sábado, 12 de junho de 2021
sexta-feira, 11 de junho de 2021
quarta-feira, 9 de junho de 2021
segunda-feira, 7 de junho de 2021
domingo, 6 de junho de 2021
sexta-feira, 4 de junho de 2021
Review: ⚡ King Buffalo - 'The Burden of Restlessness' (2021) ⚡
O incansável tridente
nova-iorquino King Buffalo acaba de lançar ‘The
Burden of Restlessness’ – o primeiro de três álbuns que se desafiara
a produzir neste virulento ano de 2021 – pela mão da germânica Stickman
Records em formato digital e ainda sob a forma palpável de CD e vinil. Embalados
numa evolutiva e inescapável hipnose que se absorve num tantalizante, morfínico,
xamânico e enfeitiçante Psychedelic Rock de paladar cósmico e dançante palpitação
Krauty sintonizado na mesma frequência de Papir e All
Them Witches, e revolve num efervescente, inflamado, carregado e erodente Heavy
Psych – encrostado por uma escaldante, intensa e crocante distorção Fuzzy
– de sinuosas guinadas Progressivas à boa moda Tool’esca, os conceituados King Buffalo dão mais um firme passo em frente na sua discografia nivelada pela quantidade e qualidade.
A sua sonoridade misteriosa, psicotrópica e libidinosa viaja o ouvinte de uma
letárgica placidez com vista para o gélido, enlutado e solitário espaço, a uma frenética,
catártica e enlouquecedora embriaguez de sentidos centrifugados e naufragados na
chamejante ardência das fornalhas estelares. Toda uma ambiência ritualista de
preces arremessadas na direcção da intimidade sideral que se adensa do primeiro
ao derradeiro tema. São 40 minutos de inesgotável transe que nos faroliza,
eteriza e imortaliza numa inquebrável dança orbital em torno de King Buffalo.
Celebrado por uma guitarra celestial de magnetizantes, intoxicantes e
obsessivos Riffs que se serpenteiam repetidamente numa escadaria em
espiral, e ácidos, delirados e uivantes solos que nos golpeiam, mastigam e
cospem a lucidez, um pulsante baixo deliciosamente groovy de ondeantes,
murmurantes e insufladas linhas que sombreiam e soletram o Riff-base,
uma bateria tribalista de toque cintilante, preciso e galopante, um místico sintetizador
que ausculta os secretos territórios alienígenas, e uma voz profética de tez robotizada,
aveludada e melódica, este ‘The Burden of Restlessness’ adjectiva-se
como um álbum de propriedades terapêuticas, desígnios esotéricos e efeito
reparador. Um poderoso alucinógeno que em nós provoca toda uma catártica
explosão de afago espiritual e dilatação consciencial. O incrível artwork
– que confere rosto a esta quimérica odisseia pela obscuridade espacial – pertence
ao saudoso, largamente talentoso e inimitável ilustrador polaco Zdzisław
Beksiński.
Embarquem nesta nirvânica vertigem pelas profundezas abissais do oceano cósmico,
locomovida a diferentes velocidades e orvalhada a climas contrastados. Um sempiterno
ricochete entre a suavidade e a aspereza, a quietude e a fervura, a sanidade e a insanidade, a gravidade e
a leveza. Longa vida a King Buffalo.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Stickman Records
quinta-feira, 3 de junho de 2021
quarta-feira, 2 de junho de 2021
Review: ⚡ Dunbarrow - 'III' (2021) ⚡
Depois do seu auto-intitulado
álbum de estreia (aqui largamente elogiado) e do seu irretocável sucessor
(aqui desavergonhadamente namorado), os pagãos noruegueses Dunbarrow
presenteiam agora todos os seus fiéis discípulos com a intrigante narração do
seu terceiro conto gótico, musicado a soturna luminescência, batizado de ‘III’
e muito recentemente lançado pela jovem editora discográfica local Blues for the Red Sun
através da forma digital e dos formatos físicos de CD e vinil. Repetindo a
bem-sucedida receita sonora que – desde a fundação desta banda escandinava – condimenta
todas as suas poções, enfeitiçadas a magia negra e borbulhadas num fumegante,
ácido e fervilhante caldeirão consumido pela chamejante ebulição, ‘III’
vem enlutado, inflamado e demonizado por um provocante, cadavérico, despótico e
magnetizante Proto-Doom de estirpe clássica – que coliga a sombria
radiação de Black Sabbath com a misantrópica opulência de Pentagram
e a ritualística feitiçaria de Witchcraft – e prostrado, mitigado e anoitecido
por um envolvente, melancólico, bucólico e plangente Dark Folk de murcha
tonalidade sépia. Contando ainda com rendilhadas, charmosas, aventurosas e
elaboradas composições de feições Prog’ressivas a fazer
recordar a exuberância em desalinho dos britânicos Wishbone Ash, a sonoridade verdadeiramente
inquisidora, poderosa, umbrosa e conquistadora deste fantástico, decrépito e erudito ‘III’
enegrece, empalidece e atemoriza o profanado espírito do ouvinte, como que baixas
e pardas nuvens a amontoarem-se de forma opressiva nos carregados céus de um triste,
mudo e pesado dia de Outono. De olhar arregalado, semblante pasmado, respiração
travada, epiderme arrepiada e alma invadida pela herética liturgia de Dunbarrow, somos agitados e amaldiçoados pelas luciféricas danças de duas guitarras tirânicas que se avultam em
enfeitiçantes, desdobráveis, admiráveis e protuberantes Riffs de onde gritam e esvoaçam majestosos, ziguezagueantes, trepidantes e lacrimosos solos de funesta
beleza, açoitados pelas fibradas rédeas de uma opulenta bateria trauteada a altiva,
precisa, incisiva e imaginativa ritmicidade, encarvoados pela hipnotizante, densa,
tensa e ondeante reverberação pesadamente bafejada de um baixo arrogante,
submergidos nas sinistras fábulas narradas por uma voz avinagrada, lúcida, melódica
e aristocrática, e ainda sublimados pelas inquietantes, harmoniosas, odorosas e
saltitantes notas mugidas por um teclado sorumbático que nebuliza dois dos oito
temas que compõem este extraordinário registo. É-me ainda inevitável destacar o
pormenorizado artwork de ambiência trágica, medonha e vampírica que casa
na perfeição com a fatídica musicalidade dos nórdicos. São 39 minutos atestados
de imersiva bruxaria que nos embruma a lucidez e conspurca a religiosidade.
Não vai ser nada fácil – ou sequer desejado – desenterrar o nosso corpo dos trevosos
abismos de Dunbarrow. Um dos mais álbuns mais dominantes do ano está
aqui, na inspiradora, transformadora e ocultista celebração de uma das minhas bandas de eleição. Comunguem-no
e vivenciem-no com inquebrável assombração e inesgotável devoção.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Blues for the Red Sun




















