quarta-feira, 19 de maio de 2021
terça-feira, 18 de maio de 2021
segunda-feira, 17 de maio de 2021
Review: ⚡ Jack Harlon & The Dead Crows - 'The Magnetic Ridge' (2021) ⚡
Três anos depois do seu portentoso
álbum de estreia (designado ‘Hymns’, e aqui devidamente
desconstruído e imensamente elogiado) ter saído à rua, o exótico quarteto
australiano Jack Harlon & The Dead Crows – localizado na artística cidade
de Melbourne – ressurge agora com a muito ansiada apresentação do seu
novo trabalho ‘The Magnetic Ridge’, oficial e integralmente lançado
hoje mesmo nos formatos físicos de vinil (pela mão da editora local Psychedelic
Salad Records) CD e cassete (estes com o carimbo editorial do selo
norte-americano Forbidden Place Records). Repetindo a bem-sucedida receita
usada na génese do primeiro álbum, este imersivo, apaixonante, impactante e criativo ‘The
Magnetic Ridge’ vem ensolarado, nutrido e flamejado por um intoxicante,
arenoso, lustroso e electrizante Heavy Psych que – de forma indiscreta e
fluída – desagua numa bifurcação que separa as paradísicas praias de um deslumbrante,
caleidoscópico, hipnótico e purificante Psychedelic Rock banhado a
intensa luzência solar, dos encarvoados pântanos embrumados por um intrigante, trevoso,
fibroso e aliciante Psychedelic Doom de coloração nocturna. Sintonizado
na mesma frequência dos norte-americanos All Them Witches e King Buffalo, dos germânicos Colour Haze, e ainda dos saudosos canadianos Quest for Fire, o segundo capítulo destes
místicos cowboys australianos vem ainda embelezado por arejados, meditativos
e aromatizados interlúdios de natureza Folky que nos
remetem para os solitários desertos do velho oeste. Num perfeito equilíbrio entre
a profunda imersão numa morfínica, labiríntica e atordoante hipnose que nos atesta
de febril embriaguez, e a enlouquecedora, efervescente e libertadora euforia que
nos sobreaquece de um ardor vulcânico e rasga as vestes da lucidez, galopamos as
desérticas planícies que se descortinam por entre a densa poeira cósmica deste ‘The
Magnetic Ridge’ completamente absorvidos pela sua feitiçaria xamânica. Na sagrada composição de toda esta empolgada, extasiante e embriagada paranoia deambulam
livremente duas guitarras endeusadas que se envaidecem na edificação de serpenteantes,
venenosos, poderosos e excitantes Riffs distorcidos e encrostados a
crocante efeito Fuzz, e na sónica condução de selváticos enxames de uivantes,
fugidios, escorregadios e borbulhantes solos, uma voz avinagrada, ecoante,
escarpada e liderante que pendula entre a inflamada rispidez e a gélida
placidez, um baixo motorizado – soberbamente groovy – de onduladas, oleadas,
magnéticas e estéticas linhas pesadamente bafejadas, e uma bateria expressiva –
esporeada a duas velocidades contrastadas – que tanto metralha de forma bélica e
tempestuosa os momentos de saturada explosividade, como tiquetaqueia com polido
requinte as passagens mais bonanceiras do disco. O fantástico artwork de
feições necrológicas que confere rosto a este álbum verdadeiramente épico pertence
ao inconfundível ilustrador Adam Burke (aka Nightjar Illustration). Se deste regresso de Jack Harlon & The Dead Crows
eu muito esperava, tudo ele me deu. ‘The Magnetic Ridge’ é um
registo incrivelmente híbrido que tanto nos centrifuga numa psicótica espiral
de emoções à flor da pele, como esbate numa entorpecida lisergia oxigenada a LSD.
Estamos mesmo na honrosa presença de uma obra genuinamente piramidal que aponta aos
mais elevados lugares da listagem que condecorará os melhores álbuns
florescidos em 2021. Embarquem destemidamente nesta quimérica odisseia de estimulação sensorial e glorificação espiritual sem destino predefinido e regresso garantido.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Forbidden Place Records
➥ Psychedelic Salad Records
domingo, 16 de maio de 2021
sábado, 15 de maio de 2021
sexta-feira, 14 de maio de 2021
quarta-feira, 12 de maio de 2021
terça-feira, 11 de maio de 2021
Review: ⚡ Lucid Sins - 'Cursed!' (2021, Totem Cat Records) ⚡
Regressado de um
longo jejum discográfico de sete anos – que principiara logo após o lançamento
do seu álbum de estreia ‘Occultation’ (2014) – o jovem duo
escocês Lucid Sins presenteia agora todos os seus discípulos com um novo
trabalho de longa duração, designado de ‘Cursed!’ e exteriorizado
sob a forma digital, de CD e vinil através do selo discográfico francês Totem
Cat Records. Embrumado e assombrado por enfeitiçantes, outonais, pastorais
e intrigantes melodias – encarvoadas a um negrume nocturno, melificadas a imersiva
melancolia e orientadas a um esotérico ritual – este segundo álbum da talentosa
formação enraizada na cidade portuária de Glasgow combina um demoníaco, sombrio,
dramático e misterioso Proto-Doom de enigmáticas ressonâncias Black Sabbath’icas,
com um fluído, aliciante, extravagante e ornamentado Classic Rock lavrado
à boa moda dos britânicos Wishbone Ash, um sumptuoso, deslumbrante,
magnetizante e sinuoso Progressive Rock de inspiração setentista,
e ainda um rústico, cerimonioso, umbroso e bucólico Neofolk de feições
pagãs. A sua sonoridade heterogénea – trajada a adereços tradicionais e condimentada
a uma fragância vintage – envolve e revolve o ouvinte numa enfeitiçante,
druídica, obscura e intoxicante liturgia de adoração ocultista que o magnetiza, eteriza
e namora do primeiro ao derradeiro tema. Contando com a preciosa colaboração de
outros músicos locais que, desta forma, enriquecem e amadurecem as ambiciosas
composições desta épica obra, ‘Cursed!’ trata-se de um registo
tristemente belo que nos dilata as pupilas, empalidece o semblante e embevece o
espírito. Na génese deste intenso encantamento impossível de ser quebrado, está
uma guitarra lírica que se manifesta em vaidosos, atraentes e assombrosos
acordes de onde são esvoaçados solos ziguezagueantes, ácidos e atordoantes, uma
bateria soberbamente jazzística de toque polido, flamejante,
leve e cintilante, um baixo murmurante de linhas fibradas, trevosas e lubrificadas,
um teclado jupiteriano de harmonias exuberantes, polposas e absorventes, um melodramático
violino de mugidos uivantes, enfáticos e penetrantes, e ainda vocais sedosos, aristocráticos
e pomposos que esculpem com superior vistosidade toda esta joia erudita. A ilustração
de natureza surrealista e datada do século XX que confere rosto a esta sublime
maldição, aponta os seus créditos autorais ao clássico ilustrador inglês Alan
Elsden Odle. Este é um álbum verdadeiramente excepcional – executado a
exímia maestria e pincelado a intocável formosura – que em mim imortalizara
todo um sentimento de venerada admiração. Dele regresso com os sentidos
desmaiados, a respiração travada, alma reconfortada, e ainda a forte convicção de que muito dificilmente
este não será – aos meus ouvidos – o melhor álbum do ano. Ensombrem-se e mistifiquem-se nele.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Totem Cat Records

























