e mistifiquem-se nele.

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